Vida Dupla de Claer - Round Two
14 XIII - Inesperado
Notas iniciais
Com o cair da tarde estava ainda emersa na leitura de um livro de ficção usando apenas uma blusa branca e um short creme bastante curto. Fazer o que se o tempo estava abafado.
Enquanto terminava de ler o livro ouvi a campainha sendo tocada, deixei passar pensando que fosse na casa do vizinho, mas novamente ela tocou me forçando a sair da cama e ir ver quem se tratava.
Nem olhei pelo olho mágico, abri a porta me dando de cara com Demetri segurando um embrulho prateado.
-Demetri – disse tentando disfarçar minha surpresa – Que deu em você para ter vindo aqui?
-Seu aniversario – respondeu ele estendendo o embrulho para mim.
Deixei um sorriso escapar de meus lábios enquanto pegava o embrulho. Tudo bem que ele tenha mentido ao dizer que se tratava do meu aniversario que já passou alias, mas não iria fazer muito mal receber o gracejo.
-Ah valeu – disse fingido estar sem jeito – Mesmo que não seja meu aniversario, é bom que tenha me dado um presente.
-Achei que merecia ganhar algo – disse ele encabulado
Novamente deixei um sorriso ficar em meus lábios, antes de dar passagem para que ele entrasse.
-Quer beber algo? – perguntei enquanto fechava a porta
-Não – respondeu ele se voltando completamente para mim
-Bem, o que veio fazer aqui? – perguntei começando a ficar curiosa
Ele se aproximou mais de mim, até que me imprensou na porta.
Serio, homens gostam de fazer isso.
-Simplesmente não consigo mais me segurar, Hale – respondeu ele com uma voz rouca. – Não consigo não pensar em você desde sempre, quero sentir seus lábios colados aos meus e tudo mais.
O olhei opaca.
Não vou mentir dizendo que ele não era bonito, altamente desejável, só que para mim ele não fazia nem em uma única célula meu tipo. E não poderia me dar ao luxo de começar algo que certamente iria me arrepender depois.
Antes que eu lhe desse um fora, a campainha tocou para talvez meu alivio.
-Afaste-se – pedi seria o olhando
Ele então foi se sentar no sofá marfim enquanto abri a porta me deparando com Cassie entrando como furação em meu apartamento.
-Pare seja lá o que estiver fazendo – disse ela autoritária voltando seu olhar para Demetri – Despache seu namorado.
-Já estava fazendo isso – repliquei deixando meu olhar cair sobre ele que se levantou aturdido – Vá e nem precisa mandar e-mail, tudo bem?
Ele abriu a boca, mas não conseguiu emitir som algum, saindo cabisbaixo da minha casa.
Foi rude e cruel, mas era melhor ser assim do que dar á ele falsas esperanças ainda mais com uma capitã elétrica na minha frente.
-Vai me dizer o que houve? – indaguei fechando a porta com o pé esquerdo
-Vou sim – disse ela balançando a cabeça afirmamente – A competição vai ser antecipada.
-Como assim? – perguntei cruzando os braços
-Sendo mais clara – respondeu ela seca – Começa amanhã.
-Como é que é? – perguntei ríspida – Não creio.
-Pode parecer loucura, mas é isso mesmo – respondeu ela passando a mão no cabelo – Acabei de receber o comunicado, você não?
-Se recebi deve estar em meio à pilha de cartas de hoje – me expliquei dando de ombros.
-Seja um pouco mais organizado está bem – pediu ela me lançando um olhar caridoso.
-Certamente serei – confirmei relaxando os ombros – Têm mais algo á acrescentar?
-Tenho – disse ela molhando os lábios – Existe algo que quero pedir que você faça comigo?
-O que? – perguntei receosa
-Um racha – respondeu ela categórica – Tem muito dinheiro em jogo e um quadro que quero há meses.
-Hum – murmurei fazendo um beicinho – E quer que eu dirija no seu lugar?
-Confio mais na sua habilidade no volante do que na minha – desabafou ela
-Quando? – perguntei já interessada no assunto
-Hoje, ás 23:00, na Via 78 – respondeu ela franzindo a testa pensativa.
-O que houve? – perguntei descruzando meus braços
-Não nada de mais – respondeu ela com um sorriso – Vai está lá?
-Esse premio já é nosso – decretei com um sorriso jubiloso – Metade da grana é minha para concerto do meu Jaguar.
-Tem certeza que quer usá-lo? – indaguei ela cética
-Hei, faz tempo que não o uso – expliquei — Está na hora de tirar as teias de aranha dele.
Ela respirou fundo antes de se voltar rumo a cozinha.
-Estou com fome – disse ela enfática – Tem algo por aqui?
-Esteja à vontade de usar o fogão querida – retorqui sarcástica indo atrás dela – Sei que tem algo mais a me contar.
Ela repôs a maça que pegara na bandeja no centro da mesa de granito e me fitou mordendo os lábios.
-Estou com medo – sussurrou ela com a cabeça baixa – Rider não é pra qualquer um. Estou com medo pela minha equipe inteira.
Dei um longo suspiro, era natural que ela sentisse assim. Aquela competição parecia mais uma caçada de canibais do que qualquer outra coisa.
-Não tenho nada formulado como incentivo para te falar, mas minha equipe está mais do que eufórica com a idéia de entrar em uma competição onde o céu é o limite, sem regras algumas. Mais também sinto medo por eles, mas não posso deixar isso transparecer para eles, caso contrario ficariam receosos que sua chefa está com o pé atrás.
-Agora que você falou – começou ela pegando a maça novamente – também devo agir assim para com minha equipe já que confio neles.
-Então para de bancar a imbecil está bem? – indaguei a olhando ansiosa
-Sem problemas – ela mordeu a maçã – Amanhã começa tudo e mais um pouco certo?
Apenas assenti com a cabeça.
-Até depois então – se despediu ela indo para a porta, mas parando com ela aberta – Sei que seu assunto com Kisuke ainda está sendo resolvido, mas sugiro que vocês dois se acertem durante essa competição de uma vez por todas.
-Não temos nada para resolver – disse severa
-Pare e pense um pouco – recomendou ela – E veja mesmo se não tem nada para resolver com ele.
A fitei em silencio e logo depois a porta se fechou com sua saída.
Notas finais
Até o proximo cap.
o/
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