Notas iniciais
Novo capitulo e novo personagem como POV tambem, estamos no penultimo capitulo do primeiro livro e queria dar a esse personagem ao menor um POV entao escolhi esse daqui, espero ue tenha ficado de bom tamanho para vocês, deixem suas opiniões :) e lembre-se, so mais um capitulo para o fim

XXI – Drake

Como colocar em palavras o que eu estava presenciando? Era simplesmente a coisa mais incrível que eu já vi, para não dizer a mais estranha.

Meu pai havia me mandado para cá como uma punição pelos meus atos, ele sabia que aqui eu teria que seguir a linha e só beber sangue de animais que é a coisa que eu mais detesto, mas todos aqueles dias chatíssimos e os litros e mais litros de sangue animal tinham valido a pena, tudo pela cena que estava passando na minha frente.

Um dos mais incríveis combates que eu já vi estava se desenrolando bem ali a poucos metros de mim, o lobisomem mais poderoso que eu já vi enfrentando aquela coisa, no começo eu tinha realmente pensado que o caçador tinha virado um vampiro, mas aquilo não era um vampiro, nem de longe, eu não tinha palavras para descrever aquela coisa, se você olhasse só o lado esquerdo dele ate poderia pensar que ele era um de nós, sua pele estava em um tom pálido que um humano não poderia alcançar antes da morte, seu canino estava saindo pela boca e suas unhas estavam com mais de sis centímetros.

Ate ai tudo bem, mas quando você olhava o lado esquerdo dele ainda as coisas mudavam de figura, ele estava todo peludo como se fosse um animal, não era somente seu canino, mas sim todos os seus dentes que haviam aumentado de tamanho, alem disso seu braço esquerdo e dedos estavam maior do que deveriam. No começo os pêlos só cobriam o seu braço, mas com o passar do tempo acabou se espalhando naturalmente pelo resto do corpo, dava já para ver ele formando uma enorme costeleta e já cobrindo as pernas, o que quer que aquilo fosse não era um vampiro.

O combate entre lobisomem e caçador já estava se desenrolando a quase dez minutos, apenas uma combinação de poderosos socos de combos dos mais diversos tipos, o local estava cheio de sangue seco espalhado no meio dos escombros das estantes e pilares quebrados, e também sobre as crateras que se formavam no chão quando um deles era arremessado. Pedaços de dentes e outros ossos estavam espalhados também, aquilo estava longe do meu patamar, se eu me envolvesse naquele combate eu já teria sido despedaçado a um bom tempo, mas os dois faziam aquilo parecer muito fácil enquanto trocavam seus socos titânicos, ou pelo menos o lobisomem fazia isso, já que apenas um o lado esquerdo do Winchester parecia realmente ter algum efeito sobre aquele lobo maldito, mas mesmo assim o caçador recebia os do lobo sem nunca recuar.

Eu ainda não entendia como Michael tinha se tornado aquilo, em um momento eu tinha certeza que ele tinha virado um vampiro e então aqueles pêlos começaram a crescer e tudo mudou, ele agora estava infinitamente mais forte e ele não estava sentindo sede por sangue, algo que ele tinha eu sentir mesmo que não estivesse lutando.

Um pilar voou na minha direção, mas me abaixei a tempo e aquela coisa passou direto:

-Desculpa ai! – gritou Michael de longe – o alvo não era você!

Então um pilar o acertou bem na nuca fazendo-o cair de cara no chão, aquilo seria o suficiente para desacordar muitos monstros, mas Michael se levantou aos poucos com dificuldade e aquele deslize foi o suficiente, o lobisomem o acertou nos joelhos quebrando eles e fazendo o caçador se ajoelhar e então andou ate a frente dele pegando-o pelo pescoço com o braço esquerdo enquanto apertava o braço peludo de Michael com seu braço direito:

-Esse seu braço novo é realmente problemático – Ferdinand disse respirando pesadamente, mas sem esbanjar nenhuma gota de cansaço – acho que vamos ter que cuidar dele não é mesmo?

-Vai sonhando

O lobisomem começou a apertar o braço de Michael e por um instante pensei que ele iria arrancá-lo, mas antes dele conseguir isso o caçador acertou um chute direto no estomago fazendo-o cair no chão. Michael se aproximou dele e o desferiu um soco, mas o lobisomem se levantou com um salto e escapou do soco que partiu o chão:

-Se continuarmos assim vamos acabar destruindo esse lugar – Michael disse se afastando da fenda no chão

-Mas é por isso que eu quero continuar – Ferdinand fez mais um dos seus sorrisos insuportáveis e avançou para o combate novamente

Eu tinha que concordar com o caçador, se aquela luta continuasse estaríamos com graves problemas porque pela aparência do lugar ele iria ruir em pouco tempo. A onda de ataques destrutivos retornou, a cada encontro de murros o chão tremia, e parecia que os tremores estavam se intensificando e a causa não era só aqui nesse andar, parecia que coisas interessantes também estavam acontecendo lá em baixo.

Mais uma troca de socos e o lobisomem conseguiu acertar um soco no peito de Michael fazendo-o perder sua base, o lobo não perdeu tempo e acertou mais um soco em Michael que fez com que o caçador afundasse no chão e escutei quando ele se chocou contra o chão do andar de baixo.

Ferdinand pulou rumo ao quarto andar e eu o segui de perto, aquele cara era uma maquina de demolição ambulante, assim que ele caiu no chão já começou a farejar Michael que tinha sumido dali. Antes que o lobisomem pudesse achar um cheiro qualquer Michael apareceu nas suas costas rasgando sua garganta, o lobo perdeu a noção com o rasgo repentino então o caçador começou a desferir uma sequência de socos no estômago, no peito e na cara do lobisomem.

Durou um longo minuto só de socos, mas então o caçador parou de tão cansado, e o lobisomem também estava estático no seu lugar, ate sua respiração tinha cessado, ele não se movia nem mesmo um milímetro, apenas o vento ousava fazer algum barulho ali.

Andei na direção de Michael, ele estava suando bastante e sua respiração estava ofegante, ele estava muito cansado e não podia culpá-lo, ele enfrentou aquele cara sozinho por bastante tempo, eu não teria durado nem um minuto sequer:

-Ganhamos – Michael disse com a voz cansada

-Acho que sim já que ele não esta se mexendo, mas como você esta? – perguntei perto dele e olhando para o lobisomem que continuava na sua mesma posição de antes

-Preocupado comigo? – ele me olhou com um sorriso no rosto, mas logo desmanchou o sorriso de tão cansado que estava, seus pêlos estava diminuindo muito rápido

-Só acho estranho que ainda não tenha tido sede por sangue ainda

-Tem razão, não tive, é quase como se nem fosse um vampiro, e algo me diz que não sou – ele olhou para as próprias mãos, os pêlos na mão esquerda já estavam sumindo mostrando a marca de nascença dele, mas não eram só os pêlos que estavam sumindo, as garras e dentes estavam diminuindo e a pele dele voltava a ter a coloração de antes

-Você esta virando humano? Isso é impossível

-Talvez não, você disse que se minha força de vontade fosse grande e poderia vencer o sangue de vampiro e eu ainda não bebi sangue, isso deve tê-lo deixado mais fraco

-Pode ser, mas é uma chance em um milhão você voltar a ser humano depois de chegar tão longe na transformação

-E qual é a chance eu virar aquela coisa de antes? Acho que a probabilidade não gosta de mim, sou um cara de muita sorte

-Ou muito azar, você se transformou naquela coisa, o que diabos era aquilo?

-E você acha que eu sei?

-Você não é um cara de sorte, por que não manda um chute então?

Ficamos em silêncio, nenhum de nos tinha a resposta, na verdade eu não tinha a resposta para mais nada, eu tinha certeza que tinha visto ele se transformar, eu já vi dezenas de pessoas serem transformadas, não tinha erro algum, ele realmente tinha virado um vampiro, mas então aqueles pêlos começaram a aparecer e depois ele ficou daquele jeito estranho, não tinha como dizer o que ele havia se tornado e agora com ele de volta a um humano normal eu ficava com menos chances de saber a resposta:

-Temos que sair daqui – falei me virando e olhando para o buraco acima de nós – não vamos ganhar resposta alguma aqui embaixo nessa biblioteca maldita

-Concordo, mas vamos deixar essa coisa aqui embaixo? – o caçador estava apontando para o lobisomem

-Por mim tanto faz, mas ele pode saber de algo então é melhor levarmos ele

Michael andou próximo do lobisomem e olhou para os olhos da criatura, ou para o olho já que o outro não existia mais, agora era somente um buraco. O caçador já ia tocar no lobisomem quando o monstro o agarrou pela garganta:

-Você é realmente o melhor caçador, o melhor – o lobisomem lentamente voltou a respirar e então estralou todos os ossos do seu corpo – aquilo doeu muito, tive que ficar com meu corpo em repouso para poder voltar a me mover, mas agora já estou bem – ele jogou Michael no chão – agora se transforme de novo e volta a me enfrentar

Michael se levantou com as costas machucadas:

-Eu não sei como fiz aquilo, não conseguiria refazer mesmo que quisesse

-Isso é verdade? – perguntou Ferdinand visivelmente decepcionado

-Por que eu mentiria?

-Entendo, se você não pode voltar aquela forma então a diversão acabou de vez não é mesmo? – ele nos encarou com uma cara triste – se não tem mais nenhuma luta aqui então este lugar não precisa mais existir

O lobisomem começou a golpear o chão com seus socos, aquilo não era bom, o chão estava se partindo, eu comecei a correr, Michael veio logo atrás, eu não podia esperar por ele, mas também tinha uma divida com ele então não podia deixá-lo morrer, acabei agarrando ele pelo braço e pulei para o andar de cima, mas antes que pudesse chegar ao topo senti uma mão agarrando minha perna e me jogando para o chão.

Caí no chão e acabei quebrando a perna na queda, que sorte a minha, tive que unir as duas partes da tíbia com cuidado já que uma parte estava para fora da perna, eu sabia que a queda não tinha sido tão forte para eu ter quebrado a perna, o que a quebrou mesmo foi a força do braço daquele lobisomem maldito, em menos de um segundo ele parou com seus ataques e conseguiu me impedir de fugir.

Depois de unir meus ossos da perna me ergui e preparei minhas garras de gelo, eu podia ser mais fraco do que o lobisomem, mas ao menos minhas garras conseguiam feri-lo. Comecei a correr na direção de Ferdinand, mas foi algo inútil, do que adianta ser capaz de ferir seu adversário se você não pode tocá-lo?

Ele simplesmente agarrou meu braço e me jogou em uma estante de pedra que caiu sobre mim, joguei as pedras para longe e senti o chão tremer novamente, o maldito lobisomem estava batendo novamente no chão e quebrando alguns pilares, se continuasse assim a estrutura do lugar iria a baixo em poucos segundos.

Não deveria ser nada bom ser soterrado por três andares de pedra e livros então eu teria que fazer algo contra isso e matar o lobisomem não era uma opção. Só tinha um jeito de impedir aquele lugar de desabar, comecei a fazer vários pilares de gelo, fazer um já era trabalhoso demais, tantos assim era alem do meu condicionamento atual, mas eu tinha que fazer isso ou seria esmagado, e também serviria para o plano que eu tenho em mente.

Ainda estava no terceiro pilar quando a mão do lobisomem acertou meu rosto, rolei para longe com a bochecha esquerda latejando, cuspi dois dentes e um pouco de sangue, por sorte conseguiu me mover antes do ataque me acertar e cheio então reduzi o dano, mas não conseguiria repetir esse feito muitas vezes, não com a tremenda diferença de força e velocidade que havia entre nós dois.

Estralei o pescoço e avancei para o ataque, eu não tinha chances no combate, mas se ele destruísse meus pilares de gelo eu teria que refazê-los e isso me cansaria quase quanto uma luta ou ate mais. Minhas garras de gelo foram em direção ao peito do lobisomem, mas ele pulou para trás escapando das minhas garras, então aproveitei enquanto ele ainda estava no ar e arremessei algumas estacas de gelo. Ele não podia se esquivar em pleno ar então minhas estacas acertaram em cheio, uma pena que não no corpo dele, o maldito agarrou todas elas com as mãos e algumas com a boca, depois ele jogou todas ao chão, sem nenhum arranhão, o maldito tinha escapado ileso.

Ele correu na minha direção, ele parecia mais veloz que antes e me acertou um chute bem no meu joelho direito que fez minha perna se partir em duas, ele então agarrou minha garganta e começou a me bater nas paredes como se fosse seu boneco, aquilo ia acabar comigo, mas também ajudaria no meu plano, se esse plano falhar eu estava morto

Depois de mais de quinze golpes Ferdinand me jogou em mais um pilar de pedra que despencou em cima de mim, tinha quebrado minha perna restante e meu braço esquerdo, alem de estar sangrando bastante por vários ferimentos na cabeça, estava ficando fraco novamente, já tinha perdido muito sangue e estava fazendo muito esforço para manter o gelo e poder curar meus ferimentos que a cada golpe recebido ficavam piores.

Olhei ao meu redor, minha perna arrancada estava fora de vista, mas um dos meus pilares de gelo estava a poucos centímetros do meu braço esquerdo, concentrei todas as minhas energias no braço quebrado, ele era o mais próximo do gelo então eu precisaria dele mais do que todo o resto do meu corpo para completar meu plano.

O lobisomem andou lentamente ate a minha frente, ele sabia que eu não era uma ameaça antes e agora nesse estado eu era muito menos perigoso. Ele se abaixou e pegou meu braço direito, meu único membro que não estava quebrado e então quebrou meu pulso com apenas dois de seus dedos, depois retirou meu anel do meu dedo e levantou ele o mais alto que pode:

-Esse é o lendário anel mágico dos vampiros não é mesmo – não falei nada, mas não precisava, aquilo não tinha sido uma pergunta – dizem que eles podem proteger vocês da luz solar assim conseguem andar de dia, que inconveniente não é mesmo? Mas também dizem que são muito raros, o que aconteceria se eu fizesse isso? – ele apertou o anel o mais forte que pode e vi quando uma fumaça azul escapou pelo meio dos seus dedos – acho que o anel não existe mais

Ferdinand jogou o anel para longe, sem a pedra ele era inútil e o maldito lobisomem sabia disso, ele então olhou nos meus olhos com um maldito sorriso estampado no rosto:

-Acho que o seu pai não vai gostar muito de ver que você perdeu seu anel não é mesmo?

-E acho que sua mãe não ia gostar de ver seu corpo empalado não é mesmo?

Ele me encarou, não estava com raiva, ele sabia que o que disse não passava de uma ameaça, uma ameaça feita por alguém que era muito inferior ao poder dele:

-Acha mesmo que na sua cabeça de vampiro você ainda tem alguma chance de me vencer? Parece que quando alguém vira um vampiro ele fica mais burro que antes

-Pode fazer piadas, mas vamos ver quem vai rir por ultimo quando eu acabar com você

-E como pensa em fazer isso? Ameaçando com suas palavras inúteis? Xingando meus familiares ou minha raça? Ou atacando com seu gelo imprestável que só serve para fazer estacas para limpar meus dentes quando eu acabar com a sua vida?

-Acho que se mudar um pouco a sua ultima frase você ai ter a minha resposta

-O que quer dizer?

-Sim eu vou usar meu gelo, só não garanto que será para limpar os seus dentes

-Você já era vampiro

O lobisomem me encarou com raiva e já ia me mandar mais um soco, droga meu braço ainda não estava pronto, precisava de mais alguns segundos, só mais alguns segundos e ele ia me pagar. O soco já ia me acertar quando escutei o barulho de algo acertando o lobisomem, ele parou e olhou para trás, Michael estava em pé parado do lado de um monte de pedras que ele estava usando para se escorar e segurando uma pedra em mãos:

-E ai lobo como esta? – Michael falou sorrindo, mas então o sorriso foi arruinado por uma pouco de sangue que ele cuspiu

-Você ainda esta vivo caçador? – no mesmo momento a atenção do lobisomem mudou completamente para Michael, perfeito

-Pensou mesmo que tinha gasto todo aquele esforço lutando contra você para depois morrer? Não se esqueça que sua cabeça é minha Ferdinand, você quebrou minhas armas e isso é imperdoável – por um instante os olhos de Michael mudaram, o verde deles se tornou ainda mais forte e pareciam brilhar na escuridão e parece que o lobisomem também percebeu

-Ora então você ainda quer lutar? Vamos lá então

Michael jogou a pedra em Ferdinand que o acertou, ele nem se deu o trabalho de esquivar, aquilo não ia nem arranhá-lo, mas graças a aquilo tudo eu tinha finalmente regenerado meu braço:

-Ei lobisomem – ele se virou na minha direção – você já era!

Estiquei meu braço o máximo que pude e toquei nele, concentrei todos os meus poderes naquele ponto e comecei a minha revanche. Durante meus ataques vários pedaços de gelo tinham sido espalhados entre os três pilares de gelos e alem disso tinha alguns pedaços em Ferdinand, se eu tivesse mais pilares meu plano seria mais eficaz, mas era isso ou nada.

Um caminho de gel começou a se formar, os três pilares formaram uma espécie de triangulo em que cada um deles ficava em um vértice, depois cada um dos pilares formou uma estrada de gelo que chegou ate Ferdinand e então começaram a congelar as pernas do lobisomem. Eu tinha concentrado toda minha força em fazer os caminhos de gelo o mais rápido possível assim consegui surpreender o maldito lobisomem e então ele não teve reflexos velozes o suficiente para escapar, lentamente ele estava sendo congelado, ele tentava bater no gelo para quebrá-lo, e ate daria certo com a tremenda força dele, mas eu não ia sacrificar minhas ultimas forças a toa.

Eu estava indo alem do limite, mas ao menos o lobisomem não estava conseguindo quebrar o gelo mais rapidamente do que ele crescia ao seu redor, quanto mais pilares mais rápido e com mais resistência o gelo se forma e eu gastaria menos poder, mas só com três deles eu estava me acabando inteiro, eu teria que beber muito sangue depois ou então a morte poderia se tornar algo real.

O processo de congelamento já estava acima do umbigo, aquele lobisomem era grande demais e isso não ajudava em nada, se continuasse naquela velocidade eu não terminaria a tempo, mas naquele ponto eu já ano precisava congelá-lo, eu parei com meu gelo e então voltei a concentrar meu corpo em se regenerar:

-Por que parou vampiro? – perguntou o lobisomem me encarando – finalmente percebeu que não pode me vencer, ou então você já chegou no seu limite?

-Você por acaso percebeu por que eu fiz isso tudo lobisomem maldito?

-Para impedir tudo de cair e como bônus me prender

-Errado, eu to pouco me fudendo se esse lugar vai desabar ou não, eu só não quero estar aqui quando isso acontecer, e pode-se dizer que o fato deu te prender também não foi porque eu quis, é só que não posso deixar você fugir antes de completar meu plano de ataque

-O que esta tentando dizer? Que vai me mandar algum tipo de ataque?

-É, um ataque supremo, um ataque que você jamais conseguira escapar, adeus lobisomem

Os pilares de gelo começaram a ceder, eu estava todo o poder que usei para fazer o gelo de volta para o meu corpo, minha regeneração estava melhorando e com bônus a base dos três pilares estava quebrando e os três pilares estavam caindo, caindo bem em cima do lobisomem, ele seria esmagado por mais de uma tonelada de gelo.

Os piares caíram, uma estrondo enorme e algo sendo esmagado foi ecoado pelo lugar, apenas uma montanha e nem um barulho, nem de movimento, nem de algo tentando se libertar ou ate mesmo de uma respiração. Levantei fazendo esforço máximo, minha perna quebrada tinha se curado, mas eu ainda não tinha conseguido fazer minha perna partida voltar, ainda ia demorar muito no meu estado atual. comecei a andar, não tinha mais nada par fazer ali, meu plano tinha sido perfeito, mesmo ainda não estando completo. Eu já ia cair no chão quando um braço me segurou:

-Por que fez isso caçador? – perguntou olhando para o Winchester

-Você conseguiu derrubá-lo e me salvou, tenho que pelo menos te tirar daqui vampiro, mas não pense que quero sua amizade, se sair da linha lá fora eu te mato

Não falamos mais nada, só começamos a andar o mais rápido possível, se é que aquilo era andar, um estava apoiado no outro e mais rastejávamos do que andávamos, se continuássemos naquele ritmo meu plano ia acabar com a gente também:

-Vou precisar de algo emprestado – falei enquanto minha perna ainda teimava em não querer se regenerar – posso tirar a gente daqui mais vou precisar do seu sangue

-Nem morto

-Você já morreu uma vez caçador, e só esta vivo agora porque bebeu o meu sangue, agora para sobrevivermos eu vou ter que beber o seu, não quero muito, só o suficiente para pularmos para o próximo andar pelo buraco no teto e então andarmos ate a escadaria, depois disso nos estaremos a salvo

-A salvo do que? você venceu o lobisomem

-Venci, mas acho que ele ainda deve estar vivo, apagado, mas vivo, se meu plano se concluir ai sim ele morre

-Qual o resto do seu plano?

-Derrubar o terceiro andar em cima dele

-O que? Esta maluco? Isso pode nos matar também

-Eu sei, não fiz os pilares tentando impedir a queda da biblioteca, fiz só para distrair ele e ganhar tempo para sairmos daqui e ele não, mas só vai dar tempo de sairmos se me der seu sangue maldito – o chão começou a tremer e olhamos para cima, o teto estava se partindo e algumas rochas do terceiro andar já estavam caindo – é isso ou então morremos

Dava para ver que ele não queria aquilo, mas como ele já provou antes sua vida esta acima de tudo, Michael mostrou o pulso:

-Eu não tenho muito sangue e você sabe disso, se eu morrer por sua culpa

-Não vai

Ele me encarou, mas depois cedeu, comecei a beber sem nem pensar duas vezes, pedaços enormes do teto já estavam caindo e um deles parou próximo de mim, eu não podia perder tempo, tentei beber o máximo que pude, o gosto do meu próprio sangue de vampiro ainda existia no sangue dele e aquilo me fez parar, então peguei ele pelo braço e saltei, não podíamos perder tempo e ele não ajudava, peso adicional, corpo adicional, me salvar naquele lugar já era difícil, pedras, livros e pilares estavam caindo no terceiro andar e algo me dizia que a cena também estava ocorrendo no segundo.

Eu poderia ter matado o caçador enquanto bebia o sangue dele, e era isso que eu ia fazer se não tivesse sentido o gosto do meu próprio sangue, um vampiro não deve beber seu próprio sangue, não vai ajudar em nada alem de saciar a sede sem dar nenhuma gota de poder. No final das contas Michael acabou desmaiando pela falta de sangue, parece que dessa vez ele não durou muito.

Estávamos perto da escada para o segundo andar quando uma estante caiu na frente dele, não conseguiria quebrar a tempo do chão se partir então pulei e abri um buraco no teto conseguindo escapar por pouco, assim que pulei o chão se abriu totalmente, o terceiro andar começou a cair e o segundo andar começou a tremer, os andares inferiores eram a base de sustentação dos superiores, se o terceiro caiu então o segundo iria cair logo e depois o primeiro andar, se não saíssemos antes do primeiro andar cair ficaríamos presos ali para sempre.

Corri dando o meu máximo, estávamos perto da escadaria para o primeiro andar e o teto começou a partir, não poderia deixar nada ficar no caminho de novo, acelerei, mas quando estava próximo o braço de Michael quase me escapou entoa tive que desacelerar, conseguimos passar, mas tomei uma rocha bem em cima do meu olho esquerdo, meu rosto ficou inchado e não consegui abri meu olho, ia ter que me virar daquele jeito, não podia gastar meu poder com regeneração agora, tinha eu usar tudo para velocidade e vigor.

Olhei ao redor, o primeiro andar ainda não estava desmoronando, ótimo, comecei a correr, não podia perder, não ia ter oportunidade melhor que essa para escapar.

Não demorou muito para achar o arco de pedra que mostrava a localização da escadaria, mas no mesmo momento o chão começou a tremer, o segundo andar havia caído e agora era a vez do primeiro. Andei rumo a escada, eu estava perto demais para perder logo agora. Já estava quase pisando no primeiro degrau quando ele quebrou junto com o chão, despenquei rumo a escuridão e caí depois de poucos segundos de queda, olhei ao redor, somente entulhos e mais entulhos compostos de pedras e livros, olhei para cima, duas estantes estavam vindo se juntar a tudo aquilo. Peguei Michael, o coloquei nas minhas costas e pulei de volta para o andar, escapei das estantes por pouco, e agradeço por isso, assim que elas bateram na montanha de entulho tudo começou a afundar rumo aos andares inferiores.

Olhei para a escada, os primeiros degraus estavam destruídos, mas ainda dava para subir pulando, antes deu conseguir correr todo o chão ao nosso redor começou a se partir, qualquer passo em falso e afundávamos rumo ao segundo andar de novo. Eu não tinha escolha, não tinha como saber que zona era mais fraca que a outra então pulei aleatoriamente, mas mal toquei no chão e já pulei de novo, e de novo, e de novo, um baita erro.

Tínhamos conseguido chegar as escadas, mas elas começaram a se quebrar, corri feito um louco, estávamos perto da passagem, eu podia ver a luz, mas o chão estava quebrando rápido demais, eu tinha que ir mais rápido para poder escapar, mas se fizesse isso Michael cairia das minhas costas.

Poderia ainda largar aquele maldito bem ali no chão e fugir, mas meus braços não reagiam, parecia que ainda restava um pingo de humanidade em mim de qualquer forma, entoa a única coisa que fiz foi correr, corre rumo a luz que a cada passo só ficava mais distante.

Notas finais
Reviews???