Vida com Dragões

21 A Última Grande Caçada


Notas iniciais
Aqui está um capitulo conclusivo mas não final que vai dar a vocês todas as emoções disponíveis no meu vasto arsenal.

Novamente Soluço estava de repouso e os dragões e vikings usavam o tempo de espera, para que Harlock acorda-se, para descansar e comemorar sua grande vitória.

No dia em que Harlock se recuperou e compreendeu o que fez Bartok render os Caçadores, eles foram chamados pelo conselho de guerra para receberem a punição pela guerra realizada e seu anuncio sobre uma bandeira branca.

— Muito bem. – Harlock estava diante de todos e não apenas do conselho de guerra – me diga qual será minha punição. – ele já esperava para ver o que aconteceria.

— Como combinamos você deve atender as seguintes condições. – Throk deu início a sessão.

— Primeiro: deve assinar este documento onde promete que você e seu povo não vão voltar a nos atacar ou nossos dragões. – Mala estendeu um papel e uma penas com tinta para ele.

Sem ter como discutir, Harlock e Bartok assinaram os documentos – cada líder guardaria uma cópia consigo. Isso feito, Heather deu sequência.

— Deverão repor os suprimentos levados de todas as ilhas. – não precisavam ser armamentos nem coisas do tipo no momento. O que realmente precisavam era de medicamentos e comida.

Harlock havia descarregado os suprimentos dentro do Grande Salão e apontou onde estavam. Resolvido, era hora do próximo passo.

— Você não irá reclamar a ausência de seus troféus de caça e arquivos das mesmas. – Dagur deu continuidade e Harlock não entendeu o que aquilo significava.

— Eu fui a sua ilha e encontrei os itens em questão. Enquanto lutávamos aqui, um grupo de reservas foi até lá remover estes itens, que já estão em segurança em outro local. – Soluço explicou.

— Como você... – Bartok não conseguiu terminar.

— O Faísca me levou até lá quando me salvou. E, antes que perguntem, Faísca é o nome que dei para o seu dragão. – ele terminou se dirigindo a Harlock.

— Você nomeou o meu dragão!? – Harlock não entendia porque – Que ridículo.

— Bem, então isto nos leva a quarta condição. Você irá realizar uma lição sobre dragões comigo e depois vai me explicar o que teve de tão divertido na Última Grande Caçada. – Soluço se levantou e todos o acompanharam.

Do lado de fora, os vikings e caçadores tinham uma perfeita visão do que se passava.

— Fique de lado, estenda o braço para frente, vire o rosto para o chão e fique parrado. – Soluço deu as instruções, Harlock suspirou e acabou fazendo o que queria.

Em pouco tempo de espera, ele sentiu algo tocar e respirar em sua mão. Ele olhou para frente para encontrar seu dragão com olhos tristes (que ele não compreendia) e escutou grunhidos baixos e chorosos, tudo antes do dragão virar e ir para o lado de Soluço.

— O que foi isso...? – ele e os outros caçadores não conseguiram entender a cena solene e triste que acabaram de testemunhar.

— Esta foi uma grande lição sobre dragões, que, infelizmente, você e seus homens não tem a capacidade de compreender. – Soluço o respondeu e seguiu – Agora você vai responder para mim, com toda sinceridade, o que tem de bom nisso aqui. – ele pegou o livro sobre a caçada e abriu para ler.

“Hoje é um grande dia, um que deverá para sempre ser lembrado e no qual tenho grande orgulho de participar. Hoje será a última grande caçada, onde iremos atrás do último casal de Fúrias da Noite e seus cinco filhotes.

O Fúria da Noite é um dragão muito veloz, belo em seu porte médio, olhos grandes e com cores de couro variando entre preto, prata, cinza e branco e especial por alguns poucos poderem usar as habilidades de outras espécies de dragão. Ele vale muito dinheiro e, ao invés de irem para Vanaheim quando estão para morrer, eles guardam seus mortos em uma caverna escura dentro de sua própria ilha.

O casal que caçaremos é uma Fúria prata de um olho azul e outro amarelo, que pode disparar ácido como um Transformasa, e um Fúria cinza de olhos castanhos, maior que o normal, mas não é um Asa Titânica, e que pode paralisar qualquer um com seus tiros como se fosse um Pesadelo Voador. Além destes destaques, este par conseguiu manter cinco filhotes vivos! Uma ninhada inteira composta por duas fêmeas – uma branca de olhos amarelos e outra cinza de olhos azuis extremamente claros – e três machos – um era prata de olhos vermelhos, um cinza de olhos bicolores como a fêmea adulta e outro preto com olhos verdes.

Eles vivem em uma caverna alta e de difícil acesso no centro da ilha e, com muito tempo de planejamento cuidadoso, chegou a hora de caça-los com vontade e bravura, em respeito aos trinta anos em que conseguiram fugir de nós.

Devagar e em silêncio desembarcamos na ilha e começamos a armar as armadilhas. Geralmente de manhã cedo os adultos saiam com os filhotes, agora com aproximadamente seis meses, para treinar planar no ar e explorar um pouco do terreno ao redor.

Os adultos são muito atentos e perspicazes, mas se separam por alguns poucos minutos quando um deles vai caçar comida – e o adulto que fica nem sempre consegue vigiar os cinco filhotes agora que são maiores e exploram mais as florestas em volta. O momento perfeito para criar uma armadilha.

O macho cinza se separou dos irmãos e da mãe enquanto brincavam e foi para a floresta e em nossa direção. Quando o macho adulto voltou com a comida, a fêmea deu pela falta do filhote e os dois começaram a chamar e procurar por ele, pressentindo o perigo. Os adultos entraram na defensiva quando ouviram o som do filhote; a fêmea rapidamente recolheu os outros quatro e o macho ficou para resgatar o quinto filhote.

A fêmea levou os filhotes para o cemitério de Fúrias da Noite, que ficava escondido no coração da ilha e o macho começou a nos caçar! Ele vinha na direção do filhote com toda cautela, mas conseguimos cerca-lo no final. Uma tática boa e que precisaria de mais empenho para funcionar contra ele.

Sus tiros e agilidade eram impressionantes! Já havia derrotado quinze caçadores e sequer estava cansado. Se o primeiro plano para pega-lo não iria funcionar, usamos o segundo plano. Ordenei que atirassem contra o filhote e, como esperado, o macho entrou no meio e conseguimos abate-lo.

Seu grito ecoou junto do grunhido do filhote e isso seria um perfeito chamariz para a fêmea. No cemitério de Fúrias da Noite, ela deve ter escondido os filhotes e depois saiu para nos procurar. Ela era mais agressiva que o macho em algumas ocasiões e sua mira com ácido era certeira mesmo a centenas de metros de distância.

Ela conseguiu derreter três balistas, duas catapultas e seis caçadores inteiros antes de conseguirmos abate-la – sem contar os que ficaram enjoados com a cheiro forte e torturante que seu ácido gerou ao tocar restos de plantas e animais mortos ali. Ela não fez um som sequer quando morreu! Se rugisse os outros quatro filhotes viriam na nossa direção. Muito esperto da parte dela.

No curso da tarde, estavam buscando os quatro filhotes restantes e os encontramos no cemitério. Três pelo menos... O macho preto não estava lá. Sem problema, poderíamos pega-lo depois. Os três filhotes eram pequenos o suficiente para conseguirem nos despistar e começamos a persegui-los pela floresta.

Uma perseguição curta. Os filhotes não tinham a experiencia e força dos adultos para se cuidar. As fêmeas foram acuadas e abatidas no fundo de um desfiladeiro e o macho prata foi abatido enquanto se escondia atrás da cachoeira no começo do rio da ilha. Quatro filhotes e dois adultos abatidos, cemitério de dragões esvaziado e onde estava o quinto filhote?

Como duzentos caçadores profissionais não conseguiam achar um mero filhote!? O último que deveriam procurar e com certeza não seria difícil acuar um filhote assustado e inexperiente. Ao menos era nisto que eu acreditava.

O filhote foi acuado em uma parede de pedra e parecia que o tínhamos nas nossas mãos, porém estávamos errados! Ele era corajoso o suficiente para correr em nossa direção e estava demonstrando uma agilidade tão grande quanto um dragão adulto! Definitivamente valeira a pena mata-lo.

Continuamos a perseguir o filhote e conseguimos cerca-lo na ponta do penhasco da encosta de uma praia. Agora ele realmente não tinha saída e poderíamos levar nossos troféus para casa. E já era hora também! Estamos caçando esse filhote a três horas e o sol já está se pondo. Mas ele realmente conseguiu me surpreender!

Ele saltou do penhasco e começou a tentar voar.um filhote que ainda plainava com os adultos não iria conseguir voar direito, mas ele conseguiu depois de algum esforço. Seu voo era desengonçado e ele não tinha um rumo aparente, mas conseguiu fugir bem rápido e nós o perdemos no escuro da noite de lua nova.

A caçada pode ter acabado, mas eu juro que um dia irei encontrar esse dragão! Eu posso não ter como provar, mas sei que ele vai viver e crescer e, quando voltarmos a nos ver, eu vou transforma-lo no mais valioso de meus troféus.”

A história foi cruel e deixou muitos com uma vontade imensurável de matar Harlock ali mesmo! Mas não seria tão simples assim, pois agora que Soluço deu sua grande lição a Harlock, ele queria ter certeza de que algum efeito havia acontecido.

— Agora eu sei de onde o Banguela te conhece e porque ele ficou tão agressivo na sua presença! Você caçou ele e a família quando era apenas um filhote seu doente! – ninguém podia negar que concordavam com a raiva de Soluço e tinham alguns adjetivos ‘melhores’ dos quais gostariam de usar com Harlock – Agora que você recebeu minha lição e permanece sem conseguir entender o que aprendeu, quero que você seja sincero comigo e me diga onde está a graça nisso? Como vocês realmente podem gostar tanto da ideia de que vocês extinguiram por diversão e dinheiro uma espécie inteira de dragões?

Soluço terminou a espera de uma resposta que não veio. Harlock e os outros caçadores não sabiam, pela primeira vez, o que dizer. Viram a lição de Soluço e testemunharam sua profunda ligação com os dragões; pela primeira vez realmente viam e tentavam compreender uma realidade completamente diferente.

— Parece que vocês realmente nunca deram uma chance. – Soluço respondeu decepcionado e acariciando Banguela.

— Se é assim, vamos para a quinta e última punição. – Alvin chamou a atenção de Harlock – Você deve sair daqui imediatamente e nunca mais voltar a entrar em nossos territórios. – expulsando os caçadores por definitivo, eles poderiam ter paz.

— Que assim seja feito. – Harlock ordenou que seus homens preparassem os navios para voltar a ilha e eles assim o fizeram.

Em poucos minutos um aglomerado de vikings e dragões via a frota dos caçadores desaparecer no horizonte.

Notas finais
dando espaço com honras e toda felicidade, vamos rumar para o capitulo seguinte e final!