Vida De Monstro - Livro Três - A Guerra
1 I - Drake
Notas iniciais
I – Drake
-Você vai fazer o que? – a caçadora só podia ter ficado maluca e eu ainda mais por estar ali
-Invocar um demônio, eu já falei isso umas dez vezes
-Você ta louca
-Bem, eu namoro um demônio e prático uma arte proibida, é eu acho que louca é a palavra que melhor me defini mesmo
Ontem havia sido um dia tão bom e calmo até o fim da tarde quando a caçadora apareceu me chamando, ela tinha uma proposta que poderia me ajudar na questão da guerra, mas até agora eu procurava entender o que invocar um demônio e ajudar a evitar uma guerra tinham em comum. Já era fim de tarde do dia seguinte e a noite já havia caído quando andamos em direção ao ginásio:
-Você não está pensando em invocar seu namorado está?
-Claro que não, isso seria impossível, pelo menos até eu invocar esse demônio aqui
-E quem seria esse demônio que você tanto quer invocar?
-Vulgrim, ele é chamado de o mercador do inferno
-E o que esse mercador vende caçadora? – senti um frio tomando conta de mim, nunca pensei que sentiria frio, logo eu, um vampiro que manipula o gelo, com frio, ou seria medo? Medo daqueles desenhos que aquela garota fazia no chão com um pequenino pedaço de giz
-Ele vende qualquer coisa pelo que li, mas sua principal mercadoria são informações
-Informações sobre o que?
-Qualquer coisa e qualquer um, dizem que é o mais sábio e o mais pilantra dos demônios
-E mesmo assim você vai barganhar com ele?
-Sim
Agora era um fato, ela estava maluca.
Quando Amy terminou de fazer todos os desenhos dentro do círculo que ela havia desenhado previamente ela jogou o giz para o lado e pegou um pequeno pote de plástico de dentro da sua mochila, o pote de plástico laranja transparente parecia emitir luz própria, mas só então percebi que a luz vinha de algo que havia dentro do pote:
-O que é isso? – perguntei me aproximando do pote
-Isso é a minha barganha e é bom você ter a sua se quiser obter as respostas que quer
-Você vai mesmo fazer isso?
-Vou
A caçadora então começou a recitar algo que parecia uma oração em voz baixa, mas era uma oração sinistra e que só deixava o clima cada vez mais tenebroso a cada palavra pronunciada naquele idioma que eu não entendia. Uma onda de escuridão começou a emanar do círculo:
-Pronto – falou a maga puxando outra coisa da mochila, sua adaga negra – Agora é só esperar o demônio se materializar
-Como você aprendeu a fazer isso?
-Os primeiros exorcistas não sabiam apenas expulsar demônios, mas também podiam invocá-los, não fisicamente, apenas a sua essência, mas já era o suficiente para fazer certos trabalhos sujos que nenhum humanos seria capaz de fazer
-E onde aprendeu a invocá-los?
-Papai tinha uns livros falando sobre isso, mesmo que ele nunca os tenha aberto, ele jamais invocaria um demônio sendo do jeito que é, mas eu abri e li os livros, juntei isso aos meus conhecimentos de magia e demonologia e consegui recuperar os escritos sobre a invocação do demônio
-Isso não me cheira bem humana
-Eu sei vampiro, mas agora é tarde, o demônio chegou
Toda aquela escuridão que emanava do círculo parecia tomar forma e então uma criatura apareceu dentro do círculo. Ali na minha frente estava uma espécie de esqueleto que vestia um manto azul, não possuía pernas e no lugar do olho direito possuía uma safira:
-Quem ousa me invocar? – disse a criatura com uma voz rouca e velha
-Eu, Amy Winchester – disse a caçadora se aproximando do círculo
-Winchester? O que uma Winchester iria querer comigo?
-O que alguém pode querer com o mercador do inferno além de obter sua mercadoria?
-Diga-me então esperta caçadora por que eu, Vulgrim, chamado de mercador do inferno, deveria barganhar você?
-Dois motivos demônio – Amy avançou e desferiu um ataque que fez o braço esquelético esquerdo do demônio cair no chão e virar fumaça
-Sua maldita! – o demônio gritou furioso e chamas azuis apareceram – Como ousa arrancar um dos meus braços?
-Se não se calar arranco o outro Vulgrim, este é o primeiro motivo pelo qual você deve barganhar comigo, porque se não for comigo não será com ninguém, e também eu tenho algo muito precioso pra você, pode até fazer seu braço voltar
Amy abriu o pote e pude ver o verdadeiro conteúdo dele, era um pó dourado, mas não era um pó qualquer, era como se a própria essência da vida estivesse sendo emitida por ele:
-Isso não seria o que penso que é seria? – o olho de safira do demônio pareceu brilhar tanto quanto o seu olho normal
-Se você pensa que isso é Feé então está certo – eu não sabia o que era aquilo que eles diziam, mas dava para perceber o quanto era poderoso
-Eu digo o que você quiser garota, apenas me entregue o Feé
-Controle-se demônio ou eu irei cortar mais um braço seu, agora eu quero saber o que você pode me falar sobre William Maquiavel
-Filho de lorde Byron Maquiavel, conhecido como o dragão negro, possui trezentos anos de idade, tem uma lista de mortos tão grande que poucos são os demônios que ganham dele, e todos os que ganham já possuem alguns milênios de idade
-Isso eu já sabia, eu quero informações recentes, como estado físico e paradeiro
-Bem como eu acho que você deve saber está ocorrendo uma guerra no quarto círculo, que é por acaso onde eu moro, o senhor Maquiavel iria liderar junto de seu pai e seus irmãos as tropas do sétimo círculo, mas então o lorde Byron descobriu um fato interessante e ao mesmo tempo assombroso, o seu filho predileto estava sem os poderes, e pior, estava apaixonado por uma humana que pelo que parece eu já sei quem é – o demônio abriu um sorriso esbanjando os poucos dentes que ainda haviam no seu crânio
-O que aconteceu depois? – Amy ficou abalada depois de escutar aquilo e o demônio percebeu isso
-Bem até onde eu saiba o lorde ficou furioso, mais furioso do que jamais se viu outrora no inferno, e puniu o filho
-Que tipo de punição? Desembuche logo demônio!
-Ele foi enviado para a Judeca – se antes o clima parecia frio assim que o demônio disse aquele nome nós parecíamos ter entrado na mais fria geleira do universo
-Judeca? Por que ele foi para lá?
-Ele traiu a confiança de seu pai e senhor além de trair o código dos demônios, um traidor deve ir para o nono círculo, o círculo dos traidores, e um príncipe do inferno não é exceção
-Isso é pior do que eu podia imaginar – Amy estava suando frio e tremendo
-Dá para perceber – disse um demônio esbanjando mais um sorriso que sumiu assim que Amy o encarou empunhando a adaga e mirando pro demônio
-Eu deveria matá-lo agora, mas ainda preciso de outra informação
-Você pede demais caçadora
-Eu vou lhe pagar com Feé demônio então é bom ficar com o bico calado, eu quero que você me diga como forjar um portal para invocar um demônio junto de seu avatar
-Como é? Você tem noção do que me pedi? Esse feitiço é antigo e perigoso, tão perigoso que os próprios magos antigos o pagaram de seus mais obscuros livros com medo de que fosse usado de maneira errada, nem mesmo eu sei qual é
-Eu sei disso demônio, eu não o perguntei o feitiço porque eu já sei, mas não sei os ingredientes para forjar o feitiço e sei que você sabe dessa parte
-Onde você encontrou tantas informações sobre a minha pessoa?
-Não interessa a você, como também não interessa onde consegui o feitiço, como também não interessa nada sobre a minha vida, eu lhe fiz uma pergunta e é bom me responder se quiser seu prêmio
-Certo então, você vai precisar de sete gramas de Feé, que acho que você já possui, vai precisar de sete decilitros de sangue de demônio, sete gramas de terra, sete decilitros de água, sete litros de ar e sete velas acesas, com tudo isso reunido e o feitiço correto você pode invocar o avatar, mas o feitiço só pode ser usado uma única vez, se falhar ele vai se desfazer
-Não vou falhar demônio, você fez bem o seu trabalho e aqui está o seu prêmio – a caçadora encheu a mão com um punhado do tal de Feé e jogou para o demônio – Se pensou que ia lhe dar o pote inteiro então era um tolo
-Não preciso do pote minha boa cliente, só isso já é mais do que o suficiente para meus objetivos, saiba que muitos pagariam fortunas para possuir míseros dez grãos dessa substancia, com tudo que você me ofereceu eu devo conseguir um castelo só pra mim com criados e até um exercito particular, talvez até algumas terras
-Não me interessa quanto vai ganhar ou o que vai ganhar demônio, agora é sua vez Drake – a caçadora me encarou e então eu avancei para perto de círculo, eu não devia fazer isso, mas era a minha única chance
-O que tem a me oferecer vampiro? – o demônio se deliciava enquanto passava o pó entre os dedos, ele já havia feito isso dezenas de vezes enquanto eu pensava na pergunta certa
-Meu sangue – falei, era a única coisa que podia pensar no momento
-Sangue de vampiro? Quando escreverem livros sobre mim eles se referiram a este dia como o dia em que minha fortuna começou, se Feé vale muito o sangue de vampiro também não sai perdendo, muitos demônios adoram beber sangue e os maiores apreciadores dizem que o de vampiro é o melhor, não se sabe se é pelas propriedades místicas, mas ele é o melhor, quanto mais me oferecer mais respostas poderá obter
-Eu sei como isso funciona – Amy me ofereceu um pote de vidro, ela provavelmente já havia pensado nessa possibilidade enquanto vinha para cá – Eu quero que você me diga quem anda executando os vampiros
-Isso eu não sei, meus conhecimentos ainda não vão tão longe assim, mas soube de historias que o líder do grupo possui uma tatuagem em forma de um sol transpassado por uma lança
-Uma tatuagem?
-Sim, é conhecida como uma tatuagem tribal de uma tribo de lobisomens, mas meus conhecimentos só vão até ai, o não desculpe acabei de lembrar de algo mais, parece que o líder do grupo também não possui um dos olhos
-Tem certeza de tudo que me conta demônio?
-Eu só conto o que tenho certeza meu bom vampiro
-Entendo, agora eu já tenho uma pequena noção de quem é o maldito que está quase começando uma guerra
-Quase? Ora vampiro todos sabem que a guerra já vai começar mesmo que os ataques parem, não a mais como parar
-Eu agora tenho que discordar demônio, eu vou parar essa guerra antes que ela comece, agora ai está seu premio – derramei um pouco de sangue de meus pulsos no frasco e joguei para ele, o demônio sorriu satisfeito
-Adorei fazer barganhar com vocês meus jovens, quando precisarem de informações o bom Vulgrim estará disposto a ajudar tão bons clientes
-Eu espero nunca mais ter que invocá-lo de novo Vulgrim, o mercador do inferno – assim que Amy terminou sua frase o esqueleto desapareceu em forma de uma fumaça azul e o clima pareceu retornar ao normal
A caçadora apagou os desenhos no chão e então começamos a andar para fora do ginásio, ninguém mais estava andando pelo colégio, meu relógio indicava que já eram oito da noite, o tempo havia passado muito rápido já que quando começamos a barganhar nem eram seis e meia direito:
-O que acha que vai acontecer agora? – perguntei encarando aquela garota que havia feito algo impensável a poucos minutos atrás
-Eu não sei, só sei que vou invocar de volta o Will
-Você tem noção do que está fazendo?
-Tenho, estou mexendo com magia, magia negra por sinal, uma das piores e quando tiver tudo pronto eu vou fazer uma ainda pior
-Droga você está mexendo com as leis do inferno garota, se os demônios descobrirem que você tirou um prisioneiro de lá você não tem noção do que pode te acontecer, ninguém tem
-Eu sei, mas nem por isso vou parar, passei um mês procurando os feitiços certo pra invocar demônios e não vou parar agora quando finalmente aprendi a parte que faltava
Não dava pra discutir com aquela criatura e mesmo que eu achasse possível tinha outros assuntos a tratar:
-Você sabe quando seu irmão volta? – perguntei quando já estávamos um pouco distantes
-Quando ele estiver pronto – a garota disse e continuou o seu caminho
Era estranha aquela sensação, o colégio parecia ter perdido a graça que ele nunca teve após a saída do demônio e do lobisomem. Enquanto andava até meu quarto parecia que eu era um soberano, o senhor dali e não mais apenas um aluno qualquer, e teoricamente eu era o soberano, não havia estudante algum mais forte do que eu naquele momento e todos no dormitório sabiam disso, eu havia ascendido para o patamar do senhor daquele dormitório pelo simples fato do demônio ter ido embora, eu só não sabia o que isso mudava além de ter um bando de olhares em cima de mim:
-Seja bem vindo de volta chefe – falou um dos meus lacaios enquanto bebia um gole de sangue fresco
-Não me chame de chefe droga e me passe logo um pouco de sangue também porque estou com uma fome danada
Agarrei uma bolsa de sangue e comece a beber lentamente enquanto tentava pensar em um plano, eu já tinha uma informação sobre o grupo de lobisomens, mas ainda assim eu não tinha nada, precisava pesquisar mais, mas como eu ainda não sabia:
-Olá chefe – respondeu uma voz da janela, era o maldito Harris, o carrasco
-O que faz aqui criatura detestável?
-Odeio quando fala assim comigo chefe, mas por hora vou perdoá-lo, eu vim informá-lo que meu senhor Vladmir, seu pai, está convocando você para uma reunião
-Do que está falando? – droga era cedo demais para uma reunião
-Parece que ele e os demais senhores vampiros finalmente caçaram de esperar, eles vão se reunir daqui a alguns dias com os senhores das alcatéias de lobisomens e pedir os nomes dos assassinos, se eles não derem então a guerra terá inicio no dia seguinte sem exceção
-Quantos dias até lá?
-Seu pai não informou, mas será logo, assim que eu receber a mensagem nós partiremos para a Romênia
-Entendi carrasco, agora vá embora
-Se essas são suas ordens jovem senhor
O vampiro fez uma reverencia e pulou pela janela, as coisas estavam piorando, mas na verdade havia até demorado demais, a guerra já estava pra acontecer a tempos, mas os ataques haviam cessado, para meu pai tomar uma decisão daqueles então só ataques retornaram e com uma potencia bem maior que a anterior.
Tentei descansar a mente o máximo possível, mas não consegui, fiquei tenso a noite toda esperando apenas amanhecer e assim que o relógio alcançou as seis horas eu fui em direção a sala do diretor, ele tinha que ter algum solução para aquilo tudo ou então estávamos perdidos:
-Por que chegou tão cedo senhor Drake? – questionou o diretor bebendo uma dose de whisky e encarando o céu
-A reunião vai ocorrer
-Sim, e se não conseguirem obter o culpado a guerra terá inicio no outro dia, eu soube dessa péssima noticia
-Tem que ter uma solução
-Só a uma solução, temos que achar o culpado
-Eu soube de uma coisa e acho que pode ser útil
-E o que seria?
-Parece que o líder dos assassinos tem uma tatuagem em forma de um sol com uma lança o transpassando
-Tem certeza disso? De quem ouviu essa informação? – eu só tive um rápido relance de pensamento e então o diretor se virou na minha direção com o rosto irado – Ela não fez isso fez?
-Talvez – acabei pensando de novo na noite passada e o rosto do diretor ficou vermelho
-Entendo, parece então que teremos uma longa conversa – o diretor estalou seus dedos e então apareceram na sala duas pessoas instantaneamente, o exterminador John Winchester e filha dele que por acaso ainda estava de toalha
-Alguém pode me dizer o que está acontecendo? – Amy estava ficando vermelha e não a culpo por isso, mesmo o diretor estando pior
-Os deuses voltaram, mesmo que apenas um, a reunião para decidir o inicio ou não da guerra entre vampiros e lobisomens está para acontecer e ainda escuto que você fez negociações com Vulgrim
-Como dizem tudo de ruim vem em três – ninguém ali riu da piada se é que aquilo realmente foi uma piada já que o rosto dela estava muito sério, ela só tinha que estar brincando
-Você fez negócios com um demônio? – o rosto de John também ficou vermelho, todos ali estavam começando a ficar com raiva
-E se eu tiver feito?
-E daí? – o diretor se meteu entre pai e filha – E daí que você planeja tirar um prisioneiro do inferno, mas se isso acontecer Byron não vai medir esforços pra trazer seu exercito para a Terra, nós já muitos problemas vindo, você não vai querer ver os demônios aqui também causando guerra, isso eu lhe garanto criança, já vivi tempo o suficiente para ver uma guerra entre raças três vezes e posso dizer que esse mundo pode não sobreviver a quarta
-Não precisamos começar uma guerra, na verdade eles nem precisam saber que o Will saiu do inferno
-E como você pensa em enganar um lorde do inferno?
-É tão fácil que não entendo porque não tinha pensando nisso antes, o Will não ta lá toa forte assim não é mesmo? Ele só ta na classe C então não é lá muita coisa
-Você acha mesmo isso?
-Se comparado ao poder desse amigo aqui então é pouco – na janela da sala do diretor apareceu a cabeça de um dragão vermelho e por um momento em fiquei sem entender nada e então centenas de memórias apareceram na minha cabeça, memórias sobre guerras e informações sobre magia, dragões, seres feéricos e espíritos, tudo aquilo simplesmente aparece de um momento para o outro como se eu já soubesse de tudo e olhei instintivamente para o diretor que só levantou o dedo para eu fazer silêncio
-Então você planeja fazer um falso Will usando os poderes de Rubys?
-Eu não, não é fácil usar poderes de dragões, eu ando tentando o mês todo, mas ainda não consigo, é quase como se ele nem mesmo quisesse me dar o poder então a gente somente o Will vai poder fazer seu próprio clone, não é algo difícil e é bem rápido se usar o feitiço correto, que eu já sei qual é
-Sua proposta é arriscada de qualquer forma senhorita Winchester, mas é a melhor que temos no momento
-Não precisamos do demônio diretor – disse o exterminador – O que ele vai mudar no curso dessa guerra? Ele tem mesmo é que ficar no inferno, se ele pode ajudar em algo então que seja contra os deuses que no momento só estão lá
-Bem o seu pai tem um excelente ponto Amy – disse o diretor coçando a barba como se realmente fosse concordar com o exterminador
-Mas ele está preso, não está ajudando em nada – disse a garota em um tom quase desesperado
-Se ele está preso foi por sua culpa não foi? – o caçador havia batido na tecla certa e o rosto de Amy pareceu ter sido socado por um ogro gigantesco, ela havia sido derrotada – Digo e repito diretor, se o demônio pode ser útil então que seja útil no inferno e não aqui na Terra, e todos aqui sabemos que minha filha não quer trazer seu namorado de volta só porque ele pode ajudar na guerra
Ela havia sido derrotada, não havia argumento nenhum que pudesse ajudá-la naquele momento, se o demônio era forte então que ficasse onde tínhamos o pior problema:
-Mas ele tem que vir pra cá – tentou argumentar uma Amy que já estava quase gaguejando
-Por que? – o exterminador se aproximou da filha – Por que você precisa dele aqui? Vamos eu só quero que você diga
-Você só não quer que eu namore com um demônio não é?
-Não vou negar que odeio esse fato, mas você namorando com ele ou não o fato dele estar aqui não ia mudar nada, ele é fraco atualmente então não pode mudar nada e se fosse forte então teria que ficar na pior situação e não na mais fácil, entenda que a questão aqui não é se você está se agarrando com ele ou não, mas sim que temos um deus no inferno e uma reunião de guerra daqui a alguns dias
-Tem razão John o senhor Maquiavel não tem poder suficiente para ser significativo nesse momento – Amy encarou o diretor quando ele disse aquilo e quase ia chorar – Então acho que não faz diferença onde ele está – e então o rosto choroso sumiu e ela abriu um sorriso
-Não me diga que vai defendê-la agora?
-Você mesmo disse, se ele fosse forte o inferno precisaria dele, mas já que ele não é forte então não faz diferença onde ele está, Amy você poderia me dizer o que é mais difícil, invocar um demônio ou levar alguém para o inferno?
-Invocar o demônio é bem mais fácil, o feitiço de invocação é simples e agora eu já tenho a receita para gerar o avatar, mas levar alguém pro inferno seria impossível já que teria que atravessar uma dimensão, energia é fácil de teleportar, matéria não é
-Vejo então que chegamos a um excelente ponto da conversa, o senhor Maquiavel pode estar fraco, mas ele sabe fazer algo que ninguém aqui sabe, usar magia de dragão, poderíamos levar o dragão até ele ou trazê-lo até o dragão e quando ele chegar aqui é só usar magia de dragão para gerar um clone, um transporte de energia e não de matéria, e magia de dragão é muito mais poderosa
John ficou em silêncio, o diretor havia conseguido:
-Perfeito, senhorita Winchester ao fim da aula de amanhã me traga a lista de ingredientes para fazer o avatar e o traremos no mesmo momento, agora vá para seu quarto, termine de se arrumar e vá tirar suas duvidas que você tem com os professores, e saiba que o professor Ari estará aqui a tarde, se você conseguir achá-lo antes que ele vá embora pode fazer as perguntas pra ele
-Obrigada diretor, obrigada mesmo – mas antes que Amy pudesse abraçá-lo a garota já havia sumido da sala junto do dragão
-Prepare-se jovem vampiro – disse o diretor tomando uma dose whisky bem grande – Algo me diz que a reunião ocorrera mais cedo do que imaginamos e que ela não terminara bem, e por favor tente não falar sobre a tatuagem durante a reunião
-Por que não?
-Algo me diz que ela pode acabar é causando essa guerra
Engoli em seco as palavras do diretor, então a tatuagem realmente era a resposta para os nossos problemas, ou a criação de novos.
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