Vida Marcada
16 Traçar de um Futuro
Notas iniciais
Correndo, Dylan adentrou o pequeno beco, desviando-se de seus companheiros. Todos o vislumbravam com olhares ansiosos. Dirigiu-se ao líder.
–Está no Quarter, adentrou a loja como de costume — Virou-se para o resto do grupo- Tive notícias de que os Azai estão procurando, vivos ou mortos os ladrões da bussola.
–Todos sabem o que fazer.... — James se adiantou- Todos entenderam? — Cruzou os braços encarando o grupo, os órfãos se entreolharam- Muito bem- Levantou-se com classe, seguindo a frente do bando- Ao trabalho.
Arya e Aaron correram com o pequeno embrulho em mãos e dirigiram-se para o centro. Lá chegando, desviaram-se de vários soldados da facção Azai, que reviravam as pequenas banquinhas, amedrontando os vendedores, e buscando respostas sobre o pequeno objeto roubado.
No caminho, foram interrompidos por uma matilha de cães que passavam, e esperaram ofegantes, por continuar a corrida. Encostaram-se, esperando.
– Roubar uma facção, é uma ideia estupida até mesmo para alguém como você- Arya disse ofegante.
– O dinheiro que iremos receber, valerá o trabalho, você ver.... Hey!
–Aaron!
Um grande soldado erguia Aaron pelo braço enquanto um homem alto e esguio, de aparência gélida, segurava o mais estranho animal que Arya já comtemplara. Com um enorme e fino nariz, o animal de visual canino, cheirava o garoto, e emitia sons agudos, como um cão de caça que encontrara sua presa. Percebendo o saco na mão do menino, bruscamente o puxou. Se livrando, Aaron correu para junto de Arya e juntos, dispararam para longe.
– James tinha razão afinal.
–Ele sempre tem- o órfão pensou no misterioso líder- eles não rastrearam a bussola, e sim os ladrões. Objeto magico, lembra? – Sorriu, piscando.
***
Do outro lado da cidade, o plano seguia.
– Ó pela Mãe! Meu joelho! — Jack se viu obrigado a parar diante da pequena garota, caída em seu caminho.
–Sim, sim, joelhos... sempre tão incômodos não é mesmo? – Disse, já virando o corpo.
– Não é só o joelho- A garota piscou os olhos- Desde que meus pais morreram, tudo o que me restou foi fome e doenças....
–Fascinante, fascinante... mas eu não...
–AI ESTA ELA! — Gritaram dois garotos, erguendo bruscamente a garota.
Jack desviou do pequeno grupo, seguindo seu caminho, mas, a alguns passos de distância sua audição captou algo interessante, que o fez parar.
– IRÁ PAGAR SUA DIVIDA OU ENTAO...
–Eu não tenho como pagar- choramingou a garota- A não ser, a não ser por esta bussola mágica!
Os garotos riram, desdenhando.
–E a boina de meu amigo aqui, canta nas horas vagas. – espiou a mão da menina- Bussola mágica? — o Garoto loiro riu novamente- Ora essa, parece que o feitiço expirou. Está quebrada.
Sparrow vislumbrou o pequeno objeto, e com um clique reconheceu tal. Aproximou-se dos garotos, jogando-lhes dois tostões de prata.
– Isto aqui deve pagar a conta, não? — Os garotos receberam as moedas e entreolharam-se.
–Nem o começo.
Jack entregou um punhado de moedas, tudo o que havia em seu bolso. E após pô-las entre os dentes, os garotos foram embora com uma expressão de deleite no rosto.
– Desde a primeira vez que o vi, reconheci uma boa alma.- a Garota se levantou.
–Calma lá garotinha, sem... precipitação. Eu quero a bussola.
–Eu, eu...- Jack tomou o objeto da mão da menina.
– Nunca mais apareça na minha frente, e nunca conte a ninguém sobre mim, entendido? Ótimo.
Lana observou o pirata se afastar, curiosa. Logo, James e Dylan voltaram, abraçando a garota e comemorando, dirigiram-se ao beco, onde Arya e Aaron esperavam.
–COMPANHEIROS! — James subiu em um barril- hoje, VAMOS COMER COMO REEEIS!
E o grupo seguiu para o centro, onde a noite caia, mas apenas começava.
Flashback Off
30 de junho- dia atual
Por detrás de alguns barris velhos, Arya espiava Jack amarrado, dentro do covil Azai, enquanto bebiam, brigavam e jogavam. Não sentia remorso pelo grupo de órfãos o ter entregado a facção, revelando o paradeiro da bussola, mas sentia que devia estar lá.
Após algum tempo, o grande líder adentrou o local, e dirigindo-se a Jack, retirou o capuz do pirata.
–Não me ponha este negócio novamente, é horrível! — grunhiu Sparrow- dá para sentir meu próprio bafo!
–Silencio! — mostrou a Bussola- Vamos fazer isso rápido não é mesmo?
– Uma garota, dois garotos, morena baixa, médio e forte, e o outro loiro e pernudo. Ela está com o joelho esfolado e eles possuem uma estalagem...
– Chega.
–Você que pediu.
– Você é bem rápido em delatar seus piratinhas emporcalhados...
–Eles não são meus...espera, vai puni-los severamente não vai? — Arya apertou as mãos em punho, enraivando-se com Jack.
Ele não pode ao menos uma vez agir com honra, dignidade, ele mereceu ser pego, mereceu ser enganado, mas por causa dele agora vamos ter de fugir, encontrar algum lugar... ORA PIRATA SUJO, SE EU PUDESSE ESGANA-LO EU... Não!
Arya rolou por detrás dos barris, parando nos pés do grande chefe, e do olhar espantado de Jack.
–Um dos demoniozinhos não é! — Furioso, Canaqk, o chefe dos Azai, ergueu Arya pelo pescoço, enquanto a garota se debatia inutilmente. Ficando sem ar, os membros da menina começavam a molejar, enquanto Jack lutava contra o nó que o prendia a cadeira.
– Não...- sussurrou a menina, enquanto a escuridão pesava contra seus olhos, invadindo seu corpo de paz. O espaço a sua volta, movimentava-se em câmera lenta, nada daquilo a importava mais. De repente, sentiu uma energia envolver seu corpo, queimando cada veia, cada espaço de pele. O rosto medonho, o rosto do mal, o rosto que assombrara seus sonhos, estava lá, brilhando em sua mente, olhos vermelhos, que a olhavam de volta.
Arya então recobrou os sentidos, levantando a cabeça, e encarou Canaqk.
Abrindo os olhos.
O grito de horror do grande homem foi ouvido por todo o porto, e seu corpo despencou no chão, queimado e sem vida.
Um a um todos os outros soldados foram caindo.
Jack agarrou o punhal de Canaqk caído a sua frente e libertou-se, encontrando Arya.
–Feche os olhos queridinha, não queremos que a cidade inteira queime, não é mesmo.
Pôs as mãos nos olhos da garota, cobrindo-os e sentindo-a fraca, levou-a nos braços, para fora do lugar.
Na Rua, uma horda de piratas corria em direção a eles, empunhando espadas, lanças e punhais. Marlon seguia na frente, gritando ordens de resgate. Passaram correndo por Jack mas Marlon, o reconheceu e, confuso, mandou que voltassem.
– Tarde demais queridinho, o Capitão Jack já realizou sua esplendorosa fuga.
Marlon ofegou.
–Você... você... matou todos eles?
Jack percebeu o que o garoto olhava, e seguiu para o navio.
Após a tripulação embarcar, deixou Arya em sua cabine, e ordenou um curso. Voltando –se para a popa do Perola, encontrou Marlon observando o porto que queimava, sem vida.
– Ela matou.
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