Viajante de Dimensões
5 Trabalho
Notas iniciais
Quinto Capítulo – Trabalho
xHirox
As aulas foram passando, e passando, as únicas diferenças dessa escola para a minha antiga é que ela é mais rigorosa, a carga horária é maior, tem mais matérias e que tem um intervalo de 10 minutos entre as aulas, sendo que o maior intervalo, era o do almoço, que é de uma hora, sim do almoço, nós passamos a manhã e a tarde inteira estudando, claro, tem algumas horas que não fazemos nada, e esse tempo é normalmente utilizado para atividades extracurriculares, resumindo, os clubes escolares, como devem estar sabendo eu faço parte do Clube de Ocultismo, dirigido pela Rias, agora tem que ver quanto tempo vai demorar para a Rias me fazer a proposta de me tornar um de seus servos.
Assim que bateu o sinal para o almoço, peguei meu celular, meus fones, um caderno qualquer, um lápis e uma borracha, após isso sai da sala, novamente sob o olhar de todos.
Assim que sai, coloquei meus fones de ouvido e apertei play, logo meus ouvidos se agraciaram com o belo som da música “I Don`t Care” do Apocalyptica com participação especial do Adam Gontier. É tão bom estar em um país onde você não precisa se preocupar em pegar ônibus e ficar escutando funk, onde você pode ir para qualquer lugar e não há poluição sonora, apenas o bom som dos cantos dos pássaros, para aqueles com gostos mais refinados, como eu, curtem o bom e velho rock, apesar de eu gostar de todos os tipos de música, menos de samba, funk, pagode, gospel e alguns pop`s, retirando esses eu curto um pouco de tudo, reggae, eletrônica, rock, entre outros, pena que no Brasil quase ninguém tem esse gosto refinado.
Assim que passei pelo refeitório, a maioria da população era feminina, assim como esperado de uma escola que antes era somente para meninas, se não me engano se tornou mista esse ano.
Andei até chegar fora do prédio, vasculhei o lugar com o olhar até achar uma grande arvore com uma generosa sombra, não me contive e fui até ela, me sentei encostado em seu tronco e coloquei o caderno em minhas coxas, o abri em uma página qualquer e comecei a desenhar minha “mãe” Lúcifer. Podem falar o que quiser de mim, nunca segui fielmente uma religião, pode se dizer que eu acredito um pouco de tudo, afinal eu mesmo já vi deuses da mitologia grega, então tudo me leva a crer que os outros deuses de outras mitologias também existam.
Quando estava na metade do desenho, percebo alguém sentar ao meu lado, quando vejo quem é, dou um sorriso e retiro um de meus fones, ainda mantendo o outro, logo após isso voltei a desenhar.
Hiro: Olá, Buchou.
Rias: Olá. – Respondeu enquanto olhava para meu desenho.
Ficamos um tempo em silencio.
Rias: Isso... é um anjo caído? – Perguntou um tanto receosa.
Hiro: Já foi.
Rias: Como assim?
Hiro: Ela já foi uma poderosa arcanja e a primeira anja do céu, mas se tornou um anjo caído e depois se tornou um dos mais poderosos demônios já vistos, o sétimo pecado capital, aquela que corresponde ao Orgulho, Lúcifer.
Rias: Mas, Lúcifer não é um homem? – Perguntou um tanto interessada no assunto, eu já sei que seu irmão é chamado de Lúcifer, mas isso é porque ele é o regente do inferno e por isso muitos o confundem com Lúcifer.
Hiro: Isso é o que dizem, mas eu creio que seja uma mulher.
Rias: E porque você acha isso? – Perguntou agora olhando diretamente para mim, virei meu rosto para ela, olhando diretamente em seus olhos azuis e dei um belo sorriso e pude jurar que a vi corar com ele.
Hiro: Não sei, só acho que seja uma mulher.
Rias: Entendo.
“Rias”: O que é esse sentimento? Quando estou perto dele me sinto... protegida, algo que nenhuma mão maldosa poderia tocar, algo precioso.
Continuei desenhando, estava na metade já, enquanto desenhava curtia a presença de Rias, afinal, estar perto de uma de suas paixões, ainda mais uma que eu nunca imaginaria poder conhecer de verdade, é algo muito bom.
Rias: O que está escutando aí?
Não respondi nada, somente entreguei o fone que havia retirado, ela a pegou e colocou em seu ouvido, logo começou a apreciar comigo uma boa música, “Patience” do Guns N` Rose, apesar de já estar no final.
Rias: Uma banda estrangeira?
Hiro: Sim, Guns N` Rose, americana.
Rias: Vejo que tem gostos bem peculiares.
Hiro: Gosto de ser diferente.
Rias: Entendo.
Continuamos curtindo a presença um do outro, passando a escutar o som de The Pretty Reckless com “Heart”.
Estava tudo indo bem, até que ela fez algo que me surpreendeu um pouco, ela se aproximou mais de mim e deitou sua cabeça encostada em meu braço, já que sou bem mais alto que ela, lentamente ela foi fechando os olhos, como se estivesse pronta para dormir ali mesmo, apesar de eu saber que ela não estava dormindo e sim somente aproveitando o momento.
Continuei desenhando, ainda tinha mais meia hora de intervalo, então poderia aproveitar muito.
Todos que passavam por ali, paravam para nos ver, o que não era de se surpreender, já que parecíamos dois namorados, e ela é a pessoa mais famosa da escola e eu sou atualmente o novato notícia da escola.
Percebi que uma grande multidão estava se formando um tanto longe de nós, mas todos olhando diretamente para nós dois.
Hiro: Parece que chamamos muita atenção.
Vi ela dando somente um sorriso.
Rias: Também, só por você ser bonito do jeito que é e eu graças a minha fama no colégio, é natural chamarmos muita atenção.
Devo admitir que eu corei com o “bonito”.
Hiro: Então você me acha bonito, é?
Vi que só agora ela se tocou com o que tinha falado e corou ainda mais do que eu.
Rias: S-Sim, não tem porque mentir, você é dono de uma beleza notável.
Hiro: É uma honra para eu escutar alguém com uma beleza incomparável me elogiar assim. – Vi que ela ficou ainda mais corada.
Rias: Baka. – Murmurou baixinho, mas foi o suficiente para eu escutar.
Apenas dei uma baixa risada e continuei meu desenho.
Já estava quase o terminando, afinal, ele não era muito trabalhoso, era algo básico e eu só fui desenhando conforme eu achava que ela era, não tem um padrão de traços nem nada, é só um traço livre e que você o faz como quiser.
Assim que terminei, olhei o horário e vi que ainda faltava 10 minutos para acabar o intervalo.
Hiro: Buchou, falta 10 minutos para o intervalo acabar.
Rias: Quando faltar 5 minutos nós vamos para a sala.
Hiro: Como desejar.
Logo também fechei meus olhos e fiquei curtindo, junto a Rias, a música “Lonely Day” do System of A Down. Hoje não queria escutar músicas muito agitadas, então escolhi essa playlist, apesar de que “I Don`t Care” é um tanto agitada, mas eu gosto do som dos instrumentos e ela me traz uma sensação de paz.
Hiro: Vamos, já deu o horário.
Rias: Hai...
Logo ela se levantou, depois de retirar o fone do ouvido, e se espreguiçou.
Pausei a música, guardei o celular no bolso, me levantei e quando ia começar a andar.
Rias: Deixe me ver o seu desenho.
Entreguei para ela o caderno, já que o mesmo ainda estava aberto na página do desenho e ela ficou um tempo analisando a figura desenhada.
Rias: Você desenha muito bem.
Hiro: Obrigado.
Logo ela me entregou caderno e começamos a andar em silencio.
Chegando na sala todos olharam para nós, pelo jeito a fofoca correu livremente, logo cada um foi para o seu lugar sem falar nada, verifiquei qual seria a matéria de agora e peguei o material que seria usado na mesma, como nas outras aulas, o professor se apresentou para mim e eu a ele e ele começou sua aula.
Durante as aulas eu me sentia observado e quando olhei de relance para ver de quem se tratava encontrei duas pessoas, Akeno e Rias, as duas sempre ficavam me fitando nas aulas, achei estranho.
[...]
A aula acabou as exatas 16h00min, todos já guardavam seus materiais e a maioria ia para o clube ao qual pertencia ou então, alguns poucos, ia para casa. Eu fui direto para o clube e minha nova casa, assim que cheguei lá, percebi que alguém já estava lá, resolvi ir direto para o meu quarto, onde encontrei Shiro dormindo de barriga para cima na minha cama.
Hiro: Shiro acorda. – Falei cutucando ela, o que funcionou, já que a mesma pareceu querer abrir os olhos.
Shiro: Hiro-kun, já voltou? – Perguntou ainda sonolenta.
Hiro: Sim, mas já estou saindo.
Shiro: Onde vai?
Hiro: Procurar um emprego, de noite estou de volta. – Afinal, preciso de dinheiro, não posso viver dependente do clube para sempre.
Já fui trocando de roupa, havia pego algumas roupas em minhas mochilas ontem de noite, então vesti uma regata branca, uma calça Jeans e uma jaqueta de couro, peguei meu celular com os fones e fui até a porta.
Hiro: Até de noite. – Falei saindo.
Shiro: Até.
Desci as escadas e quando fui sair, dei de cara com o Kiba.
Kiba: Está saindo, Hiro-senpai? (Nota do M.K.: Lembrando que o Kiba está no primeiro ano)
Hiro: Sim, vou até o centro comercial.
Kiba: Precisa de alguma coisa de lá?
Só dei um sorriso e voltei a andar.
Logo fui até o muro, onde pulei o mesmo e comecei a seguir para o centro, não que eu saiba corretamente onde o mesmo é, mas já tenho uma ideia de onde mais ou menos é.
xAutorx
Kiba que havia estranhado a atitude de seu companheiro, entrou dentro da mansão do clube, onde foi direto para a sala de reuniões com uma cara pensativa.
Assim que entrou na sala, cumprimentou a todos com um sorriso e se sentou ao lado de Koneko no sofá.
Rias: Alguma coisa errada, Kiba?
Kiba: Hm? Não, nada, só achei estranho o Hiro-senpai, ele acabou de sair dizendo que vai para o centro comercial, mas não disse o que precisava.
Akeno: Horas, as vezes ele só está indo comprar algumas roupas, pelo que eu vi ontem no seu quarto ele só tinha algumas mudas com ele. – Falou enquanto corava, pois se lembrará de Hiro dormindo somente de cueca.
Rias achou isso estranho, afinal, não havia porquê de Akeno corar só por ter se falado algo, a não ser que ela tenha visto algo no quarto do albino, e com essa possibilidade Rias ficou um pouco nervosa.
Com Hiro.
Hiro agora tinha certeza, estava completamente perdido, achava que iria conseguir achar facilmente o centro comercial, mas se enganou completamente.
Hiro: Não me resta alternativas, apesar de eu não estar acostumado com isso, vamos lá. — Falou enquanto ia para um beco.
Logo uma luz branca o cobriu e ele foi diminuindo de tamanho, quando a luz passou, no lugar de Hiro tinha uma águia com estranhas penas brancas, uma habilidade de Zeus.
Logo ele levantou voo e começou a procurar pelo centro comercial pelo céu. Ficou vinte minutos procurando, até o achar do outro lado da cidade, logo ele foi até um beco e se transformou novamente em humano, testou cada um de seus movimentos até ver que estava tudo ok, depois disso saiu do beco e começou a andar, olhava as várias lojas abertas.
Procurava qualquer loja que tivesse alguma vaga para emprego.
Andou por um bom tempo, já estava perdendo as esperanças quando viu uma pizzaria com um pequeno papel, nele estava escrito.
“Precisa-se de motoboy”
Logo deu um sorriso, era isso que ele precisava, entrou sem hesitação na Shiba Pizzaria e foi até o balcão, onde um velhinho estava no caixa.
Velhinho: O que vai querer jovem?
Hiro: O emprego de motoboy.
Velhinho: Sim, sim, venha comigo.
Logo velhinho saiu de trás do balcão e foi até uma porta sendo seguido por Hiro, assim que a abriu, Hiro pode ver que era um escritório.
Velhinho: Sente-se. – Falou apontando para uma cadeira enquanto se sentava do outro lado da mesa.
Assim que Hiro se sentou.
Velhinho: Qual é o seu nome jovem?
Hiro: Hiro.
Velhinho: Quantos anos?
Hiro: 17.
Velhinho: Para que quer o emprego?
Hiro: Quero ter meu dinheiro próprio e ir economizando.
“Hiro”: Não posso falar que não tenho ninguém para me sustentar né?
Velhinho: Entendo. Qual é o horário que você poderá trabalhar?
Hiro: Bom, como tenho escola de manhã e de tarde, acho que somente a partir das cinco horas.
Velhinho: E por quanto mais ou menos você quer trabalhar?
Hiro: Não sei, quanto o senhor pode me oferecer?
Velhinho: 15000¥, para trabalhar como motoboy e ajudar no caixa e aqui na loja.
Hiro fez rapidamente uma conta na cabeça para ver quanto seria mais ou menos em reais o salário, já que não tinha uma base do preço das coisas aqui no Japão e no Brasil tudo é mais caro, então se compensa no Brasil com certeza compensa no Japão.
Hiro: É o suficiente.
Velhinho: Ótimo, pode começar ainda hoje. Sabe andar de moto?
Hiro: Sim. — Não mentiu, afinal seu pai já o ensinara a andar de moto quando ainda tinha 14 anos, ele ainda pensa o que seu pai tinha na cabeça quando o fez.
Hiro: Só irei precisar de um mapa da cidade e de um tempo para decora-lo.
Velhinho: Tudo bem. – Logo o velhinho se abaixou um pouco para alcançar uma gaveta, onde a revirou um pouco até retirar um mapa da cidade, um que mostrava todas as ruas da mesma.
Ele pegou um papel também, onde escreveu algumas coisas e depois deu para Hiro assinar, Hiro deu uma rápida lida no papel e viu que se tratava só da parte burocrática para o emprega-lo, logo o assinou também após confirmar que estava tudo como havia sido discutido entre eles.
Velhinho: Pode demorar o tempo que quiser, assim que tiver alguma entrega lhe chamarei.
Hiro: Ok, obrigado.
Assim que o velhinho saiu Hiro começou a decorar cada rua, cada bairro e cada atalho que poderia usar.
Em meia hora já havia conseguido decorar todo o mapa, já que sempre teve uma memória boa, então não seria muito difícil e caso ele se perdesse, ele estava levando consigo o mapa, logo após isso ele saiu do escritório e foi ao encontro do velhinho que no momento estava atendendo um casal.
Assim que o velhinho terminou de atender o casal se virou para Hiro que só os olhava.
Velhinho: Oh Hiro-kun, já decorou todo o mapa?
Hiro: Sim.
Velhinho: Ótimo, venha aqui, vou lhe ensinar a mexer no caixa.
Hiro: Ok.
O velhinho explicava tudo para Hiro que escutava tudo atentamente.
Logo após isso Hiro começou a trabalhar no caixa enquanto o senhor atendia o telefone e anotava o pedido do cliente para depois o mandar para os cozinheiros prepararem.
Em vinte minutos estava tudo pronto, o velhinho entregou a localização para Hiro que pegou a pizza e a máquina para passar o cartão e foi para onde a moto estava chegando lá viu que a moto na verdade era uma lambreta, deu de ombros e colocou a pizza na caixa térmica e o capacete para depois ir entregar a pizza.
Após entregar a pizza ele voltou para a pizzaria onde ficou no caixa e algumas vezes tinha que sair para fazer entregas.
Quando deu 23h00min, que é o horário em que a pizzaria fecha, Hiro começou a ir para casa.
Continua...
Faltam 18 anos e dois meses para o torneio.
Fale com o autor