Vida de Princesa

16 ... E viveram felizes para sempre.


Notas iniciais
Oi, comentários no final...

Acordo em meu apartamento enorme sem ninguém dentro, apenas eu, a Bela Adormecida, acordando excepcionalmente ás 11 da manhã pois meu único trabalho hoje será ir para o Magic Kingdom encenar a peça da Bela Adormecida, já que excepcionalmente ou não o filme ficou muito mais popular depois da minha foto bombástica que me rendeu uma entrevista na Ellen. É, minha vida deveria estar perfeita. Mas não.

Depois que minha foto de espalhou, ninguém no parque me vê mais como uma igual, agora eles acham que estou acima deles. Um mês desde que a foto fora tirada e o maquiador Richard, que era meu melhor amigo gay, agora me chama de srta. Trane. Sim, senhorita. O divórcio saiu e James não quis levar nada, ele só quis se ver livre de mim.

É, eu estou no fundo do poço, mas uma ilusão de ótica faz com que todos achem que eu estou no topo dele. Sabe, eu acho que é assim que as pessoas gostam tanto desses filmes de princesas. Mesmo quando estão no fundo do poço, seja depois de terem comido uma maçã envenenada, serem maltratadas por madrastas ou terem seu dedo espetado em uma roca, as pessoas sempre ficam felizes por que sabem que no mundo delas, tudo sempre acabará bem. Um príncipe encantado virá para savá-las, ou, seguindo a regra das princesas feministas como Tiana, Mulan ou Pocahontas, elas próprias acharão o caminho para se salvarem daquela situação.

Mas a vida real não é assim. Na vida real, não existem finais felizes. Na vida real, o único final feliz que você pode fingir ter é ao colocar um papel na boca para fingir que está em um mundo só seu ou enfiar uma agulha em sua veia para dar uma sensação de prazer. E foi isso que eu fiz nesse último mês.

Ultimamente não tenho tido muitos motivos para ficar feliz, eufórica. Por isso vou ao bairro mais perigoso de Orlando toda semana, com o dinheiro do meu salário de princesa que trabalha em tempo integral para comprar refis e agulhas de heroína.

Sim, heroína. A heroína da minha vida vem de uma agulha. Irônico, não? O que acontece é que após eu injetá-la, sinto um enorme prazer, que logo se desfaz e eu fico pior do que antes, daí tenho que colocar de novo. Afinal, uma princesa é sempre feliz, não?

E é isso que eu faço. Após tomar meu café, pego minhas seringas cheias da minha substância maravilhosa e coloco na minha bolsa. É, hoje precisarei de muitas.

Depois de ser cortejada pelos meus colegas que se acham inferiores á mim nos túneis do Magic Kingdom, eu simplesmente deixo-me maquiar e me preparar para a apresentação.

Richard caprichou na maquiagem hoje. Um grande dia merece uma boa maquiagem, do jeito que só Richard consegue fazer.

A Malévola da peça será Danielle, que hoje fora muito bem preparada para nossa grande apresentação. Achava ela chata no começo, depois peguei ódio dela, e agora acredito que eu sou indiferente á existência dela, na maior parte do tempo por que não tenho saco para ter ódio dela, só quero acabar o dia e ir para casa depois de três seringas de heroína em uma tarde.

Sou a Bela Adormecida. Sou a Bela Adormecida. Fico me repetindo isso quando vou entrar no enorme palco que excepcionalmente eles montaram para nossa peça. E para me ajudar com isso, uma seringa na minha veia logo antes de entrar no palco.

Ótimo. Agora sou a princesa Aurora.

Foi você o sonho bonito que eu sonhei. Foi você, eu lembro tão bem, você na minha visão. E me fez sentir que o meu amor nasceu então. E aqui está você, somente você. A mesma visão. Aquela do sonho que sonhei.

A cena da floresta foi ótima, mas log depois senti minha depressão pós-efeito, e nos bastidores tive que colocar mais heroína na veia. Não deixar transparecer. Não podem vir, não podem ver. Sempre a boa menina deve ser.

E é por isso, que para não me sentir nervosa no meio de um público de pais e crianças eufóricas, injetei outra. Agora estou perfeita.

Todo gás para cena onde as minhas tias fadas me dizem que nunca mais verei o príncipe Phillip, por que sou revelada princesa Aurora. Chorei. Lágrimas de verdade, lágrimas oriundas de James e da minha miserável vida. Lágrimas de heroína.

Mais uma vez para os bastidores, e eu acredito que não deva fazer mal mais uma seringa. Ou duas. Ou três. Agora estou eufórica.

O grande clímax. Não estou me sentindo bem, mas tenho que ser a princesa Aurora. Tenho que ser capaz de encenar a cena onde eu espeto o dedo no fuso de uma roca e adormeço.

E assim eu faço, graciosa como sempre, ouvindo a voz de Danielle nos auto falantes: “Vá! Obedeça-me”.

E assim eu fiz. Espetei meu dedo na roca de fiar de mentira, mas não foi a atuação que me fez cair no chão, foi eu mesma.

Meu corpo começa a pesar, e eu sinto que eu não sobreviverei após o beijo de amor verdadeiro. Consigo ouvir mais da peça antes de conseguir juntar minhas últimas forças para poder sussurrar para mim mesma, longe dos microfones que não colocaram em mim, já que nessa cena eu não tenho falas.

– Eu fui perfeita.

E assim, a princesa Aurora adormeceu.

Notas finais
Então é isso gente, desculpem se algo não saiu como vocês queriam, mas achei melhor assim. Meus agradecimentos á todos que acompanharam essa fic flopada, kkkk... Á todos que acompanharam, comentaram, etc... É isso, estou com mais um novo projeto original já postado, se quiserem dar uma olhada. Obrigado novamente, adeus.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!