Vida Roubada
27 Capítulo 25 - parte 1
Notas iniciais
Atenção: O capitulo n está betado, postei pq vcs não merecem esperar tanto...
Karen simplesmente não conseguia entender, andava de um lado para o outro do quarto de seu paciente sem conseguir encontrar uma resposta plausível para o que tinha acabado de escutar, como ela teve coragem de trair um homem que só tinha lhe dado amor?
– Vai acabar abrindo um tremendo buraco no meio do quarto... – comentou seu velho paciente com a voz tranquila, o que para ela também não fazia qualquer sentido, uma vez que ela sabia que ele era parte atuante na história que estava contando.
Como se de repente ela fosse o ser traído da história em busca de uma resposta que pudesse amenizar sua dor, virou-se e encarou seu amigo com lágrimas nos olhos.
– Como de repente tudo o que ela tinha vivido não significou nada?
Ele lhe sorriu.
– Mas é claro que significou, por isso, ela acabou se rendendo tão facilmente.
Karen bufou.
– Por favor, não me venha com esse papo, ele lhe deu a oportunidade de falar, deu chance para ela dizer que estava dividida, o mínimo que ele merecia era honestidade! – disse enfurecida.
– Como ela poderia ser honesta com ele se ela não conseguia ser honesta consigo mesma? – o velho paciente balançou a cabeça negativamente – Por mais que as respostas estejam em nossa frente, nunca é fácil enxergar o que tem dentro de nós. – fechou os olhos – Ou porque as pessoas podem comentar, ou porque vai contra tudo o que sempre foi nos passado... São tantas as desculpas, que esconder-nos de nos mesmos acaba sendo a coisa “certa” a se fazer...
Karen paralisou diante do comentário, encarou seu amigo e mesmo ele estando de olhos fechados conseguiu visualizar exatamente o que se passava em seu interior. Silenciosamente aproximou-se e sentou-se ao lado dele, com carinho colocou sua mão sobre a dele o que o fez sorrir prazeroso com o ato. Abriu os olhos e encarou-a.
– O que aconteceu depois? – perguntou depois de minutos de silencio.
– Tudo aconteceu como você mesma pode imaginar... O marido traído se sentindo ferido, a esposa infiel completamente infeliz, o irmão e amante manipulador confuso... Traição nunca traz felicidade, não é somente o traído que sofre, quem trai carregada consigo uma cruz muitíssimo pesada...
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Estava sentado na poltrona de palha da varanda, o horizonte estava belo anunciando a noite com o sol quase desaparecendo, naquele lindo tom alaranjado. Um mês, já havia se passado desde que estava na fazenda de Derek, e por mais que os dias estivessem passando, a dor ainda o atormentava.
Mas como ser ao contrario?
Todas as vezes que fechava os olhos à cena de sua Isabella entregue ao seu irmão vinha tão nítida, tão vivida que tinha a sensação de estar presenciando tudo novamente, em cada fechar de olhos era como se aquela faca invisível adentrasse em sua pele e perfurasse seu coração.
Porque não era somente a traição que vinha em sua mente, era tudo, os momentos superados, os momentos felizes... Era tanta confusão que não sabia ao certo o que era verdade, o que foi mentira... Por Deus, como ele queria poder apagar aquelas lembranças, tudo seria mais fácil...
Respirou fundo e tentou aliviar o nó em sua garganta, enquanto sem ao menos querer tudo começou a se repetir em sua memória. De repente lá estava ele, parado olhando enquanto os dois tentavam se recompor.
Olhou para o seu irmão e esperou que ele sorrisse, afinal, o bilhete que ele havia lhe enviado dizendo o que iria encontrar se chegasse um pouco mais cedo foi confirmado. Mas Jasper não sorria, estava serio encarando-o como se naquele momento só existisse os dois, como se ainda fossem irmão, por pelo menos naqueles longos segundos...
Virou-se e olhou para a sala, sua Rebecca lhe encarou e foi tudo o que precisou para que as lágrimas que estava segurando rolassem por sua face.
– Edward… Edward, por favor, me escute! – disse Isabella com a voz falhando.
Ele nem ao menos percebeu que ela tinha se aproximado. Encarou-a mais uma vez e vê-la com a imagem de alguém que estava ardendo de desejo poucos segundos antes lhe doía, porque simplesmente não era ele que estava fazendo-a arder.
– Você quer que eu lhe escute? – em nenhum momento alterou a voz – Olhe para você Isabella, não existe nada que você possa me dizer que já não é evidente! – olhou novamente para Rebeca e para as coisas espalhadas pela sala. – Pode voltar para suas atividades, vou levar minha filha para longe de tamanha sujeira – anunciou decidido.
– Minha filha você não tira daqui! – Jasper que até então estava quieto gritou como se fosse uma fera defendo sua cria.
– Sua filha? – falou com indignação e sua voz que antes estava calma, começou a se alterar gradativamente – De repente ela é sua filha? Porque será que quando você quer trepar ela deixa de ser sua filha? Porque é bem isso que me pareceu, vendo-a abandonada do jeito que vocês deixaram!
– Porque você não vai se preocupar com sua vida? Porque você não deixa a minha em paz, porque sempre tem que quer o que é meu? São minhas mulheres, e não contente ainda quer minha filha!...
Doeu, doeu fundo em Edward, porque por mais que ele amasse Rebecca como se fosse dele, ela na verdade era de Jasper.
– Jasper, cale a boca, você não sabe o que está dizendo! – gritou Isabella tentando fazê-lo parar, mas nada do que ela pudesse falar iria adiantar.
– Não sei? – olhou para Isabella – Tem certeza que não sei? – encarou seu irmão que ainda estava petrificado. – Primeiro a Kate, depois a Isabella... E não contente tinha que quer minha filha também... Sabe o que eu acho? Você tem inveja de mim, sempre quis a minha vida, fez de tudo para roubar o que é meu... Mas creio que agora você entendeu que não vou permitir que roube mais nada!
Edward descongelou e sorriu ironicamente. Enquanto Isabella não sabia ao certo o que fazer para evitar que as coisas terminassem pior do que já estava.
– São pessoas, não objetos... Nem Isabella, nem Rebecca pertencem a você!
– Não? Tem certeza disso? Porque antes de você chegar a MINHA FILHA estava comigo, finalmente estava com o seu pai, seu verdadeiro pai, pena que você não viu, mas, chegou a tempo de ver a MINHA NOIVA nos meus braços...
Rebecca começou a chorar, os ânimos alterados afetaram-na.
– Jasper, por favor... – pediu Isabella já prevendo que a discussão não iria acabar bem, pegando sua filha no colo e tentando afagá-la enquanto estava tremendo.
– ... Nos meus braços, derretendo de prazer por mim... O que me faz perguntar, como infernos você agüentou dormir com ela enquanto ela pensava em outro, como você conseguiu fingir ter uma filha enquanto ela não tinha nada seu! – gritou.
– Você não sabe de nada! – disse Edward entredentes e apontando seu dedo indicador para seu irmão com a feição enfurecida.
– Oh, não me diga que vai fingir que não viu nada, somente para ainda ter a minha vida? – sorriu ironicamente – Só me tire uma duvida, vai ao menos pedir para Isabella tomar banho para tirar o meu cheiro antes de você levá-la para cama?
Foi o que bastou, Edward partiu para cima do irmão socando-o na face. Não demorou muito para que os dois estivessem embolados um socando o outro enquanto Rebecca chorava mais alto e Isabella gritava pedindo ajuda. Emmett escutando os gritos e o barulho dos objetos caindo pela sala adentrou em sua casa, mesmo com a dificuldade de caminhar, conseguiu arrancar forças para separar os dois e segurar Jasper enquanto Isabella se colocou a frente de Edward, que em nome da filha que estava nos braços de sua esposa seria capaz de controlar a fúria física, mas não a verbal.
– Você me julga, sempre me julgou pelo que fiz com Kate, mas eu nunca soube que era você! Nunca mandei bilhetes induzindo-o para que nos olhasse juntos! – Isabella paralisou diante do comentário, mas Edward nem estava olhando-a e continuou falando – Sempre fui honesto com você, nunca fiz nada premeditado para magoá-lo, jamais desejei o seu mal! Em nome do amor que tinha por você, amparei a noiva grávida que você deixou para trás, meu casamento com Isabella a principio era somente uma forma de me... – sua voz falhou — ... Redimir com você pelo que tinha feito no passado, porque por mais que não tivesse a intenção... Eu tinha magoado você, e isso... – mordeu seu lábio inferior tentando fazer com que as lágrimas não caíssem de forma tão intensa — ... Isso me matava! Por isso não queria aceitar que tinha morrido, por isso fui contra todas as evidencias e contratei alguém para procurar por você... De alguma forma eu queria ter o que tivemos um dia... — respirou fundo – Mas nunca tive noticias de Peter, a esperança foi morrendo e a esposa de mentira foi se tornando real... Eu me apaixonei por ela, não pude evitar foi mais forte do que eu... Pode ser que tudo o que vivemos tenha sido mentira como você diz... Não sei, porque agora não consigo pensar em nada direito, não consigo ter certeza do que foi real... Não consigo entender o que estou sentindo... Só sei que dói, como nada antes... – sua face que antes transparecia dor passou rapidamente para feições determinadas – Mas não venha me dizer que meu amor por Rebecca é mentira, não venha duvidar do que tenho com MINHA FILHA... Você e Isabella podem ter sido os culpados por ela ter sido feita... Mas eu fui a pessoa que mais lutarei por ela, enquanto você nem ao menos sabia da existência dela, enquanto Isabella não estava preparada para ser a mãe dela! – fechou os olhos por alguns segundos e voltou a encará-los – Eu sei que vocês tiveram lá os seus motivos, e não estou julgando nada, Deus sabe que não sou assim, é só que o amor que tenho por ela é tão imenso que não sinto como se estivesse fazendo um favor, nem obrigação... É só como se amá-la fosse obvio e natural como respirar!
Todos, com exceção de Rebecca calaram-se. Como se necessitasse ajudar o pai que escolheu para comprovar o que ele havia dito esticou os braços em sua direção gritando ainda mais alto. Edward pegou-a no colo e sussurrou carinhosamente para sua pequena – Nada nem ninguém vai tirar o que temos, eu te prometo! Amo você, sempre! – disse enquanto se afastava, saindo da casa sem olhar para trás.
Naquele dia, andou com Rebecca pelo resto da tarde e por toda a noite, mesmo sem que ela entendesse direito o sofrimento dele, achou que seria justo com sua princesa ser honesto e falar para ela que precisava de um tempo longe, rezando para que o compreendesse de alguma forma. Quando o dia amanheceu ligou para Rose, quando sua secretaria foi ao seu encontro, os dois não disseram nada um para o outro, pelo olhar era obvio o que cada um pensava.
– Eu preciso me afastar – Disse Edward com sua filha dormindo em seu colo.
– Eu sei! – respondeu Rose tocando levemente no ombro de seu amigo. – Se você quiser e confiar em mim, posso levá-la sempre que possível para vê-lo.
Com lagrimas nos olhos encarou sua amiga e sorriu diante da dor. – Isso seria perfeito!
– Sim, seria!
Por mais que quisesse que o tempo não corresse, por mais que quisesse ter sua menina eternamente em seus braços, o momento tinha chegado, entregou sua pequena para Rosálie, colocou as duas em um taxi e entrou em seu carro, dirigiu como um louco e antes que pudesse perceber estava na fazenda de Derek. Não foi premeditado, simplesmente seu subconsciente o levou até seus amigos.
Talvez porque naquele momento, tudo o que precisava era se sentir amado.
Tanya o viu logo que colocou os pés na casa, os dois se olharam e quando as lágrimas começaram a rolar por sua face nada foi preciso ser dito, sua amiga mesmo com a barriga enorme de grávida o abraçou e permitiu que chorasse como uma criança em seus braços.
Os dias passaram lentos e dolorosos, foi difícil ter que dizer tudo para Derek e Tanya, foi difícil ter que simplesmente falar à dor que o dilacerava por dentro. Foi então que Rose cumpriu sua promessa, duas semanas depois levou sua Rebecca para passar o final de semana com ele.
E assim aconteceu por todos os outros finais de semana, e somente a fato de ter sua filha ao seu lado lhe deu forças para levantar-se. Mas tinha dias que era demais, tinha momentos que doía demais...
Abriu os olhos e olhou para o céu... Estava escuro, não mais alaranjado, as estrelas não apareciam, a noite estava sem brilho, sem vida, como ele.
De uma hora para outra, tudo tinha se perdido...
Como as coisas podiam ser assim?
Como a vida podia ser assim?
Mesmo estando com o pensamento fervilhando escutou passos se aproximando, não se virou, sabia de quem era.
– Posso me sentar com você? – perguntou seu amigo, já se sentando.
– A casa é sua! – disse com a voz embargada.
– É verdade... Mas você sabe que tudo o que é meu é seu... Metaforicamente é claro!
Os dois se olharam e depois sorriram diante da brincadeira. Entretanto o riso logo morreu e o silencio tomou conta do ambiente.
– Em dois dias a pequena Rebecca estará conosco novamente... Já ordenei que preparassem o cavalo... – disse Derek, sabendo que a única coisa que o motivava a conversa era falar sobre sua menina. Mas naquele momento, nem mesmo falar de sua filha camuflava o sofrimento.
– Olho para a noite e tudo que consigo pensar é no quanto ela está sem vida assim como eu... Estou sem Isabella, a noite está sem lua, estou sem minha filha, a noite está sem estrelas... – Derek calou-se diante do comentário de seu amigo que de repente o encarou com os olhos brilhando de dor – Uma hora dessas estaria rezando para chegar em casa, porque eu sabia o que iria encontrar... Isabella ia me receber com um beijo e um sorriso dizendo que me amava e Rebecca começaria a sorrir assim que me olhasse... Jantaríamos juntos e depois ficaríamos juntos... Faríamos Rebecca dormir e então iria amar a minha mulher... – tinha tanta dor na voz de Edward – Me diz Derek, como diabos tudo isso pode mudar tão rápido? Era tudo tão certo, como de repente tudo ficou tão errado? Dói... Dói tanto!
Com os braços apoiados nas pernas, Edward escondeu seu rosto em suas mãos e chorou.
– Porque Derek? Porque ela fez isso comigo? Porque mesmo ela tendo me machucado tanto eu simplesmente não consigo fazer a saudade e essa maldita dor sumir? Eu sempre me achei tão determinado... E agora me sinto como se não fosse nada...
– Há muito, muito tempo atrás meu pai me contou uma história, que desejo compartilhar com você agora... – começou a dizer quando percebeu que os soluços de dor diminuíram – ... Era uma vez um jovem viajante procurando um lugar para morar, ao longo de seu percurso acabou trabalhando em vários lugares, e em uma dessas vezes trabalhou com um velho sábio de uma vila... Foram longos os meses na casa do senhor de poucas palavras, mas quando já tinha dinheiro o suficiente para continuar sua jornada por um tempo considerável resolveu comunicá-lo que estava partindo. O velho sábio lhe sorriu, deu-lhe o dinheiro que faltava e lhe desejou boa viagem, entretanto quando estava para sair o velho lhe chamou dizendo que lhe entregaria um presente. O jovem ficou surpreso e animado. O sábio disse que o presente teria um preço que seria necessário que ele cumprisse. O jovem pensou e concordou. Quando o velho sábio lhe entregou o envelope o jovem rapaz ficou confuso, pois pelo volume não poderia ser dinheiro nem mesmo um simples cartão. Foi então que o velho sorrindo lhe disse “Não abra agora, só abra o envelope quando se sentir o homem mais feliz do mundo, com tamanha alegria que sente que nada tem o poder derrubá-lo, ou quando se sentir o pior dos homens, com tamanha dor que sente que todas as forças lhe deixaram e uma leve brisa é capaz de levá-lo longe” O jovem rapaz assentiu e seguiu sua vida...
– O que tinha no envelope? – perguntou Edward depois de um tempo.
Derek sorriu tristemente – Tudo passa.
Nenhum dos dois disse mais nada, simplesmente não havia necessidade de mais palavras.
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A noite passou como de costume no ultimo mês, cantou como sempre e voltou para arrumar-se e esperar por Tommy, eles agora estavam mais unidos, sempre iam trabalhar juntos, depois das apresentações, ele a deixava em casa e então ficavam horas conversando, até quando ele a deixava descansar.
Mas essa noite, essa noite tudo tinha que volta, toda a dor escondida aflorou com força!
Estava saindo para ver a apresentação de Tommy, quando de repente sentiu sua barriga mexer, como se fosse um olá. Fechou os olhos e respirou fundo, sentiu um nó se formando em sua garganta e com toda a sua força, controlou as lágrimas, rezando para que pudesse sair sem ser vista, pois não agüentaria, com toda certeza desabaria nos braços da primeira pessoa que aparecesse.
Com sorte, conseguiu sair sem ser vista, com passos apressado foi para longe, para onde poderia ficar sozinha, para onde poderia gritar de saudade, de dor, de desesperança de que algum dia todo esse vazio iria embora.
Sem que pudesse entender como, lá estava ela, subindo pela escada de emergência daquele maldito prédio, indo para o mirante abandonado que ficava no alto, lhe dando toda a visão do entorno assim como a visão das lindas estrelas que iluminavam a noite.
Irônico, hoje o céu estava tão limpo que a noite gritava para ser apreciada.
Quando chegou a seu destino, fechou os olhos e pode escutá-lo tão bem...
Venha, deite aqui comigo... Vamos ver as estrelas!
O passado estava tão presente que simplesmente fez o que lhe pediu ao que parecia ser milhões de anos atrás, deitou-se no chão e com lágrimas nos olhos, olhou para o lindo céu, levou suas mãos para a barriga e acariciou, lembrando do dia que esteve ali com Jonnathas.
Pelo canto dos olhos percebeu que Jonnathas estava completamente concentrado, olhava para o céu de tal maneira que a deixava ainda mais encantada, vendo seus lindos e perfeitos traços de perfil.
– Não sabia que gostava de admirar as estrelas... – comentou ainda fascinada, olhando-o.
Ele sorriu, sorriu daquele jeito que somente ele tinha, como se o mundo fosse simples, como se tudo fosse simples.
– Eu gosto... – olhou para ela e sorriu – Não sei explicar porque ou como, só sei que gosto. – voltou a olhar para as estrelas e suspirou – De certa forma olhar para cada um delas me trás paz, segurança, como se nada no mundo pudesse me derrotar!
Os dois ficaram em silencio por um longo tempo, Jonnathas olhando para as estrelas, Alice olhando para ele com suas mãos conectadas.
– Jonnathas... Será que isso não é uma ligação com seu passado? – perguntou Alice, com certo receio.
Ele virou-se, encarou sua namorada percebendo certo receio em seus olhos.
– Não sei... – disse sincero e então se virou e levou uma de suas mãos até a face de traços finos e delicados de sua Alice, acariciando-a lentamente – O que foi? – perguntou carinhoso.
Ela lhe sorriu – Nada não...
Jonnathas se aproximou, deitou em cima de sua namorada sem colocar o seu peso completamente, emoldurou sua face com suas mãos e beijou-a delicadamente, lentamente, apreciando o contado de seus lábios, degustando seus sabores misturados. Quando por fim, depois de alguns muitos, o beijo chegou ao fim, mas ele continuou beijando-a, distribuído selinhos demorados por sua face delicada.
– Jonnathas... – sussurrou Alice sorrindo, apreciando o carinho.
Ele nada disse por mais algum tempo, simplesmente continuou beijando-a, como se estivesse marcando-a.
– Eu amo você! – sussurrou ele em seu ouvido, fazendo-a fechar os olhos, adorando o que ele estava lhe dizendo – Nada, nem mesmo o meu passado é capaz de mudar isso!
Ela mordeu os lábios, depois sorriu sem graça quando o olhou nos olhos.
– Estava tão obvio assim? – perguntou.
Como resposta ele gargalhou e então a beijou novamente, entretanto dessa vez com fome, roubando seu fôlego com rapidez, para voltar a encará-la.
De certa ele sempre sabia o que ela necessitava!
– Eu só conheço você bem! – disse simplesmente, como se estivesse falando sobre qualquer assunto banal, sorrindo, enquanto passava as mãos pelos cabelos, deixando-a sem palavras. – O que foi? – perguntou quando percebeu que ela o devorava com os olhos.
– Você é lindo! – Ele arqueou as sobrancelhas – Sério você é o homem mais lindo que já vi!
– Suponho que não tenha vistos muitos homens... – disse divertido.
– Nem tente, sou cantora lembra? E agora estou servido de enfermeira... Olhar pessoas, ainda mais homens foi o que mais fiz na vida!
Ele sorriu delicadamente – São seus olhos, acredite, seus olhos apaixonados estão vendo coisas demais...
– Que seja, contando que nossos filhos... – Antes que terminasse a frase percebeu que tinha falado demais. Logo ficou vermelha – Jonnathas eu...
– Shii... Eu discordo de você – deu um selinho em seus lábios e olhou em seus olhos – Quero que nossos filhos sejam parecidos com a mãe... Pois assim serão lindos e especiais! – um lindo sorriso estava plantado em sua face.
– Você sonha em ter filhos? – perguntou ainda receosa.
– Muitos filhos com você...
– Muitos?
– Muitos!
Apaixonados, sorridentes, voltaram a se beijar, deixando que o amor gritasse mais alto.
Filhos!
Muitos filhos eles não teriam, mas ao menos um iria nascer desta relação, uma criança que comprovaria que ela não estava completamente louca, que de fato viveu um amor que a deixou feliz por um bom tempo.
Não soube por quanto tempo ficou ali sozinha, talvez minutos, talvez horas, mas de qualquer forma não faria diferença... Cansada de ficar ali remoendo o passado, cansada de chorar, se levantou e foi embora, correu em direção a sua casa e desejou ferozmente por um banho e sua cama. Entretanto, as coisas se desenrolaram de outra maneira, Tommy estava sentado na porta de sua casa e olhou-a especulativo quando chegou.
– Olá! – lhe disse quando os dois ficaram por alguns segundos se encarando em silencio.
– Está me esperando há muito tempo? – perguntou.
– Não muito... – suspirou e então fechou os olhos.
– Tommy eu...
– Não, por favor, não tente se explicar – disse cortando-a — Não vou lhe perguntar nada... De verdade, não vou lhe perguntar nada, sei o quanto tudo deve estar sendo difícil para você, imagino que um tempo sozinha seja até bom, mas, pelo que sei da dor, um conforto é bom depois... – Alice lhe sorriu – O que acha de tomarmos uma xícara de chá?
– Eu adoraria tomar um banho antes, se você adiantasse o chá... – disse com emoção na voz.
– Amigos servem para isso... Vamos abra a porta!
Alice se aproximou e o abraçou, recebendo o gesto de volta, com eles era assim, sem muitas palavras, poucos gestos, mas muito entendimento.
Definitivamente, amigos de alma, amigos de coração, mas mais que isso, amigos de dor!
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Alguns espíritas acreditam que a vida é uma constante repetição, que de certa forma repetimos erros e ou acertos de nossos pais, e assim estamos todos ligados em um ciclo.
Talvez eles realmente estejam certos...
Quando ligou o chuveiro e a água gelada tocou sua pele, Isabella gemeu, o dia estava frio e suas pernas estavam doendo tanto que tudo o que queria era poder tomar um banho rápido e deitar em sua cama. Arrepiada e com o queixo batendo de frio, logo estava vestida com uma camisola de manga comprida e seu robe grosso branco e rosa.
Assim que saiu do único banheiro que havia na casa, Isabella encontrou seu amigo sentado em silencio na cozinha, olhando para o prato de comida sem nem ao menos tocar no alimento. Pensou em talvez ir falar com ele, mas não estava sentindo-se muito bem, e queria muito poder ficar com sua filhinha, por mais que ela estivesse dormindo, era bom ficar abraçada com ela, sentindo seu cheirinho, afinal, no dia seguinte sua menina iria para longe... Ficar com Edward... Os próximos dias seriam bem piores, pois quando não tinha sua Rebecca ao seu lado, os tormentos eram bem mais intensos, de um modo que ela não conseguia entender, somente sentir, sua filha aliviava um pouco sua dor.
Respirou fundo e tentou não pensar em seu marido, até porque, se ele estava longe à culpa era totalmente dela. Virou-se e silenciosamente começou a caminhar em direção ao único quarto da casa, que gentilmente Emmett cedeu para ela, olhando atentamente para sala, fazendo o impossível para não esbarrar com seu ex-noivo.
Por mais que agora ela morasse na mesma casa que Jasper, os dois só trocavam poucas palavras durante o dia, e sempre relacionadas à Rebecca, uma vez que Isabella não conseguia perdoá-lo por jogar tão sujo com ela, e ao que parece, ele tinha seus próprios tormentos, pois também não fazia muito esforço para ficar perto dela.
De certa forma era até bom, pois assim as peças que estavam dentro deles totalmente bagunçadas teriam mais calma para se arrumarem.
– Ele está trabalhando! – disse Emmett, provando que de nada serviu ela tentar ser discreta. Jasper passava boa parte da noite trabalhando, assim como nos finais de semana, afinal, como agora Isabella trabalhava em uma loja, e ele desejava recuperar o tempo perdido com a filha, durante o dia era o responsável em cuidar, brincar e alimentar a pequena Rebecca, enquanto Emmett trabalhava.
Calmamente virou-se e encarou seu amigo, ele lhe olhava especulativo. Isabella pensou no que dizer, mas nada passou por sua cabeça. O fato era que por mais que Emmett tenha sido um amigo espetacular lhe estendendo a mão quando mais precisou, ele agora estava lhe pressionando, e nesse momento, por mais que sua situação fosse complicada, não estava com cabeça para jogar mais essa bomba em Edward.
– Não precisa me olhar assim, por mais que não concorde, não irei lhe puxa pelo braço e levá-la até ele... Mas você sabe que uma hora ou outra ele vai ter que saber, não vai ter como esconder.
Isabella olhou para o teto e mordeu seu lábio inferior – Não se preocupe com isso, na hora certa vou contar tudo, eu prometo!
– Quando será a hora certa? – Emmett suspirou – Ainda não consigo entender como Rose ou até mesmo Jasper não perceberam nada... Se Edward souber por outra pessoa, é bem capaz dele pensar as coisas de maneira diferente.
Isabella sorriu triste – Ele não pode me culpar por isso, está longe, nem ao menos sei onde estar...
Os dois ficaram em silencio por alguns poucos minutos, então Emmett se levantou e se aproximou de sua amiga. Isabella estava meio pálida e tinha perdido alguns quilos, os enjôos estavam bem mais fortes de quando estava grávida de Rebecca.
– Você precisa tentar comer alguma coisa.
– Eu sei, mas... Até mesmo o cheiro me faz mal, está bem pior do que foi quando esperava Rebecca.
– Tem algo que possa fazer para...
– Você já está fazendo demais, me deu um teto e tem sido um bom amigo, quase... – um nó se formou em sua garganta – Quase um irmão!
Emmett se aproximou ainda mais, abraçou sua amiga e permitiu que ela chorasse mais uma vez em seu ombro. Sinceramente ele não sabia como ela estava agüentando tanta coisa acontecendo em sua vida. Tudo bem que parte de tudo isso ela mesma causou, mas mesmo assim, por mais que ela estivesse errado em algumas escolhas, o seu chão não deveria ruir da forma que aconteceu.
Ela ter se rendido ao Jasper foi muito complicado, mas ter sido flagrada pelo Edward foi terrivelmente trágico. Ela ter ficado meio desequilibrada com tudo o que aconteceu foi até compreensível, mas ter que escudar de Bem que sua tia na realidade era sua mãe foi muitíssimo doloroso. Ela ter se mudado para sua casa logo em seguida foi até mesmo natural e esperado com tanta coisa acontecendo, mas ter descoberto que estava grávida foi um tremendo choque. Não era de se estranhar que se sentisse deprimida, afinal, mas uma vez estava sendo abandona pelo pai do filho que carregava. Ao menos agora ele poderia ajudá-la de forma correta.
Isabella se afastou e limpou a face. – Obrigada, eu estava mesmo precisando desse abraço. – Emmett lhe sorriu e emoldurou sua face vermelha e úmida.
– Sempre terei um abraço para lhe da, sempre!
Isabella sorriu.
– Vou ficar com Rebecca, aproveitar que ela está comigo essa noite, amanhã a Rose vem buscá-la. – disse com tristeza.
Emmett assentiu – É muito bonito isso, mesmo você sofrendo por estar longe dela, aceita que sua filha vá ficar os finais de semana com o Edward.
– Eu não posso separá-los Emmett, dentre tantas coisas que o Edward tem razão, uma dela é o fato de que ele sempre esteve presente por Rebecca, ele sempre a amou, quando ela mais precisou, não fui nem mesmo o Jasper que esteve lá por ela, foi ele... – lágrimas voltaram a descer de seus olhos – Separá-los seria punir-los, e a única que merece punição aqui sou eu...
– Não diga isso, não seja tão cruel com você, afinal, você não errou sozinha! – disse Emmett carinhoso.
Isabella balançou a cabeça negativamente – Você não entende... O Jasper pode ter armado tudo isso, mas eu aceitei, não fui forçada a nada, eu trair o homem que mais me amou na vida... Eu poderia ter falado para ele a verdade quando ele me perguntou, mas não, eu segui o caminho mais fácil e joguei fora tudo o que tinha de mais belo no mundo... A minha família... E em troca de que Emmett? Me diz? Eu nem consigo mais olhar para o Jasper, eu tenho tanta raiva dele que me dói ter sido tão impulsiva. Minha filha chora por saudade do pai que ela sempre conheceu. E eu, por mais que tenha você choro por saudade do homem que machuquei.
Emmett olhou para Isabella intensamente – Então é isso? Descobriu que não sente mais nada por Jasper?
Abaixou a cabeça – Eu não sei... Sinceramente, não sei o que sinto por ele... – sussurrou.
– Bom, isso é bom, ao menos está sendo sincera consigo mesma, já é um começo!
Isabella sorriu tristemente – Só você mesmo para ver as coisas desse modo.
Emmett suspirou – Sabe o que eu acho? Que seu maior erro foi tentar se esconder de você, e agora com tudo isso, com toda essa ruína que desmoronou em sua cabeça, você só vai conseguir respirar novamente, sacudir a poeira, quando finalmente conseguir descobrir o que se passa dentro de você, e apesar de todo o começo ser complicado, você está agindo certo, sendo honesta consigo mesma, apesar de aparentemente não ter grande relevância a principio.
Isabella o encarou por longos segundos – Eu espero que você tenha razão, eu realmente espero!
Ele sorriu e puxou-a para mais um abraço apertado, entretanto logo Isabella foi para o seu quarto e ao olhar para sua filha depois da conversa que teve com Emmett, tudo acabou voltando em sua mente, de repente ela se viu naquele dia tão perturbador, quando Edward saiu abraçado a sua pequena, quando Edward saiu de sua vida, graças a ela.
Com a dor lhe rasgando o peito chorou silenciosamente enquanto via os dois juntos, indo porta a fora, quis poder abraçá-los, mas sabia que tinha perdido esse direito quando aceitou as caricias de Jasper, quando tentou esconder de si mesma a verdade que desejou profundamente que fosse mentira.
– Fique onde está! Nem mais uma droga de passo, está me escutando? – ela escutou a voz de Emmett sair enfurecida, mas nem mesmo quis saber do porque ele estava agindo assim.
– Não posso deixar que ele a leve embora! – gritou Jasper o que fez Isabella despertar.
Enfurecida, caminhou a passos largos e decididos em direção a Jasper, sem deixar que ele tivesse qualquer reação lhe deu um tapa na cara com toda sua força – Você é um homem cruel Jasper, é muito cruel! Entenda uma coisa, você querendo ou não, você desejando ou não, Rebecca é tão filha dele quanto nossa!
– Você não pode está falando serio! – sussurrou Jasper.
– Você pode ter me convencido a trepar com você, e graças a Deus fomos interrompido! Mas vou lhe deixar uma coisa bem clara, minha filha você não vai afastar do Edward, ela não! – gritou apontando o dedo indicador na face de Jasper.
Com raiva pisou para fora da casa, nem ao menos se preocupou em pegar suas coisas, simplesmente saiu andando sem rumo. Não soube ao certo como conseguiu, mas chegou a casa, na casa que divida com Edward. Olhou para a garagem e sofreu ainda mais, o carro dele não estava estacionado lá.
Meio que cambaleando meio que andando adentrou a casa que guardava todos os momentos mais felizes de sua vida. Todos estavam lá, seus tios, sua prima, Sarah, seus sogros...
– Onde está Edward? Onde está Rebecca? – perguntou Esme nervosa, ela sentia que alguma coisa estava fora do lugar.
Olhou para sua prima que soube exatamente o que tinha acontecido assim que ela chegou. – Eu não sei onde Edward está... Ele levou Rebecca com ele, quando... Quando ele me pegou com Jasper... – sua voz não tinha nenhuma emoção.
Todos na sala ficaram petrificados por alguns segundos. Esme se aproximou de Isabella e encarou-a nos olhos – Me diz que isso não é verdade, me diz que entendi tudo errado! – pediu, mas Isabella simplesmente abaixou a cabeça envergonhada.
– Eu sinto muito Esme, sinto muito ter decepcionado você... – sussurrou.
Esme ficou tentada em esbofeteá-la, mas fechou suas mãos com força e então se afastou, andando de um lado para o outro, tentando entender como as coisas entre seus dois filhos ficariam a partir de agora. Enquanto Ângela se aproxima de Isabella, lhe oferecendo um abraço e sussurrando palavras de conforto.
– Tal mãe, tal filha... A maldita história se repetindo mais uma vez... – comentou Ben no canto mais afastado da sala. Todos olharam para ele.
Raivosa Ângela lhe lançou um olhar de advertência. – Cale sua maldita boca Ben, será que não consegue ver o quanto ela está sofrendo! – disse entredentes.
– Só estou comentando um fato... Tsc tsc tsc... E eu que desde que cheguei aqui, pensei que talvez ela pudesse ser diferente, santo engano, ela é tão escrupulosa como a mãe!
Isabella se afastou dos braços da tia e se aproximou de seu tio – Qual o seu problema tio Ben? Sempre soube que não gostava de mim, mas a minha mãe? Minha mãe sempre foi à mulher mais honesta e verdadeira que conheci, não vou aceitar que você manche a memória dela!
Ben gargalhou alto, deixando a todos espantados.
– Papai, venha comigo, o senhor não está nada bem! – disse Rose segurando nos braços de seu pai, entretanto ele se afastou e voltou a encarar Isabella.
– Sua minha não tem nada de honesta e verdadeira, se não acredita e mim, pergunte para ela!
Isabella arqueou as sobrancelhas – Você está louco!
– Estou? – olhou para Ângela – Diga a ela meu bem, diga a sua filha se realmente estou louco! – falou e então deu as costas e saiu da casa.
Esme que até então não estava entendo nada se agarrou ao seu marido, era demais para uma noite. Rose e Isabella olharam para Ângela que tinha os olhos fechados e mordia seus lábios com força.
– Tia... O que ele quis dizer com isso? – perguntou Isabella.
Ângela abriu os olhos e encarou as duas lindas meninas a sua frente, suas lindas meninas.
– Foi por amor, eu juro que foi... Desfazer-me de você foi à coisa mais difícil da minha vida, mesmo sabendo que você seria amada por duas pessoas como minha irmã e meu cunhado... Mas eu pensei em você, pensei na vida que você teria se ficássemos juntas como deveria ser...
– Mamãe... O que você está querendo dizer? – perguntou Rose tão afetada quanto Isabella estava.
– Que vocês duas são irmãs, que na verdade, Isabella nunca foi minha sobrinha... Sempre foi minha filha!
Isabella sentiu suas pernas fraquejarem e sentou-se no sofá que estava próximo a ela.
– Eu era uma menina, cheia de pensamentos românticos, e ver como minha irmã estava feliz com Charlie foi um dos motivos que me levavam a sonhar, mesmo estando de compromisso com Ben, o rapaz escolhido e aprovado por meus pais, eu desejava um amor de verdade... Foi então que amor chegou, pena que não enxerguei com ele a ilusão. Mike estava na cidade com a família para passar o verão, tão lindo, você tem muita coisa dele... Todas as meninas suspiravam por ele, e comigo não foi diferente, a não ser pelo fato de que ele se interessou por mim.
Ângela respirou fundo e então limpou as lágrimas que molhavam sua face.
– Não tive coragem de terminar com Ben, meus pais me matariam, eles juraram que não iriam permitir que mais uma de suas filhas seguisse um caminho sem sua aprovação, afinal, Renée pode ter dito sorte, Charlie era um homem maravilhoso e trabalhador, mas, quem poderia garantir que eu teria essa sorte? Então eu comecei a me encontrar com Mike as escondidas, aquela sensação de perigo, de proibido era boa por demais.
Um sorriso singelo brotou dos lábios de Ângela.
– Foram dias de intensidade... O beijo dele, o abraço... Era tudo tão incrível... – suspirou – Ele me convidou para fugirmos, para nos casarmos longe de tudo e todos e eu só conseguir dizer sim. Mas então veio a maldita prova de amor... Ele queria me ter, queria que eu me entregasse a ele, como prova de que seu sentimento era recíproco... E eu me entreguei... Mais de uma vez ao longo dos dias...
– Mas ele não levou você embora... Não é? – perguntou Rose com um nó na garganta.
– Não, em uma noite ele estava lá comigo, na outra, não estava mais, foi embora e nem me disse “tchau”, por dias fiquei esperando uma carta, um recado, mas nada veio a mim, nada! Somente enjôos, tonturas, sono... E então minhas regras deixaram de vim... Eu fique desesperada, consegui ir até Port Angels sem meus pais e fui ao um medico, tive a confirmação, estava grávida e abandonada.
Ângela olhou para Isabella e viu no olhar de sua menina que ela entendia esse desespero.
– Uma semana depois minha irmã e meu cunhado chegaram para passar uns dias com a gente, não consegui esconder de Renée o que tinha acontecido comigo... Pedi ajuda a ela para contar para nossos pais, mas então ela me pediu que esperasse mais uma noite, não consegui entender, mas na noite seguinte, no jantar, ela disse que tinha um comunicado a fazer, disse que estava grávida... Fiquei tão confusa, porque eles não tinham contado antes? Porque esperaram tanto?... As coisas não faziam sentido para mim, ao menos no começo...
– Foi por isso que morou quase um ano com tia Renée? Eu me lembro da vovó falando disso...
– Renée contou tudo a Charlie e juntos eles me ajudaram, inventaram a história da gravidez complicada para que pudesse ir com eles, para ajudá-los, era uma forma de me manter longe... Meus pais não negaram o pedido deles e então, em uma cidade distante, onde ninguém me conhecia ficou fácil inventar que era viúva de pouco, e que minha irmã estava ali para me ajudar... – Ângela olhou para Isabella e sorriu – Você nasceu linda, perfeita, eu a amei desde o primeiro momento, mas minha irmã não poderia ficar para sempre comigo e você, eu tinha que voltar e ela se apaixonou por você... Renée me disse que nunca teve a intenção de ficar com você, o plano era dizer que o bebê nasceu morto ou coisa assim enquanto pensávamos no que fazer com toda a mentira que envolvia a mim e a você...
Ângela se aproximou de Isabella.
– Lembra o que disse para você quando estava grávida e pensava na proposta de Edward? – Isabella nada disse, mas se lembrava daquela conversa como se tivessem tido ela ontem – Foi o que fiz, por mais que me tenha doido, eu dei você para Renée e voltei para casa dos meus pais... Eu simplesmente fiz o que tinha que fazer para proteger você, e sempre soube que Charlie e Renée seriam pais incríveis... E eles foram... Mudaram-se para Port Angels, assim ninguém da outra cidade poderia falar coisa alguma... E assim eu poderia lhe ver com mais facilidade, mesmo depois que me casei com Ben...
– O papai sempre soube? – perguntou Rose depois de alguns segundos em silencioso.
– Não, quer dizer, eu acho que ele percebeu que estava diferente e achava estranha minha obsessão por minha sobrinha mesmo depois de ter dito você... Mas ele só foi saber mesmo quando Charlie faleceu, ele leu uma carta endereçada a mim... Pensei que ele fosse me abandonar, mas ele ficou, e por mais que reclamasse e muitas vezes humilhassem Isabella com a intenção de me ferir, ele se esforçava para não me tirar a chance de ser mãe das minhas duas meninas...
Ângela esticou uma de suas mãos e segurou uma das mãos de Isabella — Diz que me entende, diz que me perdoa? Só fiz o que achei melhor, o que achei justo com você...
Isabella soltou sua mão da de Ângela e se afastou – Eu preciso ficar sozinha... – murmurou completamente abalada, não olhou para ninguém, foi para o seu quarto e se permitiu sofrer mais... Pegou o travesseiro de Edward, abraçou-o e se permitiu sentir o seu cheiro...
Ah como queria que ele estivesse com ela agora!
Mas ele não estava e a culpa era exclusivamente dela!
Sentou-se na cadeira de frente para janela e esperou, esperou por ele, com a mente intercalando, escutando novamente a história de seu nascimento e vendo novamente a dor que causou para o homem que amava, mas o sol chegou e nada dele... Foi somente quando Rose chegou com Rebecca nos braços que entendeu o que tinha acontecido... Ele não voltaria, nem mesmo para expulsá-la de sua casa.
Sentindo-se indigna, simplesmente pegou suas coisas, as coisas de Rebecca e foi embora, mesmo sua irmã lhe pedindo para ficar. Bateu na casa de Emmett e lhe pediu ajuda. Dois dias depois foi em busca de trabalho e desde então sua vida mudou completamente.
Ao menos foi o que pensou, afinal, o que mais poderia lhe acontecer?
A resposta veio com enjôos, tonturas e regras atrasadas... Lembrou-se de sua mãe, lembrou-se de si mesma... Era sua maldita história se repetindo... Só que agora, estava sem o pai de seu filho por culpa sua!
Como poderia procurá-lo?
Será que ele ficaria feliz?
Por Deus, não queria atormentá-lo mais... Tudo já estava tão difícil...
Chorando, foi para a cama que dividia com sua Rebecca, abraçou-a e se permitiu ser consolada pela presença de sua menina.
CONTINUA...
Notas finais
Mas...
Já deu para vcs perceberem isso....
Por isso estou hiper curiosa para saber de vcs....
O que acharam???
comentem....
bjocas
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