Vidas Atadas

6 Capítulo 5


-Não lamenta por estar preso com uma criança e toda essa merda?

Preso. Sofia colocou seu mundo de pernas pro ar, mas para Jacob a lua e as estrelas brilhavam por ela. Estava completamente louco por sua pequena filha.

Pensar em seu doce rosto, em seus olhos grandes e curiosos, em seu sorriso sem dentes e bochechas gordinhas o enchia de tanto orgulho e amor, que estava malditamente perto de ficar a cantar.

-Não me queixo. – Jacob respondeu.

-De verdade? Então, como faz para trocar fraldas?

-Não é pior que tirar com a pá a merda quente das vacas.

Embry bufou.

-Se você diz.

Os comentários sarcásticos de seu irmão sobre Sofia estavam incomodando. Jacob apoiou seu antebraço no poste e tratou de conter seu temperamento.

-O que se supõe que significa isso?

-Nada

-Digo a sério. Por que sempre diz coisas como essa, Embry?

-Talvez devesse perguntar por que está tão suscetível a respeito.

Ultimamente não posso dizer nada sem que pule em meu pescoço, mano. — Embry continuou trabalhando com o arame de farpas e não o olhou.

-Ah sim? Pode ser que esteja um pouco chateado porque meu único irmão não se incomodou em deslocar 60 milhas para conhecer minha filha.

-Não me dão bem os bebês. — disse em voz baixa. -Já sabe.

Faz duas semanas, tampouco davam bem a Jacob.

-Olha, não vou te obrigar a trocar fraldas.

Embry franziu os lábios.

-Mas eu gostaria que fosse vê-la. Além de sua mãe, é a coisa mais bonita do mundo.

-Suponho que é. Mas, pensou que poderia não ser boa idéia que a visse? Ou que ela me visse?

-Você bateu com um martelo na cabeça?

-Por que diz isso?

-Porque o que diz não tem nenhum sentido.

Embry olhou com os olhos entrecerrados.

-Sim? Esqueceu no ano que esteve fora que somos gêmeos idênticos? Talvez ter em frente dois homens que parecem seu pai poderia confundi-la?

Diabos. Isso não o ocorreu.

-Sei que está muito apegado a ela, e maldição, já me equivoquei com a mãe dela uma vez.

Jacob não sabia como responder. Por uma vez, seu irmão tinha razão.

-Agradeço sua honestidade. Mas não foi culpa sua que eu nunca esclarecesse com Renesmee que eu não era você. Deixei passar minha oportunidade de dizer e agora tenho que viver com minha estupidez.

Durante alguns minutos só escutaram os sons dos insetos, os pássaros e as ferramentas golpeando contra a terra calcada.

Um suspiro cansado flutuou de onde Embry trabalhava a terra.

Embry cortou uma seção de arame.

-E Renesmee? O que ela espera de você?

-Quem demônios sei? — frustrado, Jacob golpeou com o pé a escavadora com a que estavam fazendo os buracos para os postes. -Não falamos de nada, exceto de Sofia.

-Isso era previsível, não?

-Provavelmente. Mas já passaram algumas semanas desde que me mudei. Pensei que eu me ocupando da bebê pela noite Nessie descansaria e poderíamos falar de outra coisa de manhã... Mas quando saí da ducha, ela já fez a cama. Quando tentei…

-Espera, espera… — Embry parou levantando uma mão enluvada. –Disse que fez a cama? Está compartilhando a cama com ela?

-Sim.

-Vamos homem, por que se preocupa de falar com ela se já está entrosado?

-Porque não estou.

-Não o que?

-Não estou entrosado, ok?!

Um olhar aturdido cruzou o rosto de Embry e depois riu tão forte que se caiu no chão.

Quando Jacob acreditou que já aguentou bastante as gargalhadas de seu irmão, disse:

-Não é divertido.

-Sim, sim é. Jesus, Jake. O último ano em Wyoming o transformou em um monge? Está dormindo na mesma maldita cama com Renesmee, a mulher com quem tem uma filha, a mulher que está loucamente apaixonado há um ano e não tratou de fazer amor com ela? Ao menos uma vez?

-Não.

-A presença do bebê no quarto impede… já sabe... Gera pânico cênico ou algo assim?

-Que merda quer dizer com pânico cênico? Não. Não tenho nenhum problema para que levante.

-Ter o bebê escutando os chiados da cama não afeta?

-Não sei!

-Isso é bastante triste, homem. Triste.

-Não, merda.

-Assumo que você ainda a quer.

-Como você nunca poderia chegar a acreditar.

-Então, por que joga a toalha tão cedo?

-Não fiz. — Jacob chutou um torrão de terra da sarjeta. -Prometi a Nessie que seria um cavalheiro. Primeiro preciso estar com ela no quarto e aprender a cuidar de Sofia. Acredito que quando Nessie se acostumar a me ter a seu redor e recuperar sua confiança as coisas podem mudar. Só utilizamos a cama para dormir. Nada mudou. Estou esperando que ela me de algum tipo de sinal.

-Esse é o problema. Que esteja esperando. Agindo como um cão mulherengo, feliz com as sobras. – Embry parou e pôs o cortador de arame em seu bolso traseiro. -Olha, as mulheres dizem que querem que seja um cavalheiro, quando na realidade querem um homem que tome a iniciativa... Sexualmente falando.

-O que?

-Me escute bem. Uma mulher quer um homem que não possa manter suas mãos afastadas dela. Um homem que a faça sentir feminina, sexy e necessária. Desejada, mas de forma que mantenha sua independência fora do quarto.

Observou Embry com a boca aberta. O que aconteceu a seu irmão? Embry era pior que ele quando se tratava de falar sobre essa merda das relações sentimentais. Embry alguma vez pensava em homens e mulheres além das conversas típicas nos vestuários como, “foder” ou “vou fodê-la” ou “é boa com a boca”?

-Uma mulher como Renesmee está acostumada a confrontar todos os golpes que dá a vida. — continuou Embry, evitando o estupor de Jacob. -É ambiciosa. Está convencida de que tem que estar no comando de seu negócio, de sua família, e provavelmente de sua sexualidade.

Estremeceu com um estranho sentido de “déjà vu” que descrevia muito bem Renesmee.

-Pode ser que inconscientemente esteja procurando um homem que tome as decisões na cama. Assim, enquanto não faça nada, não verá como um homem de verdade, só será outra pessoa em sua vida da que é responsável.

Deus. Tinha razão. Nessie esteve ensinando como cuidar de Sofia, igual a ensinava seus empregados a fazer seu trabalho. Via só como outro projeto que terminar? Pretendia treinar como membro do Departamento de Criação dos Filhos e depois passar alegremente a seguinte tarefa?

Era um inferno.

-Acredito que a única forma em que pode lutar contra a forma de pensar de Renesmee é demonstrando que está errada.

-Quem é você?

Embry ruborizou.

-O que acontece? Toda a família quer que eu mude e quando faço me dizem que não é possível? Ou acreditam que não posso?

-Merda. Sinto muito. Só que não posso acreditar que Renesmee queira… — queira o homem que Jacob estava acostumado a ser. Essa idéia era mais que estranha. Mas valeria a pena tentar, já que nada mais parecia estar funcionando. -De onde tirou tudo isto, Embry?

-Durante o último ano tive um montão de tempo para refletir sobre o imbecil que fui com as mulheres. — arrepiou, como se a admissão picasse. -Além disso, não é minha culpa... Culpa a meu companheiro de quarto.

-Que tem a ver Quil com tudo isto?

-Desde que nosso primo deixou de beber, esteve buscando a si mesmo. Sempre trazendo para casa livros de auto-ajuda. Eu não tinha nada melhor que fazer, assim estive lendo. Espero que se encontro uma mulher que realmente gosto, não pôr os pés pelas mãos e ser tão idiota como você.

-Ouça! Obrigado!

-Não há de que. — Embry bateu no braço. -Senti sua falta, estúpido filho da puta.

-O mesmo digo... — seguiu o exemplo de Embry e deu um murro no braço. -Então, o que devo pelo conselho? Um dólar?

-Vou pensar em algo... – Embry piscou e eles riram.

***************

Todas as mulheres da fábrica se detiveram quando Jacob entrou no Nessie Blue.

Não importava que suas botas estivessem manchadas de barro, nem que seu jeans estivessem cheios de pó e que sua camisa tivesse manchas de terra no peito. Tampouco importava que parecesse que sentou no chapéu antes de colocar. O homem tomou o comando do lugar.

Ana e Suze deram uma olhada a seus reflexos nos baldes de metal, mas Jacob só tinha olhos para ela... Renesmee obrigou a si mesma a permanecer quieta enquanto ele se aproximava. Quando ele deu um sexy sorriso, seu estômago deu um tombo.

-Olá, chefa. Como vai?

-Bem. Saiu cedo do rancho.

Ele encolheu os ombros.

-Um dia estranho. E você? Quanto falta para sair?

-Outra hora mais.

-Necessita ajuda?

-Com o que?

-Algo. — ele se aproximou. -Algo que possa fazer por você.

Por mim? Ou a mim? Oh sim, vaqueiro. Vamos para casa. Tire essas sujas roupas e me espere na cama. Nu. Com uma fibra de palha entre os dentes e esse malvado sorriso de “quero-deitar-no-fardo-de-feno-mais-próximo”.

-Nessie? — ele murmurou.

O olhou. Deus. Era tão alto. Tão grande e amplo. Tão resolvido. Tão atento. Estava tão bom. Tão... Aqui.

-Está bem, querida?

-De verdade que não sei.

Jacob deslizou o nódulo de seu dedo indicador pela linha de sua mandíbula.

-Eu a vejo bem, muito, muito bem, mas possivelmente deveria estar na cama.

A boca de Renesmee secou como se estivesse cheia de leite em pó.

-Me deixe te levar para cama e cuidar de você.

Siimmm!

-Ah.

-Que tal se sairmos daqui? — sua voz se converteu em um grunhido sexy. -Agora!

Antes que Renesmee pudesse arrastá-lo para casa para obrigá-lo a cumprir as promessas que escureceram seus olhos, Annie gritou do escritório.

-Nessie. Yellow Wheel Promotions. Linha dois.

Ela recuou tão rápido que a mão de Jacob saiu em disparada para estabilizá-la.

-Não queria te assustar.

-Não fez. – mentirosa. -Tenho que atender essa chamada.

-Esperarei dando uma olhada. Importa?

-Não.

Então Ana se dirigiu para lá. Sorrindo abertamente e batendo as asas de suas falsas pestanas.

-Estarei encantada de mostrar tudo.

-Não é necessário. – Nessie respondeu prontamente.

-Será um prazer, sim, um verdadeiro prazer. Parece estranhamente familiar... Nos conhecemos? – Ana insistiu.

-Não senhora. – Jacob respondeu.

-Parece familiar, Ana, porque nossa filha é cuspida a ele.

Jacob a olhou assombrado quando Renesmee respondeu e ela não pôde conter um sorriso.

-É o pai de Sofia... Jacob Black. – Nessie começou a fazer as apresentações. –Jake, essa é Ana Bancroft.

-Encantado de conhecê-la Srta. Bancroft.

Quando Annie gritou:

-Nessie, ouviu? Linha dois... — Nessie teve que deixar Jacob a sós com Ana.

Dez minutos mais tarde, encontrou Jacob e Ana conversando sobre a sala onde secavam as ervas. Ele girou para vê-la se aproximar. Seu ardente olhar dizia “quero te comer” e conseguiu que seus mamilos endurecessem e seu ventre se apertasse. Então seu belo rosto iluminou quando percebeu que ela levava Sofia nos braços.

-Aqui está minha doce menina.

Sofia começou a dar chutes ao ouvir sua voz.

Ele sorriu amplamente.

-Sentiu minha falta, preciosa? Passou bem hoje com mamãe?

-Sua doce menina não dormiu mais de quinze minutos em todo o dia.

-Pode ser que então durma toda a noite, para variar. — ele acariciou o gordinho pescoço de Sofia. -O qual não é justo, porque é sua noite para estar com ela.

-Minha noite? Acreditava que estávamos fazendo turnos.

-Eu também, céus. Mas eu fiz todos os turnos ontem à noite. Não se moveu quando saí da cama... A meia noite... Às duas... Às quatro.

Ana riu entre dentes.

-Oh. Vou agora mesmo. — ainda sorrindo, disse... -Nadia quer falar com você antes que vá. Disse que é importante.

Ana desapareceu pelo corredor.

Renesmee conteve um gemido. Gostava de Nadia. Gostava que Nadia não temesse falar com ela inclusive quando tratava de manter a distância com todo mundo. Gostava que Nadia não a visse como uma rainha do drama. Mas caramba, chateava que Nadia fosse tão volúvel e Nessie não tinha que supor sobre que queria Nadia falar com ela. Outra vez.

-Me deixe levar Sofia para casa para que possa voltar para o trabalho. — Jacob a tirou dos braços de Nessie. -Vamos pequenina. Você e eu temos um encontro com uma mamadeira e um banho quente.

-Quer levar meu carro? Ou só vai tirar a cadeira de segurança para o bebê?

Ele franziu o cenho.

-Tenho uma cadeira em minha caminhonete.

-Desde quando?

-Desde o dia seguinte a minha mudança. Comprei uma imaginando que seria mais fácil se tivéssemos duas.

-Não sabia.

-Não perguntou. Parece que tem que me conhecer melhor, Nessie. – seus olhos se encontraram. -A vejo em casa.

Por que todo mundo estava tão estranho hoje?

No momento que Nessie voltou para seu escritório, Annie, uma quarentona e insensata vaqueira nativa de Wyoming, se lançou sobre ela como um coiote raivoso.

-Então Sofia não é fruto da imaculada concepção como nos fez pensar a todos.

Nessie bufou.

-Apesar de que é óbvio que esse espetacular pedaço de homem está malditamente perto de parecer um deus.

Nada que objetar a isso.

-Não olhou ninguém, só você. Deus! Da forma que te devorava com os olhos, todos pensávamos que ia te pegar aqui mesmo, na sala ao lado da cafeteira.

Suas bochechas arderam.

-O pai de Sofia está vivendo com você e você não me contou isso? Por Deus Santo, está dormindo com ele e guardou isso para você mesma?

-Não é o que você pensa.

-Não?

-Não.

-Então é idiota Nessie. Uma completa estúpida. — Annie elevou as mãos e saiu destrambelhando.

O que acontecia hoje a todo mundo?

Trinta minutos mais tarde Nadia bateu na porta e Renesmee fez gestos para que entrasse. De cabelo escuro e olhos marrons, Nadia era uma refugiada da Bósnia que emigrou aos Estados Unidos ajudada por uma igreja local.

No ano anterior, durante a entrevista de trabalho, Nadia descreveu a si mesma como a camponesa perfeita... Feia, magra como um pau, forte como um boi, sem educação e olhando sempre para frente sem queixar do trabalho. A descrição comoveu Renesmee, assim como a evidência de abusos físicos que mostrava Nadia em seus braços e rosto.

Apesar das repetidas tentativas de seus colegas de trabalho, que tratavam de convencer Nadia para que deixasse seu marido, e das promessas de Nadia que assegurava que ia abandoná-lo, Nadia seguia vivendo com seu abusador. Uma triste realidade na América rural, devido à falta de recursos sociais e financeiros, muitas mulheres não tinham escolha e seguiam vivendo com seus abusadores.

Toda a situação preocupava a Renesmee, e com toda franqueza, quase chama ela mesma o maldito xerife, mas como chefe de Nadia não podia misturar as coisas. A única vez que se aproximou de Nadia para oferecer qualquer tipo de ajuda que pudesse necessitar, a chorosa mulher disse que se metesse em seus próprios assuntos. E embora lamentando por ela, Renesmee fazia o que Nadia pediu.

Até o momento, Anton, o filho de Nadia, de quatro anos de idade, não mostrou sinais de abuso e era um menino bem adaptado, que brincava com os outros meninos na creche.

Em vez de permanecer de pé diante da mesa como se estivesse frente a um pelotão de fuzilamento, como estava acostumada a fazer, Nadia passeou de um lado para outro.

-O que acontece, Nadia?

Nadia caminhou preocupada até a parede mais longe e voltou.

-Eu gosto de trabalhar aqui. É bom para Anton, é bom para mim.

-Eu gosto de tê-la aqui. Não estou adulando quando digo que é uma empregada fantástica.

-Obrigada. — Nadia parou e olhou a Renesmee com olhos atormentados.

-Quando estou aqui trabalho duro... Preciso pedir um favor.

-Tudo bem, diga.

-Se meu marido ligar, eu gostaria que dissesse que não estou aqui.

Um espesso silêncio flutuou no ar.

O estômago de Nessie revolveu. Quantas vezes no último ano pediu Nadia esse favor? Provavelmente uma dúzia. No dia seguinte, Nadia se retrataria de sua petição, diria que estava estressada ou cansada e que não quis dizer isso. Então, negaria veementemente que seu marido tivesse algo a ver com sua decisão. Renesmee sofreu este tipo de comportamento de falta de integridade antes, com sua irmã, Claire, prometendo que ia se manter limpa... Estar sóbria. Deixar de usar e abusar de seu corpo e tomar o controle de sua vida.

Nadia seguia o mesmo padrão. Poderia ser cínica, mas Nessie não acreditava que esta vez Nadia manteria sua postura, assim tratou para que sua voz não mostrasse suas dúvidas.

-Sei que é uma pessoa reservada, Nadia, mas honestamente preciso entender o que está acontecendo. Por que eu deveria mentir a Rex?

-Porque o deixei. Esta vez é de verdade. Uma amiga está me deixando ficar com ela. Eu necessito deste trabalho e este é o primeiro lugar onde me procurará.

-Fico feliz de que tenha dado este passo, mas pensa que ele acreditará que foi e abandonou a cidade? Especialmente quando sabe o muito que você gosta de trabalhar aqui.

-Ele pensa que odeio este trabalho.

Isto era novo.

-Perdão?

Nadia levantou o queixo.

-Não é verdade. Menti. Durante as últimas duas semanas estive me queixando deste lugar, e de como estava ruim. De como odiava todos os que trabalhavam aqui. Inclusive dava a entender que estava procurando outra coisa e que encontrei outra creche para Anton.

Inteligente, preparando o terreno, mas Nessie ficava doente só pensando no cuidado que Nadia tinha que ter para sair dessa horrível e perigosa situação.

-Quando se der conta de que nós fomos, espero que pense que mudamos para Denver. Eu disse que tinha alguns primos lá.

-Tem?

-Não. Tampouco tenho nenhum amigo, assim não é possível que possa me seguir. Exceto aqui.

Renesmee se manteve calma e profissional embora quisesse fazer muitas mais perguntas e descobrir porque Nadia estava convencida de que essa extravagante artimanha podia funcionar. Bateu repetidamente a calculadora com a caneta, tratado de pensar em alguma questão que Nadia poderia não ter considerado, mas que afetasse a algum outro empregado.

-A mulher que está te ajudando é outra empregada daqui?

-Não. Nunca pediria isso a alguém ou carregaria com esse problema. Foi muito boa comigo, e é por isso pelo que detesto pedir este grande favor... Outra vez.

Incapaz de dizer que não, Nessie disse:

-Tudo bem. Informarei a Annie porque é quem atende a maioria das ligações telefônicas. Mas tem que me prometer uma coisa, Nadia.

-O que?

-Se algo mudar, se decidir voltar para casa ou se ele ameaçar tem que me dizer isso imediatamente. Não posso ir às cegas nesta situação quando tenho um negócio que cuidar e outros empregados, incluindo crianças, que considerar.

-Prometo. Mas desta vez é de verdade.

Nessie queria perguntar o que aconteceu para forçar a mudança. Queria saber se Nadia tinha suficiente dinheiro. Se Anton tinha seus brinquedos favoritos. Se Nadia estava assustada. Entretanto, Nessie não perguntou nada. Essas perguntas fariam a Nadia mais consciente de sua situação e poderia reconsiderar seu plano.

Fingiu olhar o relógio quando o único que pretendia era se manter firme e seguir o exemplo de Nadia, permanecendo séria e formal.

-Dez minutos até a hora de saída. Pode ser que seja melhor que informe a seus companheiros sobre o que está passando antes de ir.

Nadia assentiu com a cabeça.

Justo quando Renesmee tirava uma pausa e deixava cair à máscara de chefa dura, Nadia parou na porta e deu a volta.

-Esse homem que estava aqui antes. É o pai de Sofia?

-Sim.

-Por que ele não retornou antes, quando você estava grávida?

-É uma longa história e prefiro não entrar nela. Por que pergunta?

-Porque ele lembra meu marido. Um rude vaqueiro. Um homem grande que costuma demonstrar sua valia com os punhos.

-Jacob não é assim.

-Não se engane. Eles são assim. — disse Nadia, deslizando para a porta e deixando Renesmee aturdida, em silêncio.

************

Uma hora mais tarde, Renesmee entrava em sua silenciosa casa. Não havia sinais de Sofia ou Jacob na sala. Pode ser que estivessem trocando fraldas em cima.

Olhou no congelador e tirou uma caçarola com comida preparada que pôs no microondas. Colocou os pratos e os talheres sobre duas toalhas individuais e serviu dois copos de chá.

A escada rangeu e um recém tomado banho Jacob entrou na cozinha com uma mamadeira vazia.

-Está banhada, alimentada e dormindo. Nunca mais vou dizer que “dormi como um bebê”, aprendi que é uma grande mentira. Mas bom, está adormecida.

-Bem a tempo. O jantar está preparado.

-Deus. Isto parece delicioso. Obrigado por cozinhar.

-De nada. — desde quando eram tão educados e civilizados? Onde estava seu ardente olhar e sua proposta de levá-la para cama? Por que não aproveitava a oportunidade e dizia o que realmente pensava?

Jacob encheu um garfo com arroz e mastigou.

-Isto está muito bom. O que colocou?

-Acrescentei ervas aromáticas.

-Uhmm, isso.

Ele comeu. Ela comeu. Terminaram a refeição em um incômodo silêncio. Depois ela começou a lavar os pratos, e rejeitou a oferta de ajuda de Jacob. Finalmente, Jacob disse:

-Vai dizer o que está errado?

Ela fechou a porta do armário da cozinha.

-Não sei.

-Poderia ao menos fazer o favor de me olhar quando conversamos, coração?

Renesmee deu a volta.

-Não conversamos, Jacob.

-É esse o problema?

-Pode ser.

-Só há uma forma de mudar isso, Renesmee. Se tiver algo que me dizer, solta.

-Bem. Na falta de uma expressão melhor, digamos que estivemos brincando de casinha durante as últimas duas semanas.

-Brincando de casinha? Isso é o que acha que estamos fazendo?

-Não é assim? Apesar de que está vivendo comigo, compartilhando minha cama, hoje entra em minha fábrica e tratou de tirar minha calcinha diante de meus empregados.

Jacob levantou as sobrancelhas.

-Isso a zangou?

-Sim, fez. Posso parecer uma idiota, mas sim, fez me perguntar por que não utiliza essas habilidades com a língua quando estamos sozinhos.

-E onde quer exatamente que utilize minha língua com você?

Em todos os lugares.

-Sabe que não é isso o que quero dizer. E não ajuda muito a minha auto-estima pensar que estivemos dormindo na mesma maldita cama durante quase três semanas e…

-E o que?

Só tinha que dizer. Tranquilamente. Com confiança. Com dignidade. Finalmente falou...

-E por que não me tocou?

Ele piscou várias vezes.

-Pode dizer outra vez?

-Já me ouviu. Quero sinceridade, pois aí tem.

-Sim? Pedi que se casasse comigo, lembra?

-E disse que não. Isso não responde minha pergunta.

Jacob limpou a boca com o guardanapo com deliberada lentidão.

-A razão pela que não tenho feito nada mais que dormir a seu lado nessa cama é que estou seguindo suas regras, Nessie. Nunca disse o que queria.

-Você nunca pareceu interessado.

-Mentira. Haveria fodido sobre o sofá a primeira noite que passei aqui. Teria a deitado sobre cada maldita superfície desta cozinha de manhã, tarde e noite... A desejo como um louco. Não me importa onde, mas seguro como o inferno, que não vou começar nada com você até que esteja pronta para ter uma relação intensamente física comigo.

O estômago de Renesmee contraiu diante da intensidade de suas palavras.

-Está sendo todo um cavalheiro vaqueiro, não?

-Seguro como o inferno que o estou tentando, porque isso é o que me disse que queria no primeiro momento. E não é tão fácil como acreditava.

Ela em vez de admitir que errou ao pedir esse estúpido comportamento cavalheiro, brincou...

-Então por isso o peguei esta manhã fazendo uma punheta na ducha.

Seus olhos brilharam.

-Minha punheta foi uma resposta direta ao espetáculo que deu em meio da maldita cama justo cinco minutos antes.

-Que espetáculo?

-Como se supõe que tenho que reagir quando está servindo a si mesma em sonhos? – Jacob se inclinou para frente. -Vi como gozava. Fiquei tão duro como um fodido tijolo. E em vez de me arriscar a despertar Sofia e agir com você como um verdadeiro homem das cavernas esmurrando dentro de seu exuberante corpo nesse colchão, deixei o assunto em minhas próprias mãos... Porque tive um montão de experiência com isso no último ano.

Jacob pensava que seu corpo era exuberante? Renesmee o olhou fixamente... Excitada, confusa.

-Não esteve com ninguém?

-Não desde que você… Não desde a noite que concebemos Sofia em minha caminhonete, no estacionamento do Ziggy.

-Eu tampouco. – ela sussurrou.

Jacob levantou tão rápido que a cadeira caiu no chão.

-Ninguém me tocou desde essa noite... — enquanto ele se aproximava, ela recuou até que suas costas se chocaram com a borda do balcão. -Bom, quer dizer, me tocaram, claro... Quando estava grávida e dava a luz, mas ninguém… Nenhum homem… Exceto a parteira… Oh Deus, o que digo não tem sentido...

Seu cavalheiro vaqueiro estava justo em sua frente. Uma sexy ameaça. Um homem que perdeu a paciência.

-Renesmee...

-O que?

-Se cale.

E então aproximou sua boca e a beijou.

Notas finais
Sei que vocês vão querer me matar por eu ter parado justo aí neh? kkkk. Mas comentem e prometo postar bem rapidinho :)
Bjs