Vida Roubada
14 Capítulo 14
A chuva finalmente tinha dado uma trégua, deixando um cheiro de terra molhada invadindo as narinas de todos. Karen sorriu, as lágrimas que antes banhavam sua face haviam desaparecido.
– Uma menina! – disse maravilhada. – Ele acertou...
– Você sabe o que as agencias de adoção dizem aos “novos” pais quando finalmente conseguem a criança almejada? “Antes de a criança nascer, ela esta destinada para aqueles pais, podendo ser eles biológicos ou não... E quando chega o momento certo, pais e filhos se encontram, formando um laço de amor tão profundo e verdadeiro que surpreende até mesmo os mais descrestes”.
– Você está querendo dizer...
– Não estou querendo dizer nada, é assim que as coisas são... Talvez para você seja difícil de compreender...
– Não, não é... – fechou os olhos – Minha mãe foi criada pelo padrasto, e até hoje me lembro da relação afetiva linda que eles tinham... Até mesmo comigo, não consigo imaginar um avô mais incrível... Mas entendo o que você quer dizer, todas nos mulheres, pelo menos em sua grande maioria sonham em poder gerar uma criança, e logo no inicio já criam um vinculo com o bebê... Já para o homem... – deixou a frase morrer.
Demorou alguns segundos, mas quando se recuperou do que Karen havia dito, pode enfim continuar, e de um modo inexplicável, ela nem ao menos percebeu o quanto o que disse deixou seu velho amigo e paciente afetado.
– Normalmente o amor só é formado quando enfim ele consegue segurar seu filho nos braços, tocar, cheirar, olhar... Nesse caso em especifico, o amor de pai nasceu nele antes mesmo dele poder olhá-la... Querendo ou não, Rebecca foi destinada a ele, a ser sua filha... Mesmo que tenha sido o seu irmão a plantar a semente que germinou a vida da pequena Cullen...
– Rebecca... Bonito nome.
Ele sorriu, e dessa vez ela percebeu um brilho contagiante em seus olhos.
– A pequena não poderia ter um nome melhor...
– Porque diz isso?
– Rebecca significa laço, “aquela que une”.
Karen sorriu. – Ela veio para unir os dois, mãe e “pai”?
– Bem mais que unir pai e mãe, a pequena Rebecca veio para ensinar o significado do amor, em vários sentidos.
Se fez silencio por alguns minutos. Tentando avaliar o que já poderia falar ou não, o velho acabou deixando para mais tarde o significado de união que Rebecca nasceu para cumprir, até porque sua vinda não se resumiu somente entre Isabella e seu novo amor.
– Mas e Tanya? – perguntou Karen depois de algum tempo.
– O que tem ela?
– Bem, ela voltou... E...
– E nada. – respondeu cortando-a – Ao longo do tempo que Tanya ficou separada do homem que acreditava amar, ela seguiu com sua vida... Olhou para frente e se surpreendeu com o que o destino lhe reservou.
–--
Com passos silenciosos Tanya chegou até o estábulo onde Derek se encontrava cuidando de seus cavalos. Ele usava o de sempre, calça jeans e camisa de botões com botas compridas e um chapéu na cabeça. Ela elegante como de costume, uma vestido que batia logo abaixo do joelho em xadrez grande e coloridos intercalando entre o azul, preto, rosa e verde, de manga curta, mas que cobria seu perfeito busto e demarcava sua cintura com um belo cinto negro, seu cabelo curto partido ao lado possuía somente uma presilha e sua maquiagem estava leve e sutil, combinando perfeitamente com a serenidade que estava destacada em seus traços.
– Sabia que o encontraria aqui! – disse quando estava perto o suficiente.
Ele se virou e a encarou, um enorme sorriso se formou em seus lábios quando a encarou – Sou um homem disposto, pensei que já não duvidasse disso.
Ela sorriu abertamente, o olhar dele aquecia o seu coração – Sim, acho que já comprovei isso!
Ele a envolveu em um terno abraço e então lhe deu um demorado selinho. – Minha cama sentiu sua falta – disse sussurrante.
– Eu também senti muita falta dela. – falou divertida.
– O que acha de resolvermos esse problema agora?
Ela o olhou com a face rubra – Agora? De dia?
Ele acariciou sua face delicadamente – Porque não? Para ser feliz não se tem hora.
– Eu não quero atrapalhar Derek... Seu trabalho...
– Passei uma semana trabalhando como um louco para não sentir a sua falta, nada mais justo deixá-lo de lado um pouco para desfrutar um belo momento ao seu lado.
Nada mais foi preciso ser dito, os dois foram justos para o quarto, fazerem o que vinham fazendo há um pouco mais de um mês. Não foi nada premeditado, simplesmente quando perceberam já estavam um louco pela companhia e corpo do outro. A princípio chegaram a jurar que iriam esquecer e voltarem à amizade de antes, entretanto o amor e desejo de estar junto gritou mais alto que qualquer receio.
Derek não era nenhum garoto, seu corpo não era definido e nem seus músculos eram rígidos, mas Tanya jamais encontrou tamanho acolhimento nos braços de seu ex-marido e de Edward como encontrou nos braços de Derek, ele fazia com que ela acreditasse ser a única e mais desejada mulher de todo o mundo, ele a fazia feliz.
– Então, a menina do Edward é parecida com ele ou com Isabella? – perguntou Derek enquanto tinha seu peito acariciado por Tanya depois do amor que compartilharam.
– Hum... Não sei dizer, olhei-a somente uma vez, no dia do nascimento.
– Isabella não aceitou bem sua presença?
Suspirou – Nem sei se ela soube de minha visita, não quis atrapalhar os dois, minha presença talvez fosse interpretada de forma errônea.
– Pensei que você estivesse ido fazer a visita para enterrar de vez o mal entendido.
Ela se levantou, sentou-se na cama e encarou-o com os seios desnudos. – Quando falei com você pelo telefone naquela manhã, a primeira idéia que passou pela minha cabeça foi que fazendo uma visita talvez a minha amizade com os dois pudesse ser reconstruída... Mas assim que cheguei ao hospital e o parto complicado de Isabella se revelou para mim... Assim que olhei para o Edward tive a total certeza de que minha amizade com ele não terminou, não foi preciso dizer muita coisa para perceber que o carinho entre a gente permaneceu e eu desejo tudo de bom para eles, são pessoas incríveis que nasceram para ficar juntas...
Ela mordeu os lábios e sorriu.
– Não gosto de esconder as coisas de você, mas eu sei que você entende o meu lado que no meu lugar faria o mesmo... Mas a história de Edward com Isabella é uma linda história de amor que me deixou feliz em saber que anda como deveria... Foi o momento certo de encontrá-lo, mas seria o momento errado de encontrá-la, depois de tudo o que ela passou, Isabella merecia estar cercada da família e do homem que ama a minha presença ao invés de ajudar poderia atrapalhar.
Ele esticou a mão e segurou a dela – Você é maravilhosa... A cada dia me faz querer antecipar mais o nosso casamento.
Não era somente por estarem louco de amor um pelo outro que estavam loucos para se unirem em matrimonio, ambos sabiam que Derek não viveria muito mais, a qualquer momento poderia partir para sempre, e isso fazia com que ambos quisessem aproveitar o máximo que podiam.
Ela sorriu – Você que é maravilhoso! Outro em seu lugar não teria nem mesmo me incentivado a ir ver o Edward.
– Eu confio em você, acredito no amor que sinto em seu carinho e vejo em seu olhar... Como também sei que Edward foi importante em sua vida, por mais que não exista amor, existe amizade e de uma forma ou de outra eu sabia que ele estaria precisando de um de nos naquele momento.
Ela o olhou encantada por alguns segundos silenciosos.
– Eu te amo! – disse se jogando nos braços de Derek e lhe dando e recebendo um beijo apaixonado.
– Também te amo – sussurrou em seus lábios uma frase que nem ao menos se imaginou dizendo para qualquer mulher algum dia, além de sua filha.
– Sabe... Tenho outra noticia, uma que pensei que você fosse querer saber a resposta assim que tivesse chegado. – falou distribuindo leves selinhos pela face enrugada de Derek.
– Diga, por mais que já tenham me deixado inteirado preciso ouvir de seus lábios.
– Não acredito, pedi para não lhe falarem nada. – falou fazendo bico.
– Sabe como é? Sei ameaçar muito bem. – respondeu Derek sorrindo.
– Não tem mais graça em dizer.
– Você teria coragem de me tortura dessa maneira?
Ela o olhou e se sentiu um idiota por não consegui evitar. Por mais que soubesse que a feição decepcionada de Derek fosse teatro, seu coração não suportou e acabou se rendendo – Estou legalmente divorciada!
– Então agora podemos nos casar legalmente?
– Sim, é só marcarmos a data e contar a novidade para sua filha.
Ele suspirou – Não, não quero dizer nada a Jane.
– Derek...
– Ela não me procurou Tanya, desde aquele dia ela nem sequer me deu um telefonema.
– Você esta sofrendo...
– Estou, mas não é justo comigo e nem com ela forçar uma relação... Por mais que eu não mereça perdão, ela jamais virá a mim enquanto sentir que me perdoou... Tempo, é tudo o que precisamos, e além do mais não quero ninguém, ninguém além de Edward como nossa testemunha, se você não se importar é claro.
– Tudo o que você quiser meu amor, a única coisa que me importar é ter você ao meu lado!
–--
O corte em seu ventre ainda lhe doía, mas a verdade que descobriu horas antes lhe doía ainda mais. Deitada em sua cama, ficou ao longe vendo sua filha que chorava, sem ao menos levantar-se, não tinha vontade nem coragem...
Observou quando Sarah colocou-a em seu colo e tentando acalmá-la sem qualquer sucesso, viu os minutos passando e o choro de sua filha lhe cortando mais fundo que o bisturi que ajudou em seu nascimento.
Suspirou aliviada quando Edward chegou do trabalho e embalou Rebecca em seus braços murmurando Unforgettable. Aos poucos sua pequena se permitiu adormecer e Isabella tentou imaginar o que poderia estar passando na cabeça de sua menina, que neste momento possuía traços serenos... Tranqüilos... Sem ao menos imaginar a mãe cruel que possuía.
Edward colocou ela no pequeno moises que tinham em seu quarto. Olhou para a sua esposa e encontrou o seu olhar, calmamente se aproximou e lhe deu um leve beijo nos lábios.
– Senti sua falta... – disse com a feição um pouco triste.
– Peço que me perdoe à demora, mas hoje foi bem puxado, a secretaria que ficou no lugar de Tanya não vem conseguindo realizar todas as funções corretamente, e como conseqüência acabo fazendo tanto o meu trabalho como o dela.
– Comeu alguma coisa? – perguntou Isabella acariciando a face cansada de Edward.
– Sim... Deu tempo de comer um sanduíche... – ele deixou a frase morrer e olhou atentamente Isabella. O silencio se fez presente, deixando a ambos com um leve incomodo.
– Isabella, algum problema?
– Não, nada demais...
– Vamos, me conte, o que quer que esteja te atormentando... – segurou uma das mãos de sua esposa – Estou aqui para apoiar e dar conforto a você!
Foi preciso somente uma única lágrima cair pela face de Isabella para que uma avalanche emocional transbordasse. Como um marido atencioso e carinhoso, Edward acolheu-a em seus braços e a confortou. – Eu sou uma péssima mãe Edward...
–Hei, não diga isso!
– É a verdade... Até mesmo o médico percebeu! – disse entre soluços.
Edward se afastou e encarou sua esposa, foi então que se lembrou...
Hoje sua Rebecca iria receber a visita de um medico, fazia pouco mais de uma semana que ela havia nascido e de acordo com a recomendação do pediatra que atendeu sua menina logo que nasceu, entrou em contado com Dr. Phil Honner e conseguiu uma consulta residencial.
Engoliu em seco.
– O que aconteceu? – perguntou temendo o que pudesse vim.
– Eu... Eu não a fiz direito... Ela não é normal Edward... Rebecca nunca será normal...
Ele piscou algumas vezes assustado.
Como assim sua linda menina não era normal?
– O que você está querendo dizer Isabella? – perguntou confuso
– Ela... Ela... Tem uma fenda palpebral inclinada... Por isso os olhos dela têm esse formato... Como se fosse uma oriental... A cabeça dela é mais achatada na parte de trás... A língua protusa... As orelhas implantadas mais abaixo... E também tem uma linha única na palma da mão... Oh Deus... Ele deve ter falado mais alguma coisa... Mas eu não estou lembrada... Eu só sei que minha filha... Oh Deus, minha menina é mongolóide... – voltou a chorar compulsivamente.
Edward visivelmente assustado olhou sua esposa desabar e não conseguiu se mover, despertando somente quando Rebecca agitada voltou a chorar querendo um pouco de atenção. Calmamente, ele se levantou e a pegou em seu colo, embalando-a, cantando para que ela se tranqüilizasse.
Com Rebecca nos braços ele se aproximou de Isabella que ainda chorava encolhida.
– Meu bem, olhe para nos! – pediu Edward quando sua esposa virou a cabeça para não olhar sua menina.
– Eu... Eu não... Posso... Eu fiz isso Edward... A culpa é minha!
Ele suspirou, deu um beijo no topo da cabeça do lindo bebê que possuía em seus braços e olhou para o mar castanho que o encarava. Realmente os olhos dela pareciam com os olhos de orientais... Mas isso de uma forma encantadora a deixava ainda mais linda.
– Ela é linda... Não importa o que os outros digam, não importa o que pensem... Nossa Rebecca é perfeita para mim... Eu a amo do jeito que ela é... Se ela é diferente das outras crianças, se esta longe do que julgam normal, pouco me importa... Aos meus olhos e em meu coração ela sempre será nada menos que PERFEITA!
Havia tanto amor em suas palavras que Isabella sentiu-se mal.
Que mãe ela era?
Com a face inchada pelo choro encarou os dois... Rebecca olhava-o paralisada, encantada e recebia dele o mesmo olhar contemplador.
– Você continua achando-a perfeita? – perguntou Isabella sussurrando.
Ele sorriu. – Como poderia não achar? Olhe só para ela, me diga se não é linda nossa menina! – olhou para Isabella – A sua única culpa é que você a fez com tanto amor que ela nasceu especial!
Rebecca começou a reclamar novamente, fazendo com que Edward olhasse questionador para sua esposa – Acredito que ela esteja com fome, esta em condições de amamentá-la?
Isabella respirou fundo e olhou para sua filha, então a dor voltou com tudo.
– Eu não posso, não posso Edward...
– Isabella...
– Tire, tire ela daqui! – gritou.
Rebecca assustada com os gritos começou a chorar ainda mais alto fazendo com que Edward se levantasse e saísse com a sua menina, tudo o que as duas não precisavam nesse momento era uma da presença da outra.
Assim que saiu do quarto encontrou com sua mãe e Sarah que subiram assustadas.
– Já soube...? – perguntou sua mãe com a feição triste.
– Sim... – suspirou – Não sei o que fazer, Rebecca esta com fome e Isabella esta chorando no quarto, fico tão dividido entre as duas.
– Fique com Rebecca, ela consegue se acalmar com você... – Olhou para Sarah – Vá, fique com Isabella, uma amiga agora seria perfeito para ela, enquanto isso vou preparar um leite para Rebecca... Com fome é que a menina não pode ficar.
– Mãe, será que não irá fazer mal para ela?
– Não se preocupe, sei o que estou fazendo, nunca fui de ter muito leite e você e Jasper eram bem famintos... Aprendi muitas coisas.
Ele assentiu e se dirigiu para o quarto da frente, o quarto de sua menina.
Rebecca ainda chorava, e não se calou um só minuto até que seu leite chegou. Foi complicado, mas com ajuda de sua mãe, ele conseguiu fazer com que ela tomasse tudo com o auxilio de uma pequena colher. Foi um processo lento, demorado, mas ao menos a aquietou.
– Tenha um pouco de paciência com Isabella... Não deve estar sendo nada fácil para ela. – disse Esme baixinho.
– Eu sei... – respondeu sem tirar os olhos de sua filha.
O silencio se fez presente, avó e pai ficaram olhando apaixonados para o pequeno ser que dormia tranquilamente. Após longos minutos, Esme se retirou, deixando pai e filha sozinhos. Com a ponta dos dedos, Edward acarinhou-a delicadamente.
– Não sei se pode me entender, mas se puder espero que saiba que é linda e especial, nada nem ninguém, nem mesmo o melhor medico do mundo me fará mudar de opinião... E logo, logo a mamãe também vai pensar igual... Você vai ver, ela ama você!
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Colocou sua menina no berço e se retirou, seguiu para o seu quarto e encontrou Sarah sentada no chão encostada à cama segurando firme uma das mãos de sua mulher, que não mais chorava, porém possuía uma feição triste, sofrida... Sem dizer uma só palavra chamou por Sarah.
– Peço que durma com Rebecca hoje, se por acaso ela acordar pode vim me chamar, a porta do quarto estará aberta.
– Será um prazer ajudá-lo.
Ele assentiu e assim que ela atravessou a porta a encostou e se aproximou de Isabella, nem um dos dois disse nada, talvez porque não soubessem o que dizer ou porque soubessem que nesse momento a melhor opção eram permanecer calados, entretanto Edward a acolheu em seus braços, permitindo que ambos relaxassem e dormissem, tendo em mente um poema mágico de William Shakespeare, e sabendo que de alguma forma Isabella o tinha em seu coração.
“Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas às maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!”
–--
– Ela era uma criança especial? – perguntou Karen enquanto assimilava o que havia escutado.
Seu velho amigo e paciente suspirou.
– Naquele tempo, pouco se sabia sobre crianças especiais... Talvez se Isabella soubesse o que sabemos hoje ela teria agido diferente... Ou não... – fechou os olhos – O fato é que somente em 1958 a síndrome de Down foi descoberta, antes disso, as crianças eram taxadas como mongolóides.
– Li sobre isso uma vez quando estava fazendo meu curso de enfermagem.
– Tempo difícil e de muitos preconceitos... Mas pais que amam seus filhos sempre irão existir!
Karen ficou pensativa.
– Posso saber o que tanto pensa? – perguntou o velho paciente depois de longos minutos.
– Em Isabella... Ela desejou tanto esse filho, esperou tanto e no primeiro momento de dificuldade rejeitou-a. Confesso que esperava mais dela!
– Cada um tem sua própria forma de encarar a dor.
– Eu sei, mas é que amor de mãe deveria ser o maior e mais forte do mundo...
– E quem disse que o de Isabella não é? Só porque ela não estava pronta para amar sua filha não quer dizer que não a ame!
Karen suspirou.
– Entenda uma coisa, saber que seu filho é diferente já é cruel e doloroso para uma mãe, agora imagina uma mãe descobrir que ela é a culpada?
– Mas Isabella não possui culpa alguma!
– Eu sei, você sabe, o mundo todo hoje sabe... Mas naquele momento a única coisa que Isabella sabia era que sua filha era doente e a culpa era sua.
Karen o olhou e assentiu – Deve ter sido difícil para ela.
– Foi, mas no momento certo seu amor de mãe gritou mais alto!
FIM DO CAPITULO
Notas finais
Gente ainda não respondi os comentários do cap anterior... mas assim que possível irei responder....
Minha vida esta sendo uma correria....
Bem, não vou falar muito, acho que esse cap trouxe fortes emoções....
E agora????
Comentem, comentem, comentem....
bjs
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