-Está maluca? – indaguei meio surpreso pela idéia de Hale – Quer destruir a casa?

Ela me olhou com as mãos na cintura e um olhar sugestivo.

-Se quisermos matá-los e fazer isso em pouco tempo, teremos que ser bastante ruidosos – repete ela serena.

-Coisa que detesto – resmungou Zafira ao meu lado – Por que não fazemos do modo convencional? Silencioso e invisível?

-Tem tempo de estudar o sistema de alarme e onde eles estão e tudo mais? – indagou Hale retórico antes de voltar seu olhar para mim – Sei que é amante da escuridão, mas se quer fazer isso terá que ser dessa maneira.

Uma picape para ao nosso lado saindo dela Russel com um boné cobrindo parte seu rosto.

-Se iremos fazer isso – disse ela se aproximando de nós – Temos que ser rápidos, Cassie e Sandro não irão segurar Lucius por muito tempo.

Hale me encarou antes de se voltar para Zafira que ajeitava sua arma no coldre de seu blazer.

-Vamos fazer isso – concordei mal humorado – Agora.

-Ótimo – disse Hale se voltando para Yvan e Irian que estavam sentados num banco próximo a nós.

Trinquei os dentes enquanto verificava a mira a laser do rifle.

Fazer algo de maneira ruidosa não era nem um pouco meu estilo, mas na situação que nos encontrávamos era a melhor maneira.

Entrar pela porta da frente com algazarra e matá-los sem piscar.

Parecia fácil, mas é ai que está o problema.

Fácil de fazer, mas escapar com vida já é outro sistema.

Russel olhou-se no espelho do retrovisor ao meu lado ajeitando seu boné e logo depois a mascara.

-Não demorara muito – disse ela se voltando para mim – Cuide de nossa retaguarda.

-Isso é simples – afirmei pondo o rifle no ombro – Vamos cuidar.

A loira assentiu e abriu a porta do carona da picape entrando em seguida enquanto assumi o lugar de motorista com os demais já dentro do carro relaxados, mas serio e compenetrados.

Girei a chave na ignição e sai do meio-fio dando a volta no quarteirão deserto em direção à mansão de Lucius que a essa altura deveria estar expulsando Cassie com Sandro.

O caminho inteiro fora feito em silencio, não ousei quebrá-lo, e nem iria.

Meu foco estava em analisar Yvan que estava ao lado de Claer.

Será que ele a seduziria?

Provavelmente que não.

-Acelera Kisuke – pediu Zafira seria.

Sem pestanejar pisei fundo no acelerador, fazendo uma brusca curva ao ver a cena que se desenvolvia na frente da casa de Lucius que gritava serio com Sandro que ainda mantinha a pose de fotografo tirando fotos enquanto Cassie sorria.

-Que lixo – resmungou Zafira saindo do carro e retirando sua pistola do coldre.

-Cuidem do resto – recomendou Hale antes de sair do carro acompanhada de Yvan e Irian.

Revirei os olhos enquanto via-os entrar no Sedan que tinha como motorista Shin que apenas fez um leve movimento com a cabeça na minha direção que retribui apenas com o olhar.

Ele me contaria depois o desempenho de Hale agora tal como ficaria de olho em Shin.

-Kisuke – chamou Russel batendo em meu braço e saindo logo em seguida da picape rumo a casa que estava uma confusão só de pessoas ao redor de Lucius e Zafira.

Dei um bocejo vendo o desenrolar daquela idéia ir ficando cada vez mais interessante.

Não iria intervir em nada, menos minha participação nisso melhor.

Aquela equipe deveria conhecer seus limites e eu seus defeitos, seus erros.

Precisava ter certeza de que cada um deles era notável, mas que sozinhos ficariam bem melhor. Tamborilei meus dedos no volante sentindo que o tédio queria tomar conta de mim.

Muito bem que adrenalina não me visitava fazia algumas semanas, mas era sensato ficar fora de toda a conspiração, ter uma visão diferente sem que me envolvesse.

Não podia dar chances a Yvan de suspeitar que estivesse querendo saber sua intenção com isso tudo.

Era um tanto obvio demais que a MI6 estava sendo comandada por ele agora, agora a pergunta é: Como foi que ele chegou ao topo?

Mordi o lábio inferior pensativo.

Não era apenas esse o problema que tinha.

Teria que haver algo mais para fazer com que metade das agencias cooperasse com esse plano de derrubada.

Não era para nos fazer de cachorros obedientes, porque isso era patético.

Tinha que ter alguma coisa nessa historia que até agora deixei passar.

Pense Luzt, pense, pense, pense, pense!

Branco.

Nada.

Se a MI6 quer algo com a King deve estar relacionado aos seus funcionários. Assassinos exímios concentrados unicamente nas minhas mãos deixando-os incapacitados.

Talvez fosse uma das causas.

Deveriam então ter alguém em mente.

Queriam alguém.

Cobiçavam alguém.

Só era meu dever saber quem e por que queriam essa pessoa.

Russel e Zafira entram dentro do carro fazendo-me sair de meus pensamentos e reparar nelas que discutiam entre si sobre suas roupas estarem sujas.

Que fenomenal.

-Onde estão Cassie e Sandro? – perguntei já dando a partida no carro.

-Foram em outro carro – respondeu Zafira retirando seu blazer que possuía algumas manchas de sangue.

-Qual? – perguntei já fazendo uma curva.

-Da policia – respondeu ela calma me encarando.

Mais que droga.

Notas finais
Preciso alertar que nessa fase em que o Luzt está narrando, poucas, raras serão as vezes que terá ação, é mais mesmo para saberem o que anda rolando com a Rider e os dilemas que estão enfrentando no momento.
Claer volta a narrar dentro de nove cap. dai trago ação e um ótimo desfecho a fic.