Vida Dupla de Claer - Round Two
31 Livro três (Claer Morris Hale)
Notas iniciais
Não sabia quantas horas tinha se passado desde que Zafira e Sandro saíram dessa casa para verificarem o que tanto Luzt estava fazendo, mas sabia que minha atual situação era de sempre ter uma pistola por perto no caso de um possível ataque que viria não sabia de qual lado ou de quem para ser mais correta.
O caso é que no momento preciso de focar que tenho mais perguntas do que respostas.
Kisuke está no centro de todas elas e Yvan também.
Não havia engolido seu jeito meigo mais, pelo menos depois de ter visto, ou melhor, ouvido o que ouvi dele discutindo com Luzt e dizendo que éramos inúteis e toda aquela ladainha irritante.
Não podia negar que ele mexia e muito comigo quando estávamos juntos com aquele jeitinho fofo e desamparado dele, mas francamente querer me enganar com isso é completamente ridículo, para não dizer coisa pior.
Em suma tinha que apertar mais as coisas para ele que estava tendo liberdade demais.
Russel poderia estar acompanhando seus passos, mas ele poderia muito bem despistá-la ou mesmo fazer uso dela. Ela não era a assassina mais confiável que achava, na verdade, nem confiável era.
Se ele tiver proposto um bom acordo com ela, certamente já teria aceitado e estaria me fazendo de idiota agora, mas o que poderia fazer para reverter à situação?
Não, não era esse o meu problema primordial.
Yvan passa apenas de uma peça infimia no tabuleiro onde nem eu mesma sei qual é minha posição ou qual minha importância nisso, nem bem sei quem posso confiar.
Talvez Zafira.
Ela não é de me negar ajuda, muito menos de esconder as coisas de mim também, na verdade, talvez me veja como a mãe que nunca teve e por isso me ajude e nunca minta para mim.
Só que e os outros?
Nada neles está preso a mim. Nada que eu possa fazer vai mudar a situação severa por qual sempre os tratei.
Eles podem muito bem me atacar pelas costas. Podem ajudar qualquer inimigo que esteja tentando nos ajudar.
Na verdade podem fazer qualquer coisa para derrubar quem quer que seja.
Os treinei para as mais diversas situações de risco e interesse.
Eles são perfeitos no que fazem, são ótimos ladrões se bem quiserem ser, ou qualquer coisa.
Simplesmente criei pessoas que podem me deixar para trás para atingir seus próprios interesses.
Somente isso.
Se quero culpar alguém por conta disso, sou eu mesma.
Fui à única culpada nessa droga toda e agora não sei como sair dela.
Na real, não imagino qual a melhor solução para tudo.
-Claer – me chamou Irian entrando na biblioteca me encarando.
-O que foi, Irian? – perguntei erguendo meu olhar completamente para ele.
-Temos novas noticias – ele respondeu solene – Acho que não irá gostar nada de ouvir.
-Qual parte? – perguntei cruzando os braços com sarcasmo.
-Todas elas – respondeu Zafira entrando na biblioteca – Senti sua falta no meio de todos aqueles agentes metidos.
-Tenho certeza que sim – repliquei com um meio sorriso.
Logo Russel entrou acompanhada de Sandro que parecia bem sereno.
-O que descobriram? – perguntei curiosa enquanto todos se acomodavam.
-Damiam Santiago está morto – respondeu Russel solene — E perdemos assim qualquer conexão para informações das mais diversas sobre as organizações.
-Foi você que o matou? – resolvi ser direta, não poderia perder mais nada.
-Para sua infelicidade não fiz isso – contou ela cruzando as pernas – Não havia interesse em matar o nosso maior contato. Por que pensou que eu queria matá-lo?
-Me diga você por que tenho a sensação de traição me rondando – respondi séria a encarando.
-Tudo bem – ela ergueu as mãos rendida – Sei de mais coisas do que eu disse, desculpe não ter contado, mas achei melhor não fazer isso. Para o seu próprio bem, Hale.
-Abre o bico, loira de esquina – pediu Zafira trincando os dentes.
-Poderia revidar por isso sabia? – indagou ela retórica – O caso é que a MI6 está querendo que a nossas querida capitã passe para o lado deles e se junte conosco para acabar de vez com a King.
-Por qual razão? – perguntou Irian pensativo.
-O comandante da agência tem contas para acertar com Kisuke em relação a algumas pessoas que foram mortas pela nossa organização – respondeu Russel – Assim sendo tudo gira em torno de vingança.
-Como conseguiu essas informações? – indagou Sandro procurando por algum livro.
-Um pouco charme, algumas horas de prazer e bingo – disse ela juntando as mãos – Pronto.
-Sabia que você era vadia mesmo – resmungou Zafira revirando os olhos.
-Nem ouse repetir isso novamente – a alertei retornando meu olhar para Russel – O que mais tem para contar?
-Seu amado Yvan não é nenhuma flor sem espinhos – respondeu ela dando um rápido suspiro – O cara já matou mais gente do que eu acompanhada de você. Ele simplesmente é um demônio e quer tirar satisfações com você e o Luzt sobre uma garota que vocês mataram. Bem Luzt deu a ordem e você executou.
-Mais que garota era essa? – indaguei surpresa.
-A irmã dele – disse ela solene e séria – Foi mal.
Ficamos em silêncio por alguns segundos antes de Sandro por na minha frente sob a mesa e grosso livro. Arqueei uma sobrancelha o olhando.
-Zona 789 – disse ele tocando com indicador o livro – MI6 possui sua base lá e certamente sei que quer ir para lá.
-Sabia que você era vidente – brincou Irian – Mas não temos tempo para ir lá agora que foi dito que tem um traidor entre a King.
-Traidora – Zafira o corrigiu.
-O que disse? – perguntamos em sincronia.
-Um ótimo coral esse – ela satirizou – E é uma traidora sim, façam uso da lógica um homem não teria acesso as mais informações da organização e basicamente não possui charme e sutileza o suficiente para passar por toda a segurança existente e nem sobre o Luzt que já sabia dessa história faz alguns dias.
-Por falar no Kisuke – intrometeu-se Irian – Ele está mobilizando alguns agentes para cuidar da galera de MI6.
-Em outras palavras – disse Zafira – Ele está saindo da toca finalmente.
-Luzt não faria isso se houvesse outra solução – refleti com a unha de meu polegar preso entre meus dentes – Ele quer deixar que pensem que ele enlouqueceu.
-Isso também – Russel estalou os dentes – Talvez ele nos queira cuidando de acabar com a raça dos grandalhões enquanto ele fica distraindo o resto da ralé ou mesmo de Yvan.
Passei a mão no meu cabelo encarando-os em seguida.
Como pude desconfiar deles?
-Possivelmente você deve ter achado que nós estaríamos te deixando na mão, não? – indagou Sandro como se lesse pensamentos, mas já vi que era vidente então... Deixa pra lá.
-Tive motivos – expliquei-me os encarando gélida – Peço desculpas por isso.
-Ah qualé – resmungou Zafira me olhando – Não comece a bancar a melosa agora, já basta a Russel e temos que cuidar de criar uma rota para acabar logo com a marra da MI6.
Pisquei meus olhos atordoada.
Quando foi que a Zafira ficou tão digamos divertida?
Respirei fundo e levantei-me.
-Façam o que derem na telha de vocês – disse encaminhando-me para a porta – Vocês não são mais meus subordinados.
Notas finais
o/
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