Vida Complicada
36 Eu Simplesmente Odeio Ressacas
Notas iniciais
Party rocker, foot show stopper, more shampoo, never one, club popper
Got a hangover like too much vodka, can't see me with ten binoculars
So cool, no doubt by the end of the night got the clothes coming off
Till I make that move, somehow, someway, gotta raise the roof, roof — Flo Rida feat. SIA, Wild Ones
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Pov Cel
Acordei com uma dor de cabeça do caralho. Ressaca, pensei. (N/Nicolly: JURA?). Eu simplesmente odeio ressacas. (N/A: Avá?!?).
Abri os olhos. Nico ainda estava dormindo ao meu lado, mas eu não fazia a menor idéia de como eu havia ido parar ali. Eu só me lembrava de ter ido a uma festa na praia e... mais nada.
Me sentei na cama e tudo girou.
Que merda, véi.
Olhei para baixo e vi que estava de camisola. Como eu trocara de roupa?
Teria que pensar na resposta depois, porque pelos dois segundos que olhei pra baixo, veio uma náusea super forte e eu corri para o banheiro para vomitar.
Depois de algum tempo, levantei e lavei minha boca.
– Você está bem? – perguntou Nico na porta do banheiro (N/Nicolly: NÃO, ele NÃO PERGUNTOU ISSO! Ela vai responder, tipo: Ah, sim, eu estou ótima, estou vomitando só por prazer mesmo ¬¬').
– Bom dia – eu disse. – Sim, eu estou... eu acho – me olhei no espelho. Um pouco da maquiagem da noite passada ainda estava no meu rosto, deixando-o todo borrado. Joguei um pouco de água no meu rosto, lavando a maquiagem.
– Você não parece estar muito bem (N/A: Jura?) – disse Nico preocupado. – Olha, eu sei que não é a melhor hora para perguntar, mas quem te embebedou? – perguntou ele com uma nota de raiva na voz.
– Sei lá – eu disse tentando me lembrar, mas os detalhes me fugiram. – Um carinha, Jake, James, Janet, alguma coisa assim – eu disse. – me perguntou se eu queria ir a uma festa. Fomos até a festa, ele me entregou um copo de whisky e então eu não me lembro de mais nada.
Nico suspirou.
– Você sabe o risco que você correu apenas indo nessa festa sozinha? – perguntou ele. – Nem todos os semideuses são bonzinhos, Cel. Algum deles poderia facilmente te drogar ou embebedar o bastante para que você... sabe...
Corei.
– Eu sei, Nico – respondi. – Mas... eu não acho que eu estava sozinha. Ou estava? Ah, sei lá.
– Mais alguém foi com você? – perguntou Nico. – Thalia, Annabeth, Percy, Nicolly...?
– Acho que a Nicolly e a Kamilla foram junto – respondi. – E mais um garoto do chalé de Apolo. Um amigo da Nicolly (N/Nicolly: Dá pra parar de chamar ele assim? / N/A: Não, eu simplesmente raxo de rir com você querendo fazer inveja em um tomate kkkkk). Rafael, eu acho. E o namorado da Kamilla, Robin, eu acho.
Alguns detalhes estavam voltando com tanta força que me deu vertigem. O mundo pareceu girar e eu me ajoelhei para vomitar novamente.
– Eu vou buscar um remédio – disse Nico correndo porta afora e voltando rapidamente com uma caixinha de remédio e um copo de água nas mãos. Se ajoelhou ao meu lado e me entregou um comprimido, logo em seguida a água.
Tomei o comprimido (N/Nicolly: NÃOOO, você jogou ele na privada! / N/A: Posso fazer meu Pov em paz? / N/Nicolly: NÃO) e Nico me ajudou a levantar. Respirei fundo e comecei a caminhar.
– Não, não, não – disse Nico. Ele me segurou por trás e me levantou em seus braços como se eu tivesse o peso de um saco de farinha. Isso era humilhação. Eu mal consegui carregar ele até a fonte aquele dia em que explodimos a rua (eu preferia me lembrar desse episódio assim) e ele me pega no colo com essa facilidade.
– Ei – eu disse. – Não precisa me carregar. Eu sou perfeitamente capaz de andar sozinha (N/Nicolly: só que não) – protestei, mas ele me ignorou. Me colocou delicadamente na cama.
– Eu sei que não precisa – ele disse. – Mas eu gosto de te carregar. Você é quentinha e parece uma bonequinha gótica.
Eu ri.
– Vou tomar como um elogio – eu disse.
– Foi um elogio (N/A: Avá?) – disse ele. – Eu vou buscar nosso café da manhã, ok? Não saia daqui.
– Tá – eu disse me ajeitando melhor na cama. Ele assentiu e saiu.
Dei uma olhada pelo quarto e meus olhos pararam no relógio na cabeceira da cama. Oito horas. Era para eu supostamente estar na aula de esgrima agora. Que merda, véi. O Percy vai me matar.
Enquanto o Nico não chegava, eu resolvi tentar lembrar o que acontecera ontem à noite (N/A: Vai na fé / N/Nicolly: Tá querendo demais kkkk). Lentamente, os detalhes começaram a voltar, mas não muito nítidos, apenas fragmentos, como se fossem flashes. Rostos sem face. Bebida. Rochas. Música. E então um nome: Jace.
Oh my fucking Gods. O Nico não parecia bravo sobre o que acontecera, mas eu o conhecia o suficiente para saber que ele está planejando a morte de quem me levou àquela festa. Fiz uma nota mental de não mencionar nada para Nico (N/A: Tarde demais kkkk / N/Nicolly: Eu já fiz isso kkkkk / N/Cel: Fudeu).
Nesse exato instante, Nico voltou com uma bandeja cheia de comida. Meu estômago roncou. É, eu estava morrendo de fome (N/A: Jura?). Eu só comi... Putz, o almoço de ontem, a não ser que bebida conte.
– Eu estou morrendo de fome – eu disse enquanto Nico colocava a bandeja entre nós dois. Ele havia trazido pães, sanduíches, roscas, chocolate quente e café.
– Imaginei isso – ele disse.
Só então percebi o que eu devia ter percebido primeiro. Ele estava machucado. E sujo.
– O que aconteceu? – perguntei chegando perto dele e acariciando sua face onde havia um roxo.
– Não queira saber – ele respondeu mal-humorado.
– Mas eu quero saber – retruquei.
– Nada. Uma pequena briga.
Suspirei. Ele parecia amar brigas.
– Até para ir pegar o café da manhã, Nico? São menos de 30 metros – eu ri.
– Eu não faço de propósito – disse ele inconformado.
– Quem? – perguntei pegando um copo de leite e levando aos lábios.
Ele hesitou.
– Jace – respondeu afinal.
Cuspi todo o leite que estava bebendo e me engasguei.
– Você está bem? – perguntou ele dando tapinhas nas minhas costas.
– Você disse "Jace"? – perguntei.
– Sim. Por que? – ele perguntou desconfiado. Percebi, tarde demais, que acabara me entregando com a minha reação exagerada.
– Eu que pergunto por que – respondi.
– Encontrei com a Nicolly e o namorado ali fora. O tal carinha do chalé de Apolo que você falou – ele disse. – Eles parecem mais sóbrios do que você. E se lembram de tudo. Eles me contaram... hum... nomes – disse ele. – Eu meio que perdi o controle. Isso anda acontecendo muito ultimamente. Eu acho que fiquei meio possessivo em relação à você. (N/A: Jura? Descobriu isso sozinho, Niquito? Descobriu o Brasil agora kkkk)
– Eu acho muito fofo – eu disse me aproximando mais ainda dele. – Mas tente maneirar. Você não pode quebrar a cara de todo garoto que olhar pra mim.
– Eu posso sim – ele disse.
– Poder e dever são coisas muito diferentes – respondi com uma voz calma. (N/A: Ui, filosofou kkkk / N/Cel: Fica na sua, autora. Não corta o clima ¬¬')
– É, acho que sim. Vou tentar maneirar. Por você. Mas tem certas coisas, como alguém te embebedar, que passam do limite.
– Eu sei, eu sei – respondi. – Pra esses você pode abrir uma exceção. – Gente, como eu sou hipócrita.
Ele sorriu e me beijou. Quando me separei dele, olhei bem no fundo de seus olhos negros enquanto ele me olhava como se conseguisse ver minha alma.
– Eu te amo – eu disse a ele pela primeira vez.
– Eu também te amo – ele respondeu e me beijou novamente.
Nos separamos e tomamos nosso café em silêncio, mas ainda sem desviar os olhos um do outro.
– Posso te perguntar uma coisa? – perguntou Nico.
– Pode – respondi.
– Quantos namorados você já teve? – perguntou ele.
– Quatro. Cinco com você. Por que? – perguntei.
– Curiosidade – ele disse.
– E você, quantas namoradas já teve? – perguntei.
– Sei lá – ele disse. – Umas vinte.
– Claro – eu disse sorrindo.
– Fazer o que se eu sou bonito e gostoso?
– E modesto também – eu disse sarcástica. – Qual foi a mais estranha? Depois de mim, claro.
– Foi uma menina que morava numa fazenda nos arredores do Acampamento Júpiter. Ela era tipo, super estranha, e caipira. Muito santinha e inocente, você precisava de ver. A gente não foi bem namorados, a gente só ficava de vez em quando. O pai dela descobriu e tentou me matar com uma enxada.
Eu gargalhei.
– Estranha – concordei.
– Muito – disse ele.
– Bem, o que vamos fazer hoje? – perguntei.
– O que acha de...
Nesse exato momento, ele foi interrompido pelo som de um alarme. Um alarme de perigo.
A face de Nico perdeu a cor.
– Vamos! – gritou ele me puxando porta afora.
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