Vidas

1 Capítulo 1



Hoje acordei com menos vontade do que o normal, é verdade que custa muito sair da cama principalmente num dia como este em que não para de chover.Como é possível, estamos em Setembro e a chuva não nos deixa…

Hoje é um dia especialmente difícil, porque é o ultimo dia em minha casa, no meu conforto. Tenho medo e nem sei explicar o tamanho dele, eu sei que qualquer miúda deveria estar feliz por poder ir estudar para longe, fazer as coisas que mais quer sem ter de dizer alguma coisa aos pais. E acreditem, no inicio eu também fiquei, mas agora que a altura se aproxima eu só quero desistir. Eu não sei por quanto tempo irei aguentar, vários pensamentos me tem vindo á cabeça nestes últimos tempos. Como será viver sem o apoio dos nossos pais? Como será o ambiente na universidade? Como será a cidade? Como será o ano? Como vai ser as praxes?

E mais de mil perguntas surgiam, então antes que pudesse dar em maluca achei melhor levantar-me. Dirigi-me ao meu armário e vesti umas leggins pretas com uma camisola branca com um casaco de malha preto.

Quando desci, não estava ninguém em casa e sinceramente fiquei mais aliviada podendo então tomar o meu pequeno almoço. Peguei numa taça, enchi de chocappics e juntei leite. Dirigi-me ao sofá, sentei e liguei a televisão na verdade não estava a dar nada de jeito, mas deixei ficar num canal e assisti ao que dava.

Assim que terminei, saí e comecei a andar em direção a casa de Rui, ele era o meu melhor amigo e após meus pais ele era a pessoa que mais me custava separar. Somos amigos há mais de 5 anos e somos tipo inseparáveis, então acho que isso explica o que sinto neste momento. Também ele se candidatou não para a mesma universidade do que eu, mas também ele concorreu para o Porto e dessa forma não nos teríamos de separar só que infelizmente ele não entrou.

Assim que cheguei na porta de sua casa, mandei-lhe uma sms para que ele saísse. Ele veio ao meu encontro para me dar um abraço. Ficamos juntos toda a manha, até á hora de almoço em que eu fui almoçar com a minha família.

Quando falo em minha família eu estava a contar apenas com os meus pais, mas na verdade assim que entrei estava lá toda a gente. As lágrimas invadiram a minha cara. Toda a gente estava ali para se despedir de mim e eu não sabia o que dizer, ou o que fazer. Agora não sei quando os voltaria a ver, porque digamos que de Lisboa ao Porto não se pode vir a casa todos os fins de semana. Eu tentei afastar estes pensamentos, mas não estava a conseguir então deixei-me cair em lágrimas. Toda a gente me veio dar um abraço e tentar com as suas palavras queridas, dizer que eu ia adorar esta nova vida.

Talvez até tivessem razão, mas no momento isso não me cabia na cabeça. Tinha o coração mais apertado do que sardinhas em lata. Eu não consigo imaginar como será a minha vida daqui por algumas horas…

Sim, porque logo após o almoço eu teria de partir, para não chegar muito tarde ao porto pois lá ainda tenho de arranjar uma casa lá.

Assim que o almoço ficou pronto todos nos dirigimos para a mesa, então começamos a comer e lágrimas continuavam a escorrer na minha cara. Mas as piadas que mandávamos, as bocas, e tudo ia me fazendo sentir melhor. Eu sabia que agora não ia ter estes momentos por isso decidi aproveitar.

Quando reparei já eram 15h, fui buscar todas as minhas tralhas e meti na mala do carro. Despedi-me de toda a gente com um abraço e alem de lágrimas eu conseguia sorrir porque eles eram muito para mim, e eu sabia que quando voltasse teria esta festa de novo.

Assim que meia derigir para o carro, Rui apareceu em casa para me dar um ultimo abraço. Assim que o abracei as lágrimas escorreram ainda mais, deixei-me estar um pouco nos seus braços lugar esse onde me sentia segura. Ele deu-me um colar em que tinha uma pequena borboleta, este colar significava muito para mim e ele sabia. Borboleta porque eu adoro, significa para mim liberdade, voar mais alto e alcançar todos os sonhos e na verdade isso era o que eu estava a fazer, caso contrario não o teria de deixar. Mais um abraço e o meu pai chamou pois já estava na hora de ir. Disse uma vez mais adeus a todos e um adoro-vos para cada um.

Entrei no carro, e vi que também Rui chorava o que me deixou ainda mais triste. Ele era o irmão que eu não tive. Matava-me ve-lo assim. Mal a minha vista os deixou de avistar, eu agarrei o meu telemóvel e mandei-lhe uma sms.

“ Trengo, eu vou mas eu volto. Tu nunca te vais ver livre de mim nem que eu te tenha de ir dar uma coça. Eu sei, é difícil e só deus sabe como me sinto, mas eu vou estar sempre aqui para ti posso não estar presente para te dar dois estalos, mas irei dar te na mesma na cabeça. E fica a saber que és das pessoas mais importantes da minha vida, nunca me irei esquecer de ti miúdo. Assim que eu voltar, irás ser a primeira pessoa que irei abraçar. Adoro-te”

Após lhe enviar a sms, decidi por o telemóvel em silencio e tentar fechar os olhos para que tudo se tornasse mais fácil, eu não estava preparada para ler o quer que ele me enviasse pois eu sei que iria chorar muito. Por isso preferi esperar, para quando estiver mais calma.

Três horas depois já me encontrava no Porto, os meus pais ajudaram-me a encontrar uma casa. Fiquei numa residência universitária, ela parecia uma casa de família, era Amarela cheia de janelas e com um jardim á sua volta. Esta residência não pertencia á minha universidade, era apenas caraterizada como “universitária” porque era apenas para estudantes. Toda ela era cheia de quartos e com umas duas cozinhas para toda a gente. Na verdade ela era enorme, mas já só dois não estavam ocupados, e todos eles eram quartos de duas pessoas. Ou seja, eu vou ter de dividir o quarto. Isso por um lado era bom, mas por outro eu não conhecia a pessoa com quem iria ficar. Bem afastei esse pensamento.

A senhoria foi me mostrar o quarto, ele até era grande. Tinha duas camas de solteiro, um guarda roupa do tamanho de toda a parede , estantes e duas secretarias ao lado de uma enorme janela. O quarto pareceu-me acolhedor, agora só faltava conhecer a minha colega do quarto.

Como já estava a ficar tarde, os meus pais tiveram de ir embora esta despedida foi um pouco mais dolorosa, acreditem. Tentei ser forte, mas assim que eles foram eu deitei na cama e chorei agarrada á almofada.

Peguei no meu telemóvel e marcava uma sms, claro a sms do Rui!!! Coitado, ele devia estar preocupado, eu já lhe devia ter respondido.

“ Minha pequenina, não sabes o quanto me custou ver te partir mas eu sei tu tens razão. Nós temos uma amizade inseparável, eu adoro-te mais do que tudo e quando voltares vou te dar um abraço do tamanho do mundo vais ver”.

Esta sms fez me rir durante imenso tempo.