Vida Roubada
25 Capítulo 23
Notas iniciais
A noite passou tão rápido, Alice estava com os pés acabados, inchados e latejando, está grávida e trabalhar era cansativo por demais. Sentou-se em uma das cadeiras e olhou para o imenso salão vazio da casa de show de Paul, as luzes estavam em sua maioria apagadas e somente o segurança se encontrava no estabelecimento, ao menos, era o que pensava.
- Ainda aqui? – perguntou uma voz melodiosa ao longe, totalmente encoberto pela escuridão.
Era o charmoso Tomy, a cada passo que dava saía das sombras da noite tendo cada parte de seu corpo revelado calmamente. Com uma garrafa de uísque em uma das mãos e um cigarro recém aceso na boca ele era o verdadeiro pecado. Caminhava de forma preguiçosa, com os lindos olhos azuis contornados de vermelhos e uma leve olheira, demonstrando que estava mais de 24 horas sem dormir.
- Espantoso é você ainda estar aqui, normalmente já teria ido, aproveitando a companhia de alguma das belas e fáceis mulheres que sempre está lhe rodeando. – comentou sem nem ao menos olhar para ele.
Tomy sorriu diante da resposta da linda morena com feições delicadas e voz de anjo. Ele e Alice nunca haviam trocado mais que duas palavras, entretanto, ele sentia, antes mesmo do pequeno show sentimental que ela deu a alguns noites atrás, que os dois tinham muita coisa em comum e talvez por isso, sentiu-se confortável o suficiente para sentar-se ao lado dela e lhe oferecer o uísque que carregava nas mãos.
- Não obrigada, não desejo me tornar a metade do que você é. – respondeu.
Ele arqueou as sobrancelhas.
- E sou o que exatamente?
Ela o olhou, encarou-o com tamanha intensidade que ele arrepiou-se.
- Alguém que em algum momento perdeu o controle de sua vida e se afundou em bebidas e mulheres a fim de tentar esquecer os tormentos que o rodeiam.
Ele piscou os olhos algumas vezes e então sorriu tristemente antes de tomar um grande gole de sua bebida direto da garrafa.
- Ao que parece você entende muito de tormentos, não?
- Bem mais do que gostaria... – murmurou Alice antes de dar um suspiro cansado.
Os dois ficaram em silencio por longos minutos, então se olharam e sentiram uma cumplicidade e confiança começar a nascer de dentro.
- O amor é mesmo uma droga... – disse Tomy.
- Sim é... Entretanto tenho certeza de que não existe mulher no mundo que mereça o estrago que você esta fazendo com sua vida, assim como, ninguém merece pagar pelo erro de outra pessoa.
- Qualquer mulher tenho certeza de que não mereça, mas, não é o caso de minha Anne...
Alice sorriu.
- Não dê tanto créditos a quem não merece!
Ele suspirou cansando, puxou um longo trago de seu cigarro e então o jogou no chão, pisou com certa demora e olhou ao longe.
- Era um dia lindo... Lindo como qualquer outro, acordamos, tomamos nosso café, brinquei com meu filho... Ele ainda não sabia falar muito, mas havia aprendido a falar papai há poucos dias, nada no mundo poderia se comparar a tamanha felicidade que se apossou do meu coração. Nunca fui rico, mas, me sentia como um rei. Beijei os lábios macios de minha esposa e sai para a escola de música que dava aula havia mais de cinco anos. Tudo estava acontecendo como deveria, nada indicava uma mudança drástica, a não ser a possível gravidez, Anne desconfia que estava esperando mais um filho... – fechou os olhos com força e engoliu em seco – Eu juro, se soubesse o que iria acontecer minutos depois que sai, se não houve jeito de evitar o que acontecera... Ah eu teria ficado...
Tomy tomou um longo gole de seu uísque, abriu os olhos e levantou-se, olhou para Alice que o encarava em expectativa.
- Uma bomba caiu, não sobreviveu ninguém do bairro onde morávamos, todos morreram... Inclusive minha Anne e meu filho... Meu pequeno que havia aprendido a falar papai há poucos dias... – As lágrimas começaram a cair de seus olhos – Nunca mais pude escudar ele falar essa pequena palavra de cinco letras... Nunca mais pude beijar minha Anne... Então faço a única coisa que posso fazer pra esquecer o sofrimento, ao menos por alguns minutos... Somente alguns minutos para que posso respirar e voltar a sofrer por todo o resto do dia...
Alice pensou em tocar-lhe, mas reprimiu-se e olhou-o penalizada.
- Tomy eu...
- Mas sabe de uma coisa? Você está certa, ninguém merece pagar pela tragédia dos outros, já magoei muitas moças... Não é justo, minha Anne não ficaria feliz com isso...
- Tomy...
- Boa noite Alice... – disse cortando-a mais uma vez – Seria certo me oferecer para acompanhá-la até sua residência, mas, sentir o seu olhar de pena não seria nem um pouco acolhedor nesse momento! – disse afastando-se.
Alice levou suas mãos até sua barriga enquanto sentia-se péssima, por julgar que dentro de uma história de amor, sempre tinha que existir um covarde para desistir da felicidade.
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Emmett não conseguia acreditar que estava voltando para aquela casa, ficou parado com o coração acelerado, tentando imaginar como seria se Rosálie estivesse lá, afinal, ela deveria estar, já era tarde da noite.
Respirou fundo, levantou o braço para bater na porta e então decidiu que precisava respirar fundo mais uma vez. Estava sendo tão fraco tão besta a ponto de agir como um adolescente, mas simplesmente não conseguiria evitar, então tentou pensar em Jasper, já havia se passado dias e ele ainda nem conhecia sua filha, e isso o estava deixando louco, tão louco que ele pretendia bater na casa do irmão e exigir o seu direito paterno, exigir sua família de volta.
Imaginou mais uma vez a proporção que isso poderia tomar, e então conseguiu reunir forças para bater e esperar impaciente para que o atendessem. Fora Ângela que abriu a porta, arregalando os olhos ao vê-lo, demonstrando o quanto estava surpresa com a visita.
- Posso falar com o Edward? – perguntou com a voz um pouco tremula.
- É bom vê-lo novamente, bom saber que está vivo! – disse Ângela com delicadeza, o que o deixou comovido, sua ex-sogra sempre fora verdadeira e de um coração surpreendente.
Ele assentiu e assim que ela abriu a passagem para ele, Emmett balançou a cabeça negativamente – Seria possível chamá-lo para conversarmos aqui fora? – perguntou não desejando olhar muito para Ângela e seus traços singelos.
- Emmett, a casa não é minha, mas tenho certeza de que Edward ou Isabella irão se importar que entre!
- Eu sei... Mas não desejo trazer mais sofrimentos a Esme e Carlisle, Jasper ainda não está preparado para vê-los e não nada fácil negar isso a eles... E imagino que seja a ultima pessoa que Ben queria ver!
Ângela lhe sorriu docemente – Como já lhe disse, a casa não é minha, nem mesmo de meu marido, tratá-lo com grosseria seria por demais vergonhoso. E Esme e Carlisle estão no quarto, dormindo, vamos, entre!
Ele respirou fundo e atravessou a porta se deparando com uma cena que jamais imaginou ser possível. Edward estava deitado no chão brincando com Rebecca, a linda menina sorria com tamanha alegria que era impossível negar a ligação que existia entre eles.
- Emmett! – fora Sarah quem chamou atenção de todos para a sua presença, antes insignificante.
Edward deixou o sorriso em sua face morrer aos poucos, então colocou a pequena Rebecca em seus braços e levantou-se. Ben agiu bem diferente, levantou-se de supetão e somente não partiu para cima dele porque Ângela meteu-se na frente, impedindo-o de fazer alguma besteira.
- Boa noite, desculpe o incomodo, mas será que poderia falar com você Edward? – perguntou receoso.
- Vamos, me deixe pegar minha neta... – disse Ângela docemente. Assim que estava com Rebecca em seus braços olhou para seu marido – Vamos subir! – Ben ainda o olhou por alguns segundos e então saiu de mãos dadas com sua esposa, entretanto não lhe tirou os olhos antes de desaparecer escada acima, deixando-os sozinhos.
Edward ficou calado olhando-o, analisando a forma como um suor fino descia por sua face, a forma como suas mãos estavam meio tremulas, demonstrando o quanto estava nervoso.
- Sinto está ocupando seu tempo, imagino que eu seja uma das ultimas pessoas que você queira ver, mas...
- Emmett, eu estou cansado, foi um dia complicado, tudo o que quero agora é ficar um tempo com minha família... – sorriu tristemente – Ou a família de Jasper, como você preferir pensar ou dizer... Assim, chegando ao ponto, qual o recado de meu irmão?
Emmett semicerrou os olhos. – Porque você acha que estou aqui para dar algum recado?
Edward arqueou as sobrancelhas. – Não me diga que veio pedir a mão de Rose em casamento? – a face de Emmett perdeu a cor – Como estou vendo, não foi nada disso, o que nos leva de volta ao ponto, qual o recado de Jasper?
Emmett suspirou.
- Você pode não acreditar em mim...
- Emmett, sem rodeios, por favor, o que penso nunca foi importante para você, porque seria agora? Diga logo o que veio dizer!
- Jasper está exigindo o seu direito de pai, quer conhecer e fazer parte da vida de Rebecca! – disse Emmett por fim.
Edward sentou-se em sua poltrona, inclinou sua cabeça para trás e respirou fundo.
- Entenda, por mais que você tenha registrado a menina, por mais que você goste de Rebecca...
- Diga a ele que minha casa está de portas abertas, ele pode ver a menina quando quiser, só desejo que ele avise quando vier... Afinal, me ver não deve ser algo que ele queira, não?
Emmett abaixou a cabeça – Ele não virá!
Edward sorriu – Ele não quer fazer parte da vida de Rebecca? Minha menina ainda é muito pequena, não sairá daqui sozinha com um homem que por mais que seja seu pai, ela nunca viu na vida, só iria tornar a situação mais difícil!
- Concordo com você, por isso... Por isso, Jasper sugeriu que Isabella levasse a filha e fizesse a aproximação dos dois.
Edward sorriu e levantou-se, seguiu para o bar e serviu-se de uma dose de uísque, tomou um gole e fez uma leve careta enquanto o liquido amargo descia por sua garganta.
- É claro que ele iria sugerir isso... – murmurou Edward. Mordeu os lábios inferiores e tomou mais um gole de sua bebida. – Mas eu não posso tomar decisão por ela, isso é algo que somente Isabella pode decidi.
Emmett semicerrou os olhos curiosos – Não me diga que não se importa?
- É claro que me importo, é claro que estou me roendo de ciúmes, mas eu não posso simplesmente fazer com que o passado desapareça, Bella e Jasper viveram um romance que gerou um fruto especial, eles sempre serão unidos, não há nada que possa mudar isso!
- Tem certeza? Se essa aproximação fizer com que lembranças do passado ganhe mais peso?
- Você quer dizer, o sentimento que Isabella sentiu pelo meu irmão renascer? Se for isso, serei honesto em lhe dizer que já pensei sobre essa possibilidade, já imaginei cenas como essa desde que meu irmão apareceu... Entretanto confio em minha esposa, confio em nosso amor, em nossa história, tudo o que passamos juntos serviu para fortalecer ainda mais nosso sentimento!
Emmett viu um brilho nos olhos de Edward que o deixou sem palavras.
- Emmett! – Isabella o chamou do ultimo degrau da escada, fazendo com que o assunto dos dois fosse deixado de lado – Você não deveria sumir tanto... – sussurrou quando se aproximou de seu amigo e o abraçou.
- Você me viu há alguns dias Bella! – respondeu tentando não transparecer estar afetado.
- Para amigos, é muito tempo! – disse Isabella afastando-se e encarando-o melhor, então lhe deu um sorriso triste – Jasper lhe pediu para vim, suponho!
- Sim... E imagino que você saiba o motivo! – respondeu e então olhou para Edward – Ele é o pai de Rebecca, merece conhecer e conviver com a filha, ele deseja que ela passe um dia com ele, em nossa casa.
Isabella engoliu em seco, sabia muitíssimo bem que isso poderia ser péssimo para ela. Olhou para seu marido e viu que ele esperava uma decisão dela.
- Rebecca ainda mama, além do mais, você sabe que não poderíamos jogá-la lá, ela ainda não conhece Jasper e nem você, iria estranhar demais. – Disse Isabella.
- Ele sabe disso, por isso, sugeriu que você fosse com ela – respondeu Emmett, encarando sua amiga deixando claro que ele era ciente do que tinha acontecido com eles quando estiveram juntos da ultima vez.
Como Jasper poderia jogar assim com ela?
Isabella olhou para seu marido e respirou fundo. – Edward, você se incomodaria de me deixar a sós com Emmett?
Edward olhou de um para o outro e suspirou – Tudo bem. Já esta mesmo na hora de Rebecca dormir – aproximou-se de sua esposa e lhe deu um beijo nos lábios – Não demore, sim?
Ela assentiu e esperou que por fim pudesse falar mais sossegada. – O que você e Jasper estão querendo? – sussurrou raivosa.
- Jasper com certeza quer acabar com seu casamento! – disse Emmett sem qualquer emoção na voz.
- Ele está louco! Completamente louco!
- Não tão louco como você quer acreditar, afinal, pelo que soube ele foi retribuído!
Isabella ficou rubra. – Emmett, não significou nada para mim!
Ele a olhou e então suspirou – Tente se convencer primeiro disso!
- Você não esta querendo dizer...
- Não estou dizendo nada Isabella, você mesmo que esta me dando as respostas com seu olhar culpada... – ele fechou os olhos – Olhe, não sou lá um fã do Edward, mas devo admitir que ele lhe ama de verdade, devo concordar que ele não é o mostro que pensei que fosse... Assim como devo concordar que você realmente gosta dele, por Deus, basta olhar para vocês dois pra ver que se amam!
Isabella o olhou assustada. – Não estou te entendendo...
- Eu cometi um erro, cometi um erro em não tentar com Rose, em não me arriscar, e por isso, quero tentar lhe ajudar a não cometer erros... Fugir de Jasper não é a resposta, encare seus sentimentos, enxergue dentro de você e escolha o caminho que seu coração optar! – mordeu seu lábio inferior – Entenda Isabella, ficar com o Edward porque é o certo, porque é o caminho mais lógico nesse momento só fará com todos vocês sofram... Descubra o que realmente você quer... Não importa o que vão pensar o que vão dizer, a vida é sua, somente você sabe os demônios que lhe atormentam! Então eu se dane o mundo, escolha seu caminho e não olhe para trás!
Emmett deu um beijo em sua testa e não disse mais nada, deixou-a sozinha na sala e foi embora.
Isabella sentou-se na poltrona de seu marido e suspirou cansada, exausta em mentir, com medo de tomar a decisão errado e temendo magoar os dois homens que para sempre morariam em seu coração.
- Sem sono?
Assustada ela olhou para a escada e viu seu marido encarando-a.
- Rebecca?
- Dormindo... – sussurrou então se aproximou. Segurou as mãos de sua esposa e a puxou para um beijo lento e amoroso nos lábios – Você precisava ver como ela se aconchegou em meus braços e ficou me olhando enquanto aos poucos o sono se apossou dela.
Isabella sorriu – Perdi uma linda cena! – murmurou antes de abraçá-lo com força.
Edward a acolheu carinhoso apertou-a contra ele e beijou o topo de sua cabeça. – Você sabe que não me importaria, não sabe? Entendo que Rebecca precise conhecer o pai...
- Não diga assim... – afastou-se e o encarou – Você também é o pai dela, vocês se escolheram, lembra? Sua ligação com ela é tão forte... – Os olhos de Isabella se encheram de lágrimas – Jamais irei permitir que vocês sejam afastados!
Edward limpou a face de sua esposa com o polegar. – Eu sei... Mas também sei que se não fosse por Jasper, jamais teríamos nossa princesa!
- Você esta querendo dizer...?
- Estou lhe dizendo que apoio a decisão que você tomar... – sorriu e olhou para cima – Vou morrer de ciúmes é verdade... Mas... – voltou a encará-la – Eu confio em você, sei que você vai fazer o que é certo!
Isabella fechou os olhos, desejou poder dizer que não era digna de confiança, mas tudo o que conseguiu dizer foi às três palavras mais verdadeiras quando o assunto era Edward.
- Eu amo você!
Edward sorriu e então a puxou para um beijo, dessa vez um beijo quente, denunciando que a noite iria ser regada a amor, amor ardente e apaixonado!
FIM DO CAPITULO
Notas finais
Vamos ao tema Bella...
Como algumas já perceberam, a Bella ainda não amadureceu completamente, e na realidade, ela ainda n superou a paixão de "adolescência" pelo Jasper...
Gente, os dois tiveram uma hist de amor, quase casaram, a hist foi rompida de forma brusca... apesar dela saber que amar o Edward... e quero deixar claro q em nenhum momento ela duvidou de seus sentimentos por ele, o que ela viveu com o Jasper n foi apagado, existiu e de certa forma ainda ta lá....
não estou defendo o que a Bella...
Ela agiu errado em não contar ao Edward, assim como ela foi fraca ao n aceitar o tempo que ele sugeriu para ela.... Talvez fosse até mais facil...
enfim...
Mas foi o que ela fez... por imaturidade e certa forma... Insegurança nela msm...
a Bella ainda é uma menina na hist.... uma menina que logo se tornar uma mulher....
louca para saber a opnião de vcs....
Comentem....
bjs
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