Versão – Iasmin

Aquela voz era conhecida, olhamos para trás e confirmamos que falava com a gente: o cara canibal. Ele estava meio tonto, se apoiou na parede e avisou:

– Fica todo mundo quieto, ninguém se mexe ou morre!

Marcelo não se segurou: — Você é o demônio! Como pôde causar o acidente que matou tanta gente? Você não pensa?

Eu sussurrei ao lado de Marcelo: — Se acalma...

O homem pegou uma espingarda que estava encostado na parede e disse: — Vamos, quero todo mundo entrando por onde saiu!

Tínhamos que entrar naquele lugar novamente, agora sim todos nós iriamos morrer. Quando entramos, sentamos no chão novamente.

– Muito bem, já sabem como é o sistema...- disse ele parando na porta e olhando o corpo de sua mulher – Hum...olha só o que fizeram...vocês vão ter um castigo, vai morrer um por um agora com um tiro na cabeça, que nem aquela mulher ali – disse ele apontando para o corpo na maior tranquilidade.

– Pelo amor de Deus, nos deixe ir! – disse Michel com os olhos fechados.

O homem abriu sua gaveta e pegou algumas balas que estavam nela, e pôs na espingarda. Depois veio na direção da gente.

– Bem, vamos começar pelo lado de cá – disse ele indo na direção de Marcelo.

Comecei a chorar silenciosamente enquanto ele apontava a espingarda para a cabeça de Marcelo.

– Se vocês verem a minha mãe, diga que eu a amo muito...- disse Marcelo com os olhos fechados e saindo lágrimas.

Fechei os meus olhos e ouvi um tiro, abri imediatamente e vi Marcelo estirado no chão, saindo sangue de sua cabeça. Todo mundo começou a gritar pedindo ajuda.

– Agora chegou sua vez menininha...- disse o homem apontando para Paloma, cujo ela olhava para o chão sem reação. Novamente fechei meus olhos e ouvi outro tiro, abri e vi Paloma estirada da mesma forma que Marcelo.

– Agora é você...- disse ele apontando a arma para Michel. Fechei meus olhos e ouvi um tiro. Abri meus olhos, mas vi algo diferente, O homem estava caído com um ferimento na cabeça, e na porta estava um garoto segurando o machado daquela mulher. Era o Lucas!

– Ai meu Deus – disse Michel aliviado – ainda bem que ele errou o tiro!

– Paloma! – disse Lucas se ajoelhando ao lado de Paloma – Marcelo!

– Vamos sair daqui! – disse eu me levantando – não quero ficar aqui nem mais um segundo, quero fugir! – gritei desesperada, não aguentava mais ver tantos amigos morrendo.

– Calma! – disse Michel – na cintura dele ali é uma chave! – ele foi na direção do velho e arrancou o chaveiro – vai, Iasmin e Lucas, saiam antes que ele acorde!

Saimos daquele lugar, Michel fechou a porta e começou a colocar a chave na fechadura, um por um, mas sem sucesso.

– Rápido Michel! Ele pode acordar! – disse Lucas apressado. Eu concordei.

– Gente, não tá vendo que isso aqui tem mais de mil chaves? – disse ele apontando o chaveiro para a gente.

De repente ouvimos um barulho do lado de dentro, e logo depois uns passos.

– É ele! – disse Michel, que estava agora mais rápido que nunca querendo trancar a porta.

A fechadura girou para o outro lado, percebemos que era o canibal querendo sair. Eu e o Lucas tentamos puxar a porta para o nosso lado para que ele não saísse, e enquanto isso Michel tentava achar a chave certa.

– Pronto! – disse Michel – a chave girou!

– Agora vamos sair daqui! – disse correndo junto com Lucas em direção daquela floresta.

– Espera! – disse Michel que estava parado na frente da porta.

– Espera nada! – disse agoniada – dessa vez vou embora daqui, chega! Sempre a gente tem chance de fugir, mas acabamos voltando e nos ferrando!

– Mas...nem lembramos de uma coisa...- disse ele.

– O que? – perguntou Lucas.

– Telefone! – disse Michel feliz – na casa pode ter um telefone fixo.

Na mesma hora eu corri em direção à casa e procuramos o telefone pelos cômodos, e dentro do quarto do homem, vimos um telefone azul em cima de uma estante cor madeira. Foi como achar um rio num deserto. Michel pegou o telefone e pôs no ouvido.

– Tem linha!

Versão – Narrador

Michel ligou para a sua casa e sua mãe atendeu a ligação. Ela ficou surpresa, pois pensava que o seu filho estava morto, assim como todos. Toda a cidade estava em luto. A mãe de Laura chegou a polícia contando que sua filha tinha ligado para ela dizendo que estavam num ônibus que iria descer em direção a um rio que tem uma ponte quebrada. Assim os policiais foram lá e chamaram uma equipe que descobriram o ônibus cheio de corpos abaixo do rio, causando maior alvoroço em Itamarati. Mas a família de Lucas, Iasmin e Michel, puderam ter o conforto de saber que eles tinham sobrevivido.

E o canibal que estava preso em sua “cozinha” foi preso horas depois e preso na cadeia de Ibirapitanga, e que com certeza irá ficar muitos anos por lá. O caso dos canibais também foi motivo de muita alforria na região, ninguém sabia o motivo de muitas pessoas desaparecem ao redor daquele lugar, mas depois de saberem daquela casa no meio da floresta, e dos dois canibais, souberam a razão.

Dias depois, teve um velório coletivo no colégio de todas as pessoas que morreram afogadas, e de outras formas naquele dia. Foi um dia muito triste na cidade. Mas com os dias se passando, foram se acostumando com a dor.

Versão – Michel

Depois daquela semana triste que passamos Iasmin, Lucas e eu, decidimos nos encontrar no passeio de casa à tarde. Não podíamos falar de outro assunto a não ser da viagem.

– Que semana tivemos não é...- disse Lucas, totalmente sério.

– Perdemos muitos amigos...nem sabemos em qual pensar, foram muitos! – disse Iasmin olhando para o chão.

– Calma gente...- disse tentando confortá-los. – isso tudo que aconteceu foi porque estávamos no lugar errado e na hora errada...se aquele louco não escolhesse nosso ônibus como armadilha, estaríamos todos bem...- ficamos quietos pensativos – ah...- tinha lembrado de uma coisa, botei a mão no meu bolso e tirei dele um papel dobrado – toma Lucas, isso aqui é pra você.

Lucas abriu o papel e viu que era um desenho de Taine e ele se abraçando, e em cima dos dois estava escrito com a letra de Taine: “Ty love”. Na mesma hora Lucas soltou uma lágrima.

– Eu tinha esquecido disso...- disse Iasmin – ela mandou eu desenhar...como você tinha isso, Michel?

– Ela mandou eu guardar antes de entrar no ônibus...antes de irmos para aquela...

~Sala de aula~

...viagem para a perdição. Gostei muito da sua história Michel, é emocionante. – Disse Marcia me entregando o livro para mim. Todos da sala me olharam admirados.

– Só não gostei porque eu morro no ínicio. – disse ela meio zangada.

Mateus disse gritando: — Todo mundo morre daqui da sala, menos Michel e seus amiguinhos...claro, ele que é o autor né. — Todos da sala concordaram com ele.

–Mas é claro – respondi – a história é minha, eu faço do jeito que eu quiser, claro que não vou morrer dãããn..

Márcia aconselhou: — Seria legal Michel, pra história terminar logo, você morrer. Aí fica sem narrador sabe.

– Verdade – respondi – gostei da idéia.

De repente ouvi um barulho tremendo, como se algo tivesse caindo do céu, logo depois um meteoro caiu bem na sala e indo direto em cima de mim. Morri.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!