Vicious Game
1 Capítulo Único - Lições
Notas iniciais
Não criem muitas expectativas sobre a fic, se vocês gostarem se surpreenderão, e se não gostarem, não. Simples, certo? kkkk
Boa leitura :)
– Mandou chamar-me senhor?
O homem não pareceu ouvi-la e continuou fitando as chamas da lareira agora constantemente acesa graças à rigorosa nevada no Vale. Sansa adentrou a pequena sala íntima onde Lorde Baelish ministrava suas reuniões mais particulares. No local havia apenas duas cadeiras de encosto alto e ricamente elaboradas com diversas insígnias dos Arryn desenhadas, além de uma pequena mesa de canto, com taças e um odre de vinho. A garota estava incerta sobre como deveria agir, ou o chamando ou saindo. Um breve momento de indecisão foi o suficiente para que Sansa se ocupasse com a imagem de Mindinho. Aquela era uma das raras ocasiões em que ela podia observá-lo sem sentir-se intimidada por seu olhar ou seus usuais sorrisos. Era um momento em que ela julgava estar vendo o verdadeiro Lorde Baelish, sem a máscara que habitava seu rosto todos os dias.
Ela o viu, seu benfeitor, como tudo aquilo diferente do que um dia sonhara. Mas fora ele quem a salvara. O homem não era alto, vigoroso e forte, não era um hábil cavalheiro, como os que protagonizavam as canções de outrora em sua vida. Ainda assim era belo, e gentil com ela, seu protetor. Seu Florian.
Ainda perdida em seus pensamentos, ela viu o homem sorrindo levemente, e virando o rosto em sua direção, e compreendeu que ele sabia de sua presença desde o princípio. Corou levemente pela constatação. Petyr lançou-lhe mais um de seus olhares penetrantes, fitando-a intensamente com os lábios semiabertos. Com um pequeno sorriso de canto, ele pediu que Sansa se aproximasse.
– Comportou-se bem hoje com Robert – ela postou-se ao lado da cadeira de Mindinho. — É uma pena que o tempo de prazer que ele está tendo com sua presença seja tão curto. – Petyr deu um de seus clássicos sorrisos.
– O senhor tem algo em mente? – Sansa sabia das expectativas do homem quanto ao falecimento do pequeno senhor, mas aquilo poderia significar também outra coisa.
– Estive conversando com Lady Waynwood. Ela encantou-se com sua beleza. Mas quem não se encantaria? – Sansa manteve os olhos baixos, fugindo do olhar opressor de Petyr. –Fez-me uma oferta, ao que propus algo ainda mais tentador. Ela pediu-me que minha linda e adorável filha se tornasse uma de suas damas de companhia, de modo a estreitar mais os laços de nossas famílias. Claro que esta tarefa estaria acima de seu nascimento de bastarda, mas sua polidez torceu-a um pouco.
Sansa não sabia o que pensar. Aquilo significaria que deixaria o Ninho de Águia, e ela não queria isso. Estava se acostumando ao local, às pessoas. A neve lembrava-a de casa, e Mya Stone não era má companhia apesar de não ser dama alguma. Ela deixaria Petyr, e ele era a única pessoa em quem ela confiava, o único que se importara com ela em Porto Real e a salvara. Não queria ter de deixá-lo, não agora que sentia-se protegida em sua presença.
– Aceitou a proposta, meu senhor? – Sansa olhou-o brevemente, vendo o divertimento contendo-se em seus olhos e com medo da resposta.
– A Senhora Waynwood pode ser bastante ambiciosa. Por que aceitaria uma bastarda como dama de companhia se pode ter algo muito mais próximo diretamente do Senhor do Vale?
Sansa ergueu o olhar e viu o sorriso que há muito queria transparecer exposto no rosto do homem. Sua feição transbordava inteligência e orgulho, e, naquele momento, um pouco de malícia.
– Lorde Robert é um nobre senhor, de forte procedência, mas é adoentado. – Petyr continuou — Não tem as forças para defender-se se isso for necessário, e nenhum de seus cavaleiros parece ser forte o bastante para ele. Mas há um jovem sobre seus serviços que o encanta magicamente.
– Harry. – disse Sansa começando a compreender os planos de Mindinho. Podia imaginá-lo dizendo aquelas mesmas palavras à Senhora Waynwood. O homem franziu levemente os lábios à menção do nome do jovem.
– Harrold. Sim. Propus-lhe que o Jovem Falcão, o ouro dos senhores do Vale, fizesse do Ninho seu lar, tornando-se o chefe da guarda pessoal de Robert. Essa é uma alta honraria, ainda que espero que não seja duradoura.
– Harry virá morar aqui? – a jovem deixou-se sorrir levemente. A fama era de que o cavaleiro era bravo, galante e muito belo. Seria ele seu futuro esposo, caso os planos de Mindinho se concretizassem. Conhecê-lo significaria muito para ela, poderia mudar o curso de sua vida e família. Quem sabe até da guerra de Westeros.
– Sim. O jovem herdeiro virá para cá assim que retornar de sua viagem. – Sansa sorriu pela confirmação mas nada disse a Petyr, já ocupando-se em imaginar como seria Harrold e se ele se apaixonaria por ela.
– Veja bem Alayne, trago-lhe seu futuro esposo e talvez Winterfell e o Vale com ele, não mereço um beijo de agradecimento?
Sansa abaixou-se para depositar um suave beijo nos lábios de Mindinho, que estava sentado e apenas a olhava. A garota, pela primeira vez, não se sentiu estranha ao beijá-lo, seus pensamentos estavam distantes, e ao fazer isso imaginou que fosse Harry, do jeito que ela sonhara com os cavaleiros. Seu beijo foi cândido e quente, de encontro aos lábios exploradores de Harrold. Abriu os olhos e viu Petyr com o olhar sério. O homem mandou, sem cerimônias que se sentasse na cadeira oposta à sua.
– Diga-me Alayne, o que sabe sobre as artes do prazer?
– Meu senhor? – Sansa gaguejou, e Petyr divertiu-se com seu nervosismo e pureza. Já sabia da resposta.
– Sua missão quando Harrold chegar será seduzi-lo, e para um jovem como ele apenas sua beleza não bastará. – disse Mindinho implantando a insegurança em Sansa. – Além disso, jovens cavaleiros tendem a tomar bastardas por jovens moças de comportamento errático. Harry não esperará menos de você.
Petyr pode ver o medo instalar-se em Sansa, provavelmente lembrando-se de que Harry, apesar de sua pouca idade, já tinha um filho bastardo e que era um conquistador. Ao mesmo tempo, sabia que seu futuro dependeria de seduzir o jovem.
– Terá de entretê-lo enquanto estiver aqui, fazendo-o ansiar por mais, até que ele esteja trancafiado em seus encantos. Terá de fazê-lo memorizar cada curva de seu corpo, mas também o fará se esquecer com um beijo, para que ele sempre queira se lembrar. Terá de satisfazê-lo com nenhuma outra é capaz, para que ele não vá buscá-las quando você não estiver presente. Terá de fazê-lo se apaixonar, Sansa. – ele a olhou com significação, dizendo seu verdadeiro nome, e ela estava corada pelo que ele havia dito, as bochechas adquirindo a cor de seus cabelos naturais, a cor dos cabelos de Cat.
A jovem que tanto lhe lembrava da paixão de seus anos verdes aproximou-se e ajoelhou-se aos seus pés, com os olhos cheios de medo e angústia.
– Diga-me o que devo fazer meu senhor, eu lhe imploro! Harry pode ser a única chance de recuperar minha antiga vida!
Mindinho irritou-se com a sugestão de que Harry a salvaria, não ele. Era ele, Lorde Baelish, quem a faria a Senhora do Norte e do Vale. Harrold seria apenas mais uma peça do jogo. Mas ele gostara da submissão de Sansa, do controle que sabia que detinha sobre ela naquele momento. Cat nunca fora manipulável daquele modo, e ele lutava para que Sansa assim deixasse de ser, à exceção dele. Sansa saberia jogar, saberia manipular a todos, a todas as peças, mas não a ele. Ela seria sempre sua peça secreta, seu íntimo triunfo. A projeção e filha de Catelyn e de um de seus maiores desafetos.
– Eu a ensinarei, Sansa, sobre as artes do amor. E você fará isso tão bem quanto ninguém. – ele sorriu com pensamentos lascivos invadindo-lhe a mente. Sabia que Sansa estava entregue, havia voltado a ser a tola menina de Porto Real. — O que sabe sobre a união física de um homem e uma jovem?
– Apenas o que as empregadas dizem nas cozinhas e um pouco graças a meu casamento com o Duende. – ela, ainda ajoelhada.
– O anão não consumou o casamento, se me lembro bem – Petyr fora tomado por súbita raiva. Apesar de todas as circunstâncias, nunca havia pensado quão próximo esteve o anão de deflorá-la.
– Sim senhor. Mas eu sei o que acontece aos homens quando... – ela tornou-se rubra num adorável rompante. Mindinho deliciou-se com a imagem inocente da garota constrastante com o teor da conversa. E mais ainda de seus pensamentos.
– Então diga-me, Alayne, o que faria se estivesse na mesma situação com o jovem e belo Harry, ao invés do torto anão?
A jovem não conseguiu olhá-lo, e não sabia quais palavras diria porque também não sabia como deveria agir. Petyr levantou seu rosto tocando-a suavemente no queixo, e levou a boca da jovem até a sua. Tocou-lhe suavemente os lábios, com toda a candura possível para não assustá-la. Sansa, ajoelhada aos seus pés, segurava o tecido do vestido nervosamente, e Mindinho pôde sentir a tensão da garota. Tocou-a mais suavemente com as duas mãos circundando seu rosto e ergueu-a ao mesmo tempo que ficava em pé, nunca descolando seus lábios. A imagem de Cat veio-lhe à mente, e foi como se os seus pensamentos da juventude se concretizassem. Finalmente ele a teria.
Mas Sansa não era Cat. Era mais delicada, infinitamente mais sensível, e, talvez, mais bela. Sentiu-a flexibilizar os lábios, permitindo que ele avançasse mais um passo. Pôs as mãos em torno da cintura fina da jovem, e as mãos dela postaram-se naturalmente nos braços de Petyr, próximo aos ombros do homem. Petyr inebriava-se com seu cheiro, e em rompantes a imagem de Cat vinha-lhe à cabeça, e todas as vezes que sonhara ter a mulher em seus braços. Separou o rosto do de Sansa e viu os olhos de Cat, mas sobre suas mãos sentiu as curvas da cintura e do rosto da filha de sua amada.
Separou o rosto da jovem, mas manteve a proximidade de seus corpos. Sansa estava adoravelmente corada e ofegante, o claro da pele e dos olhos contrastava com a escuridão de seus cabelos castanhos, ao mesmo tempo em que a delicadeza dos toques de Petyr embaralhavam-se com a escuridão de seus desejos e pensamentos. Petyr não achava as palavras que deveria dizer para continuar a manter a garota sobre seu poder, mas ela também não parecia achar o caminho para sair daquele controle.
Petyr passou a mão nas costas de Sansa e alcançou os cordões de seu vestido. Desfez os nós mantendo o olhar fixo nas lagoas azuis que eram o olhos de...
Sansa. Aquela era Sansa, não Cat.
Cat nunca fora sua. Nunca seria.
Estava morta.
Mindinho colou os lábios aos de Sansa novamente, lutando para que as repentinas lágrimas que surgiram não caíssem. Sansa resistiu levemente, afastando-se do homem, mas ele recuperou brevemente a distância, segurando-a firmemente e com gentileza, e com outro de seus sorrisos abaixou as mangas do vestido de Sansa. A garota primeiramente teve o ímpeto de cobrir-se, mas Petyr segurou suavemente suas mãos colou seu rosto ao dela e beijou seu pescoço espaçadamente, ao que jovem deixou os braços caírem ao lado do corpo vagarosamente. Petyr acelerou o beijo, e manteve somente sua boca colada à de Sansa enquanto desabotoava o próprio gibão, deixando a camisa de algodão exposta.
Sansa correspondia a seus beijos com mais urgência agora, e suas mãos circundaram o pescoço do homem. Ele pode ver que não mais era um desconforto para ela beijá-lo e muito menos seus toques, quando a tocou no seio suavemente e parou para admirar sua reação. A jovem apenas intensificou o abraço e começou a passar as mãos nos cabelos curtos de Petyr. Ele sorriu, e não apenas de desejo e malícia, mas de um genuíno êxtase por ver que ela também o desejava.
Ele inclinou levemente seu corpo sobre a jovem, apoiando-a na parede e colando seu corpo ao dela. Ele podia sentir o prazer do momento estendendo-se por todo seu corpo, e Sansa não reagia diferente. A garota gemeu timidamente ao toque dos lábios de Petyr em seus seios, e com as costas arqueadas puxava os cabelos de Petyr ainda com alguma delicadeza e timidez. Ao ouvir o gemido de Sansa, Petyr ergueu-se, olhou-a nos olhos e ali viu somente ela. Encarou-a brevemente e viu que a tinha entregue.
Ela sorriu-lhe com timidez, mais por ter descoberto sentimentos e desejos de uma mulher do que por estar seminua frente àquele homem. Os olhos verde-cinzentos dele a encaravam, e ela sentiu que ele a desejava, e, mais ainda, que não o queria fora dali. Os toques de Petyr e o cuidado com o que ele os fazia foram mais gentis do que o modo com todos os outros a haviam tocado. Sandor, Joffrey e Marillion, todos haviam sido rudes. Mas não seu benfeitor, seu protetor. Seu Florian. Petyr beijava-lhe os ombros e as mãos insistentes buscavam os caminhos por suas saias, mas sem urgência ou rudeza, apenas os mais cálidos toques. Ele levou uma das pernas de Sansa à altura de seu quadril, e entrelaçou-a em si próprio.
Quando Petyr alcançou sua intimidade, foi como uma explosão. Ela cravou as unhas nos ombros do homem enquanto ele a tocava, provocando-lhe a sensação mais intensa que já havia sentido. O homem sorria e seus lábios formavam aquele pequeno biquinho que surgia quando ele pensava sobre algo que ninguém nunca saberia o que era. Sansa desejou saber. Sansa o desejou. Petyr estava com uma das mãos apoiadas ao lado da cabeça de Sansa, e ela sustentava-se nele. Literalmente e figurativamente. Quando ela sentia-se pronta para gritar de prazer, e agora ela sabia o que aquilo era, escutaram uma batida na porta.
Os dois pararam repentinamente, mantendo-se na mesma posição. Ofegantes e suados, escutaram a voz de Lothor Brune, urgente, pedindo a presença de Petyr no salão onde os convidados estavam, aparentemente alguns deles discutiam a legitimidade do poderio de Mindinho. Petyr entendeu que deveria se ausentar. Olhou Sansa e beijou-a, sendo facilmente retribuído.
– Devo-me ir, Alayne. – Mindinho representou.
– Sim senhor. – ela recolhera-se novamente à sua posição de filha bastarda enquanto subia o vestido com a ajuda de Petyr.
– Um último beijo, doce filha? — o sorriso dissimulado de Petyr voltara, e Sansa viu que sua máscara também.
– Como quiser. – ela o beijou enquanto ele abotoava o gibão.
– De todos os modos.
Ele virou-se e foi até a porta, deixando-a parada próxima à lareira, com o fogo brilhando em seus cabelos e seu corpo. E na mente de Petyr.
Notas finais
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