Viagens

7 Capítulo 6 - A Profecia


Notas iniciais
Olá, olá! Bem vindos a mais uma viagem! Muito obrigado por todos os comentários! Fico muito feliz com cada um deles! Continue comentando! Nesse capítulo eu trago um pouco mais sobre nossas personagens, o passado e o futuro. Apertem os cintos e boa viagem!

Merly e Cappy retornaram para o salão onde Thornton as aguardava, pronto para fechar o portal o mais rápido possível. Assim que chegaram, o grandalhão ergueu a alavanca, desativando a passagem. No chão, logo atrás das garotas, estava um R-CET, porém, parecia inofensivo. Nenhuma das seis patas metálicas se movia, e até mesmo o pequeno farol ocular à frente da carapaça mineral estava inativo.

— Deve ter entrado pouco antes de eu fechar o portal — disse Thornton — A falta de contato com o Cosmus talvez o tenha desativado.

— É bom deixar um negócio desses por aqui? — perguntou Merly.

— Claro que sim! — respondeu eufórico — Dessa forma, poderei estudá-lo mais profundamente. Isso será um grande avanço!

— Se você está dizendo. Mas, poderia me ajudar com ela? A Maldição a deixou exausta. E ela é pesada!

— De fato. Pobre garota, tão jovem e condenada a carregar uma das piores dores. Venha, vamos levá-la para a enfermaria. As sílfides saberão o que fazer.

Os dois desceram com a garota desacordada para os andares hospitalares e deixaram-na aos cuidados das enfermeiras de vento. Marcos e André estavam lá, dormindo em uma das macas — provavelmente induzidos a isso.

— Precisamos levá-lo até Lanuf, Merly.

— Sim, mas temos algumas horas antes do pôr do sol. Vamos deixá-los descansando. Eles merecem depois de tudo o que passaram. Deve ter sido muita emoção num dia só.

Thornton e Merly deixaram os três jovens aproveitarem seu merecido descanso. Aquele dia tinha sido exaustivo, mas os dias que viriam seriam muito piores. Dormiram até o sol estar prestes a se por, e então, a maga os levou pela floresta em direção ao Velho Carvalho. Ali, eles receberiam instruções para iniciar sua jornada.

* * *

A floresta era da mesma forma como se lembravam, porém, agora, sendo guiados por Merly e Cappy, tudo parecia muito mais claro. Eles seguiam para o sul, como as garotas explicaram. A central era o ponto de referência: a porta apontava para o leste, e assim dão-se os outros.

— É só seguirmos por mais uns dez minutos e chegaremos ao Velho Carvalho — disse Merly, contornando por entre as árvores.

— Como ele é? — quis saber Marcos.

— É um grande carvalho, com uma carranca entalhada. A essência mágica mais poderosa de Yöca, e que mantém toda a floreste viva.

— Então, estamos indo falar, literalmente, com uma árvore?

— Exatamente! Uma bem velha! Mas nem sempre foi assim. Há muitos anos atrás, quando seu avô era um habilidoso guerreiro, o Velho Carvalho era um homem:Lanuf, o profeta. Uns dos poucos a serem abençoados com o poder do oráculo.

— E o que aconteceu?

— Foi numa batalha. Ele estava gravemente ferido, prestes a morrer envenenado. A luta estava praticamente perdida, mas, com a ajuda de seus aliados e num último desespero, o profeta conseguiu aprisionar sua própria alma no carvalho que estava ali. Desde então vive naquela árvore, parado, esperando o momento em que será curado e poderá voltar à sua forma original. Talvez, com você, Marcos, esse momento possa estar próximo.

Marcos permaneceu em silêncio. Era uma grande responsabilidade que tinham dado a ele. Sabia que deveria fazer isso. Essa era a única explicação para tudo o que aconteceu nos últimos anos. Foi decidido a cumprir seu destino que aceitou a missão e partiu para Heliar. Mas seria capaz de suportar isso? Cumpriria esse destino que lhe haviam confinado? Precisava falar com alguém. Mas quem? Não conseguira se abrir nem mesmo com as várias psicólogas a que foi mandado. Numa situação dessas, então, provavelmente morreria antes de contar.

André, por sua vez, estava encantado com tudo o que via. Sem nenhuma pressão nos ombros poderia fazer aquilo que pretendia quando resolveu vir: aproveitar e auxiliar seu amigo. Vindo de uma família rica, porém muito ocupada, sempre teve de tudo, menos o que era essencial. Marcos era o único que o via como realmente era, não se importava com o dinheiro ou status que a família Santos poderia proporcionar. Era eternamente grato ao amigo e faria de tudo para ajudá-lo. Quando surgiu a chance de fugir da frustrante realidade em que se encontrava e viver as aventuras que tanto lia, além de poder retribuir a amizade verdadeira, pulou de cabeça — literalmente!

Depois de andarem mais um pouco, chegaram ao que parecia ser o fim da floresta prateada. A paisagem se abria em um pequeno, porém amplo, espaço gramado. Um grande carvalho se erguia a frente, e por trás dele, um penhasco alto levava ao oceano azul.

— Chegamos — disse Merly satisfeita —Lanuf, aqui está ele, o escolhido: Marcos Guanetti.

Eles se aproximaram da robusta árvore e puderam notar o rosto velho entalhado em sua fronte. Era parte integrante da árvore, como se sempre estivesse ali. Seus olhos se abriram, revelando a órbita de madeira, e disse com uma voz grave e rouca:

— Finalmente está aqui, Grande. Uma força maligna intensa tem se levantado, e só você poderá nos ajudar a detê-la.

— Eu? Mas por que?

— Pois só você tem o poder necessário para isso. Você deve se tornar o líder dos doze.

— Doze?

— Me admira que não conheça a profecia. Ela me foi dada desde antes do seu nascimento, em uma batalha que travamos. Eu e os outros quatro, incluindo seu avô.

— Não — continuou Marcos, sofrendo novamente ao mencionarem seu avô — Não conheci nenhuma profecia.

A boca do rosto de madeira se abriu, revelando um vazio negro e profundo. Os céus se escureceram e uma névoa branca e densa for regurgitada, de tal forma que logo envolveu todo o local. Uma voz poderosa, que parecia vir do além, repetiu duas ou três vezes a Profecia dos Doze:

Em tempos sombrios e de dor
A morte cobrirá o chão
Em dias de caos e pavor
Surgirá, porém, a salvação

Dos descendentes da velha raça
Amada pelo primordial
Surgirá um escolhido que faça
A completa exumação do mal

Dozena, se levante e ande
Seis de Eva, seis de Adão
Pois o poder mórbido do Grande
A vitória trará, então

A névoa se dissipou completamente e logo estavam novamente no fim da tarde, com um belo pôr do sol colorindo os céus.

— Quem são esses doze? — perguntou André, atônito com o que acabara de presenciar.

— Isso somente o tempo nos dirá — começou a velha árvore — Mas vocês precisam ir atrás deles.

— Nós precisamos procurá-los? — espantou-se Merly —Sem saber quem são? Mas o Multiverso tem infinitos universos, e cada um deles possui infinitos planetas! Como vamos encontrá-los?

— Céssio projetou um equipamento mágico para esse momento — respondeu o carvalho, serenamente — Creio que Marcos esteja com ele em mãos. Certo?

Marcos pensava na parte que dizia sobre o “poder mórbido do Grande”. Segundo Merly e Cappy, ele era o Grande. O que isso poderia significar para ele? Tinha medo de receber alguma resposta.

— Marcos? – chamou, André, sua atenção – O equipamento especial de seu avô. Onde está?

— Equipamento? — disse, tentando tirar da mente o “mórbido poder” — Eu não tenho nada de especial. Só descobri que magia era real há um dia. De meu avô só me restam as memórias e aquela caixa velha.

— Creio que deva ser isso — bravejou Cappy, se aproximando e encarando severamente o garoto — Onde está?

— Em cima da minha cama. Deixei lá quando você me sequestrou.

— Você deixou o equipamento no Cosmus? — irritou-se, a garota.

— Calma, Cappy. É fácil trazer a caixa pra cá. Muito mais simples do que viajar com seres vivos. Eu cuido disso bem rápido.

Merly fechou os olhos, e esticou o braço para frente. Pontos luminescentes começaram a surgir em cima de suas mãos e rapidamente a velha caixa de madeira se materializou por completo.

— Pronto! Agora estamos com o equipamento! Vejamos o que temos aqui — exclamou, começando a mexer nos itens da embalagem — Um binóculo, uma folha em branco, um anel, uma pétala velha e esse negócio aqui.

— Isso é um canivete suíço — disse Marcos, cético — Mas não funciona. Já tentei várias vezes! Não entendo como essas coisas vão nos ajudar.

— Leve-as até Thornton — interrompeu Lanuf — Ele deve saber o que fazer. Ele era um gênio da engenharia quando estávamos no mesmo grupo. Além disso, era o melhor amigo de Céssio. Se alguém sabe o que fazer, esse alguém é aquele grandalhão azul.

— Então vamos logo voltar à Central — rosnou Cappy, impaciente — Espero que essa história de “mal ressurgindo” acabe logo.

* * *

Quando chegaram de volta à Central, já havia escurecido. O movimento havia diminuído, mas ainda era intenso. Thornton estava no salão principal, encostado em uma das paredes, esperando o retorno dos quatro:

— Merly, precisamos conversar — sua expressão era séria, como se tivesse pensado nessa conversa o dia todo.

— Que coincidência! Também preciso conversar com você! Quer tomar alguma coisa no Caffe’s?

— Claro, claro. Vamos lá.

Todos subiram até o andar da cantina, o Caffe’s. Cappy e os meninos se sentaram numa mesa e Thornton sentou-se numa outra, mais afastada. Pediram algumas bebidas quentes com nomes incomuns, e os garotos se prepararam para o que pudesse vir.

— Cappy, fique com eles por um momento, tudo bem? Thornton e eu temos que acertar algumas coisas. Prometo que será rápido — ela se dirigiu até a mesa onde estava o colega, ainda bastante pensativo, como se não tivesse certeza de que seria bom — O que queria conversar?

— Oh, não. Por favor, as damas primeiro.

— Tudo bem, então. Fomos até o carvalho, e Lanuf nos disse que precisamos encontrar os doze da profecia. Para isso, Céssio deixou um equipamento que vai nos guiar. Acreditamos que seja isso — ela coloca a caixa de madeira na mesa — Mas não sabemos o que fazer. Ele nos disse que talvez você possa nos ajudar.

— É, talvez eu consiga — disse o ferreiro, examinando a velha caixa de madeira — Mas creio que será realizado mais rapidamente com um auxílio de um velho amigo. Aliás, é sobre esse assunto que gostaria de falar. O menino de cabelos dourados, já está um tanto perdido em Heliar, e, se não fosse o suficiente, ficou bastante cabisbaixo quando lhe disse que não teria nenhum armamento para ele. Creio que possamos resolver isso, talvez ele se sinta mais útil.

— Está dizendo que quer criar uma arma pra ele?

— Não exatamente. Tenho um conhecido, em Nigheter. Um engenheiro que estudou comigo, o melhor. Creio que possa nos ajudar, com o equipamento de Céssio e esse caso do garoto.

— Você sabe que nunca te negaria nada, grandão. Falarei com eles e partiremos assim que amanhecer.

— Agradeço a ajuda, Merly. És digna de tua missão.

* * *

— Por que você ficou assim, Cappy? — perguntou André, questionando sobre a aparência demoníaca da garota.

— Isso é a consequência do meu pecado. Mas não quero falar sobre isso. Não agora.

— Mas quando nós te conhecemos, você era tão... Normal.

— Olha, há um ano atrás, eu fui para Heliar com a missão de chamar o Grande. Infelizmente, nesses últimos anos, com todos esses problemas no P.I.T.E., nós só temos conseguido manter contato com a Terra na meia-noite de ano novo. Quando os bloqueadores dimensionais estão mais fracos. Então, eu fui selada por um ano inteiro. Minhas memórias, minha magia. Tudo que pudesse me colocar como anormal foi escondido até que Merly chegasse. Me desculpe, mas aquela garota “normal” que vocês conheceram não sou eu. Já fui assim, em um passado distante, mas isso já se perdeu.

Um silêncio constrangedor se instaurou na mesa, até que Merly chegou, com seu sorriso contagiante:

— Olá, pessoal. Novidades, Thornton vai nos ajudar com o equipamento, e amanhã nós precisamos encontrar um amigo dele em Nigheter, o planeta das sombras.

Notas finais
Muitíssimo obrigado pela leitura! E então? O que acharam? Gostaram? Não? Viram algum erro? Diz pra mim nos comentários! Pode dizer o que quiser! Adoro ouvir - ou ler kkk - meus leitores! Para o próximo capítulo, iremos visitar o planeta das sombra: Nigheter (eu leio Ni-gué-ter, mas sinta-se à vontade kkkkk). Buscaremos o citado amigo engenheiro de Thornton. Enfim, tem alguma suposição para o que vem a seguir? Deixe nos comentários! :3 Até a próxima viagem!