Vida
1 Vida...
Todos já estavam esperando Grissom no laboratório, para que ele distribuísse os casos. Conversavam animadamente sobre os acontecimentos recentes de suas vidas. Os únicos que não conversavam sobre suas vidas eram Sara, CSI nível 3, e Grissom, supervisor chefe do turno da noite do laboratório de Criminalística de Las Vegas. O motivo pelo qual eles não falavam de suas vidas era não ter uma... Era sempre do Laboratório para casa e de casa para o laboratório. Mas isso estava para mudar... Um acidente iria mudar esses dois por completo.
Grissom chegou com dois papéis na mão.
GG: Boa Noite crianças... – ele cumprimentou os demais referindo a eles como “crianças” por serem seus pequenos pupilos, seus aprendizes.
Todos: Boa Noite. – responderam educadamente.
GS: O que temos hoje chefinho? – perguntou Greg, um CSI nível 1 que acabar de sair do laboratório para trabalhar no campo e ainda tinha muito o que aprender.
GG: Temos dois casos. – disse olhando para todos. – Catherine, Greg e Nick vocês tem uma tentativa de assassinato...
CW: Qual o outro caso Grissom? – perguntou indignada.
GG: Duplo homicídio no MGM... Por quê? – informou e logo perguntou o porquê da indignação de Catherine.
CW: Porque você sabe que somos capazes – ela apontou para si mesma e para Nick. – E nos bota numa tentativa de assassinato quando vocês – ela aponta para Sara, Warrick e Grissom. – ficam com um duplo homicídio. Um duplo, Grissom! – repetiu para mostrar que era por isso que estava brava.
GG: Catherine eu sei que você é tão capaz quanto qualquer um por aqui... – disse calmamente. – Eu preciso de você nessa tentativa de assassinato porque sua capacidade me admira...
CW: Mas então Grissom... Se você sabe que sou capaz, por que motivos você põe numa tentativa de homicídio?
GG: Por você ser capaz e competente o bastante para mostrar para o Greg, que está começando, como se deve fazer uma investigação... – disse Grissom. Essa era uma das qualidades dele, ver qualidades invisíveis aos olhos de meros observadores. Por que ainda estava sozinho? Era um mistério... – E é claro, assim que terminarem vocês podem nos ajudar no duplo...
CW: Tudo bem... – disse Cath sorrindo. – Greg, Nick... Vamos? – disse se levantando e saindo com os dois rapazes.
GG: Bom. Sara e Warrick vocês vem comigo para o duplo... – sorriu.
SS: Isso foi muito legal de sua parte Griss... – disse Sara comentando da atitude dele com relação à Cath.
Grissom, Warrick e Sara saíram do laboratório e foram para o estacionamento para, posteriormente, seguir para o MGM.
GG: Vamos no meu carro... – convidou-os. –Assim economizamos combustível.
WB: Beleza! – aceitou.
SS: Tudo bem... – disse sorrindo de lado.
Aquele sorriso o enlouquecia, mesmo ela não sabendo. Ele escondia muito bem que por Sara Sidle nutria uma paixão grande e linda.
Sara foi no banco de trás e Warrick na frente com Grissom. Ele olhava toda hora pelo retrovisor e toda hora a pegava olhando para ele. Esta era a qualidade de Sara, persistir sempre. Cair, levantar e tentar de novo, este era o lema dela... Tentar sempre.
E foi assim todas as vezes que ele olhava no retrovisor ele a pegava desviando o olhar para a janela. Ele olhava e ela desviava o olhar. Ela ficava olhando aqueles imensuráveis olhos azuis e assim que ele a olhava fingia não estar olhando. Mas a verdade era que ela adora mergulhar naquelas lagoas azuis contidas nos olhos dele.
Grissom sabia que Sara tinha por ele um sentimento maior que a amizade. Um sentimento mais complexo, complicado e ao mesmo tempo o mais simples de todos os sentimentos. Difícil de entender e fácil de sentir. E com Grissom e Sara não era diferente, ambos tinham facilidade em sentir, mas também tinham dificuldades em entender.
Sara já havia dado várias provas de que o sentimento que zelava por ele era maior que a amizade, mas toda a vez que ela dizia isso, direta ou indiretamente, ele a dizia não e se afastava cada vez mais, mas ela sempre tentava de novo, cada dia mais irresistível, cada dia mais doce e mais suave apesar de ter ouvidos vários não ela conseguia se recompor e tentar novamente se apegando a uma esperança que por anos pareceu ser vã. Mas a sorte dela estava para mudar, Grissom se prepara durante anos para dizer a ela o que estava entalado na sua garganta... E ele jurou a si mesmo que ia falar com ela, e dizer o que ela ainda não sabia, mas sonhava diariamente com essa possibilidade fantasiosa.
Catherine, Greg e Nick chegaram à tentativa de assassinato.
CW: Oi Vartann! – cumprimentou o detetive.
TV: Olá Catherine... – respondeu.
NS: O que temos aqui? – Nick perguntou.
TV: Aquela moça. – apontou para uma mulher sentada ao lado de uma ambulância toda machucada. – Ligou para policia e disse que um homem tentara matá-la. –informou-os.
GS: E será que ela consegue identificar o suspeito? – perguntou.
TV: Na verdade já prendemos um... – e apontou para a viatura. – Ele estava correndo à uns cinco quarteirões daqui com uma faca toda ensangüentada na mão. – disse entregando um pacote a Catherine. – Eu já coletei. Ah... E eu nem toquei nela... – sorriu e Catherine retribuiu o sorriso.
NS: Vamos Greg... Temos que achar provas de que foi ele mesmo – apontou para a viatura onde o sujeito se encontrava. – quem tentou matar a moça.
Nick e Greg entraram na frente e Catherine foi logo atrás, pois estava colhendo informações com Vartann.
CW: Vartann me disse que a moça se chama July West e o homem preso chama-se Jack Young.
NS: Catherine... Olha o que eu encontrei. – disse mostrando um porta-retratos para Catherine. – Eles são namorados. – disse. A foto mostrava o homem da viatura e a moça que quase fora morta.
GS: Isso quer dizer que ele tentou matá-la por algum motivo que desconhecemos.
CW: É uma boa teoria Greg. – disse Catherine sorrindo.
GS: Eu sei. – disse.
NS: Convencido. – Nick zombou dele. – Primeiro Greg, a gente colhe as evidencias e as analisa e só depois vemos o que se encaixa na história, se não se encaixar é porque a história é falsa porque as evidencias nunca mentem.
GS: Você parece o Grissom falando... – riu.
CW: Parece mesmo. – riu com Greg.
Na cena de crime no MGM.
GG: Boa Noite Brass! – cumprimentou o capitão.
JB: Olá Grissom! – respondeu.
SS: O que temos Brass? – Sara perguntou.
JB: Homem e mulher aparentemente assassinados. – informou Brass.
GG: Dados pessoais? – Grissom perguntou.
JB: O homem chama-se Gary Gordon e tinha 52 anos. A mulher chama-se Samantha Stead e tinha 33 anos. Eles aparentemente são namorados.
SS: E ele não se importava com a diferença de idade... – soltou a pérola e foi analisar a cena de crime.
Brass fez cara de desentendido e Grissom também, mas ele sabia do que se tratava. Tratava do seu medo infantil de não ficar com Sara por causa da diferença de idades.
SS: Ele devia ser uma espécie de Nerd. – disse analisando as coisas do homem. – Ele tem livros de Física, Biologia e Matemática.
WB: Verdade Sarinha! Até parece alguém que conhecemos. – disse baixinho para ela.
GG: Hey! Eu ouvi isso... – disse com cara fingida de bravo.
WB: Coincidência ou não, essa moça se parece muito com você Sara! – exclamou Warrick. – É estranho te ver morta! – exclamou após algum tempo de silêncio em que Grissom e Sara olhavam atônitos para a mulher.
GG: Ela é igual a você Sara! – admirou.
A ficha de Grissom simplesmente caiu quando viu a moça em cima da cama, sem vida. A vida era curta e frágil que podia ser tirada a qualquer instante.
WB: A semelhança é incrível! – exclamou Warrick.
SS: Se bem que morrer pra mim seria uma saída... – sussurrou para si mesma, mas Grissom ouviu.
Sara começou a analisar a cena sem se importar com os olhares de Grissom e Warrick em cima dela.
SS: Achei camisinhas... – sorriu de lado. – E não são poucas. – riu baixinho.
Isso afetou indiretamente Grissom que olhou para Sara, franziu as sobrancelhas e continuou o que estava fazendo. Era isso que Sara queria...
SS: Eles eram colegas de trabalho! – exclamou enquanto revirava as gavetas. – Ela era subordinada dele! – se surpreendeu.
GG: Às vezes é melhor não se juntar as coisas... – e apontou para o homem e a mulher morta.
SS: Mas quem não arrisca... – e nem precisou terminar e Gil já tinha entendido.
GG: Warrick... Terminou? – Grissom perguntou a ele.
WB: Tudo ensacado e catalogado. Tirei fotos e recolhi o que achei relevante.
GG: Tudo bem... – exclamou. – Vamos?
SS: Claro... Não agüento mais ficar aqui me vendo morta em cima de uma cama e ao lado de um cara que eu nem ao menos conheço. – Warrick riu.
Eles chegaram ao carro e informaram ao legista que já poderia retirar os corpos e levá-los para serem autopsiados pelo Dr. Robbins.
GG: Warrick... Você pode dirigir? – Grissom perguntou.
WB: Tudo bem.
Grissom entrou na porta de trás.
SS: Eu vou na frente! – exclamou.
GG: Não Sara! Venha atrás ara ajudar a segurar as evidencias.
SS: Ok! – e sorriu internamente.
Eles voltaram para o laboratório e quando chegaram encontraram Catherine, Greg e Nick descansando no Lock.
GG: E vocês? Por que não estão trabalhando? – perguntou.
CW: Já acabamos... – sorriu. – Agora vamos ajudá-los.
Grissom sorriu.
GG: Quem era o “quase” assassino? – perguntou.
CW: O namorado da vitima, Jack Young... – Nick sorriu.
GG: Vocês estão oficialmente fazendo parte da investigação do duplo... – Catherine sorriu. – Temos muita coisa para analisar. Peguem as coisas com Sara e Warrick e mãos a obra.
CW: Warrick? – Catherine chamou-o. – O que tem para mim?
WB: Sangue, fotos e fibras! – sorriu. – O de sempre.
NS: O que tem pra nós Sara? – perguntou para Sara, apontando para si mesmo e para Greg.
SS: Muitas camisinhas! – e olhou de lado para Grissom. – Vamos nos divertir!
GS: Aham... Muito! – disse num fingido entusiasmo.
Assim foi cada um para um lado analisar as evidências enquanto Grissom conversava com Brass sobre possíveis rixas com o casal.
JB: Um amigo da família disse que o chefe do homem descobriu sobre o relacionamento deles e não ficou nada feliz.
GG: Vou chamar o pessoal e vamos para lá.
Grissom foi até onde Catherine e Warrick trabalhavam.
GG: Olá! Encontramos um possível suspeito... Estou indo pra lá agora. Vocês querem ir?
CW: Eu quero! – sorriu.
WB: Eu também! – e saiu junto com Catherine e Grissom atrás de Sara, Nick e Greg.
Quando chegaram ao laboratório de analises eles viram Nick e Sara no maior amasso.
Mas não era esse tipo de amasso. Eles estavam testando uma teoria de Sara. Nick estava aparentemente abraçando-a por trás e Sara ria feliz da situação.
NS: Aí eu amarro aqui... – Nick ria.
SS: Mais embaixo também Nick. – ria mais ainda.
GS: Hã... Gente? – Greg tentou chamá-los, mas eles não ouviam.
GG: Sara... Nick! – Grissom chamou.
Nick e Sara se viraram assustados.
GS: Eu avisei! – exclamou.
NS: Cala a boca Greg! – Nick sussurrou para Greg.
CW: Mas o que diabo vocês estavam fazendo? – Catherine perguntou abismada.
Nick e Sara nem ao menos coraram. Como se aquilo fosse normal.
GS: Eu já informei a eles que essas coisas não se fazem em publico e também informei que já inventaram quartos e camas bem confortáveis.
Nick e Sara olharam para Greg com um olhar assassino. O peito de Grissom pesou de ciúmes de Sara, inveja e raiva de Nick.
GG: Não sei o que estava acontecendo aqui, mas... – mas foi interrompido.
SS: Nós não estávamos fazendo nada demais! – ela olhou sorrindo para Nick e depois voltou para Grissom. – Achamos que Samantha Stead foi amarrada, por isso tem lesões estranhas pelo corpo. Estava só fazendo um teste com o tipo de corda que foi encontrado na cena do crime.
WB: Nossa... Por um minuto pareceu que vocês dois tinham esquecido que, como o Greg disse, já inventaram quarto e camas... Confortáveis. – sorriu.
Sara olhou para Nick e sorriu maliciosamente, Nick retribuiu o sorriso. Isso deixou Grissom desconfortável e irritado.
SS: Hã... Vocês só vieram para saber se eu Nick havíamos esquecido de ir para um quarto com uma cama confortável ou vocês querem mais alguma coisa? – perguntou olhando maliciosamente para Nick.
GG: Não... Descobrirmos um possível suspeito e estamos indo para lá... Vocês querem ir?
GS: Eu quero! – exclamou na hora.
NS: Nós também vamos... – ele apontou para Sara.
“Desde quando ele decide por ela?” – Grissom pensou.
SS: Mas a gente vai depois... – sorriu e olhou para Nick. – Depois que ele me desamarrar...
GG: Claro! – sorriu sarcasticamente e saiu com Catherine, Greg e Warrick em seus calcanhares.
Nick desamarrou Sara e eles logo chegaram ao lugar. Todos já estavam lá. Brass chegou a porta no sujeito.
JB: Policia de Las Vegas. – gritou. – Abra a porta.
De repente a confusão. Um tiro. Grissom caí atrás de Brass. Sara, Nick e Warrick correm para ajudá-lo. Brass entra na casa com os policiais que o acompanhavam e prendem o sujeito.
SS: Alguém liga para a ambulância! – gritou Sara.
Greg pegou rapidamente seu celular e discou para o hospital que mandou uma ambulância o mais rápido possível.
SS: Grissom... Agüenta mais um pouco que a ambulância já esta a caminho.
GG: Eu... Eu não... – e desmaiou.
Nick mediu o pulso dele, ainda pulsava fraco, mas pulsava. A ambulância não demorou a chegar. Grissom foi levado às pressas para o Desert Palm. Sara foi com ele.
Dr.: A bala acertou a cabeça. Ele entrou em coma... Vamos operá-lo agora... Dentro de 15 horas a operação acaba e você poderá vê-lo.
SS: Obrigada Doutor.
Foram às quinze horas mais difíceis e angustiantes da vida de Sara. Saber que seu amor estava em coma com uma bala na cabeça só a fazia querer ter aproveitado mais.
SS: Você vai viver Griss! – ela afirmou para si mesma.
Quinze horas se passaram e nada de Grissom sair da sala de cirurgia.
CW: Você tem que ir para casa Sara e descansar um pouco. Comer alguma coisa e tomar um banho. Pode ir que eu fico aqui até você voltar. – disse Catherine que acabar de chegar ao hospital.
SS: Não Catherine! Não saio daqui até Grissom sair dessa sala!
Passaram mais duas horas até Grissom sair da sala de cirurgia. Ele saiu da sala em uma maca com soro e um pequeno cano saindo da garganta.
SS: Doutor? – ela chamou o médico que acabara de fazer a operação em Grissom. – Com licença.
Dr.: Sim?
SS: Meu nome é Sara Sidle. Eu trabalho com o Grissom... Eu estava me perguntando... Será que ele já pode receber visitas?
Dr.: Me desculpe senhorita...? – o doutor falou.
SS: Sara... Sara Sidle! – ela respondeu.
Dr.: Me desculpe senhorita Sidle, mas ele acaba de sair da operação. Ele ainda se encontra em coma induzido, mas pode acordar a qualquer hora e não queremos agitação por parte do paciente... Entende?
SS: Sim! – ela respondeu.
CW: Hã... Doutor, quando poderemos vê-lo? – disse Catherine que estava ao lado de Sara.
Dr.: Amanhã, nesse horário.
SS: Obrigada doutor...
O médico correu para seguir os enfermeiros que haviam levado Grissom para um quarto para ser monitorado.
CW: Eu não te disse Sara? Agora é melhor você ir para casa, tomar um banho e tentar dormir. Eu sei que está sendo difícil, mas você tem que ser forte! Ele vai sair dessa...
SS: Deus te ouça Catherine, Deus te ouça.
Sara foi para casa meio a contragosto e Catherine permaneceu no hospital. Sara chegou em casa e chorou... Chorou feito criança. Chorou de dor e de tristeza. Ela entrou o banho deixando que a água fria levasse embora o cansaço. Saiu do banho e tentou comer algo, mas não conseguiu sabendo que Grissom estava num hospital, deitado numa maca sem ao menos se mexer devido ao coma. Tentou dormir, mas também não conseguiu, pois como poderia? Sabendo que Grissom podia dormir eternamente... Então resolveu voltar ao hospital.
CW: Por Deus Sara! – Catherine exclamou quando viu Sara. – Não faz nem duas horas que você foi... Não é possível você ter tomado banho, comido e dormido.
SS: Eu não estou com fome e nem com sono... – disse dando um meio sorriso. – E se você quiser ir Catherine, fique a vontade...
CW: Eu vou porque a Lindsay já deve estar preocupada, porque se não eu ficava! – sorriu. – Fica tranquila Sara! Ele vai acordar... É um homem forte. – e saiu andando pelo corredor.
SS: Tomara. – disse para si mesma.
Passaram-se cinco horas e Sara continuava ali, sentada no banco esperando noticias. Já fazia onze horas que estava ali até que adormeceu.
Ela estava em uma floresta, no fim dessa floresta havia um penhasco. Logo abaixo desse penhasco havia um rio. Ela corria, corria, mas não conseguia alcançá-lo. Ele corria demais... Corria até o penhasco e pulava. Ela tentava pular atrás, mas não conseguia. Algo a puxava para trás. Uma voz chamava teu nome... De onde ela vinha?
##: Sara? – dizia uma voz conhecida. – Acorda...
SS: Hã? – ela abriu os olhos. – Nick?
NS: Bom dia cinderela...
SS: O que faz aqui Nick?
NS: Vim ver o Grissom e te encontrei dormindo!
SS: Ele já pode receber visitas? – perguntou limpando os olhos.
NS: Eu acabei de vê-lo... Acho que você também pode!
SS: Obrigada Nick... – e se levantou para ir vê-lo, mas Nick a interrompeu.
NS: Sara... Espera. – Sara parou. – Só pra você saber... O homem que atirou nele foi o mesmo que matou o casal no MGM. Brass já o interrogou e ele está preso.
SS: Obrigada Nick... – e correu até o quarto.
Enf.: O que deseja? – a enfermeira perguntou a ela.
SS: Eu queria ver Gilbert Grissom... – ela disse.
Enf.: Ah... Sim! Acompanhe-me, por favor.
Sara seguiu a enfermeira até uma ante-sala.
Enf.: Você deve lavar as mãos antes de entrar... – a enfermeira informou.
Sara lavou rapidamente as mãos.
SS: Pronto. – ela sorriu para a enfermeira.
Enf.: Agora é só seguir o corredor... – ela apontou para outra porta que havia na sala. – O quarto do Senhor Grissom é o número 10.
SS: Obrigada.
Sara andou pelo corredor apressadamente até que chegou ao quarto. Grissom estava deitado, imóvel e com vários aparelhos ligados a si. O doutor estava tirando a pressão dele.
SS: Com licença.
Dr.: Ah... Claro! Entre... – o doutor pediu.
SS: Ele está bem doutor? – Sara perguntou.
Dr.: Ele está estável, mas ainda está em coma. – ele informou a Sara. – Pode acordar a qualquer momento.
SS: Ele pode ouvir? – Sara perguntou.
Dr.: Em alguns casos os pacientes afirmam que conseguiam ouvir tudo ao seu redor. – o nome do doutor foi chamado no alto-falante. – Com licença... Se precisar de qualquer coisa, pode chamar.
SS: Obrigada...
O doutor saiu e deixou Sara e Grissom sozinhos. Sara olhava para ele e reparava em todos os detalhes. Parte do cabelo dele fora raspado para a retirada da bala. Ele dormia aparentemente inconsciente, mas o que ela tinha duvida era se ele realmente ouvia.
SS: Oi Grissom!... – ela fez silêncio. – Eu vou cuidar de você... Eu prometo! Vou cuidar de você como se você meu filho... Como se você fosse meu marido!
Sara falava aquilo de coração. E Grissom ouvia tudo sorrindo internamente, pois sabia que ficaria bem com os cuidados de sua amada.
Sara visitou-o por cinco dias seguidos, sem falta. Ela o contou que havia falado com Eckley e pedido férias. Contou que havia dito aos médicos e concordado em cuidar dele, pois Grissom não tinha parentes próximos. A mãe já havia morrido e o pai também.
No final de semana, Sara estava lá conversando com ele. Mas o que e ela não sabia é que teria uma surpresa.
SS: Sabe... Quando você sair daqui você vai para a minha casa. Eu vou cuidar de você... Te dar comida e te dar banho. – ela sussurrou as ultimas palavras.
Ela segurava as mãos dele. Olhava para baixo, mas quando terminou de falar ela olhou-o e viu seus olhos abertos. Sim eles estavam abertos e olhavam para ela com amor.
SS: Doutor! – Sara chamou. – DOUTOR! –ela gritou para o médico.
Dr.: O que houve? – ele perguntou preocupado após ter chegado correndo.
SS: Ele acordou doutor! Ele acordou.
Dr.: Mas isso é uma ótima noticia! – o doutor exclamou. – Bom dia senhor Grissom! – ele o cumprimentou.
Grissom não podia falar devido ao corte que fora feito em sua garganta para colocarem o cano de respiração.
Dr.: Senhor Grissom! Se pode me ouvir pisque os olhos. – Grissom assim o fez.
O doutor retirou o cano da garganta dele, pedindo para que ele “tossisse”.
Dr.: Pronto Senhor Grissom! – ele disse após retirar o cano. – Não faça muito esforço. Se continuar desse jeito você poderá receber alta em breve.
GG: Obrigado Doutor! – ele disse lentamente com a voz fraca.
O doutor respondeu com um aceno de cabeça e saiu da sala e deixou Grissom e Sara a sós.
GG: Oi! – ele disse baixa e roucamente.
SS: Oi! – ela respondeu chorando.
GG: É verdade que você vai cuidar de mim? – ele disse com um pouco de dificuldade.
SS: Sim Griss! É verdade... – ela sorriu.
Uma semana se passou até Grissom receber alta.
Com o andar um pouco vacilante e fraco lá estava ele no apartamento de Sara.
SS: Você ficara na minha cama... Pois você precisa mais do que eu!
GG: E você fica aonde? – ele perguntou falando rouco.
SS: Fico no sofá Grissom! – sorriu.
Sara levou Grissom para tomar banho e ele insistentemente conseguiu convencê-la de que conseguia tomar banho sozinho, mas Sara disse que ficaria do lado de fora do banheiro caso acontecesse alguma coisa.
GG: Já vou sair Sara.
Sara virou-se de costas e entregou a toalha a ele.
SS: Não precisa de ajuda? – Sara perguntou preocupada.
GG: Não Sara! Obrigado.
Grissom se secou e colocou roupas frescas e limpas.
SS: Eu vou fazer comida... O que quer comer? – ela perguntou.
GG: Qualquer coisa Sara... – ele sorriu timidamente.
SS: Hum... Não tenho “qualquer coisa”. – ela brincou.
GG: Engraçadinha! – ele riu.
SS: Vamos pra cozinha... – ela chamou-o. – Assim a gente pode conversar enquanto eu faço o almoço.
GG: Tudo bem.
Ainda com o andar vacilante, Grissom era ajudado por Sara.
Eles chegaram à cozinha e Sara ajudou-o sentar-se na cadeira.
SS: Você come macarrão? – ela perguntou.
GG: Se você fizer, eu como... – ele sorriu e ela corou.
SS: Tudo bem! Macarrão... – ela saiu “caçando” as coisas pela cozinha.
GG: Obrigado Sara... – ele quebrou o silêncio após algum tempo.
SS: Obrigada pelo quê? – ela perguntou com cara de confusão.
GG: Por me trazer para a tua casa e cuidar de mim.
SS: Qualquer um que gostasse de você faria o mesmo.
GG: Não com tanto amor. Assim como você o faz.
Sara corou de leve. Ele adorava a ver corar.
SS: O macarrão está pronto! – ela exclamou.
Colocou a panela em cima da mesa e serviu Grissom.
GG: Obrigado Sara! – ele agradeceu de coração.
SS: Por nada! – ela sorriu e se serviu em seguida.
Durante o almoço eles quase nada falaram. Só se olhavam de vez em quando. Quando achavam que o outro não estava olhando.
SS: Você quer tomar alguma coisa? – ela perguntou assim que o almoço acabou.
GG: O que você tem? – ele perguntou.
SS: Tenho suco, água e refrigerante. Mas acho que você não pode tomar refrigerante então você tem que escolher entre a água e o suco.
GG: Suco...
Sara trouxe o suco e ele tomou.
E assim o dia foi passando... O sol foi embora dando lugar a lua.
SS: Vamos dormir Dr. Grissom?
GG: Acho que já está na hora, não é? – ele perguntou sorrindo.
SS: Sim! Já está.
Sara ajudou ele a se deitar e o cobriu enquanto Grissom olhava insistentemente para ela.
SS: Pronto Griss! – ela sorriu. – Se precisar de alguma coisa não hesite em me chamar, está bem?
GG: Te chamo sim! – ele disse.
SS: Boa noite... – Sara disse e fez algo que ele não esperava.
Beijou-lhe a face e saiu do quarto.
“Como ela é cuidadosa comigo. Ela está fazendo o qualquer um que diga ser meu amigo não faria. Não tão perfeitamente. Eu lhe dando consecutivos, dolorosos e incansáveis ‘nãos’ e ela cuidando de mim como se eu fosse à única pessoa no mundo que importasse para ela.” – ele pensava deitado na cama dela.
A cama tinha o cheiro dela. Não era cheiro de perfume. Era um cheiro doce, o cheiro que exalava da pele limpa dela. O cheiro que tirava os pés dele do chão sempre que sentia.
Aquela noite foi perfeita. Ele dormiu como se Sara estivesse ali ao seu lado... Em sua mente estava.
Sara cuidando de Grissom. Dando comida. Pondo ele para dormir... Assim passaram-se duas semanas.
Grissom não sabia onde Sara dormia. Só sabia que ela ia para a sala assim que o punha na cama. Mas uma noite ele resolveu levantar e vê-la dormir.
Já eram três horas da madrugada e ele levantou-se. Com passos mais fortes e firmes ele rumou para a sala.
Sara não estava deitada no sofá. Nem poderia devido ao fato dele ser pequeno demais para ela.
Ela estava deitada no tapete da sala com a coberta até a cintura.
Ele teve dó dela. Se privando de dormir em sua cama confortável somente para cuidar dele.
Ele foi até ela e passou a mão em seu rosto.
Ele já estava mais forte e pegou-a em seus braços. Ela nem sequer acordou, pois estava muito cansada devido à limpeza que havia feito na casa um dia antes.
Em seus braços ele a levou para a cama. Deitou-a do lado esquerdo e a cobriu.
Sara dormia feito um anjo enquanto Grissom a observava... Ficou olhando-a até se cansar e então adormeceu ao lado de sua protetora... Ao lado de seu amor... Ao lado de seu anjo.
Sara acordou de manhã e acho estranho estar no quarto. Nem sabia como havia ido parar ali.
Olhou para o lado e viu Grissom ao seu lado. Assustou-se...
Então devagar e sem fazer barulhos ela tentou sair da cama sem acordá-lo. Mas...
Assim que estava saindo ele a puxou pela cintura...
SS: Grissom! – ela exclamou virando-se e ficando de frente para ele.
GG: Sara! – ele disse.
SS: Grissom! Eu... Eu... Me desculpe, eu... Eu não devia estar aqui... Eu nem sei como vim... Como vim parar aqui... Eu... – ela gaguejou enquanto Grissom ainda a segurava pela cintura.
Ela tentava se soltar, mas ele não a deixava ir. Ele nunca mais a deixaria ir...
GG: Sara... Fui eu quem te trouxe! – ele disse.
SS: Mas por quê? – ela perguntou.
GG: Por quê? Porque você é um anjo em forma de mulher. Porque você cuida de mim mesmo eu sendo tão grosso com você, às vezes. Porque você dorme no chão para me deixar dormir em sua cama. Porque você levanta cedo só pra me trazer o café na cama. Porque você faz tudo que eu te peço. Porque você me ama e eu só digo não para esse amor. Porque você sempre tenta de novo. Porque você é a mulher mais linda. Porque você é a mulher mais inteligente. Porque você é a mulher mais corajosa. Porque você é a mulher mais sensível e ao mesmo tempo a mais durona e forte. Por quê?
Ela olhou-o com seus olhos marejados de lágrimas. Lágrimas de felicidade.
GG: Por quê? – ele repetiu a pergunta. – Porque eu te amo Sara Sidle.
Essa era a deixa. Ela beijou-o nos lábios com sede. Uma sede de muitos anos... Como se você comesse doce quando era criança e só fosse comer novamente após alguns anos...
O beijo passou de casto para quente em questão de segundos. Quando viram já estavam se amando debaixo dos lençóis. Grissom ainda estava fraco, mas não tanto para fazer amor com ela...
Depois de se declarar para Sara, Grissom se recuperou mais rapidamente. Em num tempo de mais ou menos dois meses ele já havia voltado a trabalhar. Mais feliz pois sabia que teria um anjo que o amaria para o resto da vida. Um anjo com nome e sobrenome: Sara Sidle.
Todos já estavam esperando Grissom no laboratório, para que ele distribuísse os casos. Conversavam animadamente sobre os acontecimentos recentes de suas vidas. Os únicos que não conversavam sobre suas vidas eram Sara, CSI nível 3, e Grissom, supervisor chefe do turno da noite do laboratório de Criminalística de Las Vegas. O motivo pelo qual eles não falavam de suas vidas não era por não ter uma. Era só por brincadeira e discrição. Pois depois daquele acidente eles haviam mudado. E muito... Eles só não falavam porque era segredo.
FIM
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