Vida Roubada
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Os dois estavam calados, Edward agiu como um cavalheiro ao abrir a porta para ela entrar, mas ficou somente nisso, sentou-se no banco do motorista e ficou calado, tentando não pensar no perfume doce e envolvente que ela usava e insistia em querer tomar conta de seus pensamentos.
– Tem alguma recomendação? – perguntou Isabella timidamente depois de alguns minutos de silêncio constrangedor.
– Se tem uma coisa que aprendi com a vida é “Fale demais, que uma hora as palavras se voltam contra você” – disse com os olhos presos na rua.
– Ficar calada? E se me perguntarem algo o que devo dizer? – fechou os olhos por alguns instantes – Tanya me disse que irão me fazer perguntas, que ser um dos donos da empresa e o advogado mais brilhante da firma desperta a curiosidade de todos.
Ele sorriu – Se lhe fizerem perguntas, você vai saber como levar. Mostrou-me isso no almoço com Aro e John – Olhou para ela pelo canto dos olhos – Confie mais um você Isabella, tenho certeza que irá se surpreender do quanto é capaz.
Ela lhe olhou mais atentamente. Estava enganada ou ele lhe lançou um elogio? De um modo estranho, ao escutá-lo falar assim dela, fez com que seu coração se acelerasse de um jeito bom, com expectativa que a deixava envaidecida.
– Eu não soube me sair muito bem com Tanya, tanto que ela foi obrigada a me confessar que lhe ajudou a enganar a todos. – disse com os olhos presos na face do homem ao seu lado.
Ele prendeu a respiração por alguns segundos, mesmo tentando sufocar, um leve incomodo o dominou, sentiu-se como se estivesse traído a confiança de sua falsa esposa, falando de um segredo familiar com sua amante, sem falar que se sentiu raivoso, Tanya não tinha o direito de falar algo que somente cabia a ele dizer. Mas logo a raiva passou, de certo ela somente queria lhe ajudar. – Tanya é uma grande amiga, uma pessoa que confio plenamente, se lhe falou algo foi para lhe ajudar... Nós ajudar... Enfim, mas um motivo para ter certeza que nada de errado acontecerá hoje. – o tom de sua voz deixou bem claro que o assunto estava encerrado, fazendo-a calar.
Não demoraram muito em chegar à mansão dos Volturi. Enormes portões de grade negra foram abertos para que pudessem adentrar. Por todo o caminho que fizeram de carro, dos dois lados havia um jardim, que apesar da temperatura baixa mantinha sua beleza.
– Tentarei ficar com você o máximo que puder, mas as damas costumam se afastar em certos momentos para que os cavalheiros possam conversar sobre assuntos chatos como a economia e guerra. – ao dizer a última palavra, fora nítido a face contorcida dela. – Mulheres costumam ter conversas mais amenas, se tiver duvidas sobre o que dizer, apele para o bom senso, ele sempre ajuda.
Ela permaneceu em silêncio, falar em guerra era muitíssimo delicado, era o mesmo que cutucar uma ferida ainda aberta. Penalizado pela situação, levou uma de suas mãos ao encontro das mãos de Isabella e a apertou delicadamente. – Se preferir falo com Aro rapidamente, digo que não está se sentindo bem e voltamos.
– Não! – virou-se para ele assustada – Por favor, não faça isso, eu estou bem!
– Isabella, se tratando de sua situação... – olhou rapidamente para o ventre da jovem – Tenho certeza que irão nos entender e perdoar.
– Não Edward, eu prometi a você que seria uma “esposa” exemplar. Tenho que me acostumar com a perda de Jasper, dói, mas é a verdade. E é sua noite... É o seu momento, não seria justo com você – ele olhou-a cuidadosamente, tentando encontrar algum deslize em sua certeza.
– Tudo bem, mas prometa-me que se algo lhe incomodar virá até mim?
Ela sorriu – Está tão preocupado? Isso não combina com você.
Com um sorriso debochado ele revirou os olhos – Ser um irritante prepotente às vezes não faz parte de mim.
– Acho que estou descobrindo isso... – murmurou.
Os dois se olharam, era o castanho adentrando o verde com tamanha força que a respiração de ambos acelerou. Não sabiam o que estava acontecendo, mas sabiam que somente o fato de se olharem assim tão próximo era bom.
– Você ainda não me respondeu... – comentou Edward sem tirar os olhos dos dela.
Forçando-se para lembrar o que ele havia lhe perguntado, Isabella respirou fundo e virou a face – Juro que irei lhe procurar.
Percebendo que o breve momento indecoroso havia chegado ao fim, Edward saiu do carro e seguiu para abrir a porta para que ela saísse. Educado, estendeu a mão para ajudá-la e depois que fechou a porta, enlaçou seu braço ao dela e a conduziu até a entrada principal.
A enorme porta de madeira foi aberta por um homem bem apessoado que delicadamente os conduziu até a sala ampla, clara e com objetos de decoração valiosíssimos, que estava recheada de pessoas, todos muito bem vestidos.
– Edward! Meu jovem talentoso que bom recebê-lo junto de sua adorável esposa! – Aro Volturi de fato não sabia o significado da palavra discrição.
Agarrado a sua esposa Jane chamou a atenção de todos para o jovem casal mais comentado do momento. Sabendo exatamente como se comportar, Edward cumprimentou Aro com um aperto de mão firme e beijou levemente a mão de Jane – É um prazer revê-la! – disse educado.
– O prazer é nosso, em recebê-los! – disse Jane, chamando atenção de forma sutil ao fato de ainda não ter sido apresentada a senhora Cullen.
– Desculpe-me. Está é minha esposa, Isabella Cullen – apresentou a Jane. – Querida, está é Jane Volturi esposa de Aro.
– Finalmente a conheci. Aro comentou o quanto é linda. – sorriu – Por mais que o intruso do ciúme tenha me cutucado, devo admitir que sua beleza é inquestionável.
– Obrigada. Mas posso lhe garantir que não tem com o que se preocupar, é muito bela! – e de fato era.
Apesar de possuir as tão temidas linhas de expressão envolta dos olhos e próximo aos lábios, a senhora Volturi era dona de uma beleza madura. Seu cabelo negro, seus olhos grandes e lábios fartos se encaixavam de maneira esplendorosa com seus traços.
A troca de elogios se seguiu por mais alguns minutos até que Aro e Jane os fizeram falar com todos. Isabella não tinha noção de quantas pessoas trabalhavam com Edward, e assustou-se ao ter que ser apresentada para tanta gente, estava começando a ficar trêmula e manter a postura de confiante estava ficando cada vez mais difícil. Entretanto quando viu um rosto conhecido, seu nervosismo se dissipou.
– Imagino que conheça Tanya? – perguntou Jane. Edward permaneceu calado, ainda estava um pouco incomodado com o acontecido pela tarde.
– Sim, nos conhecemos assim que cheguei. – respondeu, sem nem ao menos perceber o erro que cometera.
– Pensei que se conheciam antes. – comentou Aro.
– Sim, claro que sim. Mas não pessoalmente, nos falamos muito por telefone pelo tempo que ela e Edward ficaram longe. Isabella é uma esposa dedicada e preocupada, me fazia mil recomendações. – disse Tanya, fazendo com que a garfe de Isabella não tenha sido percebida.
– Homens nasceram para nos dá trabalho, como dizia minha sogra! – comentou Jane risonha, fazendo o pequeno grupo acompanhá-la.
Outro casal chegara, fazendo com que os Volturi tivessem que se afastar. – Desculpem – murmurou Isabella agarrando o braço de Edward com mais força.
– Não se preocupe, tudo esta perfeitamente bem! – respondeu Edward. — Não quero prejudicá-lo.
– E eu muitos menos quero fazê-la se preocupar desnecessariamente. Com ajuda de Tanya ele conseguiu fazê-la se acalmar, a noite seguiu tranqüila e o jantar fora servido.
Jane era uma recepcionista cuidadosa, era perceptível seu toque em cada detalhe, até mesmo para quem a conhecia tão pouco. O caldo de peixe de entrada estava delicioso e casou muito bem com o filé de salmão ao molho de camarão e salada de aspargo como prato principal. De sobremesa um delicioso Parfait de limão siciliano que a deixou desejosa por mais.
Ao final, quando foi servido o café os cavalheiros foram para outra sala onde poderiam fumar e conversar sem se preocuparem com os ouvidos delicados de suas esposas, enquanto as damas seguiram para a sala principal e começaram a falar assuntos considerados amenos para a maioria, mas não para Isabella.
– Então Isabella, soube que está grávida, nem ao menos dá para notar uma barriga saliente, devo acreditar que é uma mulher de sorte? – perguntou Jane, fazendo com que todas as damas presentes olhassem para ela. Mesmo odiando era a dona da atenção.
– Sim... Já estou com cinco meses de gestação. – respondeu timidamente.
– Jura? – questionou uma senhora rechonchuda que estava de frente para ela. – Em minha gravidez, ao final do terceiro mês já era perceptível uma barriguinha.
– Mas Isabella já possui um ventre avantajado! – afirmou Tanya – Está escondido devido à excelente escolha do vestido.
– Oh sim, um belo vestido devo admitir.
– Obrigada, foi um pouco difícil de encontrá-lo.
– Mas valeu apena. Aposto que Edward ficou encantado.
– Ele gostou, disse-me que estou bonita – respondeu sentindo seu rosto queimando devido a vergonha.
– Seu marido é um galanteador, cheguei a pensar que ele jamais iria se casar. – comentou Jane. – Como se conheceram?
Ela olhou para Tanya que lhe sorriu delicadamente, tentando encorajá-la – Em uma de suas viagens, ficamos enamorados e então ele me pediu em casamento e dias depois nós casamos. – disse de forma sucinta, tentando mesclar com a verdade.
As damas sorriram – Imaginei que fosse assim, homens como ele são práticos! – uma das senhoras comentou. – E rápidos também! Afinal você já se encontra grávida. – disse outra senhora com certa malicia na voz, fazendo todas sorrirem mais uma vez.
Ela sorriu, mas quis nesse momento ir para longe. Educadamente pediu para ir ao banheiro, quando se viu sozinha passou às mãos pela face e respirou fundo tentando se acalmar. Ficou no local por cerca de cinco minutos, e quando voltou para o salão os cavalheiros já haviam tido sua cota de 30 minutos de conversas obscenas.
– Tudo bem? – perguntou Edward assim que se aproximou dela.
Ela fechou os olhos – Sim... – suspirou resignada – Mas acredito que minha gravidez tenha sido uma piada para elas. – respondeu.
– Como? – a questionou.
Rapidamente lhe deixou a par da situação. Ele olhou em volta, viu que o grande salão estava sendo ocupado apenas nos extremos e fez algo que Isabella e nenhuma das pessoas presentes esperassem. Assim que umas notas doces começaram a preencher o salão, pegou-a pela mão e levou-a ao centro, abraçou sua cintura com o braço direito enquanto sua mão esquerda segurava a mão direita de sua esposa, e seguindo o ritmo calmo ele começou a conduzi-la.
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– Edward, o que está fazendo? – perguntou Isabella enquanto se deixava ser conduzida.
– Estamos dançando. Não está vendo? – respondeu debochado.
– Eu sei que estamos dançando... Eu só...
– Shii... Somente sinta... Quem sabe se fechar os olhos você consiga uma ajuda... – sugeriu.
Ela olhou para as pessoas que estavam direcionadas em sua visão, ficou nervosa com todos os olhares voltados para si com expressão de espanto, mais uma vez era o centro das atenções, mas dessa vez era ainda pior, pois eles cochichavam enquanto a encarava.
Em uma tentativa de se acalmar decidiu por acatar a sugestão de Edward e fechou os olhos. Dizem que quando perdemos um dos sentidos, os outros começam a se aguçar. Se isso era ou não verdade, nesse momento o cheiro que Edward exalava penetrou em seus pulmões de tal maneira que a deixou embriagada, a sensação de ter ele tão próximo, de segurar suas mãos fez com que sua pele arrepiasse e para tornar tudo ainda mais encantador e confuso ele começou a lhe sussurrar a linda melodia fazendo seus ouvidos de escravos de sua bela voz.
… Sweet dreams till sunbeams find you
Sonhos doces até os raios do sol te encontrar...
Sweet dreams that leave all worries behind you
Doces sonhos que vão deixar todas as preocupações atrás de você...
But in your dreams whatever they be
Mas em seus sonhos quaisquer que eles sejam...
Dream a little dream of me
Sonhe, sonhe um pouco comigo…
A voz de Edward estava rouca, ele cantava a envolvendo de tal maneira que as pessoas a sua volta deixaram de existir, e quando a parte instrumental da música dominou seus ouvidos, ele a rodopiou algumas vezes, fazendo com que a saia de seu vestido fizesse um lindo efeito, dando mais beleza aos movimentos.
… Stars fading but I linger on dear
Estrelas desaparecendo, mas eu permaneço querida...
Still craving your kiss
Ainda desejando seu beijo, estou querendo fazer...
I'm longin' to linger till dawn dear
Esse momento demorar até o sol nascer querida...
Just saying this
Só dizendo isso:
Antes do final da ultima estrofe da musica acabar ele a abraçou firme, e girou graciosamente com ela colada nele, por todo o salão. O contato de seus corpos fora tão doce e ardente ao mesmo tempo, que a fez abrir os olhos e encontrar os dele.
… Sweet dreams till sunbeams find you
Sonhos doces até os raios do sol te encontrar...
Sweet dreams that leave all worries behind you
Doces sonhos que vão deixar todas as preocupações atrás de você...
Delicadamente ele a fez descer. Com o braço em sua costa deu o apoio necessário para que ela “caísse” belamente. E com a outra mão que ele deixou livre ao largar a dela, levou até a face de porcelana de sua esposa e a acariciou delicadamente, fazendo-a fechar os olhos e aproveitar o carinho que poderia ser classificado como intimo. Para então voltá-la de forma graciosa.
But in your dreams whatever they be
Mas em seus sonhos quaisquer que eles sejam...
Dream a little dream of me
Sonhe, sonhe um pouco comigo…
Quando a música chegou ao fim à face de ambos estavam a centímetros de distância, com a respiração de um batendo de encontro ao rosto do outro, ele delicadamente acariciou a face dela mais uma vez, que em resposta acabou inclinando seu rosto ao carinho, em sinal aberto para que ele continuasse. E apesar de tal ato ser muito parecido com as atitudes de Jasper, Isabella por nenhum minuto se lembrou de seu amado. Somente Edward tinha sua total atenção e pensamentos. Entretanto, um momento pessoal como este já nasceu com minutos contados quando se é realizado em público em plena década de 40.
– Devo dizer que é excitante estar casado de pouco! – comentou Aro fazendo com que o silencio morresse.
Voltando a realidade Isabella se constrangeu mais ainda. O que exatamente Edward tinha feito com ela?
– Peço que nos desculpem... É que foi impossível resistir com nossa música tocando. – respondeu Edward fazendo as damas suspirarem.
Querendo ou não o assunto da gravidez de Isabella morreu antes mesmo de se tornar um comentário maldoso que perpetuaria em todos os encontros, agora o assunto seria sobre a doce e bela mulher que havia conquistado o coração do jovem Edward Cullen.
Eles ainda permaneceram por alguns minutos, Edward tentava não olhar para Tanya que possuía um olhar indecifrável. Entretanto no momento em que ela anunciou sua partida, ele fez o mesmo e alegando que era perigoso para uma dama dirigir sozinha de noite, ele a acompanhou até sua casa. Isabella não se negou, sua mente estava vagando ao fato de ter sido tão fácil para ele envolvê-la em seu teatro, porque a dança não poderia significar outra coisa para ele, se não teatro. Entretanto não passou despercebido por ela o fato de seu marido está tão preocupado com a secretária, deixando-a mais atenta.
Assim que chegaram à casa de Tanya, Edward desceu do carro e seguiu de encontra a loira.
– Tudo bem? – perguntou não deixando que ela abrisse a porta.
– Não tem com o que se preocupar, estou ótima – Disse acariciando a face de seu amante.
– Não tente me enganar, eu lhe conheço bem, sei quando está mentindo, algo está lhe perturbando...
Ela sorriu docemente – Vá para casa sim, Isabella precisa descansar o dia foi cheio para ela, amanhã se der conversamos com calma.
Ele suspirou, olhou em volta. Isabella os olhava atentamente e sem coragem de dar um beijo de despedida em Tanya ele somente acenou positivamente e lhe virou as costas. À volta para casa foi rápida, entretanto antes mesmo que ele pudesse sair do carro Isabella já havia saído em disparada, sem entender o porquê ele fechou a porta do motorista rapidamente e a alcançou antes mesmo de chegar à porta de entrada.
Com o estomago dando mil voltas, ela não pode se segurar vomitou bem nos pés de Edward que havia segurando-a.
– Ahhhh – gritou ao ver que ele havia se enganado, pensou que ela estivesse com raiva e fugindo, não que simplesmente estivesse passando mal. Ele retirou seus pés e abaixou-se. Segurando-a apoiou-a até que não houvesse nada para ela colocar para fora.
– Desculpe... – sussurrou envergonhada.
– Vomitar é algo que está além de nossa vontade. – disse calmo. Ela sorriu um pouco, ele tentou minimizar o fato. – Venha, foi um dia cheio, está cansada, precisa de uma cama macia e acolhedora.
Ele a acompanhou até seu quarto, não saiu do aposento, esperou que ela voltasse do banheiro e preocupado se certificou se estava tudo bem com ela.
– Tem certeza que não está sentindo mais nada?
– Sim... Acho que os rodopios não me fizeram bem... – murmurou encostando-se melhor nos travesseiros que estavam em sua costa.
– Deveria ter imaginado que não lhe faria nada bem, mas esqueci completamente que estava grávida... Enjôos são normais, estou enganado?
– Já fazia um tempo que não me sentia assim, pensei que já tinha passado dessa fase. – olhou para ele curiosa. Mordeu os lábios inferiores e abaixou o olhar. – Posso lhe fazer uma pergunta?
Semicerrou os olhos, analisando-a – Não lhe garanto responder.
– Eu... Eu só gostaria de entender o porquê da dança... Foi tão vergonhoso!
Sorriu debochado – Vou lhe contar mais um segredo que aprendi com a vida. Quando se tem poder nas mãos muitas das atitudes que tomamos passam a ter outro significado. Se qualquer outra pessoa estivesse feito o que fizemos essa noite provavelmente teriam sido recriminados em público, mas quando se trata do advogado mais precioso da empresa, o homem que sempre fora dito como coração de ferro entre as mulheres... – riu dos comentários como sempre fazia, até porque, ele não era lá um homem de muitas mulheres, possuiu poucas, mas todas lhe ensinaram mais do que a arte da cama – Ah, tal ato tem outro efeito, passa a ser belo e romântico.
Ela pensou sobre o que ele disse e logo compreendeu o porquê do teatro – Fez isso por causa dos comentários das senhoras...
– São todas umas futriqueiras... – disse fazendo-a sorrir mais abertamente – Se preocupam demais com a vida dos outros. Se fosse Jane Volturi estaria preocupado com o fato dos meus dois filhos não serem capazes de advogar como se deve, ao ponto de seu marido ter que oferecer parte do patrimônio a um funcionário para que ele não se vá e a empresa continue com prestigio. – ela percebeu ironia em sua voz.
– Iria deixar a empresa?
Suspirou – Gosto de advogar, mas tem coisas que não concordo, coisas que sou obrigado a fazer como advogado, e mesmo tendo 30% da empresa ainda sou “obrigado” a aceitar certos casos. – ela percebeu verdade em suas palavras, mas também notou que havia um algo mais escondido, entretanto não ousou questioná-lo.
Isabella sorriu – Gosta de piadas? – perguntou subitamente.
– Vamos ver o que você tem... – disse incentivando-a, mas achando estranhando a diferença rápida de assunto.
– Chegaram juntos ao céu um advogado e um papa. São Pedro mandou o advogado se instalar em uma bela mansão de oitocentos metros quadrados, no alto de uma colina, com pomar e piscina. O papa, que vinha logo atrás, pensou que seria contemplado com um palacete. Mas ficou pasmo quando São Pedro disse que ele deveria morar numa quitinete na periferia celestial. Irritado, o santo padre observou: — Não estou entendendo mais nada! Um sujeitinho medíocre como esse, simples advogado, recebe uma mansão daquela e eu, Pontífice da Igreja do Senhor, vou morar nessa espelunca?! Como se a resposta fosse obvia São Pedro respondeu: — Espero que Sua Santidade compreenda! De papa, o céu está cheio, mas advogado, esse é o primeiro que recebemos!
Os dois riram. Foi à forma divertida de lhe dizer “Tudo bem ser ambicioso e passar por cima de alguns conceitos, não esperava menos de você sendo advogado, faz parte de seu trabalho” – Onde escutou esse absurdo? – perguntou Edward divertido.
O lindo sorriso da face de Isabella se foi – Jasper, ele me contou há algum tempo.
- Era bem o feitio dele, brincar com outros. – disse com certa emoção na voz.
- Você fala dele com carinho, mas permaneceu tanto tempo afastado... Não compreendo.
- Certas coisas são melhores quando permanecem enterradas – disse sucinto. Ela pensou que ele não fosse dizer mais nada, porém para sua surpresa ele prosseguiu – Mas espero que saiba que Jasper foi o meu melhor amigo e duvido que tenha a sorte de ter uma amizade como essa novamente.
Ela o olhou nos olhos, viu verdades neles – Por isso decidiu me ajudar? Por isso me protegeu hoje...?
Sorriu – Jasper te amava não me pergunte como sei disso, prefiro não comentar, mas o importante é que sei... Quando fui buscar meus pais e minha mãe contou-me sobre sua situação não pude deixá-la, tenho dividas com ele, e acolher a mulher que ele havia escolhido com esposa foi à forma que encontrei de compensar...
Ela ficou tentada em perguntar o que havia acontecido com ambos para ficaram separados já que era obvio tanto amor e admiração, mas se conteve.
- Bem... Foi um dia cansativo, você precisa descansar. – disse se levantando.
- Desculpe por ter vomitado em você. – disse antes de ele sair pela porta.
- Não foi nada. – suspirou e passou as mãos pelo cabelo – Lembra-se da pergunta que me fez ontem? – assim que ela assentiu, ele prosseguiu – Não sei o que meu irmão acharia desse arranjo, mas posso lhe afirmar, se fosse o contrário adoraria poder saber que em minha ausência ele protegeu e cuidou da mulher que amo e de meu filho – disse antes de deixá-la sozinha.
Desceu, limpou o vomito de Isabella do chão e de seu sapato que havia deixado na entrada de casa e seguiu até seu quarto, se preparou para dormir, mas não conseguiu pregar os olhos nem por poucos minutos, seus pensamentos flutuavam entre Isabella e Tanya.
Assim que o dia raiou, aproveitando que era domingo decidiu-se por correr. Desceu antes de todo mundo e tentou colocar os pensamentos em ordem enquanto corria angustiado.
Sem que ele pudesse compreender o porquê, seus passos os levaram até a casa de sua secretaria. Não se importando com o fato do marido dela poder está em casa, bateu na porta de forma urgente.
- O que está fazendo aqui? — Tanya estava usando um robe, com a face inchada era nítido que ainda estava dormindo.
- Rick? – perguntou. — Chegou ainda pouco, bêbado. – suspirou – Está dormindo... Edward...
Ela iria pedir para que ele fosse embora, mais tarde eles poderiam se encontrar na praça ou quem sabe jantar juntos. Entretanto ele não estava disposto a esperar, invadiu sua casa, fechou a porta e a beijou possessivo. Sem reação ela não teve alternativa a não ser se entregar ao desejo que a consumia. Assim como não pediu licença para beijá-la, não pediu para retirar sua roupa e nem para penetrá-la encostada na parede da sala.
Estava louco, ardendo para possuí-la, queria-a tanto que nem ao menos se importou em ter o marido de sua amante roncando a poucos centímetros de onde estavam copulando. Ela se agarrava a ele, respondia-o beijando-o apaixonadamente enquanto suas pernas prendiam-no pela cintura. Normalmente ela não admitia o quanto estava ligada emocionalmente por ele, mas quando o desejo era aflorado, uma fúria explodia dentro dela, como se seu subconsciente gritasse o quanto seu coração estava entregue.
Quando o prazer chegou ao fim, quando ambos se viram satisfeitos a razão os dominou. Tanya, por mais que naquele momento soubesse que Edward era o príncipe dos seus sonhos juvenis se sentiu suja por cometer tal ato em sua casa e Edward sentiu como se estivesse traindo Isabella – Vá embora! – disse a loira com os olhos brilhando em lágrimas.
- Tanya... – ele tentou dizer que sentia muito, mas ela o cortou.
- Edward, por favor!
- As cinco, no parque? – perguntou. Sentia que precisam conversar.
- Hoje não, fique em casa com sua família... Tenho que cuidar de Rick. – era o mínimo que poderia fazer, afinal, acabou de desrespeitar seu marido em seu lar.
Ainda tentou convencê-la, mas não obteve sucesso. Ela o viu indo embora e dentro de si uma dor a dominou, querendo ou não o conhecia muitíssimo bem para saber que não era de rompantes como aquele, nem mesmo ela. Ao longo dos meses sempre foram discretos e por mais irônico que possa parecer, sempre sentiu como se estivesse respeitando seu casamento afastando de seu lar seu caso extraconjugal.
Fechou os olhos e permitiu que as lágrimas corressem soltas por sua face, por mais doloroso que fosse admitir, estava chegando o momento de acabar com o conto erótico que vivia com seu adorável chefe, antes que ela saísse machucada da história, se é que ainda poderia livrar seu pobre coração de ser apunhalado.
FIM DO CAPITULO.
Notas finais
deu pra entender melhor os personagens?????
como prometido, postei antes de terça.... vcs mereceram... adorei os comentarios... são tds fofas... valew pelo carinho e critica...
o cap será postado na terça.... então logo a curiosidade de vcs em relação a Jasper e Emmett será amenizada....
bjocas
*-*
obs: Não deixem de comentar....
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