Vestido, Véu E Valium
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Obrigada por continuarem comentando!! =D
Este capítulo vou dedicar à Marcelly, que fez aniversário essa semana e à Lau, que recomendou a minha one-shot de Halloween, "A bruxa tá solta".
Obrigada, Lau e tudo de bom pra você, viu, Celly?
Espero que gostem...
Bjos!
"Aqui, sim. Aqui mesmo fixar quero meu eterno repouso, e desta carne lassa do mundo sacudir o jugo das estrelas funestas. Olhos, vede mais uma vez! É a última. Um abraço permiti-vos também, ó braços! Lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato sem-sem-semi-"
"...sempiterno com a morte exorbitante, Finn." Rachel completou o marido, que sempre empacava naquela mesma palavra da fala de Romeu que ele estava decorando para seu teste para o Actor's Studio.
"Não dá, Rach! Isso não tá dando certo!" Afirmou, frustrado.
"Romeu e Julieta é um clássico, amor. Não tem erro!"
"Eu acho que eu ia me sentir mais confortável e tranquilo, se pegasse uma coisa menos complicada, e você, melhor que ninguém, sabe que a coisa toda pode dar errado se eu ficar nervoso."
"Tudo bem. Você pode ter razão! Eu vou pensar em alguma outra peça mais recente."
"Um filme talvez." Ele deu de ombros.
"É... talvez um filme." Concordou, sorrindo. "E quanto à música?" Perguntou, visto que Finn tinha sido informado de que precisaria apresentar uma cena falada e outra em que cantasse.
"O que você acha, Kurt?" Ele chamou a atenção do irmão, que folheava uma revista enquanto Rachel o ajudava a se preparar para a audição, na sala de estar dos Hummel-Hudson. "Uma de Rock of Ages ou The point of no return?"
"Bom... a Rachel cantou uma música que ela cantava sempre e esqueceu a letra, já eu optei por mudar um pouco e não esqueci. MAS eu também não recebi nenhuma carta ainda, o que significa que também não temos como afirmar se eu passei." Falou, praticamente pensando alto.
"E?" Finn questionou, impaciente.
"E... que não temos como saber se o resultado final é melhor quando arriscamos ou quando ficamos na nossa zona de conforto."
"Você não tá ajudando, Kurt." Rachel cruzou os braços na frente de si.
"Ok. O ponto é: Rachel só esqueceu a letra porque estava nervosa, e é provável que tenha sido justamente porque ela se sentia na obrigação de ser perfeita, cantando aquela música. Eu só fui aparentemente bem porque tirei a responsabilidade de cima de mim ao escolher o que não era o previsível. Você precisa tentar identificar se vai se sentir na obrigação de acertar ou não, ao fazer o que faz sempre e cantar um rock, porque, se for esse o caso, acho que deve tirar essa responsabilidade de cima de você e fazer algo que nunca fez."
"Eu acho que vou ficar nervoso de qualquer jeito." Finn riu.
"Já eu acho que você vai se sair bem e não vai esquecer a letra ou engasgar, seja qual for a música que você escolher." Kurt ia falar algo, mas ela o parou com um gesto. "Po-rém..." Acentuou. "...no final, minha escolha é a mesma que a sua, Kurt. A trilha de Rock of Ages é conhecia por qualquer garoto da sua idade, babe. Você nem precisaria ter visto o filme pra saber todas elas! Cantando algo de um outro musical, você vai mostrar que realmente se interessa por teatro ou, pelo menos, por cinema. Isso também pode contar, na hora da sua aprovação."
"Bem pensando, cunhadinha." Kurt levantou as sobrancelhas, admirado, e ela sorriu, fazendo uma reverência.
"Canta, pra gente ver, amor." Ela pediu, indo até o som colocar uma base instrumental, enquanto o marido se posicionava na frente do sofá onde estava Kurt, que logo foi também ocupado pela morena.
"Passarino — go away! For the trap is set and waits for its prey..." Finn iniciou sua apresentação caseira. "You have come here, in pursuit of your deepest urge, in pursuit of that wish, which till now has been silent... Silent..." Os dois jovens foram vendo o outro se envolver completamente na música, até chegar à última parte cantada apenas pelo Fantasma. "Past the point of no return, the final threshold. What warm unspoken secrets will we learn beyond the point of no return?"
"You have brought me to that moment when words run dry, to that moment when speech disappears into silence... Silence..." Rachel não resistiu e cantou toda a parte de Christine Daaé.
"Past the point of no return, the final threshold, the bridge is crossed so stand and watch it burn. We've passed the point of no return." O casal terminou junto e de mãos dadas, arrancando aplausos de Kurt.
"Excelente, como tudo o que fazem juntos, pombinhos!" Ele brincou. "Acho que você vai se sair maravilhosamente bem, caro irmão. Só que agora temos todos que dormir, porque amanhã viajaremos cedo." Completou, referindo-se à partida do grupo para as Nacionais, na manhã seguinte.
As malas já estavam prontas e a empolgação era tanta que sequer foi preciso que o despertador tocasse. Na hora marcada, os três estavam embarcando no ônibus alugado, em frente à escola, com os colegas do coral, o Sr. Schue, e as treinadoras Sue Silvester e Shanon Bieste. Não havia ninguém dentro do veiculo que não estivesse também animado e ansioso pela competição, a ponto de Mercedes ter acabado ficando doente, por somatização.
Algumas alterações foram feitas no ensaio final para o caso de Mercedes não melhorar, mas Will estava muito preocupado porque ela tinha uma das melhores vozes do coral e ele realmente queria que o Novas Direções voltasse a Lima vitorioso naquele ano. Ele não era aliás o único excessivamente tenso e uma briga começou entre os meninos. Sam reclamava por Puck estar lendo algo no meio do ensaio, sem saber que ele estava se preparando para uma prova de uma faculdade, e Puck, por sua vez, afirmava já saber bem os passos da coreografia.
Rachel, como sempre, estava desesperada para que tudo ficasse perfeito, Finn, como líder, respondia à queixa dos que se diziam cansados, informando que eles ensaiariam até de madrugada, se fosse preciso, e Santana ameaçava "dar uma de Lima Heights para cima dos traseiros infelizes" dos companheiros, caso começassem a se lamentar e dizer que não poderiam ganhar sem Jones.
Will acabou conseguindo transformar o caos em motivação, mostrando a todos que a confusão demonstrava paixão, envolvimento, comprometimento com a apresentação. Sugeriu que todos descansassem por meia hora, mas eles preferiram retomar de uma vez o ensaio, durante o qual ficou claro que eles estavam preparados para fazer uma ótima apresentação e talvez até ganhar, pela primeira vez, o título de campeões das Nacionais.
"Gente, será que antes de dormir vocês poderiam me dar mais uns minutinhos?" Finn pediu, um pouco reticente, quando seus amigos estavam prestes a deixar a sala que o hotel disponibilizara para eles.
"Claro, Finn." Blaine respondeu, sentando-se.
"Aconteceu alguma coisa?" Rachel preocupou-se, mas ele negou e ela relaxou, pegando uma cadeira ao lado da de Kurt.
"Vamos logo, então, porque eu preciso do meu sono de beleza." Sugar reclamou.
"A Rachel já tá esperando um bebê?" Brittany questionou, avoada.
"Eu quero mostrar uma coisa e saber a opinião de vocês. É algo que eu to preparando pra o meu teste pra escola do Actor's Studio."
"Legal." Puck balançou a cabeça, sorrindo.
"There's a grief that can't be spoken. There's a pain goes on and on. Empty chairs at empty tables. Now my friends are dead and gone." Finn começou, à capela, colocando, em seguida, a base da canção. "Here they talked of revolution. Here it was they lit the flame. Here they sang about tomorrow and tomorrow never came."
Todos ficaram subitamente sérios, incrédulos, vendo Finn cantar uma canção de um musical tão conhecido e aclamado, com uma carga dramática tão grande, e interpretá-la com enorme segurança. Ele pronunciava cada palavra com emoção e transmitia a dor do personagem, que vira seus amigos serem mortos, lutando por um mundo melhor. As lágrimas não demoraram a sair de seus olhos e molhar suas feições, tristes como o tom adquirido por sua voz.
"Phantom faces at the window. Phantom shadows on the floor. Empty chairs at empty tables, where my friends will meet nomore. Oh, my friends, my friends, don't ask me what your sacrifice was for. Empty chairs at empty tables, where my friend will sing no more." Ele entoou a última parte e saiu do personagem, sorrindo largamente, quando ouviu as palmas e gritos dos demais.
"Isso foi lindo, Finn!" Tina elogiou, passando a mão pelo rosto encharcado de lágrimas. Foi quando ele percebeu que as outras meninas e alguns dos meninos também tinham se emocionado.
"Eu não vejo como eles possam te recusar." Assegurou Will, abraçando o pupilo.
"Empty chairs at empty tables?" Rachel foi a última a se aproximar dele, quando os outros já estavam dispersando.
"Você não gostou?" Indagou, receoso.
"Se eu não gostei? Eu amei, Finn! Foi lindo!" Sorriu. "Eu só fiquei surpresa." Falou, sincera, porque não somente os dois não tinham falado sobre aquela opção, como também, por mais que o incentivasse, até aquele momento ela nem imaginava que o talento dele para interpretar fosse tão grande.
"Eu pensei muito sobre tudo que você e o Kurt falaram. Eu concordo que é melhor eu demonstrar que conheço mais do que apenas rock, se quero ser ator... que eu preciso mostrar que me interesso e posso cantar também canções feitas originalmente para musicais."
"Mas você não me disse que tinha pensado nessa música."
"E eu não tinha mesmo, mas teve outra coisa que o Kurt disse que me fez pensar. Ele nos escutou cantando e falou que fazemos tudo bem juntos, lembra? Só que eu não vou ter você no teste comigo, e isso chamou minha atenção para o fato de que The point of no return é um dueto do Fantasma com a Christine, e ficaria pela metade. Aí, quando você foi ajudar a cuidar da Mercedes, mais cedo, e experimentar seu vestido, eu lembrei dessa música, resolvi baixar o áudio e dei até uma ensaiada rápida."
"Eu não tinha pensado nessa coisa do dueto." Respondeu, sem jeito. "Mas agora a sua escolha foi perfeita, meu amor. Além de ser uma música toda do personagem, vai mostrar o seu lado mais dramático, e a gente pode escolher uma coisa mais alegre pra sua cena falada, pra você se mostrar bem eclético."
"Na verdade, eu também pensei nisso, mais cedo. Vamos lá pro quarto, que eu vou te mostrar as duas cenas em que eu pensei." Pediu, tomando a mão dela na sua.
Por não ter encontrado nenhum monólogo de que gostasse, Finn precisaria de Rachel para ensaiar as falas escolhidas, e de uma atriz disponibilizada pela escola, na hora do teste, mas pelo menos ele decidira, enfim, o que apresentar. Dormiu tranquilo, sabendo disso, e com a certeza em seu coração de que levaria, na tarde seguinte, o maior troféu para casa, enquanto Rachel, a seu lado, estava nervosíssima com a possibilidade de Carmen Tibideaux aparecer para vê-los.
Além de ter dormido pouco, a garota não conseguiu ficar parada e esperar dentro do teatro, depois de colocar a roupa com que se apresentaria. Ficou andando pelo pátio da faculdade que estava recebendo o evento em seu anfiteatro, em parte para tentar se acalmar e em parte à procura do rosto que ela mais queria ver naquele momento. No entanto, foi alguém que ela já imaginava que veria naquele dia que se aproximou, fazendo questão de piorar ainda mais o seu estado.
"Se eu fosse você, me preocuparia mais em ficar em quarto lugar do que em procurar por ela. Não tem como Carmen Tibideaux vir." Jesse disse, sem rodeios.
"Como sabe da Carmen?"
"É meu dever saber como estão meus adversários. Sempre procuro aquela informação a mais. Detestaria que travasse no palco de novo hoje."
"Sei exatamente o que faz! Não namoramos tanto tempo e não sei exatamente quanto daquilo foi real, mas quando fica nervoso, fica mal e bem pálido, e começa a passar a mão no cabelo, como Dany Zuco." Disse e era exatamente o que ele estava fazendo!
"Olha, você não tem ideia da pressão em cima de mim. Ano passado, o Vocal Adrenaline perdeu pela primeira vez em oito anos. Se perder de novo esse ano, acabou! Fim da dinastia! A magia de intimidar os oponentes acaba. Eu prometi que melhoraria o programa, então isso seria humilhante pra mim."
Rachel lembrou a Jesse que, apesar de a ajuda inicial a Unique ter sido dada por Kurt e Mercedes, ele soubera aproveitar bem a ideia do garoto de se travestir, complementando-a. Também fez com que rememorasse tudo mais que já tinha feito pelo Vocal Adrenaline, incluindo a inesquecível performance em Bohemian Rhapsohy, quando ele se disse estressado e confuso com as novas regras, que incluíam trinta e três por cento de vintage nas apresentações.
A conversa foi interrompida com a chegada de Finn, no entanto, e o casal recebeu os cumprimentos do rapaz pelo recente casamento, do qual ele também já estava ciente. Finn e Rachel seguiram direto para o camarim, onde Hudson contou a ela que tinha apostado todo o dinheiro deles na vitória, preocupando-a, e onde ele fez um belo discurso em agradecimento ao Sr. Schuester, que por pouco não foi ouvido por Mercedes e Sue, que chegaram logo depois, anunciando a volta da garota a seu lugar na apresentação.
O Novas Direções foi o primeiro coral a subir no palco, sendo o primeiro número o das meninas que tinham formado, por um tempo, as Troubletones, com a participação de Quinn e Tina. O segundo seria o solo de Rachel que, antes de entrar no palco, viu a cadeira que deveria estar sendo ocupada pela professora de NYADA vazia, confirmando o prognóstico de Jesse, e ficou arrasada.
"Ela não veio."
"Para com isso! Olha pra mim." Finn implorou. "Esse é o seu momento! Foram três anos de preparação. Esquece todo o resto e vai lá!"
É claro que ela foi e arrasou, como sempre, bem como todo o grupo, quando se uniu a ela para a terceira e última performance. A essa altura, Carmen já tinha se juntado ao resto dos convidados e, como eles, ficado boquiaberta com a qualidade da jovem cantora. A atriz veterana não ficou para ver os resultados porque não tinha ido até ali interessada em competição de corais e já tinha tomado uma decisão sobre Rachel que não dependia da vitória do grupo de que ela fazia parte.
Não dependia também da surpreendente intervenção que Jesse tentou fazer, afirmando a ela ser sua ex-namorada a pessoa mais talentosa que conhecia. Talento que ele não viu ser individualmente reconhecido naquela competição, mas que ajudou os alunos do McKinley a ganharem dos de Carmel, que eram de sua responsabilidade, o que, entretanto, não fez com que ele se arrependesse, nem por um minuto, de suas palavras.
Ele sabia que Rachel seria uma estrela e que ela merecia isso! E sabia também, em seu íntimo, que o Novas Direções merecia ter, finalmente, a sua consagração.
Notas finais
Um pouquinho da comemoração no próximo... ;)
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