Vestido
2 II - Vergonha
Notas iniciais
II — Vergonha
O dia amanheceu muito frio. Lucy acordou sentindo seu corpo se arrepiar por causa do vento gelado que entrava pela janela aberta. Levantou esfregando os braços e foi direto fechá-la, para só então notar que estava sozinha no apartamento. A ausência do amigo fez que se sentisse levemente decepcionada, pois haviam combinado de pegar outra missão juntos naquele dia.
Fez sua higiene matinal com certa… Dificuldade, por assim dizer. Pois a todo momento pensamentos embaraçosos invadiam sua mente.
“Hummm, ele te abraçou a noite inteira, não se faça de besta.”
“O corpo dele realmente é quente… Um calor muito agradável por sinal.”
“Poderia dormir assim todos os dias.”
E o pior de todos:
“Você não tem vergonha de dormir agarrada com um homem que não é seu namorado?”
— Ele é o Natsu, Lucy! Fazemos essas coisas porque somos parceiros, e não tem nada de mais nisso! — Falou apontando a escova de dentes para o seu reflexo no espelho. — Além disso, o Natsu não tem malícia com essas coisas! Não é nada de mais. — Voltou a escovar os dentes. — Dadadedais! — Balbuciava.
Terminou de escovar os dentes e trocou de roupa. Vestiu um casaco e meia calça, pois viu que havia começado a nevar. Se aprontou e seguiu em direção à guilda, na esperança de encontrar o Dragon Slayer e sair em alguma missão de última hora.
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— Cai dentro, Salamander! — Foi a primeira coisa que ouviu quando abriu a porta da guilda, antes de quase ser atingida por uma cadeira que havia sido arremessada em sua direção.
Agradeceu aos céus por ter conseguido desviar no último segundo. Na verdade, não tinha noção de que seus reflexos estavam tão bons até aquele momento. “Parece que viver nessa bagunça me ajudou a treinar um pouco.”
— Uh? Senti o cheiro da Lucy e pensei que o Salamander vinha junto. — Disse o Dragon Slayer de ferro.
— Oe, não saia jogando cadeiras nas pessoas desse jeito! — Falou Gray, enquanto jogava uma cadeira em Gajeel. E então os dois iniciaram uma briga inútil.
— Gray-sama está defendendo a Rival no Amor! — Exclamou Juvia com o rosto tomado por lágrimas.
— Eles só estão me usando como uma desculpa esfarrapada para começar uma briga sem sentido, não fique triste Juvia...— Tentou dizer, se aproximando da maga de água que estava sentada em uma das cadeiras do bar, mas ela continuou chorando copiosamente.
Mirajane se aproximou das duas.
— Não adianta, Lucy. Ela está chateada porque o Gray rejeitou o casaco de lã que ela fez para ele.— Disse a albina.
— Juvia fez com tanto amor! — Exclamou a azulada, antes de deitar a cara no balcão.
— Que maldade Mira!
— Talvez ele não goste de presentes não muito convencionais, Juvia. — A maga de cabelos brancos tentou consolar a outra.
Lucy ficou se perguntando o que Mirajane quis dizer com “não convencional”, quando outra pessoa se aproximou do bar.
— Uh? Bom dia, Wendy!
— Bom dia Lucy-san! — Sorriu. — Mira-san, Juvia-san… Eu encontrei isso jogado em cima de uma cadeira logo na entrada…— E colocou o tecido azul embolado em cima do balcão.— Hum… É seu, Juvia-san? — Perguntou um pouco insegura sobre se estava ou não tocando em algum assunto delicado.
A azulada pegou tecido e o ajeitou. Era o casaco de lã azul.
— Isso é… — Lucy não sabia o que dizer, pois na peça de roupa estava bordada com uma caricatura de Gray e Juvia abraçados, com os dizeres “Gray Love”. — Isso é um pouco exagerado… — Sentia um pouco de vergonha pela amiga, mas ao mesmo tempo admirava sua coragem.
— Juvia se dedicou por dias e noites, trabalhando incansavelmente. Juvia perdeu noites de sono para deixar o presente pronto antes do Natal… Mas Gray-sama o jogou no chão e disse que era assustador!
A maga de água chorava com o rosto afundado no casaco. Lucy sentiu um pouco de pena da amiga, pois achava que ela merecia ser amada tão intensamente como amava. O problema é que o garoto era um cabeça dura teimoso que não admitia os próprios sentimentos. “Se apaixonar por algum desses idiotas é definitivamente muita falta de sorte”, pensou.
— Não fique assim Juvia. O Gray é um idiota! — disse a maga estelar tentando confortar a amiga.
— Juvia-san, não fique triste… — disse Wendy com o semblante preocupado.
— Esses meninos, não tem jeito. — falou Mirajane enquanto limpava um copo.— Mas o que faz tão cedo na guilda, Wendy? Pensei que você e a Erza chegariam da missão só na véspera do Natal.
— Ano… É uma longa história.— Wendy sorriu amarelo enquanto coçava a cabeça.
Nesse momento, a porta da guilda foi aberta novamente e uma maga de cabelos vermelhos e armadura entrou imponentemente. Passou por entre a bagunça que acontecia direto para o bar, desviando de cadeiras e mesas que voavam de um lado para o outro, pois a essa altura Jet, Droy, Max, Nab e Elfman já haviam se envolvido na briga.
— A amizade é uma coisa linda… — comentou ao chegar perto das garotas. — Esses meninos são realmente próximos. — falou se referindo à briga que acontecia.
— Bom dia, Erza.— Cumprimentou Mirajane sorridente.
— Bom dia, meninas. O que fazem tão cedo na guilda? — Perguntou a Scarlet.
— Wendy estava nos contando sobre a missão que vocês foram.— Disse Lucy.
A pequena Dragon Slayer se encolheu na cadeira, constrangida, mas Erza pareceu não notar a reação dela, pois sorriu de forma vitoriosa e disse:
— Ah sim, nossa missão foi um sucesso.
— Sobre isso… Haha… — Murmurou Wendy.
— Mas vocês não ficariam até a véspera? — Perguntou Mirajane.
Então a maga começou a discorrer sobre como tudo ocorreu tão bem que nem sequer precisaram ficar até o prazo estipulado. Lucy achou esquisita a reação da pequena amiga de cabelos azuis, pois ela parecia não concordar muito sobre a missão ter sido bem sucedida. Então ficou curiosa sobre que tipo de trabalho teria sido.
— Que tipo de missão era? — Perguntou a maga estelar.
— Precisavam de magos para atuar em uma peça sobre o Natal, então convidei Wendy e Charle para irem comigo.— Respondeu Erza com naturalidade e Lucy arregalou os olhos, entendendo todas as reações negativas de Wendy. — Foi um sucesso tão grande que o contratante nos disse que o público deveria assistir somente uma vez, pois seria emoção demais para uma segunda. Depois disso ele nos dispensou dos outros dias de trabalho.
— Pobre Wendy. — Disse Lucy abraçando a amiga que exibia uma expressão de derrota. Erza era péssima em atuações, ela própria já havia participado de uma com a maga, e foi um desastre.
— Tudo bem, Lucy-san. Pelo menos recebemos o pagamento por um dia de trabalho. — Falou conformada.
Cana e Levy chegaram e se juntaram às meninas.
— Quanta gente desanimada logo de manhã! — Disse Cana agarrada à um barril de cachaça que Lucy se perguntou de onde havia saído.
— Lu-chan, bom dia!
— Levy-chan! — Abraçou a amiga. — Você ficou muito tempo fora naquela missão com o Gajeel! Fazia um tempo que não te via.
— Pois é….— A garota ficou um pouco envergonhada. — É que tivemos, hum… Alguns imprevistos… É… Sabe… Ha ha!
— Parece que o feriado vai ser recheado de amor esse ano.— Implicou Mirajane, sorrindo travessa para Levy.
— É mesmo, ouvi dizer que Jet e Droy estão ficando tristes porque a Levy andou indo em muitas missões sozinhas com Gajeel.— Alfinetou Erza.
— Vocês estão enganadas! O Gajeel só têm nos ajudado com algumas missões difíceis… Nós nunca ficamos sozinhos assim… Essa última missão foi uma exceção! — Começou a se explicar, ficando muito vermelha. — E mesmo que fosse verdade, o Gajeel nunca olharia assim para mim...
— Levy-chan, não fique assim! — Disse Lucy passando um braço sobre o ombro da amiga. — Além disso, olhe só para eles. — Apontou para a briga que ainda acontecia.
Gajeel acabara de dar um soco na cara de Gray.
— Toma essa, cabeça de picolé!
— Isso não vai ficar assim, cara enferrujada. — Respondeu o mago de gelo, colocando uma mão em punho sobre a outra.— Ice Make: Hammer!
Desferiu o golpe sobre o Dragon Slayer de ferro, porém, este desviou e o martelo de gelo acertou Elfman.
— Brigar é coisa de homem! — Gritou e partiu para cima dos dois.
Ao longe, no bar, Lucy apontava para eles.
— Viu só, Levy-chan? São uns idiotas que só pensam em briga. — E suspirou.— São incapazes de entender o coração de uma garota.
Levy ficou vermelha
— Gray-sama só pensa em ficar perto de outros homens... — Murmurou uma Juvia chorosa.
Cana terminou de tomar um gole e cutucou Mirajane com o cotovelo.
— Han? Vê só a Lucy? Tão esperta para entender a mente dos idiotas brigões.— Disse rindo.
Mirajane entendeu a deixa e continuou.
— Com quem será que ela aprendeu essas coisas? — Perguntou retoricamente a albina.
— Mas o que....
— Não terá sido com o idiota mor dessa guilda, Huh? O maior brigão de todos?
— Tem razão Cana, com certeza ela aprendeu essas coisas com o Natsu. Afinal de contas… — Mirajane se aproximou bem de Lucy, fazendo todas as meninas chegarem perto também, curiosas com o que ela ia dizer. — Eles dormem juntos todas as noites… A-bra-ça-di-nhos. — Falou pausadamente.
Levy, Juvia e Erza arregalaram os olhos, Cana gargalhou alto e Wendy ficou tão vermelha quanto um tomate. Lucy nunca sentiu tanta vergonha em toda sua vida, e o pior de tudo é que não poderia negar aquele fato. Mas ela negaria.
— Me-mentira! — Exclamou.
— Mas foi o Happy que me confidenciou essa informação. — Disse Mirajane sorrindo vitoriosa.
— Aquele gato maldito!
— Não é verdade, Wendy? O que você estava me contando naquele dia antes de sair para a missão? — Perguntou a albina. Todas olharam para a Dragon Slayer, que se encolheu mais na cadeira. — A pobrezinha estava chocada.
— Ano, Mira-san… É que… Desculpe, Lucy-san. — Olhou para Lucy. — Mas a Charle me disse que ela e o Happy foram te convidar para ir comigo e a Erza-san na missão da peça de Natal, mas…
— Mas…? — Todas se aproximaram, muito interessadas no que viria a seguir. Lucy sentia que ia morrer de vergonha.
— Mas quando chegaram lá… A Lucy-san e o Natsu-san estavam… — Wendy ficava mais vermelha a cada segundo, perdendo somente para a maga estelar, que só queria arranjar um buraco para enfiar a cara.
— Estavam…? — Pressionou Erza.
— Estavam na cama… Dormindo juntos… E a Lucy-san estava… Ela estava pelada! — Confidenciou a menina, cobrindo o rosto com as mãos.
Até Mirajane ficou corada com a revelação da garota, pois não imaginava que as coisas já tinham chegado tão longe entre os dois.
— Es-espera! É um engano, isso não...— Então se lembrou daquele dia infeliz.
Eles haviam feito uma missão em que a roupa de Lucy fora quase que completamente destruída por um golpe do inimigo. Ela invocou Virgo, que prontamente salvou sua pele, cavando um buraco para que ninguém a visse seminua e trazendo uma roupa muito bonita do mundo celestial.
Ela ficou encantada com o conjunto de corpete e short azuis, que por sinal eram muito confortáveis, e o melhor de tudo: lhe davam mais agilidade em batalha e, por não serem um Star Dress, não desapareceriam quando fechasse o portão da donzela. Depois de se vestir, Virgo chamou sua atenção “Hime, só tem um problema que você precisa saber antes de…”, mas nessa hora o monstro que estavam enfrentando fez um som ensurdecedor, e ela não ouviu o que Virgo tinha para dizer. Logo depois eles terminaram a batalha e foram para casa, muito cansados… Tão cansados que, do jeito que estavam, deitaram na cama e dormiram juntos (o que por sinal, já havia se tornado um hábito).
E então Lucy descobriu, do pior jeito possível, que o que Virgo queria lhe dizer era que aquela roupa que lhe fornecia mais agilidade ainda estava sendo testada por ela no mundo dos espíritos celestiais, e que por ser um protótipo ela desapareceria em 24 horas.
— Nem eu esperava por essa, Lucy! Parece que vocês estão se dando muito bem. — Comentou Cana.
— Vocês entenderam tudo errado, isso foi um engano! — Tentou explicar, mas foi em vão, todas as meninas já olhavam para ela com olhares cheios de malícia e até mesmo Wendy ficava constrangida com os próprios pensamentos.
— Um engano, Lucy? Se o Natsu te ouvir falar assim vai ficar bem triste. — Disse Mirajane, colocando lenha na fogueira.
— É sério. Eu estava com uma roupa que Virgo trouxe, ai a roupa desapareceu, mas quando eu vi não tinha jeito, e ai eu corri e então…
— Juvia também quer tirar as roupas para o Gray-sama!
— Juvia-san! — Exclamou Wendy.
— Meninas, me escutem, Natsu não me viu pelada! — Esbravejou Lucy, pensando “não dessa vez”.
— Lu-chan, se acalme, Cana e Mira só estão implicando com você.— Disse Levy sorrindo compadecida da loira.
— Levy-chan! — Disse chorosa e se atirando nos braços da amiga.
— Mesmo que seja verdade, vocês ainda dormem juntos. Duas fontes confiáveis comprovam isso. — Disse Erza.
A loira corou fortemente ao lembrar-se dos braços fortes e quentes do Dragon Slayer de fogo abraçando ela durante a noite.
— Está vermelha demais para alguém que não fez nada. — Implicou Cana.
— Ele dorme porque é um folgado! Todos sabem que ele e o Happy sempre invadem minha casa. — Tentou explicar, muito constrangida com toda aquela situação.
Ela sabia que a intimidade deles havia crescido demais nos últimos tempos. E tudo tinha acontecido de forma natural. Em um dia estavam em missão e resolveram dormir no mesmo quarto para economizar os gastos, pois eram parceiros de longa data. Quando percebeu, estavam tornando aquilo um hábito. E além disso, Happy sempre dormia com eles. Não é como se houvesse algo de sexual naquilo.
É claro que houveram vezes (muitas vezes) em que Natsu dormia sozinho com ela. E acabava abraçando ela durante a noite… Ou ela o abraçava. Mas fazia diferença?
— Tudo bem meninas, já chega de implicar com a Lucy. — Disse Mirajane fazendo um gesto com as mãos. — Por enquanto. — Soltou uma risadinha.
— Você é tão má, Mira-san! — Reclamou Lucy, chorosa.
— Está tudo bem, Lucy. — Erza a puxou para o seu peito, em um gesto afetivo, mas como estava de armadura isso só fez com que Lucy batesse a cabeça contra o metal. — Não precisa ficar constrangida. Somos suas amigas e todas aqui torcem por você e Natsu.
— Erza!
— Juvia também torce para que a Rival no Amor encontre outro homem que não seja o Gray-sama! — Disse a maga de água.
— Lucy-san e Natsu-san são tão fofos juntos. Ela sempre entende as infantilidades dele e o segue para todos os cantos. — Disse Wendy sorrindo.
— Até você, Wendy? — Perguntou desolada.
Aparentemente, todas estavam contra ela. Ou seria a favor? Já nem sabia mais o que pensar da situação. Ter as meninas falando tão abertamente sobre o relacionamento dela com o amigo cabeça de vento era muito constrangedor. Principalmente quando pensamentos sobre o calor dos braços dele ficavam atrapalhando seu raciocínio na hora de se defender.
— Agora que Wendy mencionou o fato de vocês estarem sempre grudados, não é estranho que o Natsu ainda não esteja aqui? — Perguntou Mirajane colocando uma mão no queixo, pensativa.
— Realmente, Lucy já está na guilda e o Natsu ainda não… Será que ele está muito cansado da noite? — Insinuou Cana.
— Você não sabe dele, Lucy? — Perguntou Erza.
— Não. Na verdade, vim procurar por ele aqui e acabei me distraindo. Quando acordei, ele já tinha saído. — Disse pensativa.
— Lu-chan, você não se ajuda. — Disse Levy para a amiga, enquanto Cana comentava com Erza e Mirajane algo sobre eles terem mesmo passado a noite juntos.
— Parem de falar besteira! — Berrou, exausta de ser o alvo de tanta malícia. — Levy-chan! Eu só queria pegar uma missão para pagar o aluguel! — E deitou a cabeça dramaticamente sobre o balcão.
— Missão? Sinto muito Lucy, mas parece que o quadro de missões amanheceu vazio. Só havia um anúncio ontem quando fui embora. — Disse Mirajane.
— Vou ser despejada no Natal! — Desatou a chorar.
— Calma Lucy, daremos um jeito. — Disse Erza.
— Lucy-san, se não conseguir o dinheiro, eu e Charle podemos te emprestar esse mês.
— Wendy, você é um anjo.
— Tão boazinha.
A maga estelar se sentia muito mais tranquila agora que tinha pelo menos uma opção. Mas um incômodo começava a pesar em seu peito. Onde estaria Natsu?
— Será que aconteceu alguma coisa? — Perguntou para as garotas. — Digo, nem o Natsu e nem o Happy apareceram por aqui, e com essa neve… Ou será que eles viajaram outra vez? — Perguntou um pouco assustada.
Sua mente começou a viajar para aquele ano. Natsu sumiu com Happy, deixando apenas um breve bilhete dizendo que iria treinar para ficar mais forte e conseguir proteger toda a guilda. Foi uma época muito difícil, pois foi só naquele momento que se deu conta do quanto havia ficado dependente da companhia deles. Eles haviam se tornado sua família. Chorou por muitas noites, sem entender porque não tinham levado ela junto, como sempre faziam.
E desde que voltaram, essa era a primeira vez que Natsu sumia sem falar nada para ela. Seu coração se apertou. Por um momento, imaginou eles indo embora de Magnólia. E para piorar, o jeito que ela havia aberto seu coração para Natsu nos últimos tempos, tornava a ideia de ele ir embora outra vez dez vezes pior. Como ela ficaria sem seus braços quentes por tanto tempo? Uma tristeza avassaladora a atingiu em cheio.
— Lucy? — Cana cutucou a loira, tirando ela de seus pensamentos.
— Calma, Lucy. Natsu não foi embora. — Mirajane pousou uma mão no seu ombro, falando seriamente. — Provavelmente foi ele quem pegou a última missão do quadro. Você disse que ele saiu cedo, pode ser que eu não tenha visto.
Lucy assentiu e só então notou que seus olhos estavam marejados. Ninguém comentou, porque todas sabiam que era um assunto delicado.
— Você tem razão, Mira. — Respirou fundo, aliviada.
— Certo, agora chega de enrolar. — Disse a albina. — Já que estão todas aqui, me poupa o trabalho de chamar cada uma individualmente.
— O que foi, Mira-san? — Perguntou Wendy.
— Nós vamos aproveitar o dia de hoje e ir juntas comprar a roupa para a festa de Natal da Fairy Tail! — Disse animada.
— Até que é uma boa ideia. Escolher a roupa da festa com antecedência é importante. — Concordou Erza, já se levantando. Não era segredo para ninguém que ela adorava roupas novas.
— Acho que vai ser legal. E também, posso comprar alguma coisa de presente para Charle, já que ela não está se sentindo muito bem com esse frio. — Disse Wendy.
— Huh? Não sei se vale a pena gastar o meu dinheiro da birita… — Ia dizendo Cana, mas Mirajane já havia tomado o barril de cachaça que ela bebia.— Ei!
— Espera, eu acho que não tenho dinheiro pra isso. — Falou Lucy.
— Vamos Lu-chan, vai ser divertido! — Chamou Levy puxando ela pelo braço.
— Muito bem meninas, em direção às lojas! — Bradou Erza, com a seriedade de quem vai para uma batalha.
E assim, o grupo de meninas partiu em uma missão: visitar todas as lojas possíveis naquele dia.
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Um pouco distante da guilda, um jovem mago de cabelos cor-de-rosa e um exceed azul se preparavam para entrar em um trem, pois a missão que pegaram era um pouco distante e não conseguiriam voltar a tempo do Natal se fossem andando.
— Happy, por que temos que pegar essa coisa? Não tem outra missão mais perto não? — Reclamou o Dragon Slayer.
— Era a última do quadro, Natsu. — Respondeu o gato. — E além disso, foi você que quis vir para comprar um presente de namorado para a Lucy. — Falou debochado.
— Oe, não tem nada disso de presente de namorado! — Rebateu o mago de fogo, ficando um pouco envergonhado. — Eu só queria fazer uma surpresa pra ela, já que é Natal e ela precisa do dinheiro pro aluguel.
— Aye… Nós acabamos mesmo com a última missão, né Natsu? — Falou Happy fazendo cara de culpado. — Pobre Lushy, ficou a ponto de ser despejada.
— Olha só quem fala! Foi você que chamou ela de má ontem e saiu voando. — Acusou o amigo.
— Era só para deixar vocês sozinhos, afinal de contas... — Colocou uma patinha na frente da boca. — Vocês se gosssssssssssstam!
— Não enrole a língua desse jeito! — Gritou com o gato, que já voava para dentro do trem e deixava o amigo reclamando sozinho. — Oe, volta aqui seu maldito! — E correu para dentro, sentindo logo o tão conhecido enjoo se apossar de si. — Droga!
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