Vidas Cruzadas
6 Capítulo 06
Notas iniciais
Tobias
Eu que pensei que a noite seria chata mas me enganei completamente. Tris acabou se tornando o centro das atenções, geralmente as mulheres não se envolvem nos assuntos do trabalho, nessas festas elas preferem se juntar e conversar sobre coisas que elas entendem, mas não Tris, claro que sendo ela teria que ser diferente, não só por ela estar conversando sobre os nossos assuntos, como, principalmente, pelo fato de entender do que está falando. Ela passa uma confiança extrema, apesar de pequena definitivamente preenche qualquer ambiente. Todos ficaram impressionados com ela.
Depois de algumas horas conversando, a chamo para irmos embora e ela aceita prontamente, acho que ela, assim como eu, apesar de estar participando ativamente da conversa não se interessa de fato pelo assunto.
Nos despedimos de todos e vamos embora. Chegando no carro eu abro a porta para que ela entre e entro logo em seguida.
– Quer dormir lá em casa hoje? – Pergunto e ela me olha com um sorriso.
– Quero ir para sua casa sim, mas dormir é a ultima coisa que quero fazer. – Não consigo me conter e solto uma gargalhada.
– Você não precisa fazer nada que não queira, mas se sinta livre para fazer o que tiver vontade.
– Pode deixar que eu farei. – Ela morde o lábio inferior. Se ela soubesse o que esse simples gesto provoca em mim. Por que a minha casa tem que ser tão longe?
Vamos durante todo o caminho conversando sobre as historias da noite e sobre as pessoas. Chegamos em casa e subimos direto para o quarto. Vamos tirando a roupa pelo caminho e quando finalmente chegamos ao quarto já não estamos vestindo nenhuma peça. Ela está encaixada em mim com as pernas em volta da minha cintura e as mão no meu cabelo. Ela o puxa com tanta força que eu provavelmente deveria estar sentindo dor, mas com ela tudo é apenas prazer. A ponho sentada na poltrona, me ajoelho e começo a beijar suas pernas, vou subindo lentamente dando algumas mordidas bem de leve par não machuca-la até chegar em sua parte mais sensível, passo minha língua de leve e a sinto se contorcer de prazer, aumento a velocidade dos movimentos da minha língua e ela agarra mais forte os meus cabelos. Quando ela está prestes a atingir seu limite de prazer eu paro e sento na poltrona com ela em meu colo. Começamos com movimentos lentos enquanto no beijamos e eu aperto sua bunda, ela arranha as minhas costas com suas mãos pequenas, porém firmes. Vamos aumentando o ritmo e as caricias. Dou mordidas de leve em seu pescoço e seios e a sinto gemer cada vez mais alto e em cada gemido ouço meu nome, comigo acontece a mesma coisa. Sinto que ela está quase lá e aumento o ritmo, a vejo se contorcendo de prazer e isso é o suficiente para que eu atinja o ápice também. Ela me abraça ofegante com o coração acelerado e descansa a cabeça em meu pescoço. Me recosto na poltrona esgotado. Ficamos assim por um tempo até que ela sussurra em meu ouvido.
– Acho que não consigo levantar, minhas pernas estão um pouco dormentes. — Ela sorri e eu a acompanho.
– Foi tão bom assim? – Ela levanta a cabeça para me olhar.
– Maravilhoso. – A carrego em meu colo e ponho na cama.
Deito ao seu lado e ficamos olhando nos olhos um do outro por uns minutos sem falar nada, quando sinto sua mão me acariciando em um lugar bem sugestivo. Olho onde sua mão está e ela me lança um olhar inocente.
– Eu lhe avisei que a última coisa que eu queria fazer era dormir. – Faço o mesmo com ela. Ficamos na noite toda nos amando. Ela não estava brincando quando disse que a ultima coisa que ela queria era dormir.
– Já com o sol nascendo pegamos no sono abraçados.
Tris
Acordamos assustados com a campainha tocando insistentemente. Tobias levanta, veste uma calça e vai atender a porta. Visto uma camisa do Tobias, já que não faço ideia de onde está meu vestido. Aguardo Tobias voltar , pois, é claro que não vou descer vestida apenas com a camisa dele sem saber quem está lá embaixo.
Não demora muito e ele volta com minhas roupas nas mãos.
– Então, quem era? – Pergunto pegando as minhas roupas e começo a vesti-las. Ele esfrega a nuca com as mãos e me olha. Já sei que não vem coisa boa.
– Minha mãe. – Essa não, a perua de meia idade deve estar querendo aprontar alguma comigo. – Ela quer almoçar conosco. – Só se for para me envenenar.
– Infelizmente eu não poderei. – A parte do infelizmente é mentira. – Só estou com as roupas de ontem e não são adequadas para um almoço. – Essa parte é verdade, estou com um vestido de festa.
– Podemos passar na sua casa e você troca de roupa. – Não estou muito afim de ir.
– Você quer mesmo ir? – Por favor diga que não!!!
– Raramente almoçamos juntos, se não for ela vai me encher por bastante tempo. – Respiro fundo e levanto.
– Certo, então vamos.
Chegamos ao restaurante, é um restaurante Francês desses bem frescos que só gente muito rica vai, com certeza a mãe dele está achando que não sei me comportar e vou passar vergonha, mas para a infelicidade dela eu sei me comportar muito bem. Essa perua está me subestimando. Se esse é o plano dela para revidar por ontem é um plano muito fraco.
Nos sentamos na mesa que ela reservou, mas ela ainda não chegou. Alguns minutos depois a vejo entrando e ao seu lado Nita. Não sei se vou conseguir manter a calma hoje.
Agora vejo qual era o plano de Evelyn, acho que eu quem a subestimei. Ela se aproxima da mesa e senta.
– Boa tarde, queridos. Olha só quem eu encontrei no caminho, não é uma coincidência? – Até parece. Ela está com um sorriso tão falso quanto uma nota de duzentos dólares. Tobias olha para ela com uma expressão nada satisfeita.
– Achei que o almoço era só para nós três. – Ele fala repreendendo a mãe, que pouco se importa.
– O que é isso Tobias, que mal tem convidar a Nita para almoçar conosco, vocês foram casados por cinco anos, podem muito bem ter uma relação civilizada mesmo divorciados. Aposto que a Tris não vai se importar, não é querida? – Minha vontade é pular no pescoço dela e arrancar aquele sorriso com as minhas mãos. Mas resolvo entrar no jogo dela.
– Claro que não.
Analiso o cardápio enquanto elas fazem os pedidos.
– Vou querer um Foi Gras. – Não consigo conter o riso, uma perua pedindo fígado de pato. Isso pode ser considerado canibalismo?
– O que foi querida? — Evelyn pergunta desconfiada.
– Nada apenas me lembrei de algo engraçado que ouvi hoje.
– Acho que vou querer o mesmo. – É impressão minha ou a voz de Nita fica mais irritante a cada segundo? – Lembra Tobias, quando comemos esse prato na nossa primeira viagem a Paris? – Tobias não responde, continua olhando o cardápio.
– Você já foi a Paris, Tris? – Não é minha impressão, a essa altura sua voz já soa como um gato sendo torturado.
– Não, mas pretendo um dia. – Falo sem olhar para ela, a imagem do gato torturado parece ser mais agradável.
– Quando for não deixe de Comer O Foi Gras no L’Ambroisie, foi lá que o Tobias e eu comemos. Estávamos em nossa segunda lua de mel. – E quem te perguntou vadia? Já estou perdendo a paciência. O Tobias não faz nada apenas fica olhando para o cardápio parecendo ignorar o restante do mundo.
– Não creio que possa fazer isso, sou vegetariana. Comer fígado de pato não está em meus planos.
– Então é vegetariana, Tris? – Pergunta Evelyn com falso interesse. – Pena dos animas mortos?
– Sim, mas já estou começando a reconsiderar, pelo menos com as aves. Acho que não tenho mais tanta pena das peruas, quer dizer dos perus. – Nessa hora até Tobias me olhou. Olhei para ele como quem diz: Não vou ficar aqui ouvindo isso sem fazer nada, e parece que ele entendeu.
– Tris, já sabe o que vai pedir?
– Sim, vou querer um Fricassé de legumes com coentro. – falo olhando para o garçom.
– Vou querer o mesmo. – Tobias fala me olhando.
Nita continua falando sobre as viagens que ela e Tobias fizeram, Evelyn, obvio a incentiva e eu penso em várias formas de mata-las sem sujar o meu vestido, até agora já encontrei vinte e sete.
A mesa mais parece uma guerra fria, elas me atacando de um lado e eu as atacando do outro, mas o que mais me irrita não é o fato de elas estarem declaradamente tentando tornar o meu almoço um inferno, o que realmente me incomoda é o Tobias, ele não faz nada, não fala nada, está apenas comendo.
Ele me arrastou para esse lugar, no mínimo deveria estar me defendendo, minha vontade é levantar e deixa-los aqui, mas não vou dar esse gostinho para essas piranhas mal amadas.
Finalmente, depois do que me pareceu uma eternidade o almoço acaba e vamos embora. Não sei quem ganhou a guerra, talvez eu por estar em menor número.
Entro no carro seguida por Tobias, coloco o cinto e fico séria.
– Para onde quer ir agora? – Ele pergunta como se nada tivesse acontecido.
– Para casa. – Respondo de forma fria olhando para a janela.
– Pra casa? Mas ainda temos o dia inteiro para aproveitar. – O Tobias só pode estar me testando.
– Pois bem, aproveite sozinho ou chame sua mãe e Nita. Só me deixe em casa. – Continuo olhando para a janela. Ele puxa o meu queixo para que eu olhe para ele.
– O que foi? – Sério, o que foi? Ele tem coragem de me perguntar isso?
– O que foi? Você estava no mesmo lugar que eu? Porque se estivesse teria visto que tanto sua mamãezinha, quanto sua não tão ex mulher, porque eu nunca vi uma ex mulher tão presente, passaram o almoço inteiro me provocando. – Já estou quase gritando, então respiro fundo para me acalmar.
– Deveria tê-las ignorado, como eu faço.
– Sério Tobias? Essa é a sua solução para as coisas, ignorar? Um problema surge, mas pra que se preocupar, vamos ignorar, funciona tão bem não é?
– O que você queria que eu fizesse?
– Qualquer coisa, com tanto que fizesse algo, não me deixado só, porque foi assim que eu me senti. – Já estou quase chorando de raiva.
– Me desculpe Tris, não queria que tivesse se sentido assim, mas ela é minha mãe, não pude fazer nada.
– Você tem o que, dez anos de idade? Já está na hora de enfrentar sua mãe Tobias. Você não pode ficar ignorando as atitudes dela para sempre.
– Nem todo mundo é como você Tris, nem todo mundo sabe sempre a coisa certa a dizer e tem uma resposta na ponta da língua o tempo inteiro. – Ótimo, agora ele ficou chateado comigo.
– Deixa pra lá Tobias, só me leva pra casa, certo?
Me viro novamente para a janela e dou a conversa como encerrada. Ele dá partida no carro e me leva para casa, não falamos nada o caminho inteiro. Quando chegamos eu saio do carro batendo a porta sem falar nada com ele.
Entro no prédio e encontro com meu vizinho do 603, o Peter. Ele está cheio de sacolas nas mãos.
– Quer uma ajuda? – Ele sorri ao me ver.
– O processo não deveria ser inverso?
– Deixa de besteira, me dá uma sacola dessas. – Pego uma sacola e vejo que dentro tem muitos salgadinhos.
– Alimentação saldável, né?
– Vou dar uma festa hoje em minha casa, a propósito, está convidada. – Preciso me distrair hoje, mas não sei se é uma boa ideia.
– Vou pensar. – Entramos no elevador.
– O namorado não deixa? – Ele levanta uma sobrancelha.
– Nada disso. – Claro que Tobias não gostaria, mas no momento a opinião dele pouco me importa. – Só não estou com clima para festa.
– Se mudar de ideia é só bater no apartamento ao lado.
– Pode deixar.
O elevador chega ao nosso andar e eu lhe entrego a sua sacola.
– Boa festa. – Digo indo em direção ao meu apartamento.
– Mudando de ideia é só aparecer.
Entro no meu apartamento e vou direto tomar banho. Quando saio do banho vejo ligações perdidas do Tobias em meu celular, mas as ignoro. Eu me conheço se eu falar com ele agora vamos brigar ainda mais. Desligo o telefone e escolho um livro para ler. Memorias do Subsolo é a minha escolha de hoje.
Deito no sofá já vestida com meu pijama, eu sei que ainda são três da tarde, mas não pretendo sair mais de casa.
Não sei quantas horas se passam, mas já passei da metade do livro quando ouço a campainha tocar. Me enrolo no cobertor e vou atender a porta.
– Oi vizinha, só vim checar se não mudou de ideia sobre a festa. – Quando eu me preparo para responder ouço uma voz muito familiar.
– Está indo para uma festa? – Tobias aparece atrás do Peter. Peter olha para trás e quando ele abre a boca para dizer alguma coisa eu o interrompo.
– Muito obrigada pelo convite Peter, mas acho melhor você voltar para a sua festa, seus convidados devem estar sentindo a sua falta.
– Tudo bem, mas se mudar de ideia, é só tocar a campainha. – Ele sai e volta para o seu apartamento.
Tobias cruza os braços e se aproxima mais da porta.
– É incrível como eu não posso dar as costas que alguém aparece te convidando para alguma coisa. – Ele para bem em minha frente e me encara.
– Não exagera Tobias e o importante não é se me convidam ou não e sim minha atitude quanto a isso, aliás, conhece o significado dessa palavra? – Ele suspira e descruza os braços.
– Eu não vim aqui para brigar.
– Veio para que então? Me convidar para jantar com a sua mãe e sua ex mulher?
– Não, eu vim para te pedir desculpas, você tem razão, não deveria nem ter aceitado o convite, quanto mais ter deixado elas falarem com você daquela forma. Mas você tem que me entender, com a Nita não tem problema, mas não posso tratar minha mãe mal.
– Entra, vai, não vamos ficar discutindo aqui no corredor. – Me afasto para ele entrar. Fecho a porta e sento no sofá. Ele se senta junto comigo e ficamos de frente um para o outro.
– Não estou dizendo para você brigar com sua mãe só estou dizendo que você tem que se impor mais, você deixa sua mãe lhe tratar como se você tivesse dez anos de idade e não fosse capaz de tomar as suas próprias decisões. Eu não sei se consigo me relacionar com alguém que não sabe se impor. – Ele segura as minhas mãos e vejo sofrimento em seus olhos.
– Me perdoa, eu sei que está tudo errado na minha vida, a única coisa que eu sei que está certo é você, nós. Não desista de mim. Minha vida mudou completamente desde que eu esbarrei em você naquela noite. Você trouxe a vida de volta para mim. – Ele me abraça tão forte que por um momento chega a ser doloroso, mas seu abraço é só um reflexo do seu desespero.
– Não vou desistir de você.
Continuamos abraçados sentido a necessidade de um pelo outro.
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