Vestida Em Vermelho
2 Um livro numa estante.
Notas iniciais
César Borgia realmente existiu, e a história se passa basicamente cinco antes da morte do mesmo, que ocorreu em Viana, na Espanha. Uso a data como referência pois já tenho algum conhecimento na mesma. Eu não tenho certeza da data de morte do seu pai Rodrigo, o Papa, mas sei que abandonou o pontificado em 1503, por isso a história também se passa nessa data. Por fim, sem mais delongas, boa leitura.
Roma, Itália.
23 de abril de 1503.
O sol da manhã invadiu seu quarto claro, a fazendo abrir os olhos sonolentos de modo vagaroso e despreocupado. Depois de muita batalha consigo mesma, se permitiu colocar os pés para fora da cama. Podia ouvir a voz dos guardas da família dos Borgias anunciando a chegada do Papa e de seu filho César. Um longo bocejo escapou dos lábios avermelhados da morena, que logo se colocou a andar até a janela, a abrindo agora por completo. A voz rígida de sua tutora logo começaria a ecoar pela casa, e ela não tinha a menor pressa para começar a ouvir as mesmas broncas diárias e repetitivas que tornavam Susan uma mulher rígida e focada aos ensinamentos devidos para uma boa esposa e boa conhecedora.
Kathryn realmente não tinha a menor pressa, muito menos quando se tratava de tarefas domésticas. Ora, ela não tinha o mínimo interesse nesse tipo de coisa. Como aprendera com o pai, queria ler, queria cavalgar, queria passear pelas ruas e aprender cada tipo de coisa nova que o mundo tinha para a oferecer. Mas a sociedade insistia que ela não seria digna muito menos bem recebida em qualquer estabelecimento se não fosse uma “esposa exemplar”. Deus, ela detestava a ideia de que sem uma aliança de casamento em seu dedo anelar, ela não seria ninguém. Soltou um longo suspiro, que logo foi trocado por passos lentos até o banheiro, aonde ela fez o seu ritual lastimável o qual consistia em colocar o seu vestido, corselete, e tudo o que uma quase dama da sociedade tinha direito.
“19 anos.” Era o que sua tia, ou tutora, como preferia ser chamada, sempre repetia. “É uma idade importante demais para deixar passar. Deve se mostrar submissa e apresentável para conquistar um bom partido, acredite, eu sei!”. Ora, aquilo era um pensamento mais que primitivo! Mas Kathryn não era páreo para os argumentos concretos e turrões de Susan, então lhe restava suspirar e fazer as tarefas, usando o pouco tempo livre que lhe sobrava para ler livros dos mais diversos tipos.
Foi então, numa tarde chuvosa e terna, que ela encontrou um livro de nome “Assassinato em Escarlate”. Esgueirou uma sobrancelha enquanto retirava o pó da capa endurecida, se colocando a sentar na poltrona da biblioteca com curiosidade. Oras, nunca havia ouvido falar daquele título literário, e acabara se interessando pelo mesmo. A cada página lida, sua tensão se aumentava. De algum modo, sentia conhecer aquela história.
A história de uma moça. A história de uma moça e sua faca. De uma moça e seus pesadelos, seus medos e temores. A história de uma alma perdida, que desapareceu sem encontrar o que procurava... E que busca até hoje. Sem medir esforços.
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