Notas iniciais
Heeey! Então... aparentemente, eu vou continuar com essa versão mesmo! Pelo menos por enquanto! o/ Como faz MUUUITO tempo que não atualizo a minha história, eu ainda não tive a oportunidade de falar isso, então vou falar agora: MUITO OBRIGADA, Igor Oliveira! Ele começou a ler a minha história há exatamente 22 dias, e desde então ele já comentou em todos os capítulos e ainda me mandou a MELHOR recomendação que eu já recebi em uma fic original desde que comecei a escrever! É sério, você não faz ideia do quanto me animou e estimulou durante todos esses dias! É provavelmente só por sua causa que consegui escrever esse décimo quarto capítulo do jeito que fiz! Ainda não tive tempo de revisar, então pode ser que haja alguns erros no texto ou que eu vá modificar uma ou outra frase pelos próximos dias, mas em geral tenho algumas expectativas para esse capítulo. Pedi a duas amigas que me dessem sua opinião sobre as cenas e elas disseram que está bem boa, então espero que esteja mesmo! Bom, se encontrarem qualquer errinho ou tiverem alguma sugestão de como melhorar o meu texto, não hesitem em comentar aqui embaixo! Sou muito receptiva a críticas construtivas e tenho certeza de que ainda posso melhorar bastante com elas! Bem, é isso! Espero que gostem! o/

Quando a escuridão da noite finalmente substituiu a luz do sol, as preparações terminaram.

Bem no centro da área arenosa, vários pedaços de madeira recolhidos mais cedo no chão da floresta haviam sido empilhados e acesos para se tornar uma enorme fogueira, que dava nome ao festival. Dean não tinha visto tantas delas ao longo de sua vida, mas ainda assim podia dizer que essa tinha um tamanho respeitável; sua luz devia ser vista facilmente a alguns quilômetros dali — sobretudo pelo constraste com as sombras que cobriam todo o resto do ambiente àquela hora -, e seu calor chegava até uma distância razoável das chamas, mas ninguém parecia se importar.

O povoado não era muito populoso, então todos os moradores puderam se reunir para a comemoração. Troncos de árvores caídas de diferentes diâmetros haviam sido dispostos ao redor do fogo para que as pessoas pudessem sentar-se, mas deixando um bom espaço livre entre ambos para que todos pudessem transitar. Embora dessa vez não houvesse comida, algumas cumbucas largas haviam sido dispostas perto das pontas dos bancos improvisados contendo diferentes bebidas, com destaque para três; uma era água, mas Dean não reconheceu as outras duas. Ele estranhou quando percebeu que dessa vez não havia nenhuma variação de copos para que as pessoas pudessem bebê-las, mas depois de observar um pouco percebeu que os outros estavam usando as mãos para beber, juntando-as para reter o líquido. Quase todos acabavam molhando um pouco de suas roupas, mas ninguém parecia se importar.

Um pequeno grupo tocava músicas com flautas artesanais. Alguns estavam sentados no chão, enquanto outros sentavam-se nos troncos, e por todo o pátio as pessoas acompanhavam a batida com os pés ou mãos, inclusive batucando nos próprios troncos. O grupo era animado, e a música das flautas, apesar de não ser tão boa quanto algumas composições feitas no computador que Dean conhecia, era muito alegre e bonita, e preenchia o ar com uma sensação de entusiasmo e euforia que as músicas artificiais não possuíam.

No espaço deixado entre os troncos e a fogueira, as pessoas dançavam. Conversas e risadas envolviam tudo em um ambiente caloroso e convidativo, e as danças pareciam não ter parâmetros ou restrições. 'Não descanse seus pés e não pare seus braços' parecia ser a única regra.

A maior parte dos que dançavam eram jovens adultos ou pessoas mais novas, mas havia exceções. Um exemplo era o adulto que dançava com Kath. Seus cabelos negros eram marcados por alguns resquícios grisalhos, mas ele emanava vitalidade. Katherine estava novamente com o cabelo solto, e ambos dançavam em círculos. Ele simplesmente dançava com os pés, enquanto Kath dava piruetas e traçava longos arcos com os braços enquanto saltitava nas pontas dos pés inquietos ao som da música.

Ela sorria e gargalhava, o cabelo bagunçado caindo sobre a face, e ele parecia divertir-se com a energia e a intensidade da pequena, rindo junto com ela, contaminado por sua alegria contagiante. Tão logo o homem se retirou, rendido pelo cansaço, ela pôs-se a dançar sozinha em volta da fogueira, esgueirando-se entre as pessoas. Em um movimento contínuo, parada num lugar, sem nunca descer das pontas dos pés... ela só fazia o que dava na telha.

Ty logo juntou-se a ela. Os dois deram as mãos e começaram a saltitar em círculos, como que em uma ciranda coreografada em forma de dança tradicional. Kath deu uma pirueta, inclinando-se para trás sobre as costas e Ty a acompanhou. Então, soltaram as mãos e continuaram dançando um de frente para o outro, saltando de um pé para o outro.

Dean se sentou em um dos troncos mais grossos, seus pés quase não tocando o chão. A gola de sua camisa, molhada, atestava a sua tentativa parcialmente bem-sucedida de tomar água um pouco antes e incomodava um pouco, mas o calor da fogueira logo a faria secar.

Enquanto observava, os sentidos de Dean estavam apurados como nunca. As baforadas quentes vinham tanto da fogueira quanto do calor das pessoas à sua frente, mas isso não era o suficiente para ofuscar a fresca brisa continental. O aroma do fogo se misturava ao da floresta e ao do mar salgado, que mesmo estando mais fraco do que estava mais cedo, ainda se fazia notar. Seus ouvidos nem precisavam focar-se para absorver todas as notas musicais, risos e conversas que o cercavam, salpicados pelo o crepitar das cinzas.

Enquanto era envolto por toda essa gama de aromas e sons, Dean se lembrou da conversa que tivera mais cedo com os irmãos.

Então, Katherine não era de lá. Ela e Ty não eram de sangue, como ele havia pensado a princípio.

Era estranho pensar nisso. Ela combinava tanto com o povo de lá que Dean nunca perceberia se não lhe dissessem; tanto os moradores quanto ela eram alegres daquele jeito único deles, e ambos se davam bem com a natureza. Ambos possuíam aquela espécie de pureza de espírito que o fascinava, como se a maturidade viesse com o tempo, mas sua inocência de criança nunca partisse.

Enquanto esses pensamentos percorriam sua mente, Katherine, ofegante pela dança e suada por causa da proximidade com o fogo, parou para descansar. Ela veio sentar-se ao lado de Dean, cumprimentando-o rapidamente e tornando a olhar para o resto das pessoas de pé. De cima do tronco, ela não conseguia tocar o chão, mas se inclinou para frente e pôs-se a balançar os pés no ritmo da música, de vez em quando chamando Ty e gritando-lhe ora provocações, ora comentários animados, ao que ele respondia com caretas e risos.

Era engraçado... nem parecia que Dean os conhecia havia apenas quatro dias. Talvez mais, se seu primeiro encontro com Kath no parque contasse.

E pensar que em um espaço de tempo tão curto, eles já tinham salvo sua vida...

De repente, Dean ouviu alguém exclamar:

— Já é o ápice!

Assobios e comemorações de todo tipo percorreram o pátio ao ouvir a notícia e constatar por si mesmos sua veracidade. Todas as pessoas começaram a olhar para cima, ansiosos.

— É agora...! — Dean ouviu a voz baixa de Kath, com uma intensidade que vinha do fundo de sua alma, enquanto ela erguia o olhar para o céu.

Sem entender direito a empolgação de todos, Dean também olhou para cima, curioso, tentando entender o que estava procurando.

Então, tudo aconteceu.

.

De vários pontos da floresta, barulhos surgiram. Não... 'barulhos' era um termo muito grosseiro para descrever.

O som de pássaros tomava o lugar da música alegre que havia pouco dominava o ambiente. Eram cantos, parecidos com assobios, mas sutis o bastante para assemelharem-se ao vento. Soavam divinamente aos ouvidos de Dean, como uma bela sinfonia da natureza.

Diante dos olhos de Dean, a luz da lua foi recoberta por um estranho brilho azulado. As cascas marrons das árvores gradativamente começaram a mudar para um belo tom azul acinzentado. Como se lâmpadas se acendessem debaixo das copas das árvores, todas as suas frondes se iluminaram em um resplendoroso azul-elétrico, e todas as folhas das árvores se tornaram mais claras. As chamas da fogueira também começaram a mudar, e, a partir da base, assumiram uma coloração azul e branca que só podia ser descrita como grandiosa.

Toda a floresta agora resplandecia em ciano, e, mesmo sendo noite, o mundo brilhava e transbordava vida sob a luz da lua.

A luz não iluminava a floresta como se fosse dia. O céu ainda estava escuro no céu, com as estrelas graciosas como eram, mais numerosas do que qualquer céu que Dean já tivesse visto. Ainda havia aquela sombra próxima ao chão — não feia, não assustadora, mas divina. A floresta não estava clara. Apenas impossivelmente bela.

Dean era o único na vila que nunca tinha visto nada como aquilo. Enquanto as outras pessoas comentavam sobre a beleza daquela noite em especial e comparavam-na com a do festival anterior, Dean não ousava mover um músculo, nem falar uma palavra sequer. E se mais alguma coisa estivesse para acontecer? Ele não queria perder nada.

Então, ele continuou encarando o céu, até os músculos do seu pescoço começarem a doer.

Dean sentiu uma mão pousar em seu ombro.

— Já pode relaxar, Dean — riu Kath. — Não seria nada gentil de minha parte te devolver para sua família com o pescoço quebrado.

— Ah! Ok — disse ele, pego de surpresa.

Seus músculos continuaram rígidos por mais alguns minutos, então ele tentou alongá-lo para relaxar.

A luz ciano que envolvia o ambiente permaneceu, mas logo seus olhos, estranhando a cor, começaram a se adaptar, e a força dos tons diminuiu singelamente, tornando alguns dos azuis um pouco menos frios que outros.

Depois do momento inicial de contemplação, as outras pessoas haviam retornado às atividades anteriores. Alguns tocavam, alguns dançavam e alguns simplesmente conversavam e brincavam entre si. Mas apesar de nada ter mudado visivelmente, era fácil sentir o quanto seu entusiasmo havia aumentado. Mesmo Dean sentia-se tentado a levantar e acompanhar o ritmo, mas sabia que só o que conseguiria com isso seria passar vergonha ou tropeçar no próprio pé. Ou as duas coisas juntas, quem sabe? Ele definitivamente não subestimava sua capacidade de se embaraçar. Ainda mais depois de ter conseguido essa proeza duas vezes naquele mesmo dia. Bom... no mínimo duas vezes. Ele não se surpreenderia se alguma outra lhe tivesse passado despercebida.

Em um determinado momento, um dos adultos que tocavam as flautas se dirigiu até Katherine.

— E aí, Kath? Trouxe alguma novidade dessa vez? — perguntou ele, sorrindo com entusiasmo e descendo em um dos joelhos para que sua altura se aproximasse da dela ao falar.

A pergunta captou a atenção de Dean, mas pensando no que tinha sido ensinado, ele tentou disfarçar o interesse. Não obteve muito sucesso, no entanto, então acabou simplesmente olhando para os dois em sua conversa com uma expressão de curiosidade.

— Trouxe, sim! Ty já está com tudo — respondeu ela, indicando o irmão sentado na outra tora de madeira.

— Legal! Que tipo de música vai ser dessa vez?

Katherine pensou um pouco.

— Que tal aquela do homem que gostava de tocar ocarina para o mar?

— Ah, aquela é bonita! Faz muito tempo que não tocamos ocarina... — comentou o homem. — Só temos duas, no entanto.

— Tenho certeza de que os outros instrumentos farão um bom trabalho no acompanhamento — afirmou Kath, sorrindo.

— Bom, então acho que podemos começar! — concordou o homem, rindo.

Começar. Do que será que eles estavam falando?

O homem retornou até o grupo que ainda tocava e trocou algumas frases com eles. Eles continuaram tocando por mais alguns minutos, até que resolveram finalizar a música, diminuindo o volume até que o som se extinguisse no ar.

As pessoas que estavam dançando se surpreenderam brevememente, várias delas olhando para os músicos ao tentar entender a parada repentina. Mas logo a compreensão tomou suas faces, seguida por expectativa, e eles começaram a se afastar para sentar-se com os outros, nos troncos ou no chão. Em poucos instantes o espaço ao redor da fogueira tornou-se vazio.

Então, a melodia recomeçou. A música não possuía mais o estilo alegre e animado das anteriores, mas era cativante de um jeito singular. Não com uma sensação superficial de euforia, mas de uma maneira que intrigava o espírito, instigando-o a ouvir mais. Dean não entendia muito bem o porquê, mas sentia como se as notas pairassem continuamente num intermediário, sempre entre a nota seguinte e a anterior, ansiosas para continuar a contar sua história. Mesmo seu ritmo não era ditado pelos músicos, mas antes seguido por eles.

Ao lado de Dean, Katherine levantou-se. Seus três passos em direção ao fogo não foram indignos de nota; mais largos do que suas pernas pareciam permitir, mas quem só visse seu corpo se movendo jamais imaginaria, a julgar pela leveza com que se movera. Seus pés descalços firmavam-se em cada passo sem esforço nem peso, sem desperdiçar nenhum movimento. Seu queixo erguido não trazia qualquer sinal da prepotência à qual era normalmente associado, mas sim apenas um indício de sua confiança no que estava prestes a começar. A mesma certeza podia ser vista em seus olhos; uma imagem clara da verdade objetiva e imediata de que, naquele exato momento, ela era a única pessoa que sabia o que ia acontecer.

Naquele único instante, Katherine era uma artista inabalável.

E então, ela começou a dançar.

Como que se adaptando gradativamente, seu começo foi sutil. Seu pé deslizou pela areia, leve a ponto de não deixar marcas, circundando-a enquanto ela se apoiava na outra perna com um equilíbrio discretamente impecável. Então, seu outro pé também deslizou, e eles puseram-se a alternar-se, dessa vez desenhando curvas no chão ao passar.

Seus braços erguiam-se de tal forma que o mesmo não acontecia com seus ombros. Suas mãos começaram a dançar no ar, como se desenhassem padrões imaginários, os pulsos girando para acompanhar a linha dos movimentos que a eles chegavam, mas os ombros permaneciam relaxados, inspirando uma sensação de confiança e maestria.

Se as partituras pudessem converter-se em movimentos, a daquela composição não seria tão fiel à sua música quanto Katherine era. A melodia e o ritmo ganhavam forma com sua dança.

Enquanto Dean observava, encantado, Katherine inclinou-se sobre suas costas em direção a Ty, a ponto de deixar seu tronco paralelo ao chão sobre o qual se erguia, e, em um sinal tão ligeiro que quase se tornava imperceptível, olhou nos olhos do irmão e inclinou a cabeça.

Ty entendeu o sinal, e Katherine tornou a endireitar-se, ainda acompanhando a melodia com perfeição.

Mas antes que continuasse sua dança, dois objetos voaram em sua direção.

A garota não precisou segurá-los. Erguendo o pulso no instante preciso, ela recebeu o singular instrumento, que pôs-se a girar em seu punho, e com um movimento de seus braços, o outro também encontrou seu destino.

As duas argolas de metal dourado, semelhantes a pulseiras ligeiramente grossas, não pararam por um instante sequer. Presos a elas, longos triângulos de tecido, compridos, mas estreitos, deixavam traços dos movimentos da garota, oscilando ao vento como ondas do mar. Mesmo suas cores brancas, rosas e alaranjadas, suas laterais externas das mesmas cores de um belo nascer do sol, baqueavam mediante o azul intenso e enraizado naquele ambiente.

A dança não parava; na verdade, era cada vez mais visível que Katherine e o som das flautas e ocarinas estavam prestes a se tornar um só. O som da música e a dinâmica da coreografia se fundiam a ponto de confundir-se, e era difícil dizer o que exatamente eles estavam vendo e o que estavam ouvindo naquele momento.

As argolas saltavam das mãos de Katherine, apenas para no outro momento tornarem a descer. Ela se movia ao redor da fogueira sem descanço nem hesitação, em uma imagem hipnotizante. O tempo todo os dois longos tecidos demarcavam os lugares por onde ela passara, dando uma impressão de distorcer o tempo.

Depois de muito dançar com as argolas, Katherine lançou-as novamente para Ty, e em seu lugar recebeu novos objetos. Dois deles pareciam finas linhas de platina, curvadas em um arco sólido, e uma pequena esfera.

Dean se perguntou momentaneamente como ela lidaria com três objetos diferentes, e sua pergunta logo foi respondida de uma maneira inesperada. Quando a garota girou um dos arcos de metal nos dedos, ainda sem segurar, a pequena bola tocou sua ponta e, ao invés de afastar-se, pôs-se a deslizar sobre ele, circundando-o até ser novamente lançada para cima no outro lado.

Ímãs.

A garota continuou dançando, mas agora, seus dedos eram os que mais se moviam. Ela mantinha os arcos de metal girando como a melhor das balizas, sem nunca tocar a bola. Mas se a melhor das balizas seria capaz de mantê-los girando, nem mesmo ela conseguiria fazê-lo com a esfera saltando entre eles incansavelmente. O equilíbrio dos bastões alterava-se a cada toque de maneira visível, mas isso não a detinha. Enquanto suas mãos se ocupavam com as sutilezas de sua dança, seus pés continuavam movendo-se, cada detalhe impecável como se as mesmo mínimas partes de seu corpo pensassem por si sós.

E então, a coroa. Katherine deixou que a esfera saltasse para cima, ainda mais alto do que nas vezes anteriores, e saltou.

Como todo o resto de sua dança, o mortal foi impecável. Mesmo depois de seu mundo literalmente girar, os dois arcos de metal permaneciam em suas mãos, prontos para receber a esfera tão logo ela tornou a descer.

Logo ela não usava mais do que apenas um dedo para manter cada arco girando. Até o momento, dois haviam sido necessários, mas agora ela parecia ter confiança para elevar as apostas. Agora ela dominava-os completamente, e era como se permanecessem girando por nada mais do que pura inércia.

Os instrumentos que se seguiram não eram dois ou três, mas doze. À primeira vista, pareciam botões de flores esculpidos em pedras preciosas; maiores do que os normalmente vistos na natureza, tinham uma cor branca leitosa que lembrava a uma pedra da lua.

Enquanto desciam até as mãos de Katherine e tornavam a subir, elas não passavam de botões, mas no momento em que hesitavam no ar, em sua altura máxima, a mágica acontecia. Suas engrenagens giravam e suas pétalas se abriam para revelar as belas flores que haviam sido feitas para ser.

Uma vez abertas, as pétalas giravam por alguns instantes, fazendo com que a flor pairasse antes de tornar a cair.

Doze delas. Esse era o número que Katherine lutava para manter no ar enquanto sua dança continuava. Uma a uma, elas eram vencidas pelo peso das pedras das quais eram feitas, mas logo Katherine tornava a lançá-las para cima. Era como se uma teia invisível as segurasse momentaneamente acima da garota enquanto ela girava e deixava que seus pés e punhos fossem guiados pelo ritmo da música. E então elas caíam, e a garota as lançava de volta, em um ciclo infinito. Nenhum dos lados cedia um milímetro sequer.

Dean não conseguia parar de olhar. A luta das flores para continuar no alto, da gravidade para puxá-las para baixo e de Kath para mantê-las no ar possuía o andamento e a profundidade de uma história, digna de ser contada ao redor da fogueira próxima à qual dançava. Logo a história de Katherine e a da música que tocava competiam por atenção.

Passos em curvas, braços em arcos, movimentos contínuos, queixo erguido para o céu. Pernas esticadas, círculos e meias-luas, pontas dos pés, seu tronco movendo-se com o resto. Seus longos cabelos dourados seguindo cada movimento. E as flores subindo. E descendo, e subindo. E tornando a subir.

E finalmente, Katherine deixou de subí-las.

Inclinando-se sobre suas costas uma última vez, Katherine esticou os dois braços para os lados, a perna direita segurando seu peso; a primeira flor pousou com leveza em sua mão direita, a segunda em seu pulso, e as outras seguiram em linha, até que a última delas descesse sobre sua mão esquerda. Dessa vez, a música, ao contrário de todo o caminho até ali, deixou-se guiar por ela, e diminuiu seu andamento, atenuando-se até finalmente expirar por completo.

A apresentação tinha terminado.