Vida Roubada

21 Capítulo 20 - parte 1


O dia clareou tão belo demonstrando que não se importava nem um pouco pelo sofrimento que a família Cullen sentia, pelo sofrimento que a mais nova senhora Cullen sentia. Com a luz do sol invadindo seu aposento, aquecendo seus lençóis e sua pele, Isabella chorava silenciosamente, nem mesmo o som de sua respiração se fazia audível, enquanto permanecia encolhida desde o momento que o remédio deixou de fazer efeito.

- Isabella… — sussurrou uma voz meiga e conhecida.

Era sua tia Ângela. Escutou passos se aproximando, mas continuou imóvel. Amarga ironia, quando soube da morte de Jasper, ficou estática do mesmo modo, e agora que ele estava vivo, não conseguiu demonstrar reação melhor.

Seria ela uma pessoa horrível?

Por muito tempo imaginou esse momento, e em sua imaginação jamais possuiu tamanho sentimento negativo dentro de si, como ela poderia querê-lo morto?

Carinhosa Ângela sentou lentamente ao lado de sua sobrinha e acariciou sua bochecha molhada por lágrimas. – Meu anjo, o que acha de tomar um banho?

Isabella continuou sem se mover, sem nada a dizer.

- Edward desceu preocupado... – comentou sua tia, tentando fazer com que tomasse uma atitude. Mas permaneceu sem nem ao menos encará-la.

É claro que ela escutou bem o que sua tia lhe disse, é claro que ela viu o momento em que seu marido entrou em seu aposento, assim como ela o viu parado encostado à porta por longos minutos, sem saber o que fazer, sem saber como agir. Sentiu vontade de sorrir, mas nem forças para fazer seus lábios se movimentarem ela tinha. Por isso, o melhor era continuar ali, tentando encontrar um modo para que pudesse resolver os problemas em que se meteu.

- Rebecca! – sua tia só precisou dizer uma só palavra para que seu olhar se voltasse para Ângela. – Venha, vamos tomar um banho, pensa na sua menina que a força aparece de algum lugar desconhecido.

Isabella sorriu ao mesmo tempo em que chorou diante do comentário de sua tia. Ofegando levantou-se e estendeu os braços para sua tia. – Me abraça tia, só me abraça, por favor! – pediu com tamanha necessidade, que Ângela sentiu-se impotente diante da grandeza da dor que sua sobrinha estava sentindo, por isso, apertou-a em seus braços o máximo que pode.

- Chore meu anjo, chore!

Ela chorou, chorou com a alma, como o coração, até terminar suas ultimas gotas de lágrimas e começar a ter o controle da tremedeira que estava suas mãos.

- Está mais calma? – perguntou Ângela, quando Isabella afastou-se delicadamente.

- Sim, obrigada!

- Um banho? – perguntou com um sorriso acolhedor na face.

Isabella não disse nada, mais assentiu.

O banho foi rápido, mas foi um bom amigo ao seu corpo que estava sentindo-se esmagado. O processo de se arrumar também foi relativamente rápido, pois, naquele dia em específico, Isabella não estava nem um pouco preocupada com a aparência que teria.

- Como as coisas são? Pensei que uma hora dessas estaria comemorando a minha união com Edward, não me sentindo uma mulher suja! – disse com a voz relativamente morta.

- Hei, não pense assim, você não é suja Isabella, não é! – respondeu Ângela de forma firme.

- Como não tia? O que Jasper deve esta pensando de mim? Do irmão? Por Deus, Emmett sempre esteve certo...

- Então é assim? – disse uma nova voz chamando atenção para si. Isabella virou-se e encarou Tanya dentro de seu aposento – Você carrega esse ódio todo por mim, mas na primeira oportunidade não luta pelo que diz sentir?

- O que está fazendo aqui? – uma raiva dominou a voz e feição de Isabella quando encarou a loira muitíssimo arrumada.

- Talvez você devesse fazer essa pergunta a si mesma. – respondeu Tanya.

Isabella sorriu amargurada – Não me diga que está aqui para me dizer o que fazer?

Tanya balançou a cabeça negativamente.

- Vim porque preciso falar com você. – disse firme.

- Você é ultima pessoa que desejo falar. – retrucou.

Tanya caminhou lentamente, puxou o lenço de seda que possuía enrolado em seu pescoço enquanto sentava cruzando suas pernas de forma delicada. – Não vou sair até que me escute.

Isabella suspirou impaciente, olhou para sua tia que lhe sorriu docemente.

- Vou preparar algo para que possa comer – disse Ângela se aproximando e beijando delicadamente a face de sua sobrinha.

- Tia você não precisa sair...

Ângela olhou para Tanya e voltou a olhar para sua sobrinha, acariciou a face da linda menina de cabelos escuros a sua frente e com uma doçura na face, própria de quem ama encarou-a – A momentos que preferimos adiar, por medo, por dor, não importa, queremos manter afastados de nos mesmo, mesmo sabendo que uma hora ele chegará para nos confrontar. Mas o que importa e fato, é como iremos reagir a esse momento, nosso aprendizado é o que realmente vale. – abraçou sua sobrinha e por fim deixou-as sozinhas.

O silencio gritou por alguns longos segundos, até o momento que Tanya o quebrou.

- Sua tia lhe ama como só uma mãe é capaz.

Isabella encarou a loira grávida a sua frente e cruzou os braços. – Vamos falar sobre minha tia? Pensei que fossemos falar no quanto você foi falsa e mentirosa.

Tanya revirou os olhos – Não me diga que acredita mesmo nisso?

Isabella sorriu. – Ora Tanya, se é para falar vamos ser honestas. Você se fez de minha amiga enquanto se deitava com meu marido! – acusou.

- Não me diga que agora ele é seu marido? – perguntou com os olhos semicerrados.

- O que disse? – a raiva brilhou nos olhos de Isabella.

- A verdade, você pediu por ela lembra? Não me consta que pensou nele como seu marido enquanto estava jogada nessa cama chorando por outro homem, esperando pelo momento que alguém batesse a sua porta com alguma solução mirabolante... – passou a língua pelos lábios e sorriu – Tenho uma novidade para você, o que aconteceu em Forks quando Edward apareceu em sua vida, não irá se repetir!

- Então é isso? Você veio aqui para me falar que roubei o seu amante? – questionou Isabella entredentes.

Tanya jogou a cabeça para trás e respirou fundo como se clamasse por paciência.

- Você não me roubou ninguém... – voltou a encará-la – O Edward nunca foi meu, ele foi um grande amigo, um amante que me ensinou a importância de me amar e me respeitar, mas nunca foi meu... Nunca! – Sem saber o que dizer Isabella desviou os olhos. – O seu ciúme não permite que você veja as coisas como elas sempre foram.

Sorriu tristemente – Será? Por Deus Tanya, você vinha conversar comigo enquanto transava com ele, se fazia de minha amiga enquanto me queria longe...

- Nunca desejei isso, nunca desejei que fosse embora.

Isabella voltou a encará-la. – Porque devo acreditar nisso? Já mentiu para mim uma vez!

- Porque o problema nunca foi verdadeiramente eu, o grande problema foi o fato de eu ter sido a mulher que dormia com Edward, qualquer uma iria despertar esse sentimento de raiva em você... Isabella, ele nunca me amou e hoje eu vejo que nem mesmo eu o amei como acreditava...

- Agora é fácil para você dizer isso...

- Não... – suspirou – Eu sempre soube dos verdadeiros sentimentos do Edward por mim, por isso, ficou ainda mais fácil desistir dele quando chegou o momento. Aquele beijou que você viu era nossa despedida, nosso adeus, naquele momento, muito antes de vocês começarem a viver, a perceber o sentimento que nutriam um pelo outro, eu já sabia que você era e sempre seria você a única na vida dele.

Lágrimas começaram a cair dos olhos de Isabella – O que você quer Tanya? Quer me deixar ainda mais destruída, porque se é isso, não tem com o que se preocupar, eu já estou sangrando!

- Eu quero que você seja a mulher que tanto deseja desabrochar em você, mas que mesmo sem querer você impede que aconteça.

Isabella mordeu o lábio inferior e sorriu triste. – Você diz isso como se fosse fácil...

- Eu sei que não é, mas também sei que paralisar e chorar enquanto o tempo passa não é o que se deve fazer quando se tem uma vida que depende de você!

Isabella encarou-a indignada. – Como ousa...

- Não estou aqui para lhe ensinar como lidar com sua filha ou como o Edward... Eu só estou preocupada com meu amigo... – suspirou – Espero que me entenda, as coisas mudaram, você não é mais a noiva frágil, você é uma mulher casada, casada por opção, você é mãe... Está na hora de agir como a mulher que você se tornou, não como uma menina que você já foi.

As duas se encararam em silencio por alguns minutos.

- Não quero magoar ninguém... – sussurrou Isabella.

- Eu acredito, mas existi momentos na vida que temos que magoar quem amamos.

- Eu sei que sim... Mas dói!

- Dói, mas passa, tanto em você quanto em quem você magoou, passa quando é à decisão certa... Isabella escute seu coração, se ele gritar por Jasper vá, fique com ele, viva esse amor interrompido, e daí que falem de vocês? E daí se o Edward ficará magoado? Amigos ele terá para ficar ao seu lado... – suspirou – Mas se for o Edward que seu coração deseja, termine logo com o sofrimento de seu marido, resolva suas antigas pendências e siga em frente... Doa a quem doer, faça a sua escolha e seja feliz... Veja o que é melhor para você, o que irá lhe fazer bem, no final tudo se ajeita.

Isabella encarou a loira assustada e pela primeira vez conseguiu compreendê-la, e mesmo lutando contra, uma admiração cresceu dentro dela. Tanya não disse mais nada, saiu do quarto deixando-a sozinha com seus pensamentos e angustias. Entretanto, antes de sair deixou Isabella com uma certeza, o tempo de esperar que os outros resolvessem seus problemas chegou ao fim, ela sairia do quarto determinada a se tornar a mulher que poderia se olhar no espelho sem culpa.

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Quando o dia amanheceu e nem mesmo Jasper ou Emmett apareceram, Rose pensou em voltar para casa de sua prima e de Edward, mas uma determinação desconhecida a fez ficar e esperar, e talvez por isso sentiu uma sensação de vitória quando viu os dois homens vindo em direção a entrada da casa.

Tentou acalmar seu coração quando vislumbrou a figura máscula de Emmett se aproximando, mas acabou desistindo, talvez não conseguisse nunca em sua vida tamanha proeza, era o momento de se acostumar com sua nova realidade, havia perdido seu amor para sempre.

Quando percebeu que eles estavam perto o suficiente levantou-se dos degraus e arrumou suas rouba amarrotada, passou as mãos pela face e respirou fundo, esperando pelo momento em que eles finalmente percebessem a sua presença. Jasper foi o primeiro que a viu, paralisou fazendo com que seu amigo olhasse seu grande único amor os encarando com uma determinação no olhar que o deixou ainda mais apaixonado.

- Rose... – sussurrou Emmett.

- Não se preocupe, não vim atormentá-lo com minhas lamentações, vim para falar com Jasper. – encarou o loiro e sorriu – Será que poderíamos conversar por alguns minutos?

Jasper encarou a loira e depois o seu amigo, não demorou em perceber que não foi somente a sua vida que mudou com a maldita guerra.

- Eu adoraria Rose, mas minha cabeça está latejando, se incomodaria se pudesse tomar um banho e um analgésico antes?

- De modo algum, só peço que não demore, meus pais devem estar preocupados, passei a noite esperando por vocês!

- Passou a noite aqui fora? – perguntou Emmett visivelmente perturbado.

- Não houve perigo algum... Foi até bom ficar com meus pensamentos...

- Bom? Alguém poderia lhe fazer mal... E...

- Normalmente as pessoas que conhecemos é que nos causam a maior dor... De qualquer modo sei me defender, e não é minha segurança que me motivou a vim falar com Jasper!

Emmett pensou em questioná-la, mas acabou por permanecer calado, entendeu muitíssimo bem o que ela quis dizer nas entrelinhas, ele não possuía direito algum sobre ela, nem mesmo o direito de ficar preocupado desde o momento em que a abandonou.

- Ao menos aceite esperar por Jasper dentro de casa, deve estar com fome e...

- Estou bem... – olhou para Jasper – Mas concordo em esperar dentro de casa, o dia está quente e adoraria um copo com água.

Emmett nada disse, caminhou lentamente e abriu a porta da sala abrindo o caminho para que todos pudessem entrar. Seria uma manhã dolorosa para ele.

Rosálie adentrou e sentiu-se desconfortável, lembrou de quando estivera ali meses antes e quis chorar ao se lembrar do modo como fora tratada, das duras palavras que lhe foram ditas, do olhar indiferente que recebeu do homem que amava. Mas seu orgulho acabou gritando mais alto e mesmo sem acreditar, conseguiu manter a compostura, até mesmo quando seus dedos tocaram os de Emmett quando lhe ofereceu o copo com água que havia pedido.

- Obrigada.

Os dois se olharam por alguns segundos em silencio.

- Se quiser mais, pode pedir. – disse Emmett com a voz quase inaudível.

Rose sorriu cinicamente – Não se preocupe, não irei incomodá-lo muito mais.

- Rose...

- Emmett não estou por você ou por mim, por isso não precisa usar de doçura na voz e compaixão no olhar, é melhor deixarmos as coisas como verdadeiramente é, você indiferente a mim!

- Não sou indiferente a você!

Ela respirou fundo.

- Então finja que é, pois pior que indiferença é o sentimento de pena!

- Não, eu...

- Por favor, não diga mais nada, pois assim irei esperar por Jasper do lado de fora da casa!

Emmett assentiu, com o coração na mão afastou-se e ficou olhando-a de longe, em silencio, tentando compreender que merda de escolha ele tomou para tirá-la de sua vida.

Continua...

Notas finais
Ok ok....
eu sei que essa semana foi bem mais longa que 7 dias....
e sei tbm que nas proximas duas semanas tbm será bem complicado....
gente, final de ano é um tormento, espero que compreendam....
bom, mas pelo menos consegui postar um pedaço do cap 20, vcs merecem muitooooooooooooo
louca para saber o que acharam....
E caramba, a Tanya dando lição na Bella foi terrivel.... mas serio gente, as vezes o terrivel é o que precisamos para seguir em frente.... e na boa... eu adoro a Tanya....(podem me matar eu deixo) kkkkkkkkkkkk
bjocas