Vestido

5 V - Verdade


Notas iniciais
Oláaaaaa!!!! Espero que gostem do capítulo. Nos vemos nas notas finais!

V — Verdade

A porta da guilda foi aberta com um chute.

— WENDY! A LUCY ESTÁ FERIDA! — Exclamou Natsu com a maga estelar completamente envergonhada em seu colo.

Quando todos os olhares se voltaram para eles e algumas risadas baixas foram ouvidas, Lucy realmente cogitou a possibilidade de abrir o portão do relógio ali mesmo, para que Horologium a carregasse de volta para sua casa com o resto de sua dignidade.

— Lu-chan! Você está bem? — Levy correu até eles.

— Levy-chan! — A loira se remexeu e saiu do colo do amigo. — Está tudo bem. — Começou gesticular para os olhares curiosos da guilda. — Está tudo bem gente! O Natsu só está exagerando! Voltem ao que estavam fazendo! — “Parem de me olhar!” Sua mente urrava.

— Mas você está mesmo machucada, Luce! — O mago de fogo franziu o cenho, não entendendo a atitude da amiga. — Sua testa… — Se aproximou de novo e afastou a mecha de cabelo que escondia o corte. Lucy corou e Levy riu.

— Vocês são tão fofos. — disse a maga do Solid Script.

— Ma-mas eu já disse que não é nada demais! — Afastou-se, extremamente constrangida.

Ao longe, no bar, Mirajane olhava para a cena, divertida, e resolveu se aproximar.

— Está ferida, Lucy? — Perguntou gentilmente.

— Foi só um corte na testa, Mira-san.

— Oh! Como isso aconteceu?

— A Lucy estava pel… — A garota rapidamente tapou a boca do Dragon Slayer com uma mão.

— Eu escorreguei no banheiro. — Explicou.

— Entendo… — A albina sabia que tinha algo mais ali. — E o Natsu foi até o banheiro te resgatar? — Implicou.

— Ela fez um escând… — Tapou a boca do amigo novamente.

— Não aconteceu nada! Só calhou de ele aparecer lá e eu estar machucada e vestida. Completamente vestida. — Disse, enfatizando bem.

Natsu olhou para ela e entendeu o motivo de estar envergonhada. Ele próprio ficou um pouco corado quando lembrou da cena. Então resolveu ficar quieto.

— Sei… — Mirajane sorriu, vitoriosa. Sabia que algo tinha acontecido e por isso a maga estelar estava tão sem jeito. — Mas o Natsu tem razão, Lucy. É bom cuidar desse corte, para que não fique uma cicatriz.

— Eu sei…

— É verdade Lu-chan. Vamos sentar enquanto espera. — Pegou a mão da amiga e saiu puxando em direção ao bar, junto com Mirajane.

Natsu ia junto com elas, mas uma caneca acertou sua cabeça, impedindo-o de continuar.

— Oe, não desapareça desse jeito, maldito! — Exclamou Gray, pronto para jogar outro copo. — Tive que dar conta do cabeça de lata sozinho!

— E o que eu tenho a ver com isso, cueca gelada? — Questionou, já se aproximando do amigo e aceitando o desafio.

— Talvez eu deva acertar as contas com você aqui hoje! — Exclamou o mago de gelo.

— Cai dentro, cabeça de picolé! — Natsu já tinha todo o seu braço direto envolvido em chamas, pronto para o ataque, enquanto que Gray já tinha as mãos em posição de moldar o seu Ice Make.

O mago de fogo não conseguiu dar um passo sequer, antes de uma mão firme segurar seu ombro.

— Vocês estão… — Ao reconhecer a dona daquela voz, as chamas cessaram imediatamente. — Brigando?

Erza pronunciou a palavra “brigando” com tanto desprezo que fez o mago de fogo se arrepender imediatamente de ter sequer cogitado a ideia de brigar naquele dia.

— Cl-claro que não, Erza-sama! — Respondeu, indo para o lado de Gray e passando um braço em torno de seus ombros. — Estávamos apenas conversando como grandes amigos!

— Aye! — Respondeu Gray.

— Foi o que pensei. — A Scarlet sorriu, acreditando verdadeiramente na amizade e companheirismo dos garotos. — Essa época do ano é para estarmos unidos, como a grande família que somos, e não para brigarmos por coisas tão triviais. — Puxou os dois para um abraço, que culminou em suas cabeças sendo esmagadas dolorosamente contra o metal de sua armadura.

— Aye! — Responderam em uníssono.

Lucy, Levy e Mirajane assistiam a tudo do bar. A loira não conseguia se acostumar com o jeito que eles se tornavam dois bocós perto de Erza.

— Algumas coisas nunca mudam. — A albina sorriu gentilmente. — Mesmo que tenham salvado o mundo, Erza sempre vai ser um símbolo de respeito para eles.

— É verdade, Natsu nunca muda… — Suspirou.

— O que foi, Lu-chan? — Questionou Levy.

— Na-nada! Só pensei alto… — Apoiou a mão no queixo e, ao olhar para o lado, percebeu uma figura depressiva sozinha no canto. — O que houve com a Juvia?

— Mais uma tentativa… — Mirajane não precisou dizer mais nada para que elas entendessem.

A albina foi até a maga de água e tocou em seu braço, despertando-a de seus devaneios.

— Por que não senta e toma uma bebida com as meninas?

— Ah… Juvia não tem certeza… — Não estava muito animada para conversas, pelo jeito.

— Não há nada melhor do que ficar perto de quem gosta da gente nesses momentos. — Sorriu, tentando passar confiança para a garota.

— Então Juvia aceita tomar uma bebida. — Levantou e sentou-se ao lado de Lucy. — A Rival no Amor está machucada? — Perguntou, tentando puxar assunto.

— Não é nada demais, eu estou bem. — Sorriu para a garota. — Além disso, acho que já passamos dessa fase de Rival no Amor, não é mesmo? Pensei que fôssemos amigas, Juvia.

— É verdade, Lucy-san. — Disse o nome da maga e devolveu o sorriso.

— Além disso, Lu-chan já tem alguém no coração, não é mesmo? — Implicou Levy.

— Is-isso não tem nada a ver. — Mira soltou uma risada baixa e até mesmo Juvia sabia dos sentimentos da garota pelo Dragon Slayer de fogo.

— Calma Lu-chan, não fique nervosa. — Levy ria da expressão envergonhada da amiga.

— Vocês não me dão uma folga… — Resmungou, cruzando os braços. Ia continuar reclamando, mas a maga de água tocou em seu braço, chamando sua atenção. — Huh?

— Juvia gostaria de fazer uma pergunta Riv… Lucy-san. — O tom de voz dela era triste, mais que o normal.

— Pode fazer, Juvia. — Sorriu, tentando passar confiança para a amiga, que parecia sem jeito com o que ia perguntar.

— O que a Lucy-san acha sobre… Sobre o amor?

Ficou surpresa com a pergunta da maga de água.

— Bom… — Começou, sem graça. — O amor é… É algo que… Po-por que está me perguntando isso? — Desconfiou, por um breve momento, que seria mais uma das provocações que ela e as meninas vinham fazendo, mas logo deixou o pensamento de lado, devido a seriedade e os olhos tristes da maga de cabelos azuis.

— Juvia está ajudando Meredy com uma pesquisa para uma… Magia nova. — Respondeu incerta.

— É verdade, Lu-chan. Juvia também me perguntou isso ontem.

— A mim também. — Disse Mira.

— Sendo assim… — Suspirou. — Bom… Eu acho que o amor é quando você… Qu-quando você arriscaria sua vida pela pessoa que você ama. — Olhou para o outro lado da guilda e viu Natsu sentado em um banco, com um bico enorme, levando uma bronca de Erza. — É quando você sente que tudo é diferente simplesmente por aquela pessoa existir em algum lugar do mundo… — Natsu notou seu olhar e sorriu para ela, fazendo-a corar. — É quando você fica feliz só por poder estar perto e… Acho que o amor é quando você está disposto a dar aquilo que você tem de mais precioso… — Virou-se para Juvia novamente, ainda com as bochechas coradas. — O seu tempo.

— O tempo? — Ela questionou.

— Sim. Porque afinal de contas, o tempo nunca volta, ele só anda em uma direção. E se você está disposto a compartilhar do seu precioso tempo de vida com uma pessoa… Acho que isso quer dizer amor. Assim como o amor que nos une nessa família que é a guilda. Ou o amor que nos torna amigas. Certo? — Sorriu.

— Juvia acha que entende.

— Que bom!

A maga de água estava muito pensativa e seu olhar era triste. Nem mesmo a presença de Gray seminu foi capaz de animá-la. Lucy tentou pensar em algo que pudesse ajudá-la, mas a garota levantou do banco ao seu lado.

— Agora Juvia precisa ir encontrar Meredy… Obrigada por ajudar Juvia na pesquisa, Riv… Lucy-san. — Disse gentilmente.

— Por nada, Juvia! — Respondeu.

Observou ela se afastar com uma ponta de preocupação. Erza, que vinha em direção à elas no bar, parou e disse algo para Juvia no meio do caminho, e então seguiu para perto das meninas.

— Bom dia meninas. — Erza se aproximou. — Belo cachecol, Lucy. — Disse, sendo a primeira a notar o acessório diferente da maga.

— Obrigada. — Ficou com vergonha de revelar que fora presente de Natsu. Instintivamente, seus olhos buscaram por ele na guilda mais uma vez.

— Natsu foi embora. Disse algo sobre estar cansado da missão… — A Scarlet disse, percebendo o olhar da amiga que corou ao ser pega no flagra.

— E-eu não estava procurando ele! — Exclamou. — N-na verdade eu vim para pedir um favor à Wendy. — Tocou a testa, sentindo o corte latejar.

— Parece que ela chegou. — Disse Mira, apontando para a porta.

Wendy acabara de chegar, sendo seguida por Charle e Happy. O gatinho voava com os olhos brilhando de felicidade, e a exceed branca vinha logo atrás, um pouco envergonhada. Lucy sorriu diante da cena, imaginando que Charle teria aceitado o presente dele.

— Bom dia. — A pequena Dragon Slayer cumprimentou as meninas. — Lucy-san, deixa eu te ajudar com o ferimento. — Falou se aproximando de Lucy, que afastou o cabelo para revelar o corte e perguntou:

— Como você sabia, Wendy?

— Eu encontrei o Natsu-san na porta da guilda, então ele me pediu para te ajudar. — Sorriu. — Não se preocupe, não vai deixar nenhuma cicatriz. — Disse, enquanto usava sua magia de cura e fazia o pequeno corte se fechar, até que não houvesse nenhum sinal de que um dia esteve ali. — Prontinho.

— Você é incrível Wendy! Obrigada! — Agradeceu prontamente, enquanto passava a mão no local da antiga ferida.

— Não foi nada, Lucy-san. — Respondeu. — Mira-san, eu vim avisar que vou sair em uma missão.

— Mas não tem nenhuma missão no quadro, Wendy. — Mirajane franziu o cenho, confusa.

— Eu sei, é que na verdade não é bem uma missão… Eu e a Sherria vamos nos apresentar hoje como as Irmãs do Céu. — Explicou.

— Ah sim. E onde vai ser?

— Naquela loja que fomos ontem. A dona vai fazer uma promoção dos vestidos hoje… Ouvi dizer que as vendas não foram muito boas esse mês, e como o Natal já é depois de amanhã…

— Que pena! A loja tem tantas roupas bonitas. — Comentou Erza.

— É verdade. — Olhou para Lucy e lembrou-se de algo. — Lucy-san, você poderia aproveitar para ver aquele vestido de ontem!

— Lu-chan, é sua chance! — Levy se empolgou.

— Elas tem razão, Lucy. — Mirajane concordou.

A maga estelar se animou por um breve momento, até as lembranças do sonho que tivera com o amigo começarem a invadir sua mente e deixar seu rosto corado.

— A-acho que vou passar. — Disse, tentando disfarçar a vergonha que seus próprios (traidores) pensamentos causaram.

— Huh? Por que? — Perguntou Levy.

— Po-por nada!

— Pobre Lucy. — Mira soltou uma risadinha. — Ainda está constrangida com o que Cana disse…

— E-eu nem lembro mais disso! — Exclamou.

Ninguém acreditou, mas logo engajaram em outro assunto e Lucy agradeceu mentalmente por isso. As garotas começaram então a conversar sobre a festa e Erza intimou todas a estarem na guilda assim que o sol nascesse, para arrumarem as decorações e a comida.

— É mesmo preciso arrumar tanto assim? Quantas pessoas vão vir nessa festa? — Perguntou Cana, que chegara à poucos minutos e já estava tomando um copo de cachaça.

— Bom, algumas pessoas da Lamia Scale devem vir… Sherria confirmou com você, Wendy? — Perguntou Erza.

— Sim. Lyon-san e Jura-san também devem vir, mas não sei do resto…

— Certo. Ainda não sei sobre a Blue Pegasus, mas a Mermaid Heel aparentemente saiu em uma viagem. A Sabertooth vai ter sua própria ceia, que Minerva está preparando, e eu ouvi algo sobre uma competição de comida… — Divagou Erza. — E-e t-tem a Crime Sorcière… — Gaguejou e ficou vermelha.

— Han? O que tem a Crime Sorcière? — Perguntou Cana.

— Agora que foram absolvidos de seus crimes, não tem motivos para não participarem da festa. — Respondeu.

— É mesmo Erza? Então você convidou Jellal para ser seu par amanhã à noite? — Implicou Mira.

— Si-sim. — Confirmou, envergonhada.

A boca de Lucy se abriu em um perfeito “o”. As meninas ficaram surpresas pela ruiva assumir o relacionamento que vinha inutilmente escondendo há semanas, nem mesmo Cana conseguiu fazer comentários pervertidos à respeito.

— Que bom Erza-san! — Comemorou Wendy.

— Por isso está tão preocupada com a arrumação. — Disse Mira, sorrindo.

— Não é nada disso! — Disse, afobada.

— Não fique com vergonha, Erza! — Falou Cana.

Lucy sorriu diante da cena, ficando feliz por Erza. Estava um pouco quieta, apenas prestando atenção na conversa das meninas, quando sentiu que estava com calor. Franziu o cenho, estranhando a sensação, pois estava sentindo frio até pouco tempo atrás, porque Natsu tirou ela de casa de surpresa e, apesar de já ter parado de nevar, ainda estava bem frio para sair apenas de shorts, camiseta e cachecol… “O cachecol!” Tocou o tecido ao redor do pescoço, sentindo-o bem aquecido e lembrou-se do que Natsu dissera sobre ele ficar mais quente quando ele sentisse saudades dela.

Sentiu suas bochechas esquentarem, e não era pelo calor do tecido. Já não conseguia prestar atenção em mais nada do que as garotas diziam, pois estava totalmente consciente do acessório em seu pescoço e do que ele representava naquele momento. A ideia de que ele estivesse sentindo sua falta fazia com que seu peito se enchesse de felicidade. O sorriso do Dragon Slayer de fogo tomava conta de sua mente e uma vontade muito grande de vê-lo começava a pesar em seu coração. “O que está acontecendo comigo…?” . Suspirou.

— Está tudo bem Lucy? — Mirajane tocou seu braço.

— Huh? — Olhou para a albina. — Está sim, só estou distraída.

— O que houve, Lu-chan? — Perguntou Levy.

— Não é nada… Está tudo bem, gente… — Apertou com força o cachecol ao redor do seu pescoço. Erza notou o gesto.

— Foi presente do Natsu? — A Scarlet perguntou.

— Sim. — Admitiu envergonhada.

As meninas se entreolharam. Mira balançou a cabeça negativamente, indicando que era melhor não comentarem sobre o assunto. A albina sabia que a maga estelar já estava no limite, e que talvez fosse melhor deixar que ela resolvesse as coisas sozinha. Então iniciaram mais um assunto aleatório sobre a festa, enquanto Lucy se esforçava para prestar atenção no que elas diziam.

“Natsu deve estar esparramado na minha cama agora... Será que ele está mesmo pensando em mim?” corou com o pensamento. “Se eu estivesse em casa, poderíamos ver um filme juntos… Ou eu poderia cozinhar para ele em agradecimento pelo presente” afundou mais o rosto no cachecol. Não queria estar ali, pois sua mente era uma mistura de sentimentos confusos, que só faziam com que ela quisesse estar perto dele. Queria abraçá-lo. A necessidade era avassaladora.

— E-eu preciso ir! — Levantou repentinamente.

Mirajane sorriu.

— Até mais Lucy.

— Até amanhã, meninas!

Saiu da guilda apressadamente. Mirajane ainda sorria, olhando para a porta.

— Por que está sorrindo, Mira-san? — Questionou Wendy.

— Não é nada demais… Só estava pensando que o Natal é uma época boa, sabe? Desperta sentimentos nas pessoas… Ou faz elas notarem sentimentos que sempre estiveram lá. — Comentou. — Mas continue falando sobre o seu show com a Sherria…

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Todo esse silêncio e paciência

Apreensão e antecipação

Minhas mãos estão tremendo de resistirem a você, ah-ah-ah

Seus passos eram apressados. Apesar de o cachecol esquentar bastante, ainda sentia um pouco de frio. Seu coração batia acelerado e suas mãos tremiam, mas ela não sabia se era por causa do clima ou se era pelo nervosismo. Estava confusa com todos aqueles sentimentos tão fortes que sentia. Era normal sentir tudo aquilo? Toda aquela necessidade de ver ele? “Você não é burra, Lucy. Sabe muito bem o que tudo isso significa, mas não tem coragem de assumir” sua mente acusava.

Chegou rapidamente na porta de seu apartamento. Suas mãos tremiam tanto que mal conseguiu colocar a chave na fechadura. Abriu a porta com bastante dificuldade, com a respiração falha de tanta ansiedade. Sentia que se seu coração batesse um pouco mais rápido ela não aguentaria. Estava prestes a vê-lo e não fazia a menor ideia do que dizer ou fazer, só precisava estar com ele, para entender o que sentia.

Atravessou a sala e seguiu em direção ao quarto. Cada passo aumentava sua ansiedade. Quando adentrou o cômodo estava preparada para encontrá-lo esparramado e roncando, mas tudo o que viu foi sua cama vazia e seu quarto arrumado, exatamente do jeito que ela havia deixado mais cedo. A decepção que a atingiu foi tão forte que mal conseguiu ficar de pé. Sentou em seu tapete e apertou a ponta do cachecol. Por algum motivo, tinha certeza em seu coração de que quando o visse entenderia exatamente o que eram aqueles sentimentos.

— Luce? O que está fazendo no chão? — Seu peito se encheu de felicidade ao ouvir a voz do Dragon Slayer.

Virou para trás, vendo-o encostado no batente da porta.

— Está tudo bem? Sua cara ta estranha…

— N-natsu?

— Deitei no sofá, mas acho que você não me viu… — Ele riu e ela pensou em como aquele som era a coisa mais maravilhosa do mundo. — Você sempre fica brava quando eu deito na sua cama, achei melhor não arriscar hoje…

Ela se levantou, apertando fortemente o cachecol devido ao nervosismo. Natsu olhou para o acessório e ficou um pouco envergonhado, sabendo que estava pensando nela há poucos minutos e querendo que ela voltasse para casa.

— Vo-você não precisa usar se não quiser… — Ficou nervoso, imaginando se ela não estaria incomodada com o objeto. Estendeu a mão para tocá-la, mas ela se afastou. Deu um passo em sua direção, e ela recuou. Franziu o cenho, preocupado com a atitude estranha da maga estelar.

Lucy estava assustada com os próprios sentimentos. Ela o queria, e não somente como amigo, era mais do que isso, e a verdade dessa constatação a fez recuar.

— Desculpe. — Ela estava agindo estranho e se afastando, fazendo com que ele pensasse que ela não o queria ali. — Acho que vou ir dormir em casa. — Sorriu forçadamente, indo em direção à janela. Tudo o que Natsu não queria era magoar a loira, mesmo que ele não fizesse ideia do que tivesse feito de errado.

Lucy arregalou os olhos. A ideia de vê-lo ir embora lhe pareceu absurda naquele momento. Segurou sua camisa, fazendo-o parar.

— Por favor, não vá embora. — Sua voz estava trêmula. — Fica! — Ela o queria mais do que como amigo, e sabia muito bem o que aquilo significava.

— Eu fico, Luce. — Ele olhou para a mão dela que segurava sua camisa com força e tentou se aproximar outra vez.

Segurou seu pulso, vendo-a fechar os olhos.

— O que houve, Luce? — Ficou preocupado.

Ela apenas balançou a cabeça. Ele a puxou para um abraço, sem qualquer resistência. A maga estelar não podia mais evitar. “Não consigo evitar gostar de você.” Afundou o rosto no peito dele e sentiu as lágrimas caírem, de tão sufocantes que eram todos os seus sentimentos.

— Você está triste? — Perguntou, percebendo que ela chorava.

— Não. É só que… — Não conseguiu conter o soluço. — É só que eu gosto muito de você, Natsu. — As palavras se derramavam. — Muito mesmo.

Ele apertou mais o abraço.

— Eu também gosto de você Luce.

— Eu gosto demais de você… — Era tudo o que conseguia dizer, para desabafar um pouco o peso que sentia no coração, mesmo sabendo que ele não entenderia o sentido do seu “gostar”. — Eu gosto tanto… E eu queria muito te ver.

— Mas eu estou aqui.

— Eu sei. — Soluçou.

Era angustiante para ele vê-la chorar e era pior ainda não saber o que fazer para deixá-la melhor. Trouxe-a facilmente para o seu colo e deitou com ela na cama, tentando confortá-la do único que jeito que conhecia. Abraçou e aconchegou a maga como sempre fazia, tocando seu cabelo carinhosamente, fazendo-a se acalmar até cair no sono. Ainda estava cansado da missão, então também acabou dormindo, mesmo que estivesse preocupado, pois a familiaridade daquele momento era muito reconfortante.

Notas finais
Primeiramente: meu TCC foi nota 10! Ahhh que felicidade! Desculpem pela demora! Cheguei a postar uma versão desse capítulo na semana passada, porém, como estava na correria ficou bem ruim. Então eu acabei deletando e deixando para terminar quando estivesse tudo calmo por aqui, e gostei muito do jeito que ficou agora! Espero que tenham gostado, apesar de ter sido um pouquinho dramático (só um pouquinho né? ^-^). Obrigada por ler até aqui!! ♥ Deixe um comentário, ler o que vocês acham sempre me deixa muito feliz! Até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.