Vida Dupla de Claer - Round Two
10 IX - Anuncio
Notas iniciais
A manhã chegou tão amena como traiçoeira como a noite fora.
Só de me lembrar disso me vinha à mente como ela terminou tão irritante como o dia inteiro fora.
Caminhei descalça rumo ao banheiro onde tomaria aquele banho gelado para acordar devidamente.
Enquanto me ensaboava coloquei minha mente em pratica sobre a Rider.
Não imaginava estar metida nessa competição para salvar a agencia com a qual tive laço desde os 15 anos forçadamente, culpa do homem que se dizia meu pai.
Trinquei os dentes expulsando aquela velha lembrança de volta, não precisava voltar aquilo novamente, nunca mais.
Sai do banheiro me secando quando o meu celular começou a tocar. Franzi minha testa.
Quem me ligaria?
Caminhei até minha escrivaninha mogno onde ele repousa com o display brilhando.
-Senhorita Claer Morris Hale? – indagou uma voz rouca enquanto via que engolia algo
-Preciso responder? – repliquei colocando no viva-voz
-Que humor á essa hora da manhã – satirizou a voz tornando-se seria – Tenho um convite para sua pessoa.
-Humm – murmurei me enfiando no meu closet atrás de uma peça de roupa.
-Conhece o jogador Tiger Millers? – indagou a voz com certa pompa
-Metade da torcida do Reds – disse enquanto pegava uma blusa vermelha de manga curta.
-O que acha de se divertir com ele por 40 mil? – perguntou ele pelo que enfim pude reparar.
-40 mil? – sibilei vestindo a blusa – Quer que eu cuide dele por 40 mil?
-Acha pouco? – indagou ele com ceticismo
-Avarento todo você não é – observei – Veja bem que não faço trabalho que não tenha passado pelas mãos dos majores ou do próprio Kisuke, se não...
-Já se passou essa burocracia – ele me cortou – Kisuke mandou que enviasse para sua equipe, especialmente para você. Indicara que era perfeita para cuidar dele.
Revirei os olhos enquanto colocava uma calça de tecido azul-escura.
-Então quer que eu faça precisamente o que com ele? – indaguei sem um pingo de interesse.
-O obvio – disse ele sem rodeios – Mate-o e livre-se do corpo.
-Geraria suspeita – discordei – Francamente não me surpreende que o irmão dele não tenha uma idéia melhor.
-O que? – perguntou ele surpreso, melhor, chocado.
Deixei uma risada prazerosa ecoar por todo quarto.
Não é que tinha acertado.
-Francamente – disse enquanto ia para penteadeira – Sei que o irmão dele estava algum tempo pensando em matá-lo, agora o motivo... Bem é o mesmo que um mais um ser dois. Dinheiro lhe dar prazer, certo Lancer?
Ouvi sua respiração forte e irritada.
-Irá fazer o serviço ou não? – indagou ele irritado
-Farei sem o menor problema – disse monótona – Mais é claro que saiba que isso lhe causará sérios problemas no futuro.
-O que está querendo dizer? – perguntou ele desconfiado
Peguei meu celular vendo o numero que estava ligando. Rolei os olhos.
A imprudência me embrulhava o estomago.
-Saberá se for inteligente – disse por fim – Acerte o preço com os operadores, até mais ver, Lancer. – Desliguei e coloquei o celular na escrivaninha novamente.
Espreguicei-me e retornei a minha penteadeira onde iria terminar de me arrumar.
A manhã praticamente fiquei socada em cima das cartas de emprego das agencias de todo o mundo, as jogava no lixo sem cerimônia enquanto preparava uma macarronada.
Logo em seguida resolvi que deveria dar uma olá a minha equipe que esperava ansiosamente que não tivessem armado algo.
Quando sai do meu carro Russel acabava de fechar a porta da entrada e encaminhava-se usando um micro-vestido verde misturado com preto para um carro onde no volante pude ver um rapaz com a jaqueta do time de futebol do seu colégio.
Mordi minha língua para não rir enquanto caminhava para seu encontro.
Seria tão triste estragar seu encontro.
-Outra hora você se diverti com ele – murmurei enquanto a puxava pelo braço
-Mais o que? – indagou ela atônita – Claer, não acredito!
-Para de gritar – reclamei – Parece uma louca retardada.
-Sabe o que acabou de fazer? – indagou ela me olhando com fúria
-Te tirando um daqueles seus momentos de pura luxuria – disse monótona enquanto abria a porta – Além do que precisa procurar algo melhor para fazer.
-Ah vadia – disse Zafira com uma colhe de pau na boca e segurando uma panela – voltou.
Russel se voltou para ela com o rosto vermelho.
-Não quer ter essa colher enfiada goela abaixo, não é? – sugeriu ela a encarando
Zafira estendeu a colher para ela e ergueu uma sobrancelha sugestiva.
-Parem as duas – disse enquanto me encaminhava para o sofá marfim – Será que podem deixar o momento briga de crianças para depois?
Elas duas me olharam, depois Russel mostrou os dentes para mim antes de subir as escadas rumo ao seu quarto. Zafira lambeu a colher cheia de brigadeiro enquanto se voltava para mim.
-Soube da competição – contou ela sentando-se a minha frente – Vai ser pancada não é?
-Se quer ver assim – dei de ombros – Faça bom uso.
-Está morta em relação ao que? – indagou ela curiosa
Voltei meu olhar para ela que lambia a colher entretida.
-Temos um pequeno trabalho para fazer com o cair da noite, querida – disse dando ênfase na ultima palavra que sabia que odiava.
-Querida... – lhe lancei um olhar gélido – É o gato da vizinha.
Gargalhei enquanto ela cruzava as pernas ficando em forma de lótus.
-Quem é a alma desgarrada? – perguntou ela desinteressada
-Tiger Millers – respondi passando a mão por meu cabelo.
Ela cravou seu olhar em mim.
-Está se referindo aquele moreno todo poderoso que manda no campo de futebol? – indagou ela um pouco chocada
-Se existir outro não sei – disse ajeitando minha blusa vermelha.
-Que maneiro – comentou ela deixando um brilho sádico ficar em seus olhos.
-Onde estão os rapazes? – perguntei vendo o silencio dominar a casa coisa que não acontecia quando eles estavam.
-Vagabundeando – respondeu ela colocando a colher dentro da panela. – Coisa que Russel está indo fazer nesse exato instante.
-Uh? – indaguei sem entender
Ela apontou para fora onde pude ver que Russel já se encaminhava silenciosamente para seu carro. Zafira jogou em meu colo seu celular atendo-se a lamber o resto de brigadeiro que sobrara.
Disquei o numero da loira.
-Sua ultima farra nessa semana – decretei quando ela atendeu
-Claer – ela tentou argumentar
-Ou volta para dentro ou então é assim que sua vida fica – a cortei vendo uma expressão divertida tomar conta do rosto de Zafira.
A ligação caiu depois de alguns segundos a porta de abria mostrando uma Russel indignada.
-Por que você tem que se comportar como se fosse uma mãe? – perguntou ela me encarando
-Talvez porque deva de vez em quando colocar vocês na corrente – respondi seria – Sente-se, pois preciso contar sobre nosso pequeno divertimento dessa noite.
Ela arqueou a sobrancelha cruzando os braços. Uma colher de pau voou na sua direção, ela apenas desviou o rosto por centímetros antes de olhar com fúria para Zafira que lambia os dedos com a maior cara de inocente.
-Não vai fazer nada? – indagou Russel me olhando com as veias saltando de sua testa.
Deixei um sorriso escapar de meus lábios antes de olhar gélida para Zafira que olhava o teto.
-Pode esquecer a viagem que queria fazer com suas amigas – decretei após alguns segundos pensando no que poderia tirar dela.
Seu queixo caiu enquanto me olhava.
-Provocou porque quis – a lembrei
-Sua morte está selada, loira de vodoo – sentenciou ela apontando para Russel.
Revirei meus olhos.
Como era duro tratar delas duas.
Notas finais
Bye bye
o/
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