Vicious
2 Alias
Notas iniciais

Já era noite e Ladybug estava parada no telhado de um depósito no distrito industrial de Paris, checando as informações no seu comunicador disfarçado de ioiô. Chat Noir estava logo ao lado dela, usando a visão de calor dos seus óculos especiais, para detectar o número de pessoas que estavam dentro do prédio à frente deles.
— Confesso que estou gostando disso! – disse o loiro.
— No serviço secreto da Inglaterra vocês não tinham esse tipo de missão? – questionou com um sorriso irônico.
— A gente tinha, tanto que meu treinamento físico veio disso, ok? Mas não era tão legal quanto o daqui, com trajes e tudo. – olhou para a parceira – Nós também nunca usávamos codinomes. Por que escolheu Ladybug? – ela deu de ombros.
— Os codinomes são para a nossa segurança. E sobre o meu, era um apelido bobo de infância. E você? Por que Chat Noir? – fechou o ioiô e fitou Adrien.
— Bem, me falaram que minha parceira seria a Ladybug. Achei que tivéssemos que escolher nomes de animais. – Marinette riu baixinho. – São cinco pessoas carregando as caixas para dentro do caminhão. Tem uma sexta parada na porta, deve ser a Kagami.
— Segundo os arquivos, ela atende por Riposte agora.
— Vilões também têm codinomes?
— Akumatizados não são vilões, lembre-se disso. – encarou o parceiro com seriedade – Hawk Moth usa pessoas inocentes para cometerem crimes em seu nome. Depois disso elas não se lembram de mais nada. É o crime perfeito. – Adrien desviou o olhar, irritado. Hawk Moth era um monstro, seus outros crimes não eram nada comparados ao uso constante de pessoas inocentes para fazer o seu serviço sujo.
— O que tem nas caixas? – Marinette verificou o banco de dados novamente.
— Armas. Precisamos impedir que o caminhão saia daqui, para chamarmos o reforço. – o loiro assentiu – Enquanto isso, também precisamos resgatar Kagami.
— E como exatamente vamos resgatar ela?
— Precisamos injetar um sonífero nela. – a Dupain-Cheng retirou um pequeno aparelho de dentro de um dos bolsinhos do seu traje – Não sabemos quando exatamente o efeito do akuma vai passar, então temos que deixa-la desacordada até o reforço chegar. Eles conseguirão tirar ela daqui em segurança. – entregou o aparelho para o parceiro, que colocou no próprio bolso. – Um de nós vai ter que conseguir.
— Tudo pronto, então?
— Sim. Vamos lá. Entre no meu sinal. – assentiram um para o outro e foram para lados opostos, de acordo com o plano. Marinette ainda não confiava completamente em Adrien, no entanto, sabia que Bridgette não teria o admitido se não fosse um bom candidato para o cargo. – Tikki, spots on! – disse a frase para ligar a sua kwami, uma inteligência artificial pessoal, que cada agente possuía para auxiliá-los nas missões.
— Tikki online! Olá, Ladybug. Como posso ajuda-la? – a kwami respondeu em seu comunicador.
— Pode me dizer as informações sobre os vidros?
— Os velhos depósitos do distrito industrial de Paris foram construídos há muitos anos atrás. Os vidros não são temperados, uma pancada deve bastar para quebrá-lo. Mas cuidado para não se cortar.
— Entendi, obrigada. – Ladybug se preparou e chutou com força o vidro do telhado, quebrando-o de vez. Suas botas reforçadas, impediram que ela se cortasse ao fazer isso. Em seguida, ela pulou para dentro do depósito, caindo com os joelhos flexionados em cima do caminhão.
— Peguem ela agora! – um dos homens gritou. Todos eles pararam o que estavam fazendo e partiram para cima de Ladybug, incluindo Kagami. Porém, antes que esta última pensasse em retirar sua espada da bainha, as portas do depósito se abrem em um estrondo e a derrubam para frente com o impacto.
— Sua luta é comigo, Riposte. – Chat Noir surgiu com um sorriso de lado. A garota esbravejou e avançou na direção dele, que parou o golpe da espada dela com o seu bastão. O loiro forçou o objeto para frente, fazendo Riposte recuar. Ele então avançou, trocando golpes com ela e usando seu bastão como espada.
Segundo os registros, Kagami era uma excelente esgrimista. O que ela não contava, é que o herói também era. Então não seria uma luta fácil para ambos os lados, porém era no mínimo equilibrada.
Enquanto isso Ladybug mantinha os cinco homens ocupados com ela, desviando de golpes e girando seu ioiô, formando um escudo em sua frente.
A heroína esperou um dos homens se aproximar mais e parou de girar o ioiô de repente, em seguida acertou o objeto na cabeça dele, o deixando caído no chão. Ela colocou o ioiô na cintura e se atirou em contra o corpo de outro, os dois caíram sobre algumas tábuas velhas e Ladybug então desferiu dois socos nele, o deixando desacordado.
— Você não vai ganhar de nós! – outros dois homens seguraram cada um dos seus braços, a puxando dali. Marinette pisou com toda força no pé de um deles, forçando ele a soltá-la e socou o rosto do outro com o braço livre. Logo, ela acertou uma cotovelada do homem segurava o pé machucado e depois deu uma joelhada no que havia levado o soco.
— Não estou vendo um “nós”. Ao que parece só tem você. – disse ela retirando o ioiô da cintura e andando na direção do último que tinha sobrado de pé.
— Riposte! – ele chamou, recuando devagar. Os dois olharam na direção de Riposte, que lutava de igual para igual com Chat Noir. Marinette se impressionou com a habilidade do parceiro, pois normalmente os akumatizados tinham suas melhores habilidades potencializadas, então se Kagami era uma boa esgrimista, como Riposte ela era ainda melhor. E mesmo assim Adrien estava conseguindo manter ela ocupada.
— Não há ninguém para salvar você. – ironizou. Porém, quando fez menção de avançar, um dos homens que estava no chão, segurou a perna de Ladybug, a impedindo de ir. O outro homem que tinha sobrado aproveitou para fugir. – Droga! – a heroína acertou mais um soco no criminoso que segurava a sua perna e saiu correndo atrás do último. – Tikki, qual a possível rota que ele pode... – antes de sair do depósito, ouviu seu parceiro cair.
— Você é bom, mas eu sou a melhor! – Riposte ergueu a espada e Marinette notou que o bastão de Chat Noir estava caído, longe o suficiente para que ele não conseguisse alcançar de onde estava. Então quando Riposte pensou em baixar a espada para golpear o herói, Ladybug lançou o seu ioiô, prendendo a espada dela no fio – Mas o que... – Adrien aproveitou que Riposte desviou a atenção para sua parceira e tirou o sonífero do bolso, injetando na perna da akumatizada – O que você... – Kagami o encarou com certo medo e foi cambaleando para trás, até que por fim caiu, dormindo.
— Tikki?
— Sim, Ladybug?
— Acione os reforços.
~—————~
Ladybug e Chat Noir andavam lado a lado no corredor indo até o laboratório de trabalho, que agora eles dividiam. Os dois ainda estavam usando seus trajes, embora estivessem sem as máscaras.
— Qual é o nosso próximo passo? – Adrien questionou assim que entraram na sala.
— Precisamos esperar os exames da Kagami. Juleka e Rose estão fazendo isso agora, mas só vão ficar prontos no mínimo amanhã. – Marinette deixou seu corpo cair em uma das poltronas. Ainda não tinha se perdoado por ter deixando aquele homem fugir. Mas não tinha escolha, era isso ou seu parceiro poderia se ferir. E de qualquer maneira, a prioridade era achar e resgatar Kagami, e isso eles felizmente fizeram.
— O que houve? – o loiro sentou na poltrona do lado. Tinha notado que Marinette parecia distante depois que os reforços chegaram para levar Kagami, prender os criminosos e apreender as armas que eles pretendiam transportar em nome de Hawk Moth.
— Como assim?
— Não sei, você parece estranha. Foi por causa daquele cara que fugiu? – Marinette fitou Adrien, se perguntando se aquela conversa era uma boa ideia. Ela deu um longo suspiro.
— Sim. Quero dizer, eu sei que eventualmente não vamos conseguir prender todo mundo, eu só... Não gosto de não ter a situação sob controle.
— Entendi. É uma característica normal em líderes. – ela riu – Estou falando sério. Acho que você tem uma tendência a liderar. – Marinette parou, pensando na fala dele. – Bem, esse tipo de coisa acontece. – Adrien ficou de pé – O que acha de comer alguma coisa antes de ir pra casa? – a heroína sorriu, se sentindo um pouco melhor.
— Acho ótimo.
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