Vida de Princesa
10 Que importa o mal que te atormenta?
Notas iniciais
Nossas duas taças de champanhe batem e consegue se ouvir o estalo das duas colidindo. Brindamos á felicidade, á fortuna, e á Disney. Finalmente eu e James nos casamos. Não entrando de branco em uma igreja lotada de gente, mas sim no civil, numa cerimônia no cartório. Agora, estamos aqui, no Luma on Park, um dos restaurantes mais badalados de Orlando, brindando á tudo isso. Juro, se me perguntassem a um ano o que eu imaginava da minha vida depois desse intervalo de tempo, nunca diria que estaria aqui.
– Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida. – fala James, olhando-me com aqueles olhos de mel.
– Nem eu. – falo, jogando um olhar sedutor para meu agora marido.
– Acho que agora já podemos nos preocupar em outras coisas, não, Emily? – pergunta James, pegando em minha mão e sorrindo. – Do tipo, filhos e coisas do tipo...
– Filhos, James? – pergunto, não acreditando no que acabei de ouvir. – Eu só estou no Disney World há duas semanas, não deu tempo nem para esquentar e você já quer que eu tire licença maternidade?
– Não, Emily, tudo bem. – fala James. Vejo que ele quer acabar com uma briga. – Nós esperamos.
– Obrigada por entender... – falo, colocando a taça de champanhe que estava bebendo de volta á mesa.
– Emily, por que você está segurando a taça assim? – pergunta James á mim.
– Assim como? – pergunto, sem entender nada.
– Você pega a taça com quatro dedos e levanta o medinho, como se estivesse em uma corte ou algo do tipo... – fala James, tomando um gole do champanhe, e depois o colocando de volta. – Nunca percebi isso até agora, que você colocou a aliança e eu estava admirando-a.
Dou um riso, pendendo minha cabeça um pouco para o lado. Acho engraçado o que o James disse por que não percebi nada ainda.
– Olha, você está até rindo de forma estranha. –fala James. – Você está rindo de forma artificial, e a forma com que você meche as mãos, com leveza e delicadeza, parece até uma...
– Princesa. – completo, agora notando tudo o que estou fazendo. – Ah, desculpe, James. Muito tempo trabalhando direto me deixou louca. Esta semana tive que passear pelo Epcot Center, parece que outra Aurora foi ficar no Meet and Greet do Magic Kingdom. Passear pelo parque é difícil, tem que sempre manter a pose, mesmo com um sol horrível em sua cara... E aquela fantasia... Mais calor do que ela faz, impossível... Mas desde que eu seja a princesa Aurora, está tudo certo.
– “Desde que você seja a princesa Aurora”? – pergunta James. – Você disse que viria aqui puramente por conta do dinheiro. Nunca gostou de ser reconhecida como uma princesa.
Neste momento, pendo a cabeça para o lado e tento fazer caras e bocas. È automático, mas logo percebo o que faço e me recomponho.
– Ora... – respondo. – Se não gostar do trabalho, não tem como ser feliz, não é mesmo?
– Perdão, madame. – fala um homem que aparece em é ao lado da mesa, com um abandeja em sua mão. – Pediram o especial do chef, e aqui está. Pizza de Marguerite com cogumelos indonésios e molho especial feito a partir de cascos de árvores raras da Etiópia.
O garçom coloca a pizza na mesa, e vejo-a pequena, menor do que a maioria.
– Restaurante chique, sempre servindo esses pedaços de pizza dizendo que são inteiras. – fala James, pegando um mini pedaço da pizza e colocando em seu prato, comendo-a com a mão, mastigando-a e dizendo: — Mas está uma delicia! Experimenta.
Coloco minhas mãos á minha frente, balançando-as, em forma negativa, assim como um desenho animado ou uma princesa da Disney. Percebo e paro. Digo:
– Não, amor. Obrigada. Minha dieta não permite isso.
– Mas é nosso jantar de casamento, vamos, amor. – fala ele, rindo para mim com seu sorriso perfeito. – Um pedaço de pizza não mata ninguém.
– Você já viu a cintura das princesas? – pergunto. – Mesmo se eu tirasse duas costelas não ficaria igual á elas. Não, não posso vacilar. Qualquer coisa eu perco meu emprego e tudo isso fora em vão.
– Nosso casamento fora em vão? – pergunta James, olhando para mim com tristeza.
– Não, não foi isso que eu... – mas ele me interrompe.
– Foi exatamente isso que você quis dizer. – fala James. – Que nosso casamento fora em vão se você não tivesse o emprego. É isso que você estava falando!
Ele está parecendo Dani, a Malévola. Sempre jogando coisas em minha cara e querendo me fazer fraca. Não, não vou deixar a princesa Aurora ser fraca para a Malévola. Não no dia de meu casamento.
– Não foi, Dani! – grito, batendo na mesa e fazendo com que todos do restaurante olhem para a mesa. Logo percebo o que fiz e tento disfarçar. Vejo James olhar para mim com incredulidade.
– Dani? A sua rival Malévola? – pergunta James. – Emily, você está passando muito tempo como Aurora. Acho que está na hora de você pedir um descanso.
– Não. Nesse primeiro mês tenho que trabalhar, James. – falo, pendendo minha cabeça para o lado. – Depois do primeiro mês, teremos dinheiro suficiente para dar entrada em um apartamento na área nobre de Orlando. Podemos viver como gente rica e vir a restaurantes chiques com esse. Me dê só mais duas semanas, e eu posso descansar.
James olha para mim um pouco desconfiado. Imagino tudo oque passa na mente dele nesse momento. Ele pode achar que sou louca, que estou viciada em trabalho ou que eu simplesmente não o amo mais. Nenhuma dessas é verdade, pelo menos não a meu ver. O trabalho de princesa pode ser difícil ás vezes. Essa semana me perguntaram se eu já fizera sexo com o príncipe Philip. Fui instruída a, em casos como esses, indagar o que seria sexo. A pessoa tento me explicar, mas insisti que não sabia, até a menina perguntar mais e mais, antes que um segurança do Meet and Greet chegasse para pedir para ela se retirar. Em último caso isso acontece. Mas agora, não sou uma princesa. Sou Emily.
– Está bem. – fala James, respondendo depois de um tempo. – Chega de falar disso, vamos só comemorar.
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