Viajantes - O Príncipe de Âmbar
17 Capítulo XVI
Notas iniciais
“Dean. Ei, Dean.”
Dean acordou de repente, mas seu cérebro foi mais lento. Precisou de alguns segundos para processar a voz.
Sua cabeça ainda estava ocupada pelas memórias do sonho que acabara de ter. Ele não se lembrava de já ter sonhado com algo tão estranho; era alguma coisa relacionada a uma dragoa rosa vibrante com um colar de lacinho vermelho no pescoço, que voava por aí na companhia de seu melhor amigo, uma bola de gelo muito simpática.
Descobrir tantas coisas novas devia estar fazendo ele delirar. Ou então estar ali havia feito com que ele parasse de sonhar com os Viajantes e voltasse a sonhar coisas normais. Afinal, todo mundo tinha sonhos estranhos de vez em quando.
Mas depois de poucos segundos acordado, sua mente começou a esvaziar-se, e seus pensamentos se tornaram mais claros. Criando coragem, ele abriu os olhos, devagar.
Seus olhos se depararam com Katherine. A garota estava ajoelhada ao lado de sua cama, esperando que ele despertasse.
— Desculpa te acordar tão cedo. — disse ela, com o rosto um pouco sério. Dean estranhou ver essa expressão em sua face, que era sempre tão sorridente o tempo todo. — É que temos um imprevisto.
— O que foi? — perguntou ele, despertando totalmente com a afirmação e sentando-se. — Aconteceu alguma coisa?
Talvez percebendo o leve tom de alarme em sua voz, a garota deu-se conta de algo.
— Ah! — Dean viu os músculos de sua face relaxarem quando a seriedade sumiu de seu rosto. Em poucos instantes um sorriso discreto brincou em seus traços. — Me desculpe, acho que te passei a impressão errada. Não, não aconteceu nada ainda. Desculpe mesmo.
Dean não ficou muito convencido a princípio, mas acabou relaxando.
— Qual é o imprevisto? — perguntou ele.
— Rue e Ellie ainda não estão conseguindo contatar a Imperatriz. Não sabemos o motivo — contou ela. — Nós quatro estamos indo agora para o Norte. Como achávamos que você iria para casa rápido, não pensamos nisso antes, mas você quer ir com a gente? Só até conseguirmos contato. Já que você estava curioso sobre tudo.
— Claro! Eu adoraria — respondeu ele, sem hesitar.
— Legal! — respondeu ela então, sorrindo. — Estaremos lá embaixo, quando você terminar de acordar.
E dizendo isso, levantou-se e saiu da cabana, caminhando novamente em direção às pontes.
Mesmo depois de ela sair, o sono que Dean sentia antes não retornou. Ele tinha acordado para valer.
Pinmur estava deitado perto de sua cama. Aparentemente, ele não tinha acordado com o barulho. Ou então estava espreguiçando um pouco antes de levantar. Dean resolveu não acordá-lo até que fossem descer.
Ele se alongou preguiçosamente antes de levantar. Por ser bem cedo, o sol do lado de fora ainda não estava totalmente desperto, como ele podia perceber pelos singelos raios de luz que atravessavam a copa logo acima e se desenhavam no chão perto de onde dormira. O ar ainda não estava morno como ficaria mais tarde; ao invés disso, estava bem fresco, a um ponto que fazia Dean ponderar se era melhor jogar alguma outra roupa por cima dos ombros ou continuar com a camiseta de manga curta que vestia.
Ele olhou em volta. Na noite anterior estava com muito sono, então não tinha prestado muita atenção ao lugar. Um tronco de árvore passava bem pelo meio da sala, como imaginara vendo de fora. Havia alguns projetos de móveis ligeiramente distintos daqueles com que estava familiarizado, tal como a mesinha de canto em níveis que vira na casa do Pátio. Kath e Ty haviam deixado uma sacola com duas alças perto da porta, que ele imaginou ser para ele colocar coisas que quisesse levar.
Ele não tinha muita coisa ali, mas achou que já ajudaria. Quando levantou a sacola, viu que Ty tinha deixado mais duas mudas de calças e camisas, provavelmente do seu amigo de antes. Ou então de algum outro. Todo mundo ali parecia ser amigo de todo mundo, então as duas opções eram bem possíveis.
Olhando em volta, ele viu sua calça ainda dobrada ao pé da pilha. Ainda estava meio úmida, mas sabia que ia querer usar depois, então acabou colocando na sacola de qualquer forma. Além disso, ela secaria com o tempo, assim como as outras duas.
Também ali perto, descansava a flor de pedra branca. Ele se perguntou se Kath se importaria se ele a levasse. Provavelmente, se ela não quisesse, já a teria guardado com as outras, agora que não era mais útil para enxergar no escuro. Ou talvez fosse, já que eles iriam viajar a pé; quem sabe quanto poderia demorar? De qualquer forma, ele colocou a flor na sacola. Depois perguntaria a Kath.
Em cima de um dos móveis, uma tigela havia sido disposta com duas frutas. Dean pegou uma para comer. Essas eram mais ou menos do tamanho de uma maçã grande, e eram de um doce mais leve que as outras que experimentara. De maneira geral, ele não costumava comer muito de manhã — salvo algumas exceções, como manhãs de sábado ou domingo, ou quando havia alguma prova especialmente longa. Uma única fruta foi mais que o suficiente. Ele ponderou se levava a outra; será que tinha perigo de ela manchar as roupas? Sem saber se era seguro colocá-la na sacola com as outras coisas, mas sem querer deixá-la ali, acabou levando-a na mão, mesmo.
Quando virou-se para finalmente chamar Pinmur, o felino já estava acordado. Sabendo de seu trajeto arriscado, o animal saltou no ar e rapidamente se transformou em um pássaro. Por um momento, Dean sentiu inveja do Protetor; queria poder virar um pássaro e descer direto também. Infelizmente para ele, humanos eram pesados demais para voar.
Na hora de atravessar as pontes, ele não foi nem um pouco mais rápido que na noite anterior. Depois de algumas travessias, ficou com medo de errar o caminho até a árvore da escada — todas as casas eram muito parecidas -, mas acabou conseguindo lembrar do trajeto. Ele não atravessava nenhuma das praças erguidas no processo, o que facilitava, porque se entrasse em uma daquelas rosquinhas de madeira, tinha certeza de que assim que desse os primeiros passos nunca saberia dizer de qual caminho tinha vindo.
Dean acabou achando a escada na primeira tentativa. Ele arriscaria dizer que, de todas as construções que desafiavam a lógica naquela cidade, a escada em espiral era a mais confusa. Ao invés de tábuas trabalhadas como as das outras construções, aqueles degraus pareciam sair direto do tronco da árvore, como se fossem ramificações naturais. A despeito disso, os formatos dos galhos eram achatados em cima e formavam um caminho contínuo, tão fácil de atravessar quanto qualquer construção humana. Os degraus naturais circulavam a grande e larga árvore enquanto desciam em direção ao chão, em uma linha perfeita e uniforme demais para ser uma obra da natureza.
Por que uma árvore criaria degraus para que humanos vivessem em sua copa? Por que uma floresta inteira assumiria cabanas artificiais como parte de seu ambiente, crescendo ao seu redor de forma a sustentar cada construção com cuidado e atenção? Dean não conseguia imaginar árvores fazendo tudo aquilo intencionalmente, mas era algo estranho demais para ser ao acaso. Afinal, até onde ele sabia, se uma árvore achasse um obstáculo em seu caminho e desviasse dele, ela não retornaria à sua posição original depois; apenas continuaria em frente, em direção ao céu.
Mas aquelas não. Aquelas embalavam os “obstáculos” como se fossem parte de sua comunidade. Como aquilo era possível?
Depois de vários minutos, Dean chegou ao chão. Kath e Ty estavam de pé, apoiados na árvore, com suas sacolas já em suas costas. Rue e Ellie estavam empoleiradas em seus Viajantes, esperando para levantar voo também.
— Bom dia — cumprimentou Dean.
— Bom dia! — respondeu Ty. Dean pensou ter visto gestos de resposta de Ellie e Rue também, mas ainda não confiava o suficiente em sua capacidade de interpretação para ter certeza.
— Quanto tempo de viagem vai ser, mais ou menos? — perguntou.
— Normalmente, seria de pouco mais de uma semana — respondeu Kath. — Mas nós vamos pegar uma carona, então chegamos lá em um ou dois dias.
— Carona?
— Sim. Eles devem estar nos esperando lá no Pátio agora mesmo — disse a garota.
Mesmo depois de um dia inteiro, Dean ainda não tinha a menor noção de direção ali no meio da floresta. Então, novamente seguiu os outros dois até a praça de areia próxima ao penhasco.
Curioso, ele percebeu que o trajeto não fora tão longo quanto parecera na noite anterior. Será que as distâncias tinham parecido muito maiores porque ele ainda estava surpreso com tudo? Não que já tivesse se acostumado, é claro, mas essa já não era a primeira nem a segunda vez que ele andava até outro lugar sem ter por onde se orientar. Talvez ele estivesse simplesmente começando a se familiarizar com a sensação de estar ali.
Finalmente chegando ao seu destino, ele viu uma figura familiar.
— Acho que você se lembra de Lyssa, né, Dean? — disse Kath.
De fato, Dean não tinha esquecido da enorme ave que vira ali no dia anterior. Era difícil esquecer algo daquele tamanho, mesmo se não fosse um dos animais mais intrigantes que ele já tivesse visto em toda a sua vida.
Lyssa não estava sozinha. Atrás dela, outra ave parecida se mexia como se alongasse suas asas depois de uma boa noite de sono. Diferente de Lyssa, essa tinha uma coloração mais puxada para um azul escuro, com direito a toda uma vasta gama de diferentes quantidades de branco, preto e cinza.
— Essa é Gavi, amiga de Lyssa. — apresentou Kath, se aproximando e acariciando o pescoço de Gavi. O pássaro se inclinou levemente. Lembrando-se instantaneamente do cumprimento, Dean devolveu o gesto. — Alguns dias atrás nós estávamos passeando e passando um tempo juntos quando vimos você na água. Gavi estava com um machucado na pata, então não pôde ajudar na hora, mas Lyssa ajudou a puxar você para o penhasco e as duas nos trouxeram até o sudeste da ilha o mais rápido possível. As aves gigantes quase sempre têm um limite de tempo de vôo, então elas aproveitaram para descansar enquanto esperavam você se recuperar. — explicou a garota. — Agora que já estão descansadas e você está bem, elas estavam prestes a voltar para seu ninho, mas como você está com a gente, se ofereceram para nos levar por uma parte do trajeto.
— Ah — surpreendeu-se Dean. — Não precisa de tudo isso… eu não quero incomodar ninguém.
— Lyssa diz que não é incômodo nenhum — respondeu Ty. — Ela disse que é sempre um prazer receber visitas e que elas gostam bastante de sua casa, e esperam que você goste também.
— Ela disse?
Dean olhou para Lyssa. De fato, a enorme ave olhava-o como se estivesse se comunicando com os olhos, mas ele não conseguia tirar nem uma única palavra daquele gesto.
— Bom, nesse caso, eu agradeço — disse Dean, olhando de volta para ela e Gavi e inclinando-se um pouco por instinto.
— Bom, podemos partir agora ou esperar o pessoal acordar para o Dean se despedir. O que fazemos? — perguntou Ty.
— Vai demorar muito para eles acordarem? — perguntou Dean.
Ty olhou para o sol nascendo no horizonte.
— Provavelmente, cerca de três ou quatro frações. — respondeu ele.
— Uma hora e meia ou duas. — traduziu Katherine.
Dean torceu um pouco as sobrancelhas. Ele gostaria de se despedir das pessoas que haviam cuidado tão bem dele no pouco tempo que passara ali. Porém, esperar duas horas só para se despedir rapidamente quando Kath estava ansiosa para ver seus amigos no Norte parecia meio egoísta de sua parte. Talvez duas horas fosse pouco em um período de possivelmente um ou dois dias de caminhada, mas ainda assim…
— Ahn… em uma escala de zero a dez, quanta falta de educação seria sair sem se despedir nesse lugar? — perguntou ele, incerto.
Para sua surpresa, Ty se segurou para não rir. Ele não tinha dito nada tão engraçado, tinha?
Ele olhou para Katherine. A garota não estava tão a ponto de dar risada, mas era visível que suas bochechas estavam mais coradas que o normal.
— Para um recém-chegado curioso e educado que nem você, eu diria que zero — respondeu ela, sorrindo simpática e divertidamente.
Dean não estava esperando o elogio. Mesmo ela tendo dito aquilo de modo tão natural, ele sentiu as bochechas esquentarem, o que fez Ty quase não conseguir mais se segurar, o que por sua vez fez com que ele corasse ainda mais.
Mas ele ainda estava hesitante.
Enquanto tentava se decidir, Dean sentiu Pinmur pousar em seu ombro. O pequeno pássaro esfregou-se nele com sua cabeça, como gatos costumavam fazer.
— Dean, você não precisa pensar tanto. Se quiser ficar, nós podemos esperar. Mesmo — disse Kath. — E se não quiser, você sempre pode voltar depois de avisar à sua família que está bem. Uma vez restabelecida a comunicação, você terá passe livre para vir sempre que quiser.
— …Mesmo? — perguntou Dean.
— Sim — respondeu Ty. — Rowan e os meninos amaram você. Pode ter certeza de que será bem vindo a qualquer hora.
Dean não ficou realmente surpreso com essa afirmação, mas sentiu seu coração esquentar um pouco. Ele também tinha gostado muito deles, e sem dúvidas adoraria voltar a qualquer hora.
Tomando uma decisão, ele olhou para Lyssa e Gavi.
— Seria muito incômodo se eu pedisse para esperarmos? — perguntou ele.
Lyssa balançou o pescoço para os lados, em um gesto engraçado. Gavi raspou de leve o chão aos seus pés com uma das garras.
— Elas dizem que não é incômodo nenhum — traduziu Ty.
Dean gostava de saber que poderia voltar ali um dia. Ele sempre via nas histórias que lia personagens que acabavam perdendo uma chance única porque tinham alguma coisa importante para fazer e não poderiam retornar depois. Ele sempre achava aquilo meio injusto, mas nunca levara tão a sério; afinal de contas, ele sempre poderia reler a história quando desse na telha. Ou reassistir ao filme.
Mas mesmo que voltasse depois, Dean tinha ficado ali por dias inteiros. Aquelas pessoas haviam cuidado dele enquanto se recuperava e tratado-o como um membro do grupo em seu primeiro e último dia acordado. Não seria justo com eles simplesmente sair antes do sol nascer sem nem ao menos se despedir.
— Nesse caso, — disse ele. — eu gostaria de esperar aqui.
.
Naquele dia em especial, as pessoas tinham acordado relativamente cedo. Nem uma hora havia se passado antes que os primeiros sinais de vida além deles fossem vistos no pátio.
Naquele exato momento, Kie e os outros meninos abraçavam Dean e agarravam-se às suas pernas, provavelmente dizendo que não iam deixar ele ir e que teria que ficar ali com eles para sempre. Dean ria, meio de nervoso, meio divertindo-se com a situação. Pinmur voava sobre eles em ovais tortos e espiralados, subindo e descendo enquanto cantava alegremente.
Kath e Ty estavam sentados ao pé de uma das árvores na borda da clareira. Eles observavam tudo com divertimento. Ellie estava logo atrás deles, e mesmo não estando lá, Kath sabia que Rue estava conversando com Gavi e Lyssa mais para dentro da floresta, enquanto Gavi se alimentava de algumas frutas saborosas que cresciam ali do lado. Não que ela estivesse vendo aquilo, mas sabia mesmo assim.
— Deaniel é um garoto muito doce, não é? — comentou Kath, sorrindo.
— Eu diria que ele é mais engraçado — brincou Ty. — Mas, sim, ele é bem gentil.
Silêncio. Depois de alguns instantes, o sorriso de Katherine vacilou um pouco.
— O que será que está acontecendo? — perguntou ela, em parte para ela mesma, em parte para Ty. — Primeiro ele surgiu nas Correntes Geladas, e depois ficou dias inconsciente. A Imperatriz não costuma errar…
— Isso não é mesmo típico dela — comentou Ty, também deixando seu sorriso esvanecer-se um pouco em meio aos pensamentos. — Mesmo que errasse as coordenadas um pouco, ela nunca teria sido tão descuidada com o processo da travessia. Ainda mais com um novato.
Ty esperou que Kath acrescentasse algo, mas nenhuma outra palavra saiu da boca da garota. Ela estava preocupada.
Se inclinando um pouco em sua direção, ele colocou sua mão sobre a dela.
— Provavelmente é só alguma coisa muito importante acontecendo. — disse ele. — Alguma guerra que entrará para a história e mudará um mundo. Ou algum outro tipo de acontecimento. Ela entrará em contato em breve. Você sabe disso.
— Eu sei. — respondeu Kath.
A verdade era que, sinceramente, nenhum dos dois tinha certeza sobre isso. Uma outra possibilidade pairava em suas mentes, como uma nuvem escura e sorrateira ameaçando se aproximar para causar estrago. Katherine podia ser boa em esconder sentimentos, mas não de Ty; ele a conhecia bem demais para isso.
Mas não ajudaria em nada pensar sobre aquilo naquele momento. Ty podia não estar sempre com a irmã, mas agora que estava, queria ajudá-la como fosse possível. E isso incluía afastar esses pensamentos de sua mente pelo máximo de tempo que conseguisse.
Apesar de seus próprios receios e de saber muito bem o que o irmão estava fazendo, o tom simples e objetivo na afirmação de Ty fez com que Kath se tranquilizasse um pouco.
— ...Só espero que não demore muito. — completou ela, por fim.
Ela não explicou o que queria dizer, mas Ty não precisava que o dissesse. O olhar que ela enviou na direção de Dean era claro o bastante.
— Sabe, — comentou Ty, em um tom de brincadeira. — por um momento, me pareceu que você acha que não vai ser capaz de devolvê-lo inteiro. Por acaso acabou descobrindo alguma nova espécie de flor que gosta de atacar rapazes com excesso de açúcar em seu último passeio aqui? Ou foi Lyssa quem te contou sobre isso quando eu não estava perto?
Kath riu.
— Eu só estava pensando na família dele. — esclareceu ela. — Devem estar sendo dias muito complicados. Espero que consigamos contato logo.
— Para um garoto cristalino como ele ainda estar intacto, tenho certeza de que seus parentes são bem fortes. — afirmou Ty, ainda com divertimento. — Eles vão segurar. Algo assim nunca é fácil, mas eles vão segurar.
Kath riu novamente. Apenas de leve, mas riu.
— Cristalino… Ele realmente é um, não é? — disse ela. — Bom, acho que você tem um ponto.
— É claro que tenho. Eu sou o seu irmão. Alguém tinha que acertar pontos de vez em quando... — provocou ele.
— Ei! Assim você me ofende — respondeu Kath, dando-lhe uma cotovelada. — Por acaso você está pedindo por uma recontagem?
— Ah, deixa para lá. Vamos só fingir que isso nunca aconteceu. — respondeu ele, sorrindo torto, como quem se rende.
Kath riu outra vez. Depois de se acalmar, expirou profundamente, pensativa.
— Ty, você acha que fiz o certo chamando ele para vir conosco? — perguntou ela.
— Eu acho que sim. — respondeu ele. — Assim pelo menos podemos ficar de olho nele. Caso alguma coisa aconteça.
— ...Sim. — concordou Kath.
Eles não continuaram a conversa, mas não era necessário. Ty viu os ombros da irmã descerem ligeiramente quando ela relaxou.
Finalmente, depois de cerca de meia hora, Dean se afastou das pessoas e andou na direção deles.
Kath e Ty se levantaram, jogando as sacolas sobre os ombros.
— Bom, — disse ela. — Vamos indo?
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