Notas iniciais
Mais um capitulo saindo do forno, queridos leitores e queridas leitoras :) Desculpem pelo atraso, época de provas finais da faculdade consome cada fatia do seu tempo e da sua alma e somente agora que me livrei desse pequeno e necessário Inferno........ Mas aqui está e prometo um ritmo razoável de postagens agora que estou de volta a ativa

II – Will

–Uvo omagru cima poco io, deo afa? (Você finalmente veio até mim, não é?) – disse ele (ou seria eu? Isso é tão confuso ainda....)

–Uvo cedoje! (Seu maldito!) – disse aquela voz que tanto habitara minha mente por meses, mas agora parecia sair de maneira real, por aquela boca draconiana, meu parceiro Rubys estava ali

–Io pirura deo afa ete uvo, xibo (Minha conversa não é com você, filhote) – ele falou e logo notei pelos olhos deles (que são meus na verdade) o surgimento do dragão-rei vermelho ali, para ele ter descido aquelas terras então algo grande estava para acontecer, provavelmente aquilo que esse desgraçado estava esperando todo esse tempo

–Axivera uman...... Afa io (Tem razão, é comigo) – grunhiu de maneira gutural o senhor dos dragões vermelhos, o poderoso Wonifetnis

Aos meus pés os ovos de dragões cintilavam, mas não como bolas de fogos como foi com o caso de Rubys antes de nascer. Cada um parecia algo completamente diferente e ainda assim igual. A mesma essência manifestada de um jeito completamente diferente e ainda assim igual. Aquela maldita lição de Halt que demorei tanto tempo pra aprender e ainda assim não domino.

O ovo do dragão-rainha verde Galadriel brilhava emitindo luzes que pareciam o tremular das folhas de uma floresta. O ovo que achei em Arcádia. O ovo do dragão-rainha amarelo Vhagar brilhava como se mais fosse uma tempestade de raios furiosos rasgando e iluminando o céu. O ovo que achei no Sonhar. O ovo do dragão-rainha Estheryon brilhava simulando o movimento de ondas se chocando e correntes marítimas de movendo...... Faltavam apenas dois. O ovo do dragão-rei branco Seto. Aquele que estava localizado no plano etéreo. O local dos deuses. Onde nem mesmo eu ousaria pisar....... E o ovo do dragão-rei negro Sofoifcro. Aquele que deveria estar localizado aqui no Inferno, mas aquele desgraçado havia roubado a muito tempo........:

–Ae rule car, xes irmo (A quanto tempo, bom amigo) – a forma como ele falou aquilo para o dragão-rei só me fazia odiá-lo ainda mais.... era ele mesmo

–Efeto xelo car, Nero (Faz muito tempo, Nero) – sim, era ele.... todo esse tempo negando, mas no final era realmente ele.... essa maldita frase confirmava o que no fundo nunca quis – Depois de todo esse tempo realmente precisamos continuar falando assim?

–Somos cavaleiro e dragão. Qual a maneira mais correta a se conversar se não utilizando a língua de teu povo? Não tens mais orgulho de sua própria raça, Wonifetnis? – indagou com calma e com perfeita dicção na língua que nem pensei que aquele maldito soubesse

–Os tempos mudaram Nero e eu também – parecia que nem o próprio dragão acreditava em suas palavras, uma angustia tremenda dominava seu peito – Passei por muita coisa, orgulho não é mais a melhor palavra para me identificar, assim como força, como poderia continuar sendo tão orgulhoso sendo o último?

–Último? E seu filhote?

–Refiro-me a minha Ordem, não a minha raça.......... Graças ao Criador achei alguém capaz de dar vida a meu herdeiro – sabia que os olhos do dragão-rei observavam meus olhos e mesmo sendo Nero que dominava meu corpo sentia que seu olhar era para mim

–Compreendo, mas soube que Sofoifcro pode estar vivo

–Sim temos essa chance, tudo depende de Zan

–Zan...........

Traidor...... A palavra pesou no ar durante longos segundos. Devia ter ouvido Halt e não ter lutado com ele. Mas não. Tinha que pensar que podia dar conta. Que era capaz de vencê-lo. E por isso estou aqui:

–Deveria ter sido ele a ser preso e não Babalathe – falou com pesar Nero e então começo a recobrar das memórias dele..... Do combate no final da guerra etérea..... das discussões com Zan..... As palavras de Halt agora faziam tanto mais sentido

–Agora é tarde para isso – disse o dragão-rei observando seu cavaleiro e então Rubys – Isso é um trabalho para nova geração, não para nós, temos outra coisa para fazer, temos que enterrar o passado no passado e dar um fim a Babalathe – o que ele queria dizer com aquilo eu não tinha idéia

–Tens razão, mas para eles conseguirem vão precisar do ultimo ovo e ele não será fácil de obter, Babalathe não o dará de bom grado, ou seja, querendo ou não nossos trabalhos estão mais ligados do que gostaríamos

–É claro que não seria fácil nem simples, nenhum de nós esperaria que fosse

E então sinto meu corpo se ergue. Ele finalmente iria sair daquele lugar carregado de tantas lembranças. Foi ali que peguei o ovo negro. Foi ali que matei Halt......

–Será difícil para um dos dois lados – disse Nero encarando seu parceiro draconiano enquanto Rubys observava-o sem entender porque não era eu ali.... nem eu entendia direito ainda – Os do passado precisamos de mim, os do presente precisam de William..... será quase impossível para um dos dois lados

–E deixe-me adivinha – falou o dragão-rei – Você já escolheu qual de vocês dois vai continuar ai

Novamente o silencio. O silencio nunca era algo bom naquele local:

–Está na hora, Wonifetnis – Nero disse enfim e observou os dois dragões – A batalha final vai começar

Aquele que um dia já mandou no próprio Inferno apenas ergueu sua mão e abriu a realidade como se fosse uma simples porta e não um conjunto de incontáveis e intrinsecamente ligadas dimensões. Um ser com o poder de criar portais entre as dimensões, lutar contra o deus dos deuses, domar dragões-reis...... E ainda assim temia Zan.

O portal a nossa frente tremia como se não gostasse da idéia de existir e o demônio apenas suspirou usando meu (ou nosso.....) corpo.

–Tu lembras o ritual da Chama Negra, não é? – perguntou Nero e quando notei não era para nenhum dos dois dragões, mas sim para mim

–Sim eu lembro – falei dentro de sua cabeça com as memórias queimando dentro de nós como se tentassem se mesclar, se tornar uma só como ocorria com nosso corpo e nosso poder – Precisei matar Halt e drenar sua essência

–Sim, pois apenas um Legião pode usar esse poder. Tu sabes o que é um Legião?

–Sim...... Para mim era um mito até me tornar um

Muitos exorcistas acreditavam que existia um demônio chamado Legião, “aquele que não era um, mas muitos”, mas não era verdade. Legião era um mito entre nós, um demônio com a aura de vários, um ser de poder incontável e capaz de invocar o próprio Inferno já que tinha varias partes dele dentro de si. Algo assim não era para existir, se tornou um mito por um bom motivo, demônios daquele nível a muito tempo atrás tentaram reinar sobre todos os mundos indo parar em determinados locais por meio de portais e lá tentarem invocar o Inferno. E teriam conseguido se um demônio sozinho não tivesse parado todos os outros.

O futuro rei do Inferno e último Legião, Nero.

E um três únicos vivos a saber o processo. Os outros eram Halt e Johann Faust, proibidos pelo próprio Nero a nunca realizar tal técnica, mas se um dia a situação pedisse Halt estava permitido a fazer. Mas não. Ele escolheu me ensinar como e usar sua essência para mim. Claro que antes tive que matá-lo e provar que era digno tirando sua vida e pegando o ovo das profundezas daquele lugar tenebroso.

Depois daquilo me tornei mais do que apto a conjurar o poder do Inferno fora dele. Não apenas o pedaço dele que se funde para gerar um demônio. Mas do próprio plano em si. Trazer o poder do Inferno e materializá-lo na forma de uma chama negra mortal para entidades etéreas.

Os cadáveres que cobriam o local eram a prova disso, todos os deuses relacionados ao submundo que tinham voltado foram exterminados por Nero de uma maneira tão simples que senti inveja. Queria aquele poder. Precisava daquele poder......

–Tu o terás quando o compreendestes por completo

–E será que um dia conseguiria? Não sei nem se terei meu corpo de volta – a alfinetada foi proposital, mas duvidava que importasse para ele

–O corpo és teu e o terá de volta, assim garanto, já que a energia que o moldou pertence a você mesmo que o anima que o mantêm em ação pertença a mim

–Eu sou o corpo e você a mente

–Não, jovem William, tu és muito mais que apenas o corpo, só ainda não compreendestes isso. Sabes que quando me deram por morto na verdade dispersei a tempo uma mínima parcela de minha aura na esperança de assim renascer, algo impensável e impossível. Mas eu consegui. Só não entendia ainda a repercussão que tal fato iria ter e espero que tu compreendas a tempo

–O que a de tão importante a ser compreendido nisso tudo, Nero? O que a de tão errado com a minha existência? Sei que não deveria ser eu o dono desse corpo, mas que diferença isso faz?

–Tens que entender tua geração por ti mesmo, criança.

–Mas diz que se não fizer isso podemos não ter chance então por que não me dá logo a resposta

–Falei sobre isso a pouco, será quase impossível para um dos dois lados. Wonifetnis pensou que a decisão caberia a minha pessoa, mas não. Ela cabe a tu, William

–Para onde estamos indo, Nero?

–Para o local onde tomaras tua decisão

Minha mente estava próximo do colapso. Era informação demais. Decisões demais. Tudo cobrado por ele, Nero. Negro para os italianos. Líder para os draconianos.

Saber que a entidade mais poderosa da história talvez apenas depois de Babalathe habitava meu corpo era quase enlouquecedor. Saber que meu nascimento foi um erro era algo ainda maior. Se fosse no passado não teria me importado, mas agora eu tinha porquê viver, tinha muitos até. Não podia deixar Nero me dominar, mas ele como poderíamos parar Zan? E também Babalathe já que sei que não tenho a mínima chance contra ele?

–Chegamos, criança

O vento balançou meus cabelos, o clima ameno dominou meu corpo e minha vista foi tomada por areia, chão rochoso e enormes pedras adornadas pelos mais diversos desenhos e esculturas. Sentia que estava de volta a Terra, mas não fazia idéia de em qual local exatamente. O local era um circulo rodeado por um maior de onde surgia uma estrada que levava a ele, próximo ao circulo onde estávamos havia mais outros dois círculos e mais ao longe podia sentir alguns outros. Energia pura emanava daquelas construções como se espalhassem a energia do ser parado em pé no centro do círculo que estávamos:

–Uru tum rere ataxi mera? (Quem pisa em minhas terras?) – indagou a voz que tinha ouvido naquele momento na torre, o momento em que notei que nunca poderia vencê-lo, o ser que modelava a realidade apenas com a sua presença, o deus dos deuses, o amigo de Nero

–Uvo sofo uru, Babalathe (Tu sabes quem, Babalathe) – respondeu o antigo rei do Inferno enquanto os dragoes observavam tudo sem reagir, Rubys próximo de mim e o seu pai sobrevoando o céu e espalhando sua imensa sombra sobre nós

–Sofo? Daxito io naxe, opo epepa if efeto jezi? (Sei? Enganaram-me antes, o que impedi de fazerem agora?)

–Não haja como a criança que não é, Babalathe! – grunhiu dos céus o dragão-rei e seus olhos escarlates caíram sobre todos nós com fúria, ele não estava gostando do rumo daquilo, talvez não tivesse gostado de Nero ter escolhido aquele destino, sinal que ele tinha escolhido a nós do presente para auxiliar – E não usem meu idioma para esses momentos estúpidos, minha língua tem que ser enterrada no passado assim como eu, você e Nero

–Arrogante como sempre, Wonifetnis – disse a poderosa criatura rindo e por um momento toda seriedade do momento se desfez

–Irritante como sempre, Babalathe – por mais que eles tentassem soar hostis, não havia mais nenhuma tensão no local, na verdade parecia a reunião de velhos e bons amigos

–Não vieram comigo ter alguma forma de prosa, não é?

–Quem dera, meu amigo – disse Nero observando com pesar na voz – O fim está próximo, finalmente depois de todos aqueles combates e guerras vamos poder acabar com tudo isso de uma vez

–Entendo. Veio finalmente me matar, Nero?

–Não, Bababathe, essa não é uma tarefa minha. Tu e Zan não padecêreis pelas minhas mãos

–E pelas de quem então? Do invasor de teu receptáculo carnal? Este ser tão fraco?

–Oras, bom amigo, e pela de quem mais viria ser? – não houve reação, nem um riso de escárnio, nenhuma carranca, nenhum balançar de cabeça em negação, apenas uma troca longa de olhares

–Acredita mesmo nisso? Acredita que ele pode me matar?

–Acredito que ele vá ser capaz de várias outras coisas, essa é apenas a principal delas

Podia sentir ele me encarando dentro da minha própria cabeça. E ele sorria:

–Já fez sua escolha? – sabia que aquela conversa era agora apenas entre nós

–Se eu escolher que devo assumir meu corpo terei que enfrentar Babalathe e talvez Zan escape, se eu deixar você continuar aqui Zan será derrotado, mas Babalathe continuara. A questão é que não consigo mais ver Babalathe como meu inimigo depois de tudo que soube. Por que temos que derrotá-lo? Por que não logo derrotar Zan?

–Você ainda não é capaz de saber

–Então por que não me conta?

–Se você sendo uma criança de poucos anos me perguntasse como construir um edifício e eu lhe explicasse como calculo, a projetar cada planta, a moldar tudo, faria diferença?

–Não

–E por isso o pai fala apenas que alguns homens empilham tijolos e os montam. Não por subestimar a inteligência da criança, mas por saber que ela não compreenderá nada mais complexo. No máximo o que ocorrerá será ela erguer alguns bloquinhos e sair gritando pela casa que fez um prédio. Nada perigoso foi ensinado. Mas na verdade muito relevante. Você se acha diferente dessa criança perguntando sobre como fazer um edifício?

–Não – vergonha........ como me sentia com vergonha na presença dele

–Muito bem, porque você não é. Você quer saber além do que pode compreender no momento

–Mas não penso por construções ou algo do gênero, apenas esclarecimentos

–Se um mero soldado, um camponês que pela primeira vez segura uma arma, sai de sua fazenda e mal sequer sabe falar, pede a um general que explique sua estratégia em mínimos detalhes, por que esses suprimentos? Por que essas armas? Por que esse número de homens? E etc, você acha que ele compreenderia?

–Não

–Claro que não, ele precisaria ter conhecimento tático, saber como utilizar o clima, o terreno, os batedores, os próprios lideres, a disciplina imposta, calcular os mantimentos necessários levando em conta todos os números e dados obtidos. Nem tudo por não ser uma ciência exata é mais simples.

Fiquei em silencio. Eu era derrotado por ele em tudo. Força. Sabedoria. Inteligência. Vitalidade. Experiência. Poder. Retórica...... Não havia nada que sequer podia pensar em ser melhor. E ainda assim ele tinha deixado aquela decisão em minhas mãos:

–Não ouça minhas palavras como ofensas, injurias ou reclamações, William. São apenas conselhos que lhe dou. Ainda não estas pronto para saber, mas sei que logo estará e chegará a todas as conclusões necessárias com a ajuda dos outros de seu grupo. Não serei eu seu professor. Para mim não importa o nível de sabedoria de alguém, mas como ele é capaz de repassá-la e levando em conta que ainda é uma criança comparado a mim não acredito ser a melhor escolha para isso.

–E quem seria?

–Isso é o maravilhoso em relação a você. Ninguém. – encarei ele buscando respostas e o que recebi em primeiro lugar foi um sorriso de orgulho – Tu és talvez uma das poucas entidades que eu reconheça como verdadeiramente autodidata. Lembrastes de alguma coisa que alguém realmente precisasse ensiná-lo? Algo que seus próprios instintos ou esforço não pudessem trazê-lo? O treino de Halt foi apenas uma maneira de lapidar esse dom, ele só lhe dava uma missão, tu aprendias o necessário sozinho. Domou a chama negra por si só assim como os poderes de um dragão. Sabes quantos fizeram isso além de tu, criança?

Um sorriso ainda maior dominou o rosto dele e por um momento pensei que era uma maneira dele se referir a si mesmo. Mas não era. Sentia isso. Nem ele havia conseguido isso:

–Quando tiver duvidas que até dentro de si não sabes responder, busque naqueles que estão ao seu lado. Tu és abençoado com um grupo diversificado de colegas, com experiências diferentes, tempos de vidas diferentes, objetivos diferentes. Isso gera uma variedade de conhecimento e maturidade belíssima, meu jovem. Aproveite

–Tenho que fazer minha escolha agora? – ir para Gobekli Tepe encarar Babalathe era apenas a forma dele de me lembrar o quão poderoso nosso inimigo era e de como nossas idéias sobre ele no começo eram erradas. Não precisava que ele me lembrasse do Zan, nunca esqueceria daquela criatura

–Sim

–Então já fiz minha escolha e eu escolho..........

Notas finais
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