Viagem para a perdição
4 Separações
Notas iniciais
Versão — Iasmin
Fiquei assustada com a aranha que estava na Taiane, mas claro que não poderia ficar ali parada, dei uma tapinha naquela aranha e ela foi ao chão, que logo depois foi morta com a pisada de Marcelo. Depois de um momento olhei para a Taiane:
– Gente ela fechou os olhos – afirmei surpreendida.
– Não, ela ainda está respirando – disse Michel, botando os dedos no pescoço de Taiane.
Vi Lucas começando a dar umas tapinhas na cara de Taiane para que ela acordasse.
– Acorda Taiane, Taiane acorda! – Gritava Lucas. – Ela não pode dormir porque é pior! – olha pra gente.
Taiane esforça-se para abrir os olhos. Que logo depois consegue abri-las.
Marcelo olhou para as redondezas e depois se ajoelhou de frente para Taiane: — Vamos ter que achar uma civilização logo...porque se não Taiane pode piorar. – olha para Lucas – você a leva ou eu levo?
Lucas olha para um lado meio que pensativo: — Acho melhor você levar, eu vou cuidar de outra pessoa. – Ele se levanta e desaparece da minha visão, que estava só focado em Taiane. Comecei a ajudá-la.
Versão – Lucas
Quando Marcelo me perguntou se eu queria levar a Taiane eu olhei para Paloma que estava maios ou menos a 8 metros da gente, estava distante, neguei a proposta de Marcelo e fui em direção a ela.
Me aproximei de Paloma que estava de costas e parecia que não chorava, mas confirmei quando me aproximei dela e ouvi seus soluços.
– Calma Paloma...- disse abraçando-a por trás.
Ela pegou meus braços e violentamente tirou do seu corpo: — Me deixa – disse ela com tom de raiva. Logo depois se virou de costas novamente.
Aquela atitude me entristeceu bastante, só eu tive a preocupação de chegar a até ela para confortá-la, e de repente ela me trata daquele jeito. Sai de perto dela e voltei aonde estava a turma.
Chegando lá vi que Taiane estava em pé muito pálida e Marcelo estava apoiando em seus passos. Todos estavam preparados para sair.
– Vamos Lucas – disse Talita, que como sempre ficou a primeira da fila.
Todos saíram dali e começaram seguir adiante de uma estrada, ninguém prestou atenção se faltava alguém ali, achavam que todos estavam juntos. Eu fiquei ali parado, de um lado estavam todos indo embora e do outro lado Paloma parada de costas, sem saber de nossos movimentos. Eu poderia avisá-la que estávamos indo, mas a raiva que senti de sua atitude me fez ir em direção a turma, deixando-a sozinha. Sei que iria me arrepender depois, mas naquele momento não queria nem falar com ela, e não falei.
Versão – Michel
Eu era o último da fila, mas depois Lucas chegou atrás de mim com uma cara estranha. Eu poderia ter perguntado o que tinha acontecido, mas estava muito preocupado com a saúde de Taiane, queria achar alguma casa no meio daquele nada.
– Como está ela? – perguntei para Marcelo.
– Eu tô mais ou menos...- disse Taiane respondendo no lugar de Marcelo, estava com os olhos semiabertos.
Andamos por quase um quilômetro sem parar, estávamos todos cansados, e claro morrendo de sede e morrendo de cansaço, eu ficaria com vergonha de ser o primeiro a dizer que estava cansado, e acredito que todos ali também não queriam ser o primeiro a reclamar. Mas desisti, não suportei.
–Gente, estou ouvindo batida de água, tem algum rio aqui perto. Vou beber água lá, não aguento. Disse enquanto virava para o lado de onde vinha aquele som.
Todos olharam pra mim, mas ninguém se moveu. Taine se manifestou:
– Michel já que andamos tudo isso devemos terminar até achar uma casa ou sei lá. Não vamos nos perder mais ainda. – me olha com uma cara de mãe dando moral pro filho. Todos concordam com ela.
– Desculpem, mas eu vou beber água, eu já estou com fome, agora sede, devo pelo menos ficar só com uma agonia né!? – passei as mãos na testa e mostrando para eles – olha...tô cansado de tanto andar.
– Quer saber, pode ir, mas se você for não vamos te esperar, vamos seguir adiante. – Disse Lucas, que estava muito diferente desde quando começamos a andar, parecia rancoroso.
– Quer saber? Vocês só querem do jeito de vocês, eu vou beber água e dane-se vocês. – disse começando a seguir o som das águas. Estava quase morrendo mas parecia que ninguém se importava com isso, o que me deixou muito angustiado.
– Michel! – gritou Iasmin – volta aqui moço! – apenas ouvi e segui adiante.
Versão – Paloma
Quando vi aquela aranha em Taiane me afastei com medo, depois me afastei mais um pouco e me virei deles, e olhando aquela floresta selvagem comecei a lembrar aqueles momentos.
– Flash Back –
Eu estava na viagem sentada mais ou menos no meio do ônibus, e ao meu lado estava Eduardo:
– Paloma, sobre a conversa que tive com você semana passada... – disse ele querendo começar uma conversa.
– Sim eu sei. – respondi – sobre o amor que você sente por mim. Eduardo confirma com a cabeça – bem Eduardo, queria te falar que também eu gosto de você, mas ninguém pode saber.
Eduardo me beija na testa. Ninguém percebeu porque todos estavam entretidos no ônibus
Do nada veio aquele acidente. No meio daquela agonia fiquei chorando, e Eduardo me consolava:
– Calma Paloma. – disse me abraçando — Olha, Marcelo abriu uma janela, vamos.
Me aproximei daquela janela, mas todo mundo também se aproximou, me deixando no maior aperto. Mesmo assim consegui chegar nela. Quando estava perto de sair, olhei para trás e vi Eduardo me dando um “sinal de tchau”. O olhei por um instante, mas tive que sair após ouvir um “vai logo Paloma”. Sai daquele ônibus e tentei disfarçar a minha tristeza. Fiquei do lado de fora esperando ver Eduardo sair daquela janela, mas não tive esse prazer.Ver aquele ônibus sendo arrastado pela ribanceira e engolido pelo rio me destroçou, o meu amor não conseguiu sobreviver e nem minha melhor amiga também, a Helsineia.
– Fim do Flash Back -
Quando voltei dos meus pensamentos alguém se aproximou de mim falando baixinho e me abraçando por trás, fiquei muito zangada. Tinha acabado de perder o amor da minha vida e ele vem me abraçando como se eu já estivesse livre para qualquer um. No extinto me virei e tirei toda minha raiva com a voz. Depois de ter gritado percebi que era o Lucas. Mesmo assim me virei de volta arrependida, estava muito envergonhada da minha atitude, nunca tinha tratado ele daquela forma, ele sempre foi carinhoso comigo, e agora trato ele assim.
Chorei novamente e meus pensamentos foi à mil, parecia que eu era a única que estava traumatizada com o acidente, pensei em cada um que morreu afogados. O silêncio naquela mata me fazia pensar mais ainda. “Mas peraí...esse silêncio”, pensei. Quando me virei percebi que todos tinham ido embora sem mim. Estava sozinha.
– O que vou fazer? como vou me virar sozinha? não sei de nada sobre floresta. O que eu faço meu Deus? – gritei enquanto ajoelhava. Estava desesperada. Até ouvir uma voz que fluía ao meu lado.
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