Notas iniciais
Finalmente, o Nyah voltou!! Muita gente já deve ter lido esse capítulo em outras paragens, mas eu ficaria feliz, mesmo assim, se me deixassem um comentário, ok? Beijão!

O mundo pareceu estar em câmera lenta enquanto os membros do coral levantavam o troféu tão merecido, cumprimentavam uns aos outros, e recebiam aplausos e felicitações dos jurados, do apresentador e até do coral adversário, ainda no palco onde havia acontecido a competição. Porém o momento em que o mundo realmente pareceu diferente foi aquele em que Finn, Rachel e seus companheiros de jornada entraram juntos na escola, na segunda-feira, e, no lugar de raspadinhas, receberam um banho de papel picado.

Havia faixas parabenizando o grupo por sua conquista, os alunos estavam reunidos no corredor, para vê-los carregando o prêmio, e, enquanto os casais aproveitavam o clima para namorar, membros solteiros do ND, como Rory, ganhavam carinhos, como abraços e beijos na bochecha, de meninas que nunca haviam falado com eles antes. Will foi ovacionado por seus colegas de trabalho e ganhou um bolo, que foi cortado enquanto Emma mostrava ao namorado a foto dele na primeira página de um jornal local.

Finn dobrou o montante em dinheiro que ele e Rachel tinham guardado até então, ao receber de Rick Nelson a quantia apostada pelo ruivo na derrota do grupo, e Kurt se assustou, ao ser abraçado por um jogador de futebol. Sue Silvester retomou seu posto à frente das Cheerios, ao entregar o cheque do primeiro lugar ao diretor Figgins, enquanto Rachel deu autógrafo para uma menina do primeiro ano, no anuário de 2012, e mal pode acreditar que aquilo era realidade.

Durantes as aulas, colegas ficavam perguntando a cada um deles detalhes sobre a competição e alguns até falavam em tentar uma vaga no coral no ano seguinte. Depois, a turma toda se reuniu na sala do coral e brindou com cidra, visto que eles não podiam consumir álcool, mas as garrafas e o líquido nelas lembravam champagne. Então, beberam e também deram banho uns nos outros com ela, como se faz com a bebida cara em grandes comemorações esportivas. Mesmo sabendo que, provavelmente, com a saída de parte deles, o coral voltaria a ser visto como coisa de perdedor e teria que lutar para juntar novamente o número mínimo de componentes para competir, eles estavam felizes e orgulhosos.

"O Finn me disse que você tava lendo no ensaio porque vai fazer uma prova essa semana, cara. Foi mal!" Sam se desculpou com Puck, no meio da festa improvisada.

"Tá tudo em paz, brother. Eu provavelmente não vou passar, mas eu decidi pelo menos tentar prestar pra Educação Física. Eu não vou querer limpar piscina a minha vida inteira, né?" Falou, sem perceber que Quinn prestava atenção a tudo.

"Vocês não tem medo de relacionamento à distância, não?" Sugar perguntou a Santana, Mercedes e Tina, visto que as duas primeiras se mudariam em breve de Lima, e o namorado da terceira também. Santana faria faculdade em Kentucky, graças a uma bolsa para líderes de torcida, Mike tinha recebido um convite da Joffrey em Chicago, e Mercedes fora contratada por um produtor de LA, para ser cantora de apoio em uma gravadora independente, e teria aulas de extensão na UCLA.

"Medo eu tenho, mas a gente tem pelo menos que tentar, né?" Mercedes deu de ombros. "Ainda mais quando eu não teria conseguido sem o Sam."

"Eu não terminaria com o Mike, de repente, só porque ele vai estar em outra cidade." Afirmou Tina, tristonha por um momento.

"Eu, na verdade, não conversei com a Brit ainda. Eu não tava esperando que ela realmente não se formasse. Achava que ia ganhar uma segunda chance, que nem o Puck." Observou, preocupada.

Conversas como estas, sobre mudanças e despedidas, eram inevitáveis, mas não duravam muito, porque alguém sempre lembrava o que eles realmente estavam fazendo ali, que era celebrar. Fechado o colégio, eles seguiram para o quintal da casa de Mercedes e passaram a noite lá, simplesmente para ficar mais tempo juntos e fazer o momento durar o máximo possível.

A comemoração não terminou naquela noite, no entanto, porque o mentor daqueles meninos e meninas foi agraciado, dias depois, com o título de professor do ano, em um evento que aconteceu no auditório e foi apresentado por Rachel e Finn. Vestidos novamente com as roupas usadas nas Nacionais, eles subiram ao palco juntos e anunciaram a vitória de Will, surpreendendo o rapaz, que nem imaginava ter sido escolhido, entre tantos bons profissionais que trabalhavam no McKinley com ele.

"Espere." Finn pediu, quando viu o amigo se levantar na plateia. "Antes de vir receber o prêmio, queríamos dizer algumas coisas." Continuou, vendo o outro reocupar sua poltrona. "Há três anos, eu achava que tinha tudo. Eu era o capitão do futebol, namorava a capitã da torcida... mas, então, conheci você, Sr. Schue, e percebi tudo o que me faltava. Há muitos professores ótimos nessa escola, que ensinam muitas coisas importantes, como dirigir, calcular frações... só que você ensina seus alunos a sonharem e acho que não há nada mais importante do que isso."

"Quando te conheci, eu era só uma judia irritante, com pais gays e um sonho enorme." Foi a vez de Rachel falar ao microfone. "Hoje, ainda tenho dois pais, sou judia e talvez seja irritante do mesmo jeito, mas estou aqui, irei para Nova York, haja o que houver, e digo sinceramente que não poderia ter feito isso sem você. Eu te levarei comigo pra sempre e... parabéns! Ninguém merece isso mais do que você. Te amamos e isso é pra você!" Completou, enquanto as cortinas se abriam atrás dela, mostrando o resto do coral que ele coordenava.

Não poderia ter sido escolhida uma música mais adequada ao momento de vida de todos eles do que We are the champions e, durante a apresentação da mesma, ninguém melhor do que o casal para buscar o amigo no meio dos convidados, a fim de que fosse ao palco com eles e abraçasse, um a um, seus protegidos. Emma, Beiste, e até mesmo Sue, compartilharam, sorridentes, da felicidade do colega, a quem também amavam e admiravam muito.

Então chegou a última semana de aulas e, bem no começo dela, o exame de Finn. O diretor da The Actor's Studio em pessoa fora a Ohio para vê-lo, após ter se emocionado com a ficha de inscrição do rapaz e suas cartas de recomendação. Faltavam apenas alguns minutos para a apresentação e, se por um lado a presença de James Lipton ali era animadora, por demonstrar que Hudson tinha causado boa impressão, por outro ela era intimidante, em razão da notoriedade do apresentador.

"Fica calmo. Vai dar tudo certo." Rachel pediu, segurando as duas mãos dele entre as suas, na coxia do auditório. "E, como eu já te disse, quando você se mostra confiante fica muito sexy." Sorriu e ele fez o mesmo, relaxando um pouco.

"Você passa o texto comigo, só mais uma vez?" Pediu a ela, pois contracenaria com uma atriz, que tinha recebido o trecho selecionado, mas com quem não pode ensaiar.

"Claro! Se for te deixar mais calmo." Ele assentiu e pigarreou, assumindo a postura do personagem, para que ela começasse. "Olá." Ela disse, já na pele da jovem vivida no cinema por Drew Barrymore.

"Olá." Ele respondeu, dando continuidade ao diálogo.

"O que faz aqui?" Perguntou, se fazendo de confusa, como a personagem deveria estar.

"Eu... eu vim resgatar-te."

"Resgatar-me? Uma plebeia?"

"A bem da verdade, eu venho implorar teu perdão. Eu te ofereci o mundo e no primeiro teste de honra, te traí. Por favor, Danielle."

"Diga de novo."

"Eu sinto muito."

"Não. A parte em que diz o meu nome."

"Danielle." Pronunciou, sorrindo, como o príncipe de Para Sempre Cinderela."Talvez você pudesse ser muito gentil e me ajudar a achar a dona deste maravilhoso sapatinho." Continuou, mostrando o adereço que usaria no palco.

"Onde você o achou?"

"Ela é minha cara metade, de todas as maneiras. Por favor, me diga que eu não a perdi."

"Pertence a uma camponesa, alteza... que fingiu ser uma dama da Corte para salvar a vida de um homem."

"Sim, eu sei. E o nome é Henry, se não se importa." Corrigiu, se ajoelhando. "Eu me ajoelho diante de ti, não como um príncipe, mas como um homem apaixonado. Mas eu me sentiria como um rei se você, Danielle de Barbarac, aceitasse ser minha esposa."

"Eu já sou sua esposa." Rachel brincou, tendo acabado a cena escolhida.

"A melhor de todas!" Ele assegurou, levantando-se e beijando a morena.

"Não vai beijar assim a atriz que vai contracenar com você, não, hein! Primeiro, você tem que aprender beijo técnico."

"Sério? Eu tava pensando em tirar uma casquinha." Afirmou, zombeteiro, levando um leve tapa no braço.

"Quebra a perna." Falou, ouvindo o nome dele ser chamado, e ele apenas sorriu, indo para a frente das cortinas.

"Seu nome é Finn Hudson e você quer muito ser ator, certo?" O senhor barbudo questionou e ele apenas balançou a cabeça. "Sua carta mostrava muita paixão e as cartas dos seus professores demonstravam uma grande admiração e carinho por você. Sua história de vida é muito interessante e eu quis vir te ver pessoalmente por tudo isso, mas você sabe que seria uma exceção, se passasse, não é? Você não fez nenhuma atividade extracurricular relacionada a drama, apenas esportes e clube do coral."

"Eu demorei para assumir meu sonho, senhor Lipton. Eu nunca pensei que servisse pra nada e que pudesse sair de Lima, então não via razão nem pra tentar." Explicou, envergonhado. "Mas eu aprendi, com pessoas que amo, que nunca é tarde pra começar, quando a gente quer realmente uma coisa. E também que não se pode desistir, quando os obstáculos vierem, porque é claro que eles virão!" Respirou fundo. "Então a única coisa que eu posso garantir é que o senhor não tá perdendo seu tempo aqui, porque, se eu não passar dessa vez, eu vou tentar outras. Eu vou ser um ator, um dia, e o senhor vai poder dizer que me deu minha primeira chance." Brincou.

"Muito bem! Quando quiser, então, Finn." Fez um gesto, indicando que ele poderia começar e ele chamou a atriz, apresentando primeiro a cena falada, durante a qual foi perdendo qualquer nervosismo que pudesse ter atrapalhado sua performance na cena de Os Miseráveis.

James Lipton elogiou as escolhas de Finn e comentou alguma coisa sobre o custo de vida em Nova York e trabalhos de meio expediente, mesmo que tenha feito questão de manter a compostura e dizer que o resultado do teste seria enviado, por email, até o final da semana. O candidato, por sua vez, não querendo deixar ninguém otimista demais e abrir espaço para decepções maiores, se limitou a comentar apenas a última parte, quando encontrou Rachel e Kurt esperando por ele no corredor.

"As cartas de NYADA também vão chegar essa semana." A garota comentou.

"Meu Deus! Isso é tão excitante!" Kurt levou as mãos ao rosto, empolgado.

"E totalmente apavorante." Finn preferiu mostrar um pouco de medo, para lembrar que nenhum deles estava garantido. Temia a reprovação de qualquer um dos três, quando vinham fazendo tantos planos.

"Temos que fazer um pacto. Quando recebermos as cartas e, no seu caso, o email, chamaremos os outros dois e abriremos juntos." Rachel pediu. "Estas respostas são o nosso futuro e devemos estar lá, uns para os outros. Combinado?"

"Combinado." Os rapazes responderam, e Kurt propôs o juramento de dedinho, antes de sugerir também que eles continuassem conversando em casa.

A semana foi longa, graças à expectativa, mas bastante agradável também porque, não tendo muito o que fazer nos horários de ensaio, Will sugeriu que uns cantassem músicas de despedida para os outros. Começou ele mesmo com Forever Young, seguido por Kurt, que cantou I'll remember e pelo grupo de formandos, dedicando aos demais You get what you give.

Cada nova música vinha com uma nova celebração, abraços, choro, risos, promessas de amizade eterna, planos que gostariam de cumprir, mas reconheciam serem difíceis de realizar. Algumas pessoas provavelmente nem se falariam mais, a não ser em encontros promovidos para reunião de todo o grupo. Outras seriam sempre amigas e sua cumplicidade só fez aumentar, naquela semana, como foi o caso de Will, que resolveu contar um antigo segredo a Finn, quando o rapaz foi buscar, em sua sala, o anuário no qual ele ficara de deixar uma dedicatória.

"Eu não só te chantageei, pra você entrar no Glee. Eu mesmo tinha plantado a droga no seu armário." Disse, culpado, mesmo que tenha feito isso por um bem maior. "Foi errado e, apesar dos resultados, eu sempre me odiei por ter feito isso. Eu sinto muito, e tudo bem se não quiser mais falar comigo, mas achei que era justo você saber." Finn estava congelado, mas logo abriu um sorriso.

"Você é muito mais legal do que eu pensei que fosse!" Declarou, antes de ir, abraçado ao amigo, para mais uma reunião.

Laços que se manteriam por toda a vida, por sua vez, foram momentaneamente afrouxados pela necessidade, como aquele entre Kurt e o pai. Burt estava se preparando para a partida do filho, de quem se tornara ainda mais próximo depois da morte da mãe dele, apesar de todo o estranhamento causado pela descoberta de sua orientação sexual. Ele provou seu apoio irrestrito ao filho, dançando Single Ladies no auditório, acompanhado por Brittany e Tina.

"Foi o melhor presente de formatura de todos!" Kurt comentou, enquanto ele e Blaine esperavam pelos demais na sala do coral, pouco depois da apresentação do pai.

"E as toalhas com monograma que eu te dei? São para a mudança!" Blaine não gostou de ver o outro cutucando as próprias unhas, fingindo indiferença. "Ok... nós já evitamos o assunto por muito tempo. Não acha que deveríamos ter uma conversa?" Perguntou, deixando claro que também era um período de inseguranças. "Nós sabemos o quanto podem ser complicados relacionamentos à distância. Vimos isso em O Diário de Uma Paixão."

"Quer saber como imagino o fim da minha vida? Exatamente como em O Diário: sentado em uma casa de repouso, falando sem parar sobre minha juventude, e com meu primeiro e único amor a meu lado. A diferença é que ambos vamos nos lembrar de tudo."

"Então ficaremos bem?"

"Daremos um jeito nessa relação à distância." Prometeu Hummel, tentando ser forte pelos dois.

Estava justamente contando sobre essa conversa para Rachel e Finn, e recebendo o apoio do casal, por não estar, no fundo, tão confiante quanto quisera parecer, quando a garota tirou da caixa de correio duas cartas de NYADA. Mostrou os envelopes aos dois rapazes e os três ficaram mudos por alguns segundos.

"Eu também recebi o email." Finn finalmente acabou com o silêncio.

"Você abriu?" Rachel quis logo saber e ele negou, sacudindo a cabeça.

"Vamos entrar e ver de uma vez?" Kurt propôs, nervoso.

"A gente consegue fazer isso. A gente consegue. A gente consegue." A morena repetiu, como a um mantra, enquanto eles andavam para a casa.

Cada passo em direção àquele destino, que já não dependia deles, pareceu demorar bem mais que uma eternidade.

Notas finais
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