Victorian Love
1 The change
Notas iniciais
Eram os anos 1880. Havia um clima de verão no interior da Inglaterra. Uma carruagem vagava em direção a uma mansão muito grande e decorada em Farnham. Dentro dela dois jovens sentavam no banco de trás: o jovem Sherlock Holmes, com seus 14 anos e seu irmão mais velho Mycroft.
Ambos haviam sofrido a perda de seus pais e tiveram de se mudar para a casa dos tios Anna e Sherrinford Holmes. Nenhum dos dois estava feliz com a ideia. Pelo menos Mycroft iria se livrar daquela situação pois arranjara um emprego no governo britânico, então só "entregaria" o irmão e logo retornaria a Londres.
– Até você vai me abandonar... — suspirou Sherlock contra o vidro da carruagem.
– É para o melhor caro irmão. Um dia você vai entender.
– Não tente bancar o esperto, Mycroft.
– Eu sou o esperto, Sherlock.
Logo a carruagem parou em frente a mansão Holmes. Os jovens foram recebidos pela Sra. Eglantine. Uma senhora não muito amigável, por assim dizer.
– Vocês devem ser os sobrinhos — falou a mulher encarando os irmãos dos pés a cabeça.
– Eu sou Mycroft e este é o Sherlock. Diga ao tio Sherrinford que agradeço a hospitalidade e que volto em breve para visitá-los — virou-se para Sherlock — cuide-se irmãozinho, logo as coisas vão melhorar, eu prometo.
– Melhorar... — riu-se Sherlock — só se for pra você que está se livrando desse lugar.
– Antes de ir eu tenho uma surpresa pra você — o mais velho olhou para Sra. Eglantine que logo entendeu o recado e entrou na mansão por alguns minutos retornando com um filhote de cachorro em mãos.
Mycroft pegou-o e o entregou a Sherlock que logo abriu um sorriso.
– Você não vai estar sozinho, Lockie — disse Mycroft dando-lhe adeus e indo em direção a carruagem.
Sherlock ergueu o filhote na altura dos olhos e lhe falou:
– Seu nome vai ser Barba Ruiva e vamos ser melhores amigos.
"É... talvez morar aqui não vai ser tão ruim afinal" pensou o menino indo em direção ao quarto com seu novo amiguinho.
Algumas horas depois todos foram chamados para o almoço e Sherlock pode finalmente conhecer seus tios, com os quais iria conviver a partir dali.
Tia Anna era bonita e bem tranquila, mas parecia estar em um monólogo interminável consigo mesma, já que não parava de falar por um instante e não deixava ninguém se pronunciar. Por outro lado, tio Sherrinford era um homem carrancudo e com o típico ar de superioridade Holmes, quase não falava e acabou só se manifestando ao final do almoço quando disse a Sherlock:
– Sherlock, sabe cavalgar?
– Sim, tio.
– Tem um cavalo recém-domado no estábulo se quiser pode andar nele.
– Eu adoraria — se animou o menino.
– Então pode ir.
– Obrigado — saiu correndo em direção aos fundos da mansão com o pequeno Barba Ruiva aos seus pés. Pelo menos seu dia estava melhorando.
Encontrou um homem limpando um belo cavalo negro. Ele nem havia notado a presença do menino ali até que ele tossiu se fazendo perceber.
– Você é o jovem Holmes?
– Sim, senhor.
– Seu tio disse para preparar o Barba Negra pra você, estou quase acabando.
O homem colocou as rédeas e a sela no cavalo e ajudou Sherlock a montar.
– Pode levar o Barba Ruiva para dentro, por favor?
– Claro, meu jovem.
Sherlock saiu do estábulo e foi em direção aos fundos do território Holmes. Era um campo aberto muito grande. Cavalgou por cerca de meia hora quando chegou ao que parecia uma pequena lagoa envolta por um grupo de árvores.
Um lugar lindo de se ver. Haviam muitas flores diferentes e árvores altas nas quais podia escalar. Naquele momento Sherlock percebeu que aquele seria o seu pequeno refúgio.
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