Viúvas Negras
6 Arquivo 6: Niguém é
Notas iniciais
— Bom dia! Kyo pediu para avisar que o café da manhã está pronto! — Foi a primeira coisa que ouviram Kenji dizer ao escancarar a porta da base. Kaoru estava logo atrás, resmungando alguma coisa sobre "já ter ajudado demais" e "maldito equipamento".
— Bom dia, Kenji-kun~! — Mai sorriu para o menino.
— Onde você está vendo um bom dia, pivete? — Ayako resmungou — Não encontro nem o dia.
— Miko-san, mal humor logo pela manhã não faz bem pra pele, sabia?
— Como é que é, pivete?!
— PARA A COZINHA! — O rapaz gritou, girando em seus calcanhares e correndo da briga. Isso deixou Kaoru como o guia do grupo.
— Estou cercado de idiotas. — Resmungou — Venham, vou levá-los à cozinha.
— Lin, fique aqui, de olho nas camêras.
— Sim, Naru.
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Poemas e poemas poderiam ser escritos sobre os corredores da mansão, todos mórbidos, todos melancólicos. Poemas, poesias, contos, histórias, palavras, palavras, todas tristes, todas efêmeras para o escritor, todas eternas para o leitor. O chão rangia sob os pés dos vivos. As janelas grandes com vidros quase invisível pareciam zombar da liberdade perdida de procurar abrigo no mundo exterior. As portas de madeira pareciam dizer o quão azarados seriam caso tentassem encontrar consolo no mundo interior. As chamas das velas, por que velas e não lâmpadas?, bruxuleavam com a suave brisa da manhã, por que deixá-las acesas durante o dia?, que fazia as cortinas de branco encardido bailar, iluminavam o que a pouca luz natural não conseguia. As pinturas de pessoas do passado pareciam sussurrar aventuras, perdão, desventuras sombrias. Os ocasionais vasos de flores constratavam fortemente com o resto do ambiente. Não, não os vazos, os vazos cinza e depressivos, não, não os vazos, mas as flores que neles descansavam. Sim, sim as flores. Camélias. Camélias vermelhas, vermelhas e perfeitas.
— E quando vamos encontrar essa sua "Jou-chan"?
— Ojou-sama tem um corpo frágil, então passa o tempo em seu quarto, Matsuzaki-san. Duvido que um dia um de vocês seja digno de vê-la.
— Como assim?
— Ojou-sama é um ser feito de luz, puro e belo. Pessoas como nós não somos dignos de estar em sua presença.
— E como vocês cuidam dela? — Bou-san questionou, erguendo uma sobrancelha?
— Nós raramente a vemos. A Barqueira é a única que está constantemente com ela.
— Mas ela voltou para a outra ilha!
— Takigawa-san, você a viu partir, não retornar.
— Mudando de assunto, — interrompeu Naru — quem são essas pessoas?
— São as antigas donas da Ilha e seus maridos.
— Nossa, tem todo tipo de gente... — Mai comentou.
— Conte mais sobre a ilha, Sakaki-san.
— Oras, Shibuya-san, é uma ilha como outra qualquer. Um pedaço de terra esquecido por seu Deus no meio do mar. A mansão é muito antiga, como pode ver. Aparentemente construída para parecer um castelo, é uma surpresa não ter caído até hoje. A primeira família a morar aqui tinha no brasão uma fênix com uma flor de camélia bem grande no bico. Carmesin, era o nome da família. Ojou-sama é a última dessa linhagem.
— E as mortes dos maridos?
— Eu não sei sobre as mortes dos maridos e não pretendo saber. Pergunte ao idiota do Kyo. Ele é fascinado pela Morte.
— Ei, Kaoru-kun? E este corredor? Ele é diferente. — Mai perguntou, parando, e fazendo o gurpo parar, para apontar a um corredor diferente dos outros. As rochas das paredes eram brancas, não cinza, mas brancas, a madeira do chão era também branca. As camélias eram brancas e pareciam ainda mais frescas que as outras de vermelho berrante. Não haviam janelas, pois era um corredor no meio da mansão, um beco sem saída, então a iluminação ficava por conta das velas nos candelabros prateados, que discordavam com os dourados dos outros corredores. Não haviam quadros nas paredes, exceto por um no fim do corredor, no fim do beco sem saída.
— Esse corredor é uma homenagem feita para a primeira filha dos primeiros Carmesin. Essa pintura é a única prova de sua existência. Evitem pisar nesse corredor.
— Deixa eu adivinhar... Não somos dignos? — Yasuhara brincou.
— Ninguém é.
— E a Barqueira?
— Ninguém é.
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