Vida Complicada
38 A Missão
Notas iniciais
Cause I got some intuition, or maybe I'm superstitious
But I think you're a pretty sweet pill that I'm swallowing down
To counter this addiction, you've got me on a mission
Tell me darling, can I get a break somehow?
(How) could I say no? She's got a love like woe — The Ready Set, Love Like Woe
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Pov Cel
Enquanto andávamos em direção à Casa Grande, eu ficava mais e mais nervosa. Nico pareceu sentir isso e apertou ainda mais meus dedos que estavam entrelaçados com os seus.
– Mantenha a calma – disse ele.
– Estou tentando – respondi.
– Vai dar tudo certo, eu prometo – ele disse. – Vou estar lá para te proteger.
– Não tenho medo por mim – eu disse frustrada. – Tenho medo por eles. E se eles se machucarem? E se VOCÊ se machucasse? Como acha que eu ficaria?
– Não vamos nos machucar – disse ele. – Vamos voltar. Todos nós.
– Espero que sim – eu disse.
Entramos na Casa Grande. O Sr. D estava jogando cartas com alguns sátiros que o olhavam com medo. Fomos até um canto da sala onde havia uma mesa de ping-pong com várias cadeiras em volta e nos sentamos.
– Bem – disse Quíron. – Vamos analisar a profecia.
– Nove meio-sangues procurarão a filha perdida do raio – disse Thalia. – Somos nove. Vamos procurar uma irmã minha que ainda não foi trazida ao Acampamento Meio-Sangue.
– Não – disse Annabeth. – Ela pode ter sido trazida ao Acampamento, mas não foi reclamada.
– Pode ser – disse Percy. – Os deuses estão demorando mais do que o combinado para reclamar seus filhos.
– Eles sempre se esquecem de suas promessas – disse o Sr. D rindo.
– A filha "que os gigantes mantém prisioneira na caverna do mês de Maio" – disse Clarisse. – O que seria "A caverna do mês de Maio"?
– Pode ser a caverna de Atenas – eu me pronunciei pela primeira vez. Nove pares de olhos se viraram para mim.
– Que caverna de Atenas? – perguntou Nicolly.
O Sr. D bufou.
– Na mitologia grega, dizem que havia uma caverna situada perto do Pathernon em que eles ofereciam à Poseidon oferendas. Quando Atena ficou sabendo, ficou morrendo de raiva, afinal vencera de Poseidon quando escolheram o deus patrono de Atenas. Então ela demoliu a caverna. Era um mês de Maio. Por isso "a caverna do mês de Maio" – eu disse.
– Então ela não foi totalmente demolida – disse Leo.
– Ou ela foi reconstruída – disse Nico.
– Já é um começo – disse Quíron. – Vocês já tem um destino. Atenas.
– A próxima linha é a mais fácil: "No barco que destruiu Gaia, os meio-sangues deverão ir" – disse Leo. – Só o Argo II destruiu a deusa cara de lama. Devemos ir com ele.
– Sim – disse Annabeth. – Vamos no Argo II, novamente com direção à Atenas.
– Caberá à filha dos deuses e dos magos derrotar os gigantes sem se extinguir – disse Kamilla. – Quem seria a filha dos deuses e dos magos?
Eu havia me esquecido que eles não sabiam sobre mim, apenas Nico, Percy e Nicolly sabiam.
– Sou eu – eu disse.
– Como? – perguntou Clarisse com um ar cético.
O Sr. D riu lá da sala.
– Meu pai é Poseidon – eu disse. – E minha mãe é uma maga da Casa da Vida.
– Tipo, os magos que nos ajudaram? – perguntou Annabeth.
– Eles mesmos – disse Percy.
– Bem, "Sob o orgulho do grande deus da guerra, abençoada será" – disse Nico. – Quer dizer que em algum ponto da missão vamos encontrar Ares. E que ele vai se orgulhar de você.
– O dragão morto ressurgir irá – disse Leo. – Isso é ruim, certo? Eu já quase fui comido por um dragão e isso não é bom.
– Jura? – perguntei com sarcasmo. – E eu pensando que era bom ser devorado!
Em um gesto infantil, ele me mostrou a língua. Em um gesto mais infantil ainda, o imitei.
O Sr. D gargalhou mais ainda lá da sala.
– Parou vocês dois – disse Thalia. – O dragão não precisa ser necessariamente mal. A última linha é: E sem perda nenhuma retornará ao lar. Talvez o dragão estivesse perdido e agora vá para casa.
– É uma missão falida – comentou o Sr. D.
– Sr. D – disse Quíron. – Com todo respeito, de que lado o senhor está?
– Bem – disse o Sr. D se levantando. – Eu sempre estou do MEU lado.
– Sr. D, por favor – eu disse. – Se o senhor sabe qualquer coisa sobre o que foi citado na profecia, por favor, nos diga.
– Criança, eu sei de muitas coisas. Se você analisar direitinho, vai saber o que a profecia quer dizer – então piscou pra mim e saiu.
– Grande ajuda – resmunguei.
– Bem, não há nada mais que possamos discutir. Vão para os seus chalés e preparem tudo. Sem discussões. Vocês partem amanhã de manhã.
– Tudo bem – eu disse já me levantando.
– Ei, hum – disse Leo. – Mesmo com a missão, você ainda tem que aprender a pelo menos controlar o barco no caso de um de nós ficarmos feridos.
– Como acha eu vou aprender a controlar um barco mágico ainda hoje? – perguntei.
– Vem – disse ele.
Saímos da Casa Grande e fomos até um cômodo que tinha atrás das forjas.
Entramos. Era incrível lá dentro. Milhares de invenções estavam ali.
– Essa é a esfera de Arquimedes – disse Leo pegando uma das invenções.
– Arquimedes? – o olhei perplexa. – Não foi ele um matemático antigo ou algo assim?
Leo riu.
– Ele era muito mais do que isso. Ele foi o filho de Hefesto mais famoso que já viveu.
– Eu ouvi o seu nome antes, ele criou uma esfera para estudar as outras esferas. Mas como você pode ter certeza que esta esfera é o projeto que ele desenvolveu durante a vida?
– Olha, eu li tudo sobre Arquimedes. Ele é um herói para o Chalé Nove. O cara era grego, certo?
Assenti.
– Ele morava em uma das colônias gregas no sul da Itália, antes de Roma crescer e tomá-la. – continuou Leo. – Finalmente os Romanos invadiram e destruíram sua cidade. O general Romano queria poupar Arquimedes, porque ele era tão valioso – tipo como o Einstein do mundo antigo – mas algum soldado romano o matou.
– Como você sabe de tudo isso, afinal? – perguntei. – Você gosta de história, tipo eu?
– Não – Leo disse. – Mas você não pode ser um semideus que é do ramo de construção e não saber sobre Arquimedes. O cara era seriamente da elite. Ele calculou o valor de pi. Ele fez todas essas coisas de matemática que nós ainda usamos para a engenharia.
– ELE CALCULOU AQUELA PORRA DE PI? SORTE DELE QUE ELE JÁ MORREU! SABE QUANTAS HORAS EU GASTEI RESOLVENDO PROBLEMAS MATEMÁTICOS NA MINHA ESCOLA POR CAUSA DESSE PI? – gritei.
Leo riu.
– Ele não só calculou o valor de pi, como também inventou um parafuso hidráulico que poderia mover a água através de tubos.
– Um parafuso hidráulico. Desculpe-me por não saber sobre essa incrível realização.
– Ele também construiu um raio da morte feita de espelhos que poderiam queimar navios inimigos – disse Leo. – Isso é impressionante o suficiente para você?
– Eu vi algo sobre isso na TV. Eles provaram que não funcionou.
– Ah, isso é só porque os mortais modernos não sabem como usar bronze Celestial – disse Leo. – Essa é a chave. Arquimedes também inventou uma garra enorme que poderia balançar em um guindaste e arrancar navios inimigos para fora da água.
– Ok, isso é legal – admiti. — Eu amo coisas onde tem água envolvida.
– Bem, aí está. – disse Leo. – De qualquer forma, todas as suas invenções não foram suficientes. Os Romanos destruíram sua cidade. Arquimedes foi morto. Segundo a lenda, o general Romano era um grande fã de seu trabalho, então ele invadiu a oficina de Arquimedes e levou um monte de suvenires de volta para Roma. Eles desapareceram da história, exceto... – Leo acenou com as mãos no material nas mesas. – Aqui estão eles. Nós os recuperamos depois que destruímos Gaia e voltamos à Roma.
– Então fora aquela porra do pi, ele inventou bolas de metal? E elas estão aqui? Porque que parece que a todo segundo eu topo com relíquias perdidas aqui nesse acampamento? – perguntei olhando com um interesse renovado para as relíquias. Coisas de milhões de séculos estavam ali. Quanta coisa para aprender, e... PARE. Eu falei como uma filha de Atena agora. Esqueçam essa parte. Eu não sou tão nerd quanto pareço. Só sobre mitologia. Aí sim.
Leo riu.
– Sabe de uma coisa? Você é a primeira pessoa a apreciar o que estamos olhando. – ele sorriu. – Mas, sim. Arquimedes construiu esferas. Os Romanos não podiam entendê-las. Eles pensaram que elas eram apenas para mostrar o tempo ou constelações, porque eles eram coberta com imagens de estrelas e planetas. Mas isso é como encontrar um rifle e pensar que é uma bengala. Tudo bem que os romanos também tinham seus engenheiros e blá blá blá. Mas Arquimedes estava em uma classe única. Suas esferas poderia fazer todos os tipos de coisas, apenas ninguém tem certeza de como ou o que. Isso – ele apontou para uma estante cheia de cubículos com milhões de pergaminhos. – São seus estudos. Tudo que pudemos recuperar dele.
Corri os olhos para a linha de cubículos e examinei as marcas do estojo de um pergaminho.
– Arquimedes escreveu isso, descrevendo seus métodos de construção, mas todas as cópias foram perdidas nos tempos antigos. Quando conseguimos trazer e traduzir isso... As possibilidades ficaram infinitas. – disse Leo com um ar sonhador. – Os segredos de Arquimedes — ele murmurou. — Isso é maior do que laptop de Dédalo. Quando houve o ataque Romano no Acampamento Meio-Sangue, esses segredos salvaram o acampamento. Eles nos deram uma vantagem sobre Gaia e os gigantes.
– Uau – eu disse. – Mas até agora não entendi como isso vai me ajudar a controlar um navio.
– Você só precisa aprender sobre Arquimedes. Você é filha de Poseidon. Annabeth me contou que Percy dirige um navio só com o pensamento.
– Acha que eu consigo? – perguntei animada.
– Claro – disse ele. – Apenas estude sobre Arquimedes. Você gosta de arquitetura?
– Mais ou menos – eu disse. – Não sou muito fã de matemática.
– Bem, você vai ver o bunker 9 amanhã. As portas de lá tem um balanceamento perfeito. Uma rocha que não faz som. Essa é uma engenharia de primeira classe.
– What? – perguntei.
– Nada – ele disse. – Você verá amanhã. Agora vá para o seu chalé e arrume suas coisas.
– Tchau, Valdez – eu disse.
Saímos do cômodo e fomos para os nossos respectivos chalés. Entrei no de Poseidon.
– O que era para eu supostamente colocar na mochila? – perguntei a Percy, que ainda estava arrumando sua mochila.
– Coloque umas mudas de roupa, não muitas, claro. Suas armas, néctar, ambrosia, corda e coisas úteis assim – disse ele dando de ombros.
Comecei a arrumar o que ele falou. Coloquei algumas mudas de roupas na mochila. Minhas armas ficariam comigo.
– Onde eu arranjo corda, ambrosia, néctar e "coisas úteis assim"? – perguntei.
– Aqui – disse Percy me entregando um cantil e um pacote de ambrosia. – É só para emergências, mas é bom ter por perto. Nunca se sabe o que vamos achar. E aqui – ele me entregou uma corda.
Coloquei tudo arrumado dentro da mochila. Percebi que não conseguiria ficar ali. Precisava de ar fresco.
Saí do chalé e comecei a andar à esmo.
*****
Acabei voltando à praia. Meus pés descalços tocavam as pequenas ondas na encosta. Eu ainda estava de camisola e estava frio, mas eu não me importei. Entrei na água e andei até que ficasse na minha cintura. Olhei para minha camisola e a toquei onde a água encostava. Completamente seca.
Submergi completamente e nadei até uma parte mais funda. Tentei fazer de novo o truque de respirar em baixo d'água. Era difícil se forçar a respirar, mas assim que consegui, vi que respirava normalmente. Continuei nadando, passando por cardumes de peixes e até por um tubarão e eu juro que ele acenou para mim.
Olá, senhora, eu ouvi o tubarão.
Olá, eu disse.
A senhorita vai realmente ficar por aqui?
Vou, respondi intrigada. Alguma razão especial para a pergunta?
Na verdade sim. Uma filha do senhor dos mares não deveria ficar muito tempo sozinha em baixo d'água. Ainda mais aqui.
Como assim "ainda mais aqui"?, perguntei.
Aqui é perigoso. A barreira que protege o Acampamento Meio-Sangue é mais fraca debaixo d'água. Monstros se mantém longe, mas alguns ainda arriscam. Só os mais fortes conseguem passar, mas o Senhor Poseidon pediu a todos os seres marinhos desse lugar que matassem qualquer monstro que ousasse tentar atacar o Acampamento onde estavam seus filhos.
Uau, eu disse. Bem, acho que vou sair daqui então.
Não é necessário. Eu estou aqui para protegê-la.
Muito obrigada.
Aonde quer ir?
Não sei, respondi. Me mostre o que tem de interessante por aqui.
Claro. Venha comigo, ele saiu nadando e eu o segui.
Era incrível a liberdade que eu sentia nadando no vasto oceano. Quanto mais fundo eu ia, mais eu me sentia livre de tudo aquilo. Até que o tubarão disse que ouviu o chamado do mar. Poseidon lhe chamava. Nos despedimos. Me sentei em uma rocha cheia de estrelas do mar e apoiei minhas costas na rocha maior ao lado, cheia de pequenas algas que pareciam flores.
Pensei em ir embora de tudo aquilo. Viver no mar. Eu me daria bem com aquilo e não morreria. Mas eu sabia que precisava voltar. Eu não seria tão covarde. Não poderia deixar os outros. Meus irmãos. Meus amigos. Nico. Como deixá-los?
E ainda havia minha mãe. Como recuperá-la? Onde ela estava? E os magos?
Perguntas giravam na minha cabeça, mas eu resolvi deixar meu cérebro vazio e olhar os peixes que passavam.
Não sei quanto tempo fiquei ali. Podiam ser horas ou minutos.
Só saí daquele estado de inércia quando senti alguém falando comigo.
Você está preocupada?
Olhei para o lado. Nicolly estava ali.
Um pouco, respondi.
Eu também. Me sobressaltei quando percebi que a voz de Nicolly era alta e clara na minha cabeça, mas não como se tivesse sido falada. Era mais como vibrações de ondas em meu cérebro.
Olhei para ela, perplexa. Já tinha ouvido nereidas e outros espíritos da água falando comigo embaixo d'água, mas nunca me ocorrera... Nicolly era filha de Poseidon também. Podíamos nos comunicar.
O que acha que devo fazer? perguntei.
Eu não sei, ela respondeu. Mas o oráculo te escolheu como líder da missão. O Destino quer que você lidere. Tenho fé em você. Você vai se sair bem.
Espero que sim, respondi.
Pov Autora
Enquanto Nicolly conversava com nossa pequena protagonista, nenhuma das duas pareceu notar os olhos vermelhos que as observavam de trás da rocha marinha, ambas continuavam sem se dar conta do perigo que corriam.
Calma, vai dar certo, Nicolly tentou acalmar Cel.
Talvez não, ela respondeu. Sabe, eu meio que tenho o pressentimento de que isso tudo pode estar ligado com o desaparecimento da minha mãe e dos magos.
Nicolly pensou por alguns instantes. O portador dos olhos vermelhos se preparou para o bote.
É, pode ser. Ou talvez não. Pode ser coincidência, Nicolly concluiu, ainda alheia ao perigo à sua frente, bem atrás do rochedo onde Cel se encontrava.
Isso não existe, retrucou Cel.
Não interessa. Vamos. Está quase na hora do jantar.
Vamos, concordou Cel. E se levantou, no exato instante em que uma garra passava e não a acertou por milímetros. Ela não notou nada, mas sentiu o movimento da água e se virou.
– O que foi isso? – perguntou.
– Isso o que? – perguntou Nicolly já nadando em direção à superfície.
– Eu pensei ter visto... nada, deixa pra lá – ela disse olhando a rocha. Não viu nada e foi atrás de Nicolly. Mas, segundos antes da rocha sair de vista, ela viu algo como um fogo vermelho brilhando de trás da rocha.
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