Vida em outro mundo
9 Pai. (Matheus)
Notas iniciais
O que eu fiz de errado para merecer isso?
Eu não tinha uma vida muito boa onde eu morava. MAS ISSO! Eu não preciso comentar a qualidade dessa nova vida.
Eu sabia que esse lugar era perigoso e o Luke provou que eu estava certo. Ele é a mais perfeita das provas.
Em meio a todos os meus cuidados para que ninguém descobrisse o meu conhecimento prévio e eu falhei há muito tempo atrás. Minha lista do que temer no Luke não para de crescer.
Eu ODEIO a minha vida.
Comparando a minha vida antiga com essa nova, ambas são horríveis. Eu recebia punições físicas caso não cumprisse com as expectativas dos meus pais, enquanto aqui eu temo o fim da minha vida. Pelo menos eu tinha o meu irmão antes, mas agora... eu tenho ninguém.
Eu estou sozinho.
Quanto tempo até eu perder a minha sanidade? Acho que não demorará muito.
*knock* *knock*
—Oi, eu vim para dizer que o almoço está pronto. — Escutei a voz do Illu atrás da porta. — Se você quiser, pode descer as escadas e comer conosco. — Desculpe-me Illu, você pode até parecer um cara legal, mas eu não acho que posso ficar próximo ao seu filho de novo.
Mesmo que ele tenha dito que não iria me machucar ele deixou bem claro quem era o superior. Então, pelo meu próprio bem, eu devo me afastar o máximo possível dele.
—Bem, como você não está preparado eu... irei deixar aí dentro. — Ele falou ao não me ouvir responder.
—Obrigado. — Eu falei me sentindo feliz por alguém ter mostrado um pouco de simpatia no meu pior momento.
Eu consegui escutar os passos dele e aos poucos eu parei de escuta-los, poucos minutos depois eu voltei a escuta-los.
—Oi... de novo. — Illu disse quando voltou segurando um prato com comida. —Eu vou deixar isso... aqui. — Ele falou ao pôr o prato no chão devido a ausência de boas superfícies para deixá-lo. — Espera um pouco, ainda falta o garfo e a faca. — Ele falou andando em direção a porta.
—Espera. — O que eu estou fazendo? — Por favor... espera.
Em estou em estado tão frágil que a generosidade do Illu me deixou desesperado pela atenção dele.
—Garoto, você está bem? — Ele falou quando viu eu me levantar enquanto chorava.
—Por favor... — Falei andando na direção dele. — Não me deixe. — Falei pondo a minha cabeça no peito dele. — Eu não quero ficar sozinho.
Deu para sentir que ele ficou chocado com o que eu disse e eu também fiquei chocado quando ele me abraçou. Ao olhar para cima vi um sorriso confortante no rosto dele.
—Não se preocupe, só me espere um pouco. — Ele falou antes de partir rapidamente. Em menos de dois minutos ele voltou segurando um prato, dois garfos e duas facas. — Já faz um tempo que não tenho um momento paternal com alguém. Espero que você não importe que eu fique aqui fazendo companhia. — Ele falou com outro daqueles sorrisos que mostram os dentes afiados dele, mas, dessa vez, eu não me importei. Eu confio no Illu. Assim como eu confiava no meu irmão.
Como será que ele está?
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