Notas iniciais
Desculpe o atraso na postagem do capitulo, fiquei de recuperação e não tive tempo para postar antes, porra quem deixa o aluno de recuperação por miseroes 0,2 eim?

VI – Will

“Quanto mais próximo um homem estiver de um desejo, mais o deseja; e se não consegue realizá-lo, maior dor sente” – Nicolau Maquiavel

Essa frase era perfeita para definir o que estava acontecendo comigo, o dia foi movimentado e cansativo, tivemos educação física e eu não conseguia tirar Amy da cabeça mesmo durante os esportes, eu sentia que cada segundo que passava longe dela era uma eternidade dolorosa, mas quando passávamos as aulas juntos era ainda mais doloroso, pois eu a via tão próxima fisicamente e ao mesmo tempo tão longe do meu coração e aquilo doía mais do que eu podia imaginar.

Então começou a aula de historia e lá estava ele, Klaus Stock, o professor dito como perfeito, inteligente, rico, bonito, o sonho de todas as garotas do colégio, humanas ou não, e Amy parecia ser uma delas, ela prestava em cada movimento do professor como todas as outras garotas e aquilo doía muito por algum motivo, eu só não sabia se ela o observava por ele ser o que é ou por ela ser a nerd que é e não querer perder nenhum dado.

A aula infernal acabou e retornei para o dormitório, monstros corriam de um lado para o outro pregando peças nos desavisados, mas por sorte não fui vitima de nenhuma delas, sorte de quem tentasse a brincadeira porque seria cremado, e então entrei no meu quarto e me joguei na cama.

Imagens de Amy rodeavam minha cabeça me impedindo de dormir então me joguei debaixo do chuveiro durante longos minutos, a água fria me incomodava e me fazia sentir fraco, mas nem por isso hesitei, fiquei lá embaixo da água gelada durante longos minutos ate sentir minha cabeça esfriar e então me enxuguei e me joguei na cama vestindo apenas minha toalha e dessa vez eu consegui dormir calmamente.

Sem sonhos nem nada, apenas a mais pura e obscura escuridão que fazia eu me sentir melhor do que em locais tumultuados e cheios de luz, mas nem mesmo uma calma noite eu podia ter, um barulho zunia nos meus ouvidos, tiros, era baixo, senão fosse pela minha super audição eu nem teria percebido, mas então eles pararam, um longo silencio e então novas balas ressoaram no ar algo estava muito errado e eu comprovei isso quando escutei um barulho no corredor, lentamente olhei para o corredor e vi o tal de Drake saindo rapidamente para fora do local.

Eu não entendia o que deixaria um vampiro que ainda estava machucado daquele jeito, então voltei ao meu quarto, mas o sono não voltava, novos barulhos de golpes e o ar parecia mais frio do que antes, só podia significar que a bosta do vampiro estava usando seus poderes e eu não ia dormir com frio então fui ver o que ele estava fazendo.

Troquei-me bem lentamente sem a mínima pressa e andei em direção ao rastro do vampiro lentamente, quanto mais próximo eu ficava do vampiro outros cheiros apareciam, dois humanos e outro que não identifiquei não hora, mas com a proximidade percebi de que era, lobisomem, e ele estava usando seus poderes mesmo estando na lua nova, e isso só significava uma coisa, pedra da lua, era raro, mas alguns lobisomens de alto rank e bem ricos compravam pedras da lua para poderem usar seus poderes independentemente das fases da lua, mas ate onde eu sabia só haviam alguns poucos lobisomens na academia e ninguém ali tinha rank ou dinheiro para usar uma pedra da lua, mas mesmo assim continuei no mesmo passo ate que reconheci um dos cheiros dos humanos, Amy.

Quando percebi meus passos estavam cada vez mais velozes e quando percebi estava de frente aos lutadores, Michael e Drake numa árvore e Amy sendo sufocada pelo lobisomem, eu não me controlei e com um simples movimento de mãos mandei o lobisomem voando, depois disso acabei com o lobisomem e dei o anel dele para Amy, era melhor ele ficar em mãos de um caçador do que de um lobisomem e eu não sabia explicar, mas havia um cheiro familiar entre o lobisomem e o vampiro da ultima vez.

Então quando já ia sair Amy foi ate mim e me deu um beijo, na bochecha, mas mesmo assim um beijo, aquela situação havia me deixado desarmado e sem perceber eu já estava corando, mas menos do que Amy que parecia um pimentão de vermelha, a culpa foi dela de ter me beijado, mas no fundo eu havia ficado feliz por aquilo.

Depois disso fui embora e Amy me fez uma pergunta sobre adagas mágicas e me falou sobre o que tinha acontecido com ela, eu não sabia sobre esse tipo de coisa então não pude ajudá-la naquela situação e fiquei furioso comigo mesmo por isso então quando cheguei ao meu quarto a primeira coisa que fiz foi fuçar nos meus livros sobre o assunto, mas poucos eram os que falavam sobre itens mágicos e muito menos falavam sobre adagas e punhais místicos e encantados e nenhum mencionava a tal adaga que emitia aura negra.

Ate cheguei a apelar para o meu meio de comunicação menos predileto, a internet, não que fosse chato e tudo, mas eu tinha meus motivos, eu só usava quando meus livros não eram capazes de me oferecer o necessário de conhecimento, então comecei minha pesquisa, passei horas para achar um site decente, de vinte, dezenove falavam informações erradas sobre dezenas de coisas então foi difícil achar um local confiável para começar minhas buscas.

Depois de mais alguns minutos achei um site que mencionava facas amaldiçoadas e resolvi olhar um pouco, ele falava das mais diversas facas dos mais diversos tempos, muito bom, não percebi nenhuma incoerência aparente, mas nada sobre facas que soltavam auras negras e já estava começando a achar que aquilo era algum erro da Amy, mas não era possível dois monstros de raças opostas invadirem a academia, terem um cheiro parecido e ainda saberem sobre a faca, tinha que ter alguma coisa que eu estava deixando passar.

Eu continuei com minha pesquisa, mas não chegava a nenhum site com informações concretas, apenas boatos sobre adagas e punhais místicos, mas nenhum sobre auras negras ate que cheguei a um site de ocultismo que falava de teorias sobre a bíblia e a religião cristã, um deles mencionava teorias sobre o fato de Hitler e outros grandes figurões da historia humana terem possuído um item, a lendária lança Longinus que havia supostamente perfurado o corpo de cristo na cruz, a lança supostamente concediam incríveis poderes para seus portadores, mas como o nome dizia, ela era apenas uma lenda, nenhum humano ou demônio a havia achada em dois milênios de busca incessante, e novamente eu me sentia encurralado.

A pesquisa estava se mostrando inútil, nenhuma descoberta realmente significante sobre essa tal adaga, mas mesmo assim meu orgulho não me permitia desistir, eu falava orgulho, mas no fundo eu sabia que era outro sentimento, eu só queria ajudar a Amy com qualquer coisa de todas as maneiras possíveis, eu sei que o nome disso não é orgulho, era amor, mas meu gélido coração não me permitia contrair tais sentimentos por alguém, principalmente por uma humana caçadora da família Winchester, de todas as pessoas meu coração foi bater mais forte por ela, por ela, mas aquele não era a hora para isso eu tinha que terminar a pesquisa agora.

Passei mais vários minutos na pesquisa ate perceber que luz entrava no meu quarto pela janela, eu fui ate a janela e abri as cortinas, o sol já havia nascido a menos de meia hora e as cortinas do quarto de Amy continuavam fechadas, eu me senti mal ao ver aquelas cortinas fechadas me impedindo de ver, querendo assumir ou não, minha amada, eu sentia a cada segundo por mais que eu lutasse contra eu só a amava ainda mais, mas novamente vinha a questão na minha mente, eu era um monstro da alta elite, ela uma caçadora de uma das maiores famílias de caçadores, nos jamais ficaríamos juntos mesmo que quiséssemos, e no fundo do meu gélido coração algo dizia que eu queria que ficássemos juntos.

Então fechei rapidamente as cortinas e me dirigi em direção ao computador para voltar a pesquisa, mas se mostrou tão inútil quanto as pesquisas anteriores então fui tomar o meu banho e fui para o colégio, garotos humanos estavam parados no corredor do colégio discutindo sobre o jogo de ontem e as garotas sobre o carinho bonitinho que tinha sido a capa de tal revista enquanto os garotos monstros falavam sobre qual tipo de humano era mais gostoso, negros, asiáticos, brancos entre outros, mas eles mantinham suas conversas em sigilo, eles não queria chamar a atenção dos humanos e pior dos fiscais caçadores.

Eu fui para a sala, tinha chegado mais cedo do que o previsto e só haviam mais duas pessoas alem de mim na sala, dois nerds humanos conversando sobre qual era a melhor serie de ficção cientifica, Star Trek ou Star Gate, eles discutiam de um jeito que pareciam estar decidindo o destino do universo e não uma serie qualquer e quando eu pensava que não podia ficar pior outro nerd humano entrou em sala e começou a debater com eles dizendo que Doctor Who era melhor do que as outras duas juntas e já tinha muito mais anos de serie, então o debate perdurou durante longos minutos ate um bando de monstros entrar em sala e os nerds se calaram na mesma hora com medo do grupo de monstrengos bombados que mesmo na forma humana colocavam muitos humanos no chinelo.

Puxei o notebook que estava na minha mochila e voltei a pesquisa sobre a adaga, eu jamais desistiria ate descobrir toda a verdade, passei curtos minutos pesquisando e quando percebi a sala havia lotado e o professor entrava em sala então desliguei o notebook e só o religaria no intervalo.

Depois de decorridos poucos minutos de aula Amy entrou em sala, sua roupa estava um pouco amarrotada e seu cabelo não tem bem penteado como o usual, provavelmente virou a noite na pesquisa também, mas mesmo daquela forma eu ainda a achava linda.

Depois de duas irritantes aulas veio o intervalo, eu ate iria para Amy tentar puxar algum assunto relacionado a pesquisa e saber se ela sabia de alguma novidade, mas amigas foram mais rápidas e correram ate ela estranhando sua aparência esta manha e a empurraram para fora de sala então resolvi abrir o notebook e voltar para a pesquisa e sem perceber novamente a sala já lotava e o professor Klaus Stock entrava em sala, não era aula dele então estranhei, mas estranhei mais ainda o ato das garotas, elas não tiravam os olhos do professor e algumas eu jurava que babavam no meio da sala, ele não era nem de longe o que eu considerava um homem bonito e mesmo assim elas morriam de amores por aquele cara e ate onde eu percebia Amy não era um exceção, seu rosto cansado foi substituído por um imenso sorriso que ia de um lado ao outro da face só pelo fato do professor ter entrado em sala e aquilo me deixava irado de um jeito que eu não entendia.

Minha vontade às vezes era voar na direção daquele professorzinho barato e arrancá-lo a cara ou então cremá-lo da maneira mais torturante e cruel possível pelo simples fato dele conseguir a atenção da minha amada sem nem mesmo fazer um misero esforço e aquilo me deixava louco de fúria, por que logo a Amy foi gostar de um babaca como aquele:

-Ola alunos – falou Klaus – e alunas – falou ele dando uma singela e discreta piscadela na direção das meninas que fez algumas caírem no chão e outras babarem ainda mais – eu irei substituir o professor já que ele esta doente e já que minha aula seria a próxima nos emendaremos gerando um intensivão de historia para vocês

Todas as meninas gritaram de alegria com exceção de Amy que se manteve em um silencio enquanto todos os garotos gritaram em negação dizendo que era melhor ter aquela aula livre, mas o professor ignorou aquilo e todos continuaram a gritar com exceção de mim, que fiquei calado, e dos nerds que agradeciam por ter tantas aulas de historia.

Klaus começou a dar sua amada matéria então eu coloquei meus fones de ouvido e voltei para o meu notebook para continuar a minha pesquisa e jurava que havia visto um livro sobre itens mágicos na mochila de Amy, mas com a distancia entre nós, pessoas gritando e andando na frente e o rock de Bullet of my Valentine tocando no volume máximo não ajudava em nada a me concentrar naquele ponto e identificá-lo então resolvi continuar minha pesquisa em paz.

Novamente me vi em um beco sem saída, revirei mais de cem sites, mais de cinqüenta paginas do Google alem de outros sites de pesquisa que só me mostravam resultados falhos, incompletos ou totalmente errados sobre o assunto, nada que realmente me ajudasse de alguma forma então coloquei minha cabeça apoiada sobre os braços e lentamente adormeci e me vi dentro de mais um estranho sonho.

Eu estava no meio de uma floresta, nevoa cobria o local e a lua brilhava iluminando meu caminho, eu andava lentamente sem rumo no meio da floresta e então me vejo parado em frente a uma velha arvore, naquela escuridão com somente o brilho da lua eu não soube identificar que tipo era, mas aquilo naquele momento me pareceu irrelevante comparado a quem estava na frente da arvore, um ser vestido com um manto negro que tinha um capuz que cobria o rosto de seu dono que lentamente o retirou revelando o seu rosto perante o brilho da lua, era Amy.

Ela parecia extremamente calma com feições neutras não esbanjando nenhum sentimento, ela então enfiou a mão esquerda na manga direita do manto retirando sua adaga de lá, sua lâmina negra cintilava e aos poucos a nevoa começou a se adensar e eu comecei a tremer de frio, mas era impossível, eu não sentia frio, então percebi que meu corpo não tremia de frio e sim de medo.

Amy lentamente se aproximou de mim e corvos começaram a aparecer ao nosso redor batendo loucamente suas asas e nos fitando com seus olhos vermelhos e quando percebi Amy estava na minha frente, eu fiquei estático e sem reação e não sabia explicar o por que.

Ela lentamente se aproximou de mim e me beijou, eu deveria ficar feliz por isso, mas a única coisa que senti era frio, um frio imenso se apoderando de mim que parecia me paralisa ainda mais e então veio a sensação, uma dor cada vez maior e então Amy se afastou e eu vi sua adaga banhada em sangue e um ferimento no meu estomago jorrando sangue e eu lentamente caindo no chão se forças, por mais que lutasse o frio não me permitia me mover e me regenerar e então cai no chão que se banhou rapidamente de sangue e então a adaga começou a soltar sua sinistra aura negra e os corvos fugiram de medo.

A aura negra mais parecia um conjunto de sombras que me rodearam me vendo morrer lentamente, as sombras riam de mim enquanto uma única continuava a rodear Amy, elas eram sinistras em todos os sentidos e agora percebi que meu medo era daquelas criaturas e não da adaga em si e também que não existia aura alguma, aquilo não era aura e sim algo ainda pior, ainda mais maligno, algo que eu não conseguia nomear, e então a sombra que rodeava Amy se aproximou de mim e me rodeou lentamente enquanto as outras se afastavam como se estivessem com medo daquela outra sombra:

-Demônio – tentava falar a sombra, mas sua voz mais parecia um ruído de um radio humano antigo que falhava – você não pode nos vencer, não pode nos impedir, logo o plano entrara em ação e nem você nem ninguém nos impedira de iniciar uma nova guerra etérea, ninguém – o termo guerra etérea me era conhecido, mas não conseguia me lembrar da onde ou o que significava

A sombra então rodopiou ao meu redor, subiu em direção ao seu noturno e entrou de uma vez na adaga na forma de um ciclone negro e então as outras sombras repetiram o feito e então Amy sumiu na noite me deixando morrer e então eu acordei.

Eu me levantei num pulo assustado, olhei ao meu redor e não havia ninguém em sala alem de Amy que me olhava assustada e então percebendo que ela causara meu susto eu me ajeitei na carteira e comecei a guardar minhas coisas a ignorando:

-Você dormiu a aula toda – ela falou abrindo o meu notebook e vendo a pesquisa – gato me deixa só te dizer um coisa, depois que passar da pagina dois do Google e não achar o que quer ele não presta mais

-Obrigado por nada – falei guardando o notebook dentro da mochila e então me toquei que ela me chamou de gato e rezei para que não estivesse corando e quando vi Amy parecia também ter percebido o que disse e ficou vermelha e saiu da sala a longas e rápidas passadas

Eu pensei em segui-la, não pelo momento, mas sim pelo sonho, aquelas sombras, aquele medo que eu senti, aquela sensação como se aquela misera sombra pudesse desgraçar tudo e que Amy era uma peça disso tudo e alem disso que isso tinha a ver com os meus outros dois sonhos sinistros, mas quando eu percebi Amy já havia sumido da minha vista então resolvi sair dali, provavelmente era só um sonho maluco e sem nexo, mas ainda assim eu não ficaria com aquela duvida na cabeça.

Andei para fora do colégio e nada de Amy então andei para o dormitório, o sol estava no seu zênite e seu calor e raios me deixavam mais forte naquele horário do que em qualquer outro momento do dia, naquele instante era invencível ate o sol andar míseros centímetros no horizonte e meus poderes diminuírem, não que isso fosse fazer alguma diferença para mim, eu era invencível em qualquer horário, nada nem ninguém poderia me vencer ou pelo menos era isso que eu pensava ate eu sentir o medo daquela sombra e ele dizendo que eu não poderia impedir as guerras etéreas.

Eu já havia ouvido falar das guerras etéreas, mas o nome flutuava na minha e por mais que eu tentasse juntar as idéias ela não se formava, e outra, aquilo tinha sido só um sonho, nada me provava que ele era real então decidi ignorar aquele medíocre fato e fui para o dormitório, entrei no meu quarto e me joguei na cama sem pensar duas vezes, coloquei o travesseiro sobre a cabeça e adormeci novamente tentando reorganizar as idéias ou tentar mais um sonho estranho, nenhum dos dois aconteceu, simplesmente acordei algumas horas depois com meu café frio na porta e nenhuma idéia na cabeça.

Peguei o prato que estava gelado e o esquentei na minha própria mão, quem precisa de aparelhos humanos como aquele tal de microondas quando se pode criar e manipular fogo, eu me sentei em frente ao notebook que apoiei na mesa de estudos e comecei a comer lentamente e uma idéia veio na minha cabeça, eu ia rever os fatos sobre as guerras etéreas.

Eu fui em direção a uma caixa de livros e procurei durante alguns longos minutos até achar o tomo, os conflitos entre humanos e demônios volume quatro, segunda edição, as guerras etéreas, o livro tinha a capa de couro batida, acabada e suja, as paginas eram amareladas pela idade e varias letras estavam quase sumindo.

Após a guerra média entre humanos e demônios o cristianismo se espalhou pela terra, mas vários povos ainda adotavam as religiões pagãs e poucos sabiam um fato sobre as religiões pagãs, os deuses adorados por eles não eram bem deuses, eram humanos que fizeram atos incríveis e foram glorificados por isso e que aos poucos foram adorados pelos seus povos e essa adoração crescente aumentava o poder dos espíritos dos mortos os fazendo elevar a uma existência superior a dos humanos comuns, os tão falados deuses pagãos.

Eles eram seres de imenso poder e que quanto mais fossem adorados mais poderosos se tornavam e isso começou a afetar não só os humanos, mas também os monstros, cada religião tinha suas respostas para certos fatores naturais, e sobrenaturais, e quanto mais forte a religião mais ela afetava o plano físico e mais reais seus deuses se tornavam fazendo com que vários aspectos religiosos afetassem e se formassem no reino dos monstro e isso chamou a atenção dos lordes e dos lideres de raças que juntos de um grupo de seletos guerreiros da igreja, ainda não corrompida, enfrentaram os deuses pagãos em uma batalha longa e sanguinária que culminou com milhares de monstros principalmente, mas em troca os deuses haviam caído e o máximo que restara foram cultos secretos que não eram poderosos o suficiente para trazer os deuses de volta a vida como acontecia antigamente e isso tornava as batalhas mais difíceis já que enfrentavam inimigos imortais que quando morriam voltavam depois de um certo período de tempo então enquanto os monstros enfrentavam os deuses os humanos enfrentavam as seitas pagãs e seus seguidores gerando varias chacinas em nome da fé, que muito posteriormente viriam a inspirar as chacinas que ocorreram nas guerras altas.

Muitos monstros famosos da época morreram em batalha e um deles foi meu avô, o grande Nero Maquiavel o matador de deuses como ficou conhecido após a guerra, e que morreu enfrentando o lendário Babalathe, um deus das chamas de uma religião esquecida pelo tempo que era dito como um dos mais poderosos e importantes entre os deuses, ou espíritos etéreos como eram conhecidos pelos monstros, a batalha do meu avô foi a mais sangrenta do evento e é sempre lembrada em todos os livros sobre as guerras etéreas como este que estou lendo.

A batalha durou três dias inteiros sem trégua e depois disso Babalathe e seu esquadrão de dez outros deuses caíram perante meu avô e seus mais de vinte companheiros e desse lendário grupo conhecido como a sétima legião só sobrou um membro, Halt o corajoso que diziam nunca fugir a uma luta seja lá contra quem fosse e dizem que foi em uma dessas lutas que ele e meu avô se tornaram grandes amigos, mas depois daquela batalha Halt ficou conhecido como Halt o covarde, pois diziam boatos que ele só sobreviveu porque se escondeu durante o combate e só saiu de seu esconderijo quando tudo tinha acabado e isso me fazia odiá-lo mais do que qualquer monstro, quem sabe se ele tivesse participado da luta meu avô poderia estar vivo.

Mas esse fato não importa o que realmente interessa é que os deuses haviam caído e mesmo que novos espíritos etéreos viessem a vida eles não se comparariam nem em força e nem em numero a antigamente e alem disso eles não poderiam ressuscitar então não havia o que temer, então por que mesmo assim eu achava que aquela sombra não mentia ao dizer aquelas palavras?

As palavras sobre a guerra afloravam na minha cabeça, não queria perder nenhum parente amado e pior minha amada por culpa da merda de uma guerra e que ainda pode ser causado por culpa de tal adaga que pode ou não ter sombras místicas e que pertence a minha Amy, espere ai, minha Amy? Desde quando ela é minha? Nós dois não temos nada, nada, mesmo que eu quisesse.

Eu guardei o velho tomo e me dirigi ao banheiro, precisa esfriar a cabeça, tanto literalmente quanto no sentido figurado, deixei a água fluir e apagar as idéias loucas que estava tendo esses dias tanto com relação às essas coisas sobrenaturais quanto com relação à Amy, principalmente com relação à Amy.

A noite chegou silenciosa e impiedosa e só a percebi quando sai do banho, havia passado mais de duas horas dentro de uma banheira que enchi de água ate o topo deixando apenas minhas narinas para fora, quando sai da água me sentia mais leve, mais limpo, mas nem um pouco menos livre dos meus pensamentos, pelo contrario, enquanto estava imerso dentro da banheira eles só se tornaram mais fortes e intensos e principalmente os relativos aos meus sonhos, eles estavam mais ligados do que eu jamais poderia imaginar e isso se tornaria um erro mortal com o passar dos dias.

Eu então me vesti e fitei a janela abrindo as cortinas, a janela do quarto de Amy continuava coberta pelas cortinas, ela provavelmente não as abriu o dia todo, claro isso se ela ao menos foi ate o seu quarto hoje, ela provavelmente ficou tão fascinada quanto eu sobre a pesquisa sobre a adaga e seus poderes então deveria ter passado o dia presa na biblioteca pesquisando, uma academia de demônios deveria ter uma ala de livros sobre historia do mundo dos demônios e coisas do gênero, mas provavelmente só poderia ser vistas por monstros e caçadores, mas espere ai, eu era um monstro, na verdade um demônio, mas conta então por que não fui logo lá?

Que droga de cabeça, lá dentro provavelmente deveria ter algo sobre isso, quem sabe a resposta para tudo isso, todas essas questões em aberto e eu simplesmente ignorei os fatos, mas agora era tarde, a biblioteca fechava quando a noite caia e provavelmente somente os dois fiscais poderiam ficar ali depois do anoitecer então seria inútil eu ir agora, mas ainda havia o amanhã, eu poderia visitar a biblioteca amanhã à tarde depois do almoço então resolvi ignorar esse fato por hora e fitei o céu.

Ele estava sem lua, apenas a escuridão iluminada por pequenas e brilhantes estrelas que formavam constelações dos mais diversos tipos, uma era Orion, chamada também de três Marias, outra era peixes, outra mais distante era pégasos e para fechar um singelo leque de estrelas estava cisne, nada muito surpreendente se comparado com os dias em que todas as constelações brilham no céu e cada uma se torna um singelo ponto na imensidão, mas contracenando com aquela noite obscura e sem as outras atrapalhando ate parecia que aqueles pequenos amontoados de estrelas estavam gigantes, como se tivessem assumido o real tamanho de suas componentes celestes.

Naquele momento ate a menor das peças tinha uma importância gigantesca mostrando que dependendo do momento ate a menor das coisas podem se tornar grandiosas, e a pior parte era que isso também se aplicava aos seus inimigos, por menor que eles te pareçam naquele momento os dê a chance e eles te mostraram que podem se tornar as piores pragas no momento certo, era por isso que eu sempre tentava acabar com um combate o mais rápido possível para isso não acontecer e logo eu cometi esse erro mortal, eu subestimei meus sonhos e aquela maldita adaga e isso se mostraria um erro futuro mortal, mas ainda não era o momento, haviam outros perigos antes daquelas sombras que eu também ignorava, mais um inimigo que eu dava o tempo para crescer e se expandir ate o momento certo.

Eu fitei a escuridão do universo e deixei passar outro ser que também fitava algo, um homem envolto em mantos negros me fitava ao longe escondido na escuridão da floresta impossibilitando ate meus sentidos apurados de percebê-lo, ele poderia ter me matado ali, mas insistia em apenas me observar como se esperasse que eu o percebesse e o percebi, mas já era tarde quando me virei na direção das arvores sentindo-o ele sumiu afundando na densa floresta, mas eu sentia que ele continuava me olhando como se esperasse que um dia eu também tivesse o momento para me mostrar, então ele provavelmente sabia sobre aquilo.


Notas finais
Reviews?