Viajante de Dimensões
14 Príncipe
Notas iniciais
Décimo Quarto Capítulo – Príncipe
— Meu filho, é bom lhe ver saudável! – Uma voz masculina falou em um tom meio infantil.
— Filho? – Hiro se perguntou, até pensar em uma possibilidade, o seu presente, assim que o viu sentiu uma grande dor de cabeça conforme memórias iam entrando em sua cabeça, mas não demonstrou demais para não fazer um papel suspeito, apesar da dor incomodar muito.
Abrindo um mínimo sorriso após a dor passar um pouco e perceber qual era seu presente. Começou a se virar lentamente até ver o aquele que o chamou de filho e outros seres, que tinham aparências um tanto, singulares.
— Estou de volta, pai.
Seu “pai” era aquele que estava mais à frente do grupo, tinha um cabelo longo e verde escuro, com uma franja que cobria seu rosto, usava um capacete roxo com dois chifres saindo de suas extremidades e uma capa preta sobre uma roupa de monge roxa.
— Venha, vamos comemorar a sua volta, afinal, o príncipe herdeiro do mundo dos demônios finalmente voltou de sua jornada. – Falou em um tom mais sério do que normalmente usa.
Sim, esse era o presente dessa dimensão, “Filho de Belzebu I”.
— Claro, tenho que conhecer meus pequenos irmãos também. – Hiro comentou passando a andar junto ao Rei Demônio e sua comitiva a um grande castelo.
— Haha, isso é verdade, porém, isso terá que ficar para depois, os dois não estão em casa no momento, mandei-os em missões.
— Entendo.
***
Já numa mesa de jantar, Hiro e o seu pai conversavam animadamente, o Rei Demônio havia voltado com seu tom infantil enquanto conversava com seu filho.
— Filho, tenho que me desculpar com você. – Disse enquanto assistia Hiro levar uma taça de vinho a sua boca.
— Por que? – Perguntou após beber.
— Eu mandei seu último irmão ao Reino Humano para destruí-los, mas como ele ainda era um bebe, ordenei que a sua empregada particular, fosse junto, mas na hora não havia me lembrado que ela era a sua empregada. – Falou em um tom choroso.
— Pensando bem, nessas memórias que recebi, constam algo como isso. — Hiro pensou com um sorriso.
— Não tem problema pai, não estou irritado. – Hiro perdoou o Rei Demônio que por baixo da franja soltou um sorriso vitorioso.
— E também, quero te pedir uma coisa.
— O que seria? – Perguntou arqueando a sobrancelha.
— Eu percebi que seu irmão ainda é muito novo, e vai demorar muito até ele destruir toda a humanidade, então quero que você se junte a ele.
— Tudo bem, já tinha planos de passar um tempo no Reino Humano, então posso ficar junto ao meu irmão por alguns meses.
— Oh! Isso é ótimo, assim você também poderá ter novamente a sua empregada, pode deixar que irei enviar outra para cuidar de seu irmão!
— Não será necessário, pode deixar que eu mesmo cuido dele.
— Isso seria ótimo, assim você se aproxima ainda mais dele!
— E quando eu parto?
— Agora mesmo! – Exclamou enquanto uma passagem dimensional era aberta e sugava Hiro para dentro.
— Tenha uma boa viagem meu filho, venha me visitar mais vezes! – Gritou para Hiro que caia junto a Shiro na passagem.
Assim que a passagem se fechou, o Grande Rei Demônio deixou escapar um suspiro e falou.
— Agora posso voltar a jogar!
***
Hiro que foi pego desprevenido, só podia se ver atravessando a passagem dimensional com uma grande gota na cabeça.
— Eu não esperava que o Grande Rei Demônio teria uma personalidade tão peculiar. – Shiro comentou.
— Eu já esperava um pouco, só não esperava que ele iria me jogar em uma passagem dimensional do nada. – Respondeu suspirando.
— Olhe, já estamos chegando. – Shiro apontou com sua pequena pata para uma grande luz branca, que forçou os dois a fecharem seus olhos, para quando abrirem, verem uma grande cidade, sendo que os dois estavam acima de um grande prédio.
— Então eu finalmente cheguei aqui. – Hiro comentou vendo a cidade. A princípio era para ele estar aqui já no que chegou a dimensão, mas devido ao seu presente, ele foi teleportado para o Makai (Mundo dos Demônios).
Olhando para a cidade e não reconhecendo nenhum lugar, pensou por um tempo, até que começou a soltar seu Youki.
***
Em algum ponto da cidade, dois garotos, uma garota e um bebê, que estava nas costas de um dos homens, estavam indo juntos para a casa do garoto com o bebe. O Bebe parecia ter por volta de um ano de idade, cabelo verde, tinha uma chupeta dourada gigante, está nu. O garoto parecia ter 16 anos, igual aos outros dois, cabelo negro despenteado, usava um uniforme de escola e andava com uma cara mau encarada. O outro garoto tem cabelo prateado, também usava um uniforme e estava com uma cara boba. A garota tem cabelo loiro, preso em um coque e com uma franja cobrindo o olho esquerdo, usava uma roupa de empregada, carregava um guarda-chuva rosa, andava de um jeito mais nobre e tinha uma face neutra.
— Oga, precisava usar Zebul Blast para acabar com um dos Touhoushinki? – O garoto de cabelo prata perguntou.
— Cale a boca Furuichi, o importante é que ele não irá mais nos incomodar. – O recém nomeado Oga respondeu de forma entediada.
— Yii, Da buh. – O bebe em suas costas confirmou.
Continuaram andando por mais um tempo até que Oga, o bebe e a garota sentiram uma poderosa onda passar por eles, fazendo-os parar e Furuichi encara-los estranhando suas atitudes.
— Hey, que merda aconteceu agora? – Oga perguntou à loira.
— Pode ir indo para casa pedaço de lixo, o jovem mestre deve estar com fome a essa hora. – Respondeu a loira já pulando para cima de um prédio e correndo na direção de Hiro.
— Loira oxigenada. – Oga cuspiu voltando a andar.
— H-Hey, Oga, o que aconteceu agora? – Perguntou Furuichi correndo para alcançar seu amigo.
***
A garota corria pelos telhados a uma velocidade incrível, um pequeno sorriso estava exposto naquele rosto normalmente neutro.
— Finalmente ele voltou! — Comemorou em sua mente aumentando ainda mais a velocidade, fazendo com que as telhas em que pisava fossem quebradas no impacto.
Não demorou muito e chegou a um enorme prédio, o qual passou a correr por suas paredes como se estivesse no chão.
Assim que chegou no terraço do prédio, com um pulo subiu levemente aos céus para depois pousar graciosamente no chão. Estava um pouco ofegante, até subir o olhar e encontrar um jovem com um longo cabelo branco de pontas vermelhas, o cabelo estava preso em um rabo de cavalo, permitindo ver o que usava, um Kimono negro com a cabeça de um dragão branco com o Yin-Yang estampado na testa e uma calça de Jiu-Jitsu inteiramente negra.
— Faz tempo Hilda. – A voz dele soou roucamente.
— Hildegarde paga seu respeito ao mestre. – A jovem declarou se ajoelhando no chão, apesar do sorriso ainda pairar em seu belo rosto.
— Não precisa ser tão formal assim. – Disse Hiro se virando e passando a caminhar até ela.
— Mestre, eu atualmente...
Tentou falar, mas foi interrompida por Hiro.
— Está cuidando de meu irmão mais novo, eu sei, o coroa me explicou o porquê, não é necessário se preocupar, está dispensada desse serviço, meu pai pediu para que eu tomasse conta dele enquanto você irá me seguir. – Falou surpreendendo a garota. – Devemos ir indo, você não foi a única a sentir meu Youki, e não quero complicações no momento.
— Como desejar, mestre. – Respondeu se levantando e se ponto um pouco atrás de Hiro.
— Ande ao meu lado.
— Mas is-
— Faz tempo que não nos víamos, quero aproveitar sua presença não com você sendo uma servente e sim como uma companheira. – Ele falou a deixando um tanto corada.
— Hai. – Respondeu ficando ao lado dele que sorriu.
— Vamos. – Disse pulando do prédio para cair no telhado de uma casa sem fazer um barulho sequer, um pouco diferente de Hilda ao seu lado, que rachou a telha no impacto. Tendo pousado, os dois passaram a correr lado a lado na mesmo direção de onde a loira tinha vindo.
— “Como sabia que ela iria vir quando você liberasse seu Youki?” — Shiro perguntou mentalmente a Hiro.
— “Não sabia, foi só um teste para ver se ela conseguiria chegar até mim através de meu Youki. ” — Respondeu também mentalmente a gata que se surpreendeu um pouco com a imprudência de seu escolhido.
Enquanto corriam, Hilda olhou para Hiro, o analisando, vendo como havia crescido desde a última vez que tinha o visto, claro, como uma criança criada pelo presente desta dimensão quando Hiro chegou aqui, era algo como se um clone dele fosse criado quando ele nasceu nessa dimensão e atuo como se fosse ele até ele chegar a essa dimensão e se unir ao seu clone. Mas logo virou o rosto um tanto corado, devido ao albino ter se virado para olha-la e ter sorrido ao perceber que era observado pela loira.
— Vá me explicando o que aconteceu enquanto você esteve cuidando de meu irmão. – Hiro pediu, recebendo um aceno de Hilda que passou a contar tudo, desde as informações de onde estava ficando e com quem, à o que passou desde que chegou aqui. Hiro sabia o que tinha acontecido, mas deveria fingir que não sabia para não ficar estranho, ou também algo poderia ter mudado com sua vinda para esta dimensão.
Assim que terminou de contar tudo, Hiro deu um aceno confirmando nessa parte da história nada havia mudado com sua chegada.
— É aquele ali o humano que está cuidando do Terceiro Jovem Mestre. – Hilda disse parando acima de um telhado e apontou para Oga e Furuichi.
— Até que ele tem uma boa aura. – Hiro elogiou.
Após isso os dois pularam do telhado em que estavam e pousaram na frente dos dois adolescentes que se surpreenderam um tanto.
— Hilda-san, quem é esse? – Furuichi perguntou um tanto temeroso.
— Pedaços de lixo, o que estão fazendo de pé, se ajoelhem logo e paguem seu respeito ao futuro Rei Demônio! – Hilda vociferou para os dois que se surpreenderam.
— I-isso quer dizer que ele é um...! – Furuichi começou temeroso.
— Hã? Por que eu deveria me ajoelhar? – Oga perguntou desinteressadamente.
— Ora seu pedaço de lixo! – Exclamou enfurecida já começando a retirar sua espada do guarda-chuva, mas fora impedida por Hiro que sorria.
— Você deve ser o humano chamado Oga Tatsumi, estou certo? – Perguntou fazendo Oga franzir as sobrancelhas. – Calma, calma, não vou lhe fazer nenhum mal, só quero lhe agradecer por estar cuidando de meu pequeno irmão. – Hiro terminou rapidamente dando uma risada sem graça.
— Hm? Você é irmão do Baby Beel? – Falou cutucando o nariz
— Se ele é o próximo Rei Demônio é claro que seria!! – Furuichi gritou dando um pescotapa em Oga.
— Haha, exatamente, eu sou o irmão mais velho do Beel.
— E veio fazer o que aqui? Uma visita?
— Mais ou menos, meu pai, o Grande Rei Demônio, me pediu para que eu vigiasse o Beel.
— Hm? Esse não é o trabalho da Hilda-san? – Furuichi perguntou.
— Eu só estava cuidando do jovem mestre por um tempo, na verdade, eu fui criada para servir ao Hiro-sama. – Hilda respondeu deixando os dois jovens surpresos.
— I-isso quer dizer que...
— Sim, sou o mestre da Hilda, isso é algo que foi decidido a muito tempo.
— Então quer dizer que...
— Ela me pertence e se você ter qualquer pensamento pervertido com ela, você morre. – Hiro falou substituindo seu sorriso calmo por um maníaco, seu olhar transbordava sede de sangue, o que dava calafrios em Furuichi que começou a assentir rapidamente. Tal comentário de Hiro fez com que Hilda corasse profundamente e virasse a cabeça tentando esconder a vergonha.
Com tal ameaça, a conversa se encerrou e cada um foi para sua casa em um clima estranho. Hiro foi para a casa de Oga, desde que Hilda e Baby Beel estavam morando lá.
***
— Eto... Hilda-san, você parece bem intima a esse rapaz. – Shouko, mãe do Tatsumi, comentou vendo Hilda servir uma xicara de chá a Hiro.
— Ele é algum parente? – Desta vez fora Misaki, irmã do Tatsumi, quem perguntou.
— Pode se dizer que sou um tio do Beel. – Hiro respondeu, Hilda havia parado por um momento e observou Hiro que sorria, mas logo terminou de servir Hiro e se sentou ao seu lado.
— Então você é irmão da Hilda-san? – Shouko perguntou novamente.
— Irmão? – Hiro perguntou estranhando.
— Sim, se você é um tio do Beel, quer dizer que é irmão da Hilda-san, não? – Explicou.
— Desculpe, mas, vocês acham que a Hilda é a mãe do Beel? – Perguntou fazendo todos da família Oga, menos Tatsumi, cuspirem o chá que estavam tomando.
— E-e não é? – Youjirou, o pai, perguntou gaguejando.
— Não, ela só estava cuidando dele por algum tempo.
— E-então o Tatsumi não é o pai do Beel? – Shouko perguntou.
— O Oga é pai do Beel sim. – No caso, pai aqui no Reino Humano.
— M-mas porque a Hilda-san precisava cuidar dele? Sua família não confia que poderíamos dar uma boa criação ao pequeno?
— Não, não é isso, desculpe se isso causou um mal-entendido, é que não podemos deixar um príncipe, ainda mais nos seus primeiros anos de vida, sozinho em uma casa onde não conhecemos ninguém, certo? – Hiro respondeu soltando uma risada sem graça.
— Sim isso faz sentido... – Misaki começou até se tocar de algo. – V-você disse p-príncipe!? – Gritou fazendo seu pai e sua mãe se tocarem de tal fator.
— Sim. – Respondeu tomando um gole de seu chá.
— E-então quer dizer que v-vocês são da r-realeza de Macau!? – Shouko perguntou gaguejando.
— Isso mesmo, aliás, eu sou o primeiro na linha de sucessão do trono do Makai*. – Respondeu fazendo Shouko desmaiar enquanto Youjirou deu um mega pulo, passando por cima da mesa, e pousando ao lado de Hiro de joelhos com a testa encostada no chão.
(Nota do Kaguyama: Quem assistiu Beelzebub sabe, mas a família do Oga confunde o Makai (Mundo dos Demônios) com Macau, uma cidade de nosso mundo, se não me engano.)
— P-Perdão, fomos tão rudes diante de vossa excelência!
— Haha, não se preocupem em serem tão formais assim, não gosto muito de formalidades. – Hiro riu vendo o famoso salto de desculpas do patriarca Oga.
— Mas Macau está em uma monarquia? – Misaki murmurou, mas logo parou de pensar nisso como se fosse algo irrelevante. – Então o meu pequeno Irmãozinho conseguiu seduzir uma princesa... Eu subestimei esse cérebro de musculo.
Enquanto isso, Hiro tomava calmamente seu chá enquanto observava tal família divertida.
Após algum tempo, Shouko acordou, ainda tremendo e perguntou algo que era importante.
— Então, se você está aqui, isto quer dizer que você estará levando o Beel-chan para Macau novamente? – Assim que a pergunta foi feita, todos não puderam deixar de olhar para Hiro e Hilda que ainda calmamente aproveitavam seus chás.
— Hm? Não, acho que temos outro mal entendido, eu acabei de voltar de uma viagem pelo mundo, ai me mandaram para vir cuidar de meu sobrinho, alias, espero que possam me deixar morar aqui durante minha estadia no Japão.
— M-mas é claro, por favor vossa alteza, será uma honra, só não sei se você irá se satisfazer com nossa humilde casa. – Youjirou gaguejou quando escutou o pedido de Hiro.
— Nah, não é como se eu me importasse com o luxo, algo comum já é mais que o suficiente para me satisfazer. E como eu disse, não precisa ser tão formal comigo, tratem-me como alguém normal, ser chamada de vossa alteza é um tanto embaraçoso. – Disse terminado seu chá. — Como eu já disse, acabei de chegar de viagem, então eu poderia permitir-me usar sua casa de banho para tomar um banho?
(Nota do Kaguyama: Eu fiz uma pesquisa e ela mostra que em algumas casas do Japão, o banheiro é separado do banheiro, sendo um cômodo inteiro só para o chuveiro e a banheira, no caso o cômodo é chamado de casa de banho.)
— É-É claro Vos- Hiro-sama. Hilda-san, poderia levar Hiro-sama a casa de banho? – Shouko perguntou enquanto se corrigia, apesar de ainda não se atrever ser tão informal na frente de Hiro.
— É claro, por aqui Mestre. – Hilda falou enquanto se levantada, sendo seguido por Hiro que levava sua mochila com as mudas de roupa, e passou a ir em direção ao corredor da casa.
Assim que chegaram a casa de banho Hilda se adiantou e abriu a porta e disse a Hiro.
— O Mestre pode ir se adiantando para o banho, eu já volto para lavar suas costas, só estarei pegando outra muda de roupas.
— Oh tudo bem. – Respondeu enquanto entrava na casa de banho e começava a retirar seu Kimono.
Na cozinha, que não ficava a nem 15 metros da casa de banho, a família Oga acabou por escutar o que Hilda disse e como Hiro foi indiferente a tal coisa.
— A Hilda-san realmente parece intima a ele. – Misaki comentou.
— Mas é claro, ela foi criada para ser algo como uma esposa para ele. – Oga disse enquanto brigava com Beel por um croquete, nem se ligando que falou algo totalmente diferente do que Hilda havia explicado antes.
(Nota do Kaguyama: Oga é o nome de família, o nome dele e Tatsumi, mas no anime/manga, todos chamam ele de Oga, como quase não tem cenas familiares, então fica estranho chamar ele de Tatsumi na fic, pois tenho certeza que irei confundir uma hora, então irei chama-lo de Oga durante a fic, fazendo somente seus familiares o chamarem de Tatsumi, enquanto seus familiares irei chama-los por seus m[primeiros nomes)
— E-esses jovens estão bem ousados nos dias de hoje. – Shouko comentou corada.
***
— Mestre, porque disse ser tio do Terceiro Jovem Mestre em vez de se identificar como irmão? – Hilda perguntou enquanto lavava as costas de Hiro que lavava o pelo de Shiro, que não tinha uma face muito amigável e estava com as unhas prontas para arranhar.
— Para não criar problemas, se eu falasse que ele era meu irmão, achariam que a mãe do Beel havia traído o coroa com o Oga, e isso seria muito problemático de se explicar.
— Como esperado do Mestre, sempre pensando em tudo. – Hilda disse em admiração.
— E como você passou todos esses anos? – Hiro perguntou calmamente para Hilda que parou por um tempo de esfregar suas costas e pareceu pensar um pouco.
— Eu havia ficado muito chateada quando o Mestre não me permitiu sair junto a você em sua jornada, cheguei a pensar em mim como uma incompetente que não pode nem mesmo atender os pedidos do Mestre, então me esforcei muito para melhorar a mim mesma, só depois de muitos anos eu percebi que o Mestre realmente tinha que ir sozinho nessa jornada, porque ela era uma provação que você definiu para si mesmo, tanto que até não levou seus guarda-costas e os deixou ao cuidado do Segundo Jovem Mestre. Percebi que fui uma tola e egoísta, espero que possa perdoar essa humilde serva. – Hilda disse enquanto se curvava para Hiro que virou um pouco o corpo para vê-la.
— Você não estava sendo egoísta, só estava querendo meu próprio bem, você não fez nada de errado, eu quem deveria pedir perdão pelo meu egoísmo, afinal, fui eu quem sai sem explicar nada. – Hiro falou enquanto sorria e afagava o cabelo de Hilda que levantou sua cabeça para olhar Hiro e mostrava estar bem corada.
— Isso... – Tentou falar algo, mas foi impedida por Hiro.
— Shh, deixe isso para lá, é o presente que importa. Você deve se mais leviana consigo mesma, não precisa ficar se tratando como uma serva comigo, você, para mim é algo bem maior que isso. – Disse voltando a sua posição original e deixando Hilda ainda mais corada.
—Hai, Mestre. – Ela disse levantando seu torso novamente e ficando com ele ereto. Pareceu pensar por um momento, até se aproximar de Hiro, bem corada, e abraça-lo por trás, o surpreendendo. — Então peço que cuida bem de mim, Mestre. – Completou enquanto fechava os olhos, aproveitando o momento.
— Mas é claro que irei... – Hiro murmurou também fechando os olhos.
— Mas, temo que não poderei continuar nessa paz por muito tempo, a caçada logo deve ter seu começo. — Hiro pensou enquanto também aproveitava tal momento.
Continua...
Faltam catorze anos e cinco meses para o torneio.
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