Notas iniciais
Hora de algumas verdades básicas.

Cheguei no meu apartamento encontrando Gabrielle apenas usando sua lingerie turquesa que geralmente ficava linda nela.

-Soube que Hale colocou pressão em você – disse ela encostando-se na parede – Não imagino como você iria achar graça nisso.

-Nem queira – repliquei retirando meu blazer – Talvez dessa maneira ela vá atrás de saber o que tanto Yvan esconde e acabe descobrindo o que queremos dele.

-Suas informações – concluiu ela cruzando os braços – Não acha que é perigoso demais colocá-la na linha de frente? Sabe muito bem que a MI6 deve estar querendo-a para si.

-Confirmei isso quando vi o quanto estavam próximos – concordei indo na sua direção – Mais penso que Yvan não será tão sangue frio de matar Hale, mesmo que negue sei que gosta dela.

Gabrielle me encarou gélida antes de seus braços envolverem meu pescoço.

-Você está sendo confiante demais – disse ela – Ela nos é importante, não seria bom perdê-la.

-Você está se preocupando com ela? – indaguei cético – Isso é anormal.

-Não seja estúpido – ela bateu no meu ombro – Sabe muito bem que a equipe dela é a mais formidável que temos, perder Hale significa perder a equipe inteira. E isso não me parece uma boa coisa.

Deixei um sorriso sem humor sair de meus lábios. Ela não sabia nem metade do que estava acontecendo, mas deixei isso para lá e a envolvi pela cintura mordendo sua orelha, depois deslizando para os seus lábios onde pude sentir toda a sua saudade de mim.

Não poderia negar que senti falta do corpo dela, mas seria muito difícil me acorrentar á isso.

Ela colocou suas pernas na minha cintura enquanto a levava para o quarto com nossos lábios ainda grudados.

O resto é o de praxe.

Acordei com meu celular tocando no bolso de minha calça no chão, meio grogue o peguei vendo o número de Cassie no visor.

-Qual o motivo da ligação? – perguntei atendendo meio irritado.

-Estou te ligando faz dez minutos – ela me acusou – O que estava fazendo?

-Não vai querer saber.

-Preciso falar com você agora – disse ela séria – Temos que tomar algumas atitudes mais exigentes.

-O que aconteceu? – perguntei já desperto com um braço de Gabrielle sobre minhas coxas.

-Temos que cuidar de alguns agentes da MI6 que estão nos seguindo – respondeu ela baixinho – Quero permissão para que todas as equipes entrem na jogada.

-O que os majores acharam disso? – perguntei passando a mão no meu cabelo.

-Eles confiam no seu julgamento – respondeu ela seria – Se temos que achar um jeito de acabar com essa palhaçada das agências precisamos destruir a MI6.

-Sem provas, fica complicado – argumentei.

-Então é isso que te impede de derrubá-los? – indagou ela meio ríspida.

-Não irei colocar todos em um caminho cego – a recriminei – Espere mais alguns dias e segundo tempos uma nova prova para finalizar quero que me encontre na casa de Hale dentro de dez minutos. Fui claro?

-Sempre é – disse ela desligando em seguida.

Dei um longo suspiro antes de me levantar da cama com Gabrielle remexendo-se rapidamente.

Tomei um rápido banho e depois vesti uma roupa simples de verão saindo de casa logo em seguida. Entrei no meu carro num rompante vendo pelo retrovisor um Sedan alguns carros atrás.

Idiotas.

Pisei fundo no acelerador dobrando na primeira curva que encontrei.

Não iria admitir que fosse seguido por ninguém.

Não demorou muito para reencontrar com o carro que agora usava de toda sua velocidade para ficar perto de mim.

Mudei de marcha, fiz uma curva de 90º fazendo os pneus cantarem e avancei na direção do carro, no último segundo desviando e tomando o antigo rumo enquanto vi o Sedan ir de encontro ao poste.

Deixei um sorriso escapar de meus lábios enquanto aumentava a velocidade para retomar o tempo perdido.

Tinha que fazer algo mais imediato então.

Quando cheguei à casa de Hale encontrei todos os carros estacionados do lado de fora, guardei meu celular dentro do bolso tendo o cuidado de que estivesse gravando tudo.

Entrei sem bater encontrando todos na sala discutindo de como seria a abordagem usada e como previa Yvan estava ao lado de Hale que me encarou por um segundo antes de retornar a dar suas ordens mostrando os pontos de ataque e tudo mais.

-Vamos conversar lá fora, Yvan – disse serio o encarando.

Ele ergueu uma sobrancelha antes de se levantar para me acompanhar. Sai deixando que viesse ao meu encontro na varanda onde o coloquei de contra a parede com minhas mãos agarrando sua gola.

-Vou ser curto e claro – disse por entre meus dentes – Não mande mais sua gente ficar nos seguindo, caso queira mantê-los vivos.

-Minha gente? – ele sibilou franzindo a testa – Kisuke está ficando louco. Não seria capaz de fazer isso.

-Vamos parar com as gracinhas entendeu? – indaguei severo – Sei muito bem que você não é um santo nessa história, não fique posando de anjo para cima de mim, pois vai acabar se dando mal.

-Acha mesmo que me preocupo com você? – replicou ele serio – Você tão inútil quanto a Claer, não me interessa nada em vocês dois. Por isso engula essa pose de machão.

Dei um sorriso forçado apertando ainda mais minhas mãos em sua gola.

-Por que mandou matar Kellan? – perguntei serio – Ele entrou no seu caminho ou o que?

-Não iria perder meu tempo cuidado de um capitão como ele – respondeu ele gélido – Meu interesse é completamente outro.

-Diferente de sua agência? – arrisquei, estava colocando minha cabeça a prêmio no momento.

-Descubra por si mesmo – retorquiu ele me encarando duro.

-Afastem-se – ordenou Hale aproximando de nós.

Ainda mandei um olhar incisivo para Yvan antes de me afastar dele.

-Não quero mais ver isso entre vocês dois – começou Hale trocando seu olhar de mim para Yvan – Acreditem nisso como último aviso, sacaram?

Nem me preocupei em responder.

Minhas aulas de teatro, pelo menos renderam frutos.

Notas finais
Até o próximo cap.
o/