Viagem no tempo
2 Perdidos no tempo
Notas iniciais
— Sakura-chan, Sasuke-kun... O que é que se passou?
— Boruto...
Com esse simples nome, mas que era tão importante para ela, a matriarca sente um aperto no peito.
— Tem calma Hinata — a Sakura toca no ombro da morena, traquilizando-a. — Está tudo bem com ele. — a outra suspira de alívio. — Mas...
— Digamos que ele pode estar em apuros. — conclui o Sasuke.
— Em apuros? Como assim?
— O Boruto encontrou um pergaminho secreto que permite ao usuário viajar no tempo. -a rosada passou a explicar. — A esta altura, ele já pode ter conseguido voltar para o passado ou até mesmo saltar para o futuro...
A Uzumaki estava boquiaberta. Ela não conseguia acreditar no que estava a ouvir. Sim, ela sabia que o seu filho mais velho era um grande traquina, mas daí a levar um pergaminho secreto sem permissão...
Não... Ela sabia que lá no fundo ele seria capaz.
O mesmo pensamento passou pela mente do Naruto quando lhe contaram aquilo.
Os três adultos já se encontravam no escritório do Hokage. O loiro estava agora em pé, a olhar para a vista que o seu escritório proporcionava: para a aldeia de konoha.
Ele tinha uma expressão séria no rosto, que não demorou muito tempo a ser substituída por um sorriso ligeiro, ao se lembrar do seu passado. Também ele tinha levado um pergaminho secreto e bastante importante para a aldeia.
— Não esperava menos do meu filho... — gargalhou levemente. — Afinal de contas, as nossas personalidades são muito parecidas-ttebayo! -afirmou ao se voltar para a sua esposa e para os seus amigos de infância.
O Sasuke sorriu de lado em resposta e a Sakura suspirou pesadamente, negando com a cabeça — por conta daquela situção — mas também com um sorriso no rosto.
Já a Hinata sorriu para o seu marido. Ela, mais do que ninguém, sabia exatamente como pai e filho eram parecidos não só na aparência como também na personalidade.
— Mas... O que vamos fazer com esta situação? — pronunciou-se a morena. Afinal de contas ainda estava preocupada pelo seu filho estar sabe-se lá aonde, com um pergaminho secreto. Ela tinha receio que acontecesse alguma coisa às crianças. Ela estava preocupada com todos eles e a Uzumaki não era a única.
— A Sarada foi com o Boruto. Ela é bastante responsável para a sua idade mas mesmo assim...
O Sasuke, sentindo a aflição que a sua esposa tinha — tal como ele — resolveu elaborar um plano.
— Naruto, lembras-te do plano "duplo olho de falcão"?
O Uzumaki quase deu um salto ao ouvir tal nome.
— É isso! Vamos falar com o Kakashi-sensei!
*
*
*
—Admite... Estamos perdidos! — resmunga uma voz de menina.
— Sarada! Há meia hora que estás só a dizer a mesma coisa-ttebasa!
— Talvez porque estamamos mesmo perdidos, baka Boruto!
— Mas que rabugenta que tu és Sarada!
— Ai é? E será que eu devo relembrar de quem é a culpa por estarmos metidos nesta situação? — a pequena aponta o dedo para o loiro que estava à sua frente. — Em primeiro lugar, de quem é a culpa por estarmos aqui? — o Uzumaki resmungou algo como "vieste porque quiseste". -Em segundo lugar, quem teve a ideia de não perguntar o caminho certo às pessoas que estavam lá atrás?
—ARGH!!!! — o Uzumaki bagunçou o seu cabelo em sinal de frustração.
O Shikadai, que ia um pouco mais atrás dos dois, só fazia era suspirar por conta de tanta gritaria que estava a ouvir à uns bons minutos.
No fundo, ambos os seus amigos tinham razão.
Eles só estavam ali porque queriam e também, deviam de ter perguntado onde estavam.
AKonoha do passado era diferente da nova e moderna onde eles viviam. Todas aquelas ruas não lhes eram familiares e os pequenos já estavam há um bom tempo a andar às voltas.
No entanto, discutir é que não lhes levava a lado nenhum.
O moreno suspirou mais uma vez e parou.
Os outros dois, ao pararem de ouvir os passos do amigo que vinha atrás deles, olharam confusos para o Nara.
— Shikadai?
O Uzumaki e a Uchiha pronunciaram-se ao mesmo tempo e fizeram uma careta um para o outro. Mais uma vez, o pequeno Shikadai suspirou por conta de toda aquela situação.
— Oiçam, assim é que não vamos a lado nenhum!
Os outros dois abaixaram a cabeça, envergonhados.
— Se queremos descobrir onde estamos e voltar para casa em segurança, sugiro que trabalhemos em equipa. — a Sarada e o Boruto assentiram, dando razão ao Shikadai.
— Vamos tentar encontrar uma loja ou restaurante. Estas ruas estão desertas... Mas precisamos de ter cuidado. Lembrem-se de que esta não é a nossa aldeia. O Shino-sensei já nos disse que as coisas eram diferentes no tempo dele, não foi?
Os outros assentiram novamente.
Um leve barulho vindo dos arbustos do jardim onde se encontravam deixou o Shikadai em alerta.
— Agora façam as pazes -mandou, após colocar as mãos nos bolsos.
— O quê?! — perguntaram ambos, novamente ao mesmo tempo.
— A minha mãe obriga-me a fazer o mesmo quando eu, o Inojin e a Chouchou nos chateamos. Pode ser chato, mas é preciso vocês fazerem isso se quiserem continuar e achar uma solução para sairmos daqui. Para além de que não aguento mais outra discussão... — completou mentalmente.
A Uchiha fez um beicinho mas mal teve tempo para dizer alguma coisa pois o loiro que estava à sua frente estica a mão esquerda de surpresa. Ele tinha uma expressão meio rabugenta no rosto mas mesmo assim, notava-se que estava a tentar fazer o que era certo.
A Sarada também esticou a sua mão, ligeiramente encabulada.
O aperto de mãos foi breve mas o suficiente para os dois começarem a rir daquela situação. Aliviado, o Shikadai também sorri.
No entanto...
— Vocês ouviram aquilo? Parece que está algo no arbusto... — sussurrou o filho do Shikamaru e da Temari.
— Sim... — respondeu a Sarada.
— Não me digam que... Estamos a ser seguidos...
— Não sei Boruto... Mas é provável...
A expressão do rapaz de olhos azuis muda completamente. Ele agarra nas mãos dos seus companheiros e desata a correr, com os mesmos atrás.
— Elizabeth a terceira, onde estás minha querida?
Uma senhora bem gordinha entra no mesmo jardim em que os nossos protagonistas estavam anteriormente. Ela tinha um ar fino. O seu chapéu, enorme e cheio de aparatos, quase lhe tapava a visão. Mas isso não a impedia de procurar o que a trouxera ali.
— Elizabeth a terceira! — chamou mais uma vez.
Algo no arbusto voltou a mexer-se. De lá saí uma gata malhada com uma bonita fita cor-de-rosa ao pescoço e um guiso dourado. Ela vai de encontro à mulher e mia para a mesma.
— Oh minha querida, estás aqui! — a mulher tenta baixar-se mas é impedida por um vulto laranja.
— Espere! Estávamos à procura desse gato, minha senhora! -disse o rapaz que estava vestido com um estranho conjunto laranja e deveras chamativo. — Temos que levar este gato ao seu respetivo dono! — completou, enquanto tirava alguns galhos do seu cabelo.
— O quê?! Mas a dona sou eu! — exclamou frustrada e com as bochechas vermelhas, sinal de que já se começava a irritar.
— Mas---
O rapaz é interrompido por outro, que surge como um flash, ao seu lado.
— Naruto, seu idiota, não é esse o gato que estamos à procura.
— O quê-ttebayo?! -o outro exclamou num berro, espantado, entanto olhavada para a foto do gato em questão (que o moreno tinha segurado entre os seus dedos).
O loiro olhava para a cara do gato que se encontrava nos seus braços e de novo para a foto, repetindo este gesto umas quantas vezes.
— Tens a certeza Sasuke? A mim parecem-me iguais! — disse por fim, com os olhos semi-serrados.
Em seguida, o loiro sente uma pancada na sua cabeça.
—Itai-ttebayo!!!!!
O gato que estava nos seus braços salta para os da sua dona, que a acolhe com carinho e com um olhar fulminante para o rapaz de olhos azuis com riscas na cara.
— Naruto seu grandessissímo baka! Ainda tu te consideras um ninja? — gritou uma voz feminina, extremamente zangada. — Não sabes ver a diferença entre os dois gatos?
— B-bem...
— Pedimos desculpa pelo incômodo, senhora. — a moça de cabelos curtos e rosados faz uma reverência e com uma mão, baixa a cabeça do colega de equipa, para que ele faça o mesmo.
— O nosso companheiro de equipa está um bocadinho zarolho estes dias...
A senhora faz um olhar desgostoso e vai embora com passos pesados pela calçada cinzenta do jardim.
—Itai! Sakura-chan! — resmunga, após sentir que a sua colega lhe dera mais um cascudo na cabeça.
— É para aprenderes a prestar mais atenção Naruto! — vociferou a Sakura.
— Sasuke...
— A Sakura tem razão — disse o outro, prontamente. — Agora vamos embora.
O rapaz de cabelos pretos e espetados sai primeiro, sendo seguido pela moça de cabelos rosa que pedia para ele esperar por ela.
— Hum...
Com mais um resmungo o ninja obedece e os três integrantes da equipa sete desaparecem naquele mesmo instante.
(...)
O Shikadai, a Sarada e o Boruto tinham finalmente chegado a uma pequena loja que vendia chá e dangos. Os três sentaram-se no banco que estava no lado de fora e por mais incrível que pareça, o estômago das três crianças roncou ao mesmo tempo.
A Sarada procura algo na sua mala e quando encontra, pede aos outros dois que estiquem as suas mãos.
— A minha mamã fez estes bolinhos de arroz caso ficássemos com fome...
Os outros agradeceram de bom grado e comeram de imediato.
Após dar a última dentada — no seu terceiro bolo de arroz — o Uzumaki apercebe-se de uma coisa.
— Sarada, tu... Não contraste à tua mãe o que aconteceu e onde íamos... pois não-ttebasa?
— !
A menina parou de comer, encabulada.
— É claro que disse!
— E eu também — disse o Shikadai, para espanto do seu amigo.
— O quê?! — entrou em pânico. — Vocês querem que eu fique de castigo para a vida inteira-ttebasa?
— Olha, e de quem foi a culpa por estarmos envolvidos nesta situação?
— E quem é que teve a brilhante ideia de roubar um pergaminho secreto para viajar no tempo?
O Boruto gritou frustrado enquanto bagunçava o seu cabelo com as mãos.
— Ah! Eu já disse que não roubei, dattebasa! — gritou. — Levei emprestado sem o meu pai saber!
— E de onde é que isso é diferente de roubar, baka Boruto? — questionou a menina com um olhar acusador, enquanto ajeitava os seus óculos vermelhos.
—Agh!!!!
— Vocês os dois estão a chamar muito a atenção. — sussurrou o Nara.
As outras duas crianças olharam para trás e viram que os poucos clientes que se encontravam na loja àquela hora os observavam um tanto chateados por causa dos gritos.
Uma figura feminina apareceu por trás do Boruto, assustando o mesmo.
— Rapazinho, ou fazes menos barulho ou chamo os teus pais!
As crianças que apesar de não serem capazes de reconhecer aquela pessoa de imediato -fisicamente — puderam reconhecer a sua voz.
— Anko-sensei!
— Hum? — a outra, espantada que as três crianças sabiam o seu nome, perguntou em seguida: — Vocês... são alunos da academia ninja?
— ?!
As crianças não sabiam o que dizer. Nem mesmo o Shikadai.
— Porque estão sozinhos? Onde estão os vossos pais? E porquê tanta gritaria?
O Boruto congelou de imediato, tal como os seus amigos." E agora, como é que nos vamos safar desta?" Pensaram eles, ao mesmo tempo.
Continua...
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