Vestiário.

1 Vestiários — Capítulo Único.


Notas iniciais
OLÁ! ...Sim eu sei que não posto mais nada além desse casal, mas não precisa me olhar com essa voracidade! ;-; Tinha uma boa parte disso aqui guardada no pc e só agora consegui completar. Fora isso, estou com bloqueio filho da mãe! Mas, olhem pelo lado bom! ESTOU DE FÉRIAS! MUAHAHAH! De qualquer modo, espero que gostem! Caso se interessem em saber mais do casal, existem mais outras duas fics deles. "Escovas de Dente" e "Criptografia". Você não precisa necessariamente ler as duas pra entender essa, porém, fique à vontade para tal. Vejo vocês nas notas finais! (E, novamente, obrigada Amby Cuppy por mandar áudios idiotas no Whats e me ajudar com isso aqui. "Ahhhh, moleque!"... Oh! E também aos que comentaram em Criptografia e Escovas de Dente, como a Larissa Abarai, Rhiannon, Kuroi Kitsune, Nath_Luna e mais um monte de gente gostosa. Heheh.)

Este vai ser o meu pior relato de paixão adolescente da vida — até porque não é sobre uma paixão, e sim sobre um amor. Um amor clichê, manipulado, cafona e que posso garantir estar tão vivo e tórrido quanto antes. E, como sempre, a coisa começa de forma inocente.

Acredito ser a terceira ou quarta vez que escrevo este tipo de documento sobre nós dois. E, como qualquer um que leu pelo menos um destes, sabe que o meu coração pertence a um pseudo-loiro; um filho da mãe desgraçado que me chama de melhor amigo até hoje.

Aos doze anos percebi que meu coração reagia engraçado perto dele. Pulsava diferente, em uma batida semelhante às bateria de escola de samba do Rio. Ou pior, porque na Bahia as coisas são aumentadas uma três vezes para fazer sentido. Não é? Não é? Não é?!

Quando estava perto dos catorze, notei que não era só o meu coração que tinha comportamentos diferentes ao seu lado. Infelizmente não. A puberdade sempre foi um martírio para mim, tanto que mal podia controlar impulsos do meu corpo. Tudo era muito vergonhoso!

Sempre odiei praticar esportes na escola — nessa idade, preferia ficar no banco vendo os garotos jogando futebol e as garotas nadando por motivos óbvios. Jogar nos dois times era ótimo, e eu sempre fui fã encubado de todos eles. Agora, praticar fora do sentido figurado já virava bullying!

Lake, o tal infeliz melhor amigo, era bem melhor do que eu em tudo. Pra variar, corria mais rápido, tinha mais força e era mais alto. Fora a força de vontade, não? Perder era um insulto, e ele jogava até o final com toda a garra!

E o papai aqui corria dois minutos, sentia as coxas doendo e já ficava parado feito um poste como se tivesse carregado um caminhão. Ninguém dava passe pra mim, e eu nunca conseguia roubar uma bola. No basquete? Pfft. Como alguém tão baixo e preguiçoso faria uma cesta? Ainda mais sem o mínimo esforço, certo?

Por essas e outras o professor fez um acordo muito agradável comigo. Eu não atrapalhava os jogos e só assistia as peitudas e os malhados (modo dizer, infelizmente não estava tãaao maravilhosa a vista) do banco, e ele não me mandava fazer nada. Simples.

E o Lake? Ficava atrás de mim, mesmo doido pra jogar. Não demorava nadinha, também. Era só bater o olhar naquelas íris claras e dóceis que o mandava sair antes que acertasse um soco na cara linda dele. Tudo bem!

Só que naquele dia a coisa complicou pro meu lado. Os garotos do futebol decidiram que o sol de Salvador estava “um pouco quente demais” e decidiram tirar suas camisas, só pra exibição. Eu, um adolescente pendendo pro voyeurismo, me animei com a ideia.

Meu melhor amigo e primeiro amor ser camisa e suado em uma quadra de esportes enquanto a minha pessoa assistia tudo de camarote, sequinho? Era sonho. Só podia ser sonho! Mas, alegria de pobre dura pouco.

O garoto sempre foi muito inseguro quanto ao próprio corpo, e não gostava de ficar exibindo como se fosse um produto. Se vê-lo sem camisa na praia era um milagre, imagine na escola, que não era obrigatório?!

E, cá entre nós, a puberdade vinha lhe fazendo muito bem. Lake era um ano mais velho que eu — já disse que sou um gênio? — e seu corpo respondia muito bem à adolescência. Pense em um meio loiro meio moreno de olhos azuis e rosto corado lindo de morrer? O Lake.

Parecia gringo! Mas olhe que a criatura viva no subúrbio, lá onde Judas bateu as botas! ...Alguém tinha que ir lá e arrancar aquela camisa. “Queima camisa, queima!”, berrei internamente. Os moleques insistiam, insistiam, só que o bicho não dava o braço a torcer!

No momento mais glorioso da minha vida, um dos garotos mais altos da sala veio por trás dele e puxou a camisa para cima, levando-a em um piscar de olhos. Ricardo, amigo nosso! Santo Ricardo, glorioso o Ricardo!

E ali estava o torso nu do meu amado, criando seus primeiros gominhos e quase afogando as garotas na piscina. As gargalhadas viraram exclamações surpresas e toda a sala perdeu o chão. O que?! Desde quando aquele treco tinha o corpo tão definido?!

Pois deixo claro uma coisa: hoje eu e Lake dividimos um apartamento, e ele faz exatamente o que sempre fez. Come, estuda, joga e dorme. E no dia seguinte, o mesmo. Seu corpo permanece igual, melhorando a cada dia.

E eu? Pago academia todo mês, vou um dia e volto pra casa quase morto.

Depois que a poeira baixou, bateram palmas para o garoto e voltaram com as risadas. Pronto, não tinha mais jeito. Ricardo escondeu a camisa e não devolveu até o fim do jogo, deixando um rapazinho corado no meio da quadra tentando se esconder.

— Deixa de ser mocinha, Baines! — gritei do banco, rindo e lançando uma piscadela marota. — Volta logo a jogar, seu bobão! Anda, anda!

Ele fez careta, mas acatou o pedido. Com todos os garotos sem camisa, pude passar meia hora do meu dia admirando suas anatomias e suspirando, como que no Paraíso. Oh, vida mansa que todo homo, bi ou pan pediu a Deus…

Foi quando acabou a aula. Depois de tanto tempo em estado de vegetação, eu era só suspiros e saliva quase escorrendo do canto dos lábios. Foram todos correndo em bando para os chuveiros como animais, e nem pareciam estar no ensino médio! ...Lake ficou para trás, sem jeito.

Com o rosto todo vermelho e o corpo todo suado, encostou na madeira onde eu estava, sentando em sua outra ponta. Nos encaramos, e lhe sorri. Ele tinha tudo para roubar meu coração, e tinha roubado mesmo. Carisma, beleza, charme.

Um anjo. Um meio provocador e sensual, mas isso nem vem ao caso!

— O que achou de jogar sem camisa? Bateu um vento maneiro? — sorri, apertando seu nariz de um jeito que ele não gostava, fazendo-o se esquivar do contato com um sorriso oculto em uma cara emburrada. — Hey, volta aqui, chatonildo!

Nos entreolhamos e rimos, vendo o empurra-empurra na entrada dos banheiros. Outra vez, aquilo parecia um jardim de infância.

— Muito palhaço o Ricardo. E ainda vem dizer que eu não aguento a “zoeira”!

Era verdade, o Lake nunca aguentava as brincadeiras do Rick. Nem eu, para falar a verdade! Aquele maldito hipster adorava tirar fotos escrotas e editar com aqueles efeitos de… Bem, hipster. Só que, infelizmente, as fotos eram sempre nossas.

— Amoreco… — apoei a mão em seu ombro, fazendo meu melhor tom dramático — você realmente não aguenta. Maricas.

Ele fez careta e me apertou nos braços, fazendo-me contorcer por causa do suor. E gargalhei enquanto tentava me soltar, argumentando entre os risos que estava “seco e lindo demais para ele”. E adivinhe? O bonitão não me soltou.

Foi quando me dei conta que estava sendo agarrado e esmagado por um loirinho sem camisa e todo molhado depois de um jogo de futebol. E que praticamente todo mundo estava nos vestiários, sem dar a menor bola para nós dois.

— M-Me solta logo! — fiz birra mesmo, apesar de adorar quando ele me segurava com tanta vontade. Às vezes me jogava em seus braços, outras só fugia, morto de vergonha. Vai entender, não é? — Você é idiota ou o que?!

Então meu amigo fechou a cara, também emburrado, e me soltou como se tivesse sido ofendido. Não entendi nada, só que havia sido solto e que ele estava em pé. Confuso, virei o corpo no banco, fitando-o. Nenhum de nós disse nada, muito menos nossos olhares se encontraram.

Nunca consegui me acostumar com aquelas mudanças de clima repentinas entre nós dois. Com a gente era oito ou oitenta, explodindo nos extremos e nos polos opostos. Quando encontrávamos o equilíbrio, era como os planetas alinhados!

...Por alguns minutos. Tipo o suficiente para um ou outro perceber que amassos estavam ficando sérios e se afastar, constrangido. Para ser sincero, o medroso era sempre eu, porque tinha a impressão de que ele mesmo nunca iria até o fim.

Certo, estou misturando as histórias!

Ficamos ali por um tempo, comentando vez ou outra do corpo de uma garota que passava — eu, para falar a verdade. Lake não gostava de falar da anatomia alheia tanto quanto não gostava de que falassem da sua. Não entendo o motivo, também. Ele sempre foi lindo.

Aos poucos foram começando a sair os outros alunos, limpos e com o uniforme. A aula de matemática estava perto de se iniciar, mas aquele gamer tímido ainda preferia chegar depois de todos do que tomar banho com alguém olhando.

Enquanto isso, Ian Rondelli — quem vos fala — apenas esperava os vestiários ficarem vazios para dar o bote. A naja cangaceira de cachos aguarda sua vítima aproximar-se de uma área desabitada para avançar, sempre na espreita. Pobre presa inocente.

Ou melhor, pobre naja do sertão… Acha que vai fazer uma refeição farta, mas acabará sendo devorado. Talvez. Não? Quem sabe.

— Você vai chegar atrasado. Nós vamos, para ser sincero.

Ele me encarou e deu de ombros, fazendo outra das suas caretas para o Ricardo quando ele passou. E nem sinal da camisa do loiro, graças aos céus. Bufou, como se fosse aparecer no ar uma legenda como “bolado” ou “chateado”, e se encostou na parede atrás de nós.

— Pode ir para a sala. Não estou te prendendo, sabe?

Mentira cabeluda. Não era nada difícil para ele me prender! Como um cãozinho, seguia seus passos sem nunca reclamar, apenas feliz por estar por perto. Era aquele tipo de relação que tínhamos e todos já tinham notado!

Estávamos sempre juntos, sempre mesmo. Já era de se esperar que eu ficasse com ele nos vestiários mesmo depois que todos fossem para a sala, não? Oh, sim. Sim. E era só aquilo que estava esperando — o momento que qualquer um estaria. Inclusive você que está lendo isso.

— Sabe muito bem que não vou à lugar algum sem você! Arf, arf! — lati de brincadeirinha, levantando de onde estava quando notei os banheiros praticamente vazios. Lake sorriu torto, mas não disse nada quando caminhou até lá.

Arf. Fui atrás. Mesmo sem precisar tomar um banho ou ter qualquer outra coisa para fazer lá dentro, o segui — no fundo, cheio de más intenções. Nós fazíamos coisas escondidos. Coisas que ninguém sabia, e nem poderia saber.

Apesar dele nunca ter respondido se me amava ou não, e sua resposta ser algo como um “não sei, é confuso”, aqueles momentos que estávamos só eu e ele eram especiais pra mim. Como uma promessa de que, algum dia, teria uma resposta para minhas perguntas.

Não sabia se era ilusão ou esperaça além da conta, mas desejava do fundo do meu coração que aquele consentimento fosse um “eu te amo” reprimido. Ou um “gosto de você”. Qual quer coisa que me permitisse grudar nele e não soltar.

Quando entramos, mais alguns garotos saíam. Lake pegou as peças do uniforme normal, dobradas de um jeito meio torto — ainda melhor que as minhas dobraduras — e as deixou em um canto perto do chuveiro. Aquilo foi o tempo necessário para a porta bater uma última vez e o ambiente ser só neblina suave vinda da água quente recém fechada e nossas respirações.

Nada fora do comum. Ele me olhou, sorrindo sem jeito. Me encostei nos armários não muito maravilhosos, encolhendo os ombros enquanto ele apoiava a toalha no ombro. Era tudo questão de tempo, adaptação.

O conhecia bem. Um período curto para se familiarizar com o local, um jato de pensamentos hesitantes como “isso é certo?” e “estamos na escola!” para finalmente se decidir. A presa é fácil, vulnerável e está louca pra ser devorada. Demorar pra que, rapaz?

Não perca tempo. — quase sussurrei em sua direção pouco antes de vê-lo se aproximar. Minha expressão era provocadora, mas meu corpo tremia inteiro em ansiedade. Ao mesmo tempo em que queria o puxar para perto, queria me esquivar com medo.

Convenhamos, cão que ladra não morde. Sempre ficava nervoso quando a coisa ficava séria; normalmente quando já sentia nossas respirações uma embatendo na outra. Quando sentia seu olhar mais perto… Os olhos me fitando. Aquelas malditas jóias que se faziam de inocentes. Felinas, caçadoras, manipuladoras jóias brilhantes!

Não me movi muito bruscamente. Descruzei os braços, esperando ele chegasse mais perto em um sublime convite. Senti seus dedos em minha bochecha, roçando ali suavemente — ainda está hesitando, meu bem?

Sua face avançou devagar enquanto aquele carinho tão tênue me mantinha à sua mercê. Não era difícil sentir sua respiração conflitando contra meus lábios… Nem o quanto ele os olhava. E por mais que eu quisesse, alguma barreira me impedia de fazer muita coisa.

Nos olhamos uma última vez antes de seus dedos sumirem entre meus cachos, trazendo-me para um beijo inicialmente desajeitado. Apertei as pálpebras e até faria o mesmo com sua camisa, se ela estivesse ali.

Não era a primeira vez fazendo aquilo, mas uma das primeiras em que fazíamos na escola. Ainda mais em horário de aula! E, de fato, tudo que aconteceu comigo naquele dia foi culpa dele. Do maldito loiro de mentirinha, o provocador!

Ou, como era conhecido pelas meninas da escola, “O Famoso Lake do Matutino”.

Quem começou foi ele. Com as mãos na minha cintura, me puxando… E me colocando contra os armários pichados, pressionando seu corpo ao meu. Não devia ser difícil para ele de ouvir meus gemidos contra seus lábios, nem sentir minhas tentativas de segurar-me em suas costas nuas.

Na verdade, minha impressão era que ele queria aquilo. Me ver submisso, me agarrando em seu corpo e choramingando. O sentimento depois era muito ruim, claro… Quase como se eu fosse um garoto de programa ou coisa do gênero. Mas, durante…?

Era o Paraíso no Inferno.

E digamos que naquele dia eu tinha roubado seu posto de anjo com chifrinhos. Corri as mãos por seu abdome, acariciando aquela nova forma que me foi desconhecida por quase seis anos, virando-o para a parede de armários. Minhas pernas encaixaram-se com as suas.

Todo movimento seria letal. Arfando, afastamos as faces um do outro. Como instinto, me forcei a abrir os olhos. Ele não. As bochechas haviam sido tingidas de um rosado que denunciava o constrangimento de fazer aquilo, deixando-me aéreo por segundos.

O que ele estaria pensando naquele momento? Que estávamos infringindo regras, talvez. De não beijar na escola, não matar aula e possivelmente a regrinha pessoal de tentar não perder o controle. Minha ou dele? Não sei, nunca consegui identificar.

Envolvi seu pescoço com os braços, ouvindo os ofegos se tranformando em meros suspiros… Até que estivéssemos ambos mais calmos. As pálpebras se ergueram, e as íris azuladas foram de encontro às minhas. Quietude.

Suas mãos repousaram em minha cintura.

Respira, inspira. Olhares desviados que nunca saíam do limite do rosto alheio. Fitei seus lábios e ele me observou o fazendo. E notou. Crispei os meus e esperei alguma fala ou alguma coisa. Quem sabe ele não se afastasse? Bem, o nervosismo nada me permitia fazer.

— Vamos nos prejudicar aqui. — até que aconteceu um segundo beijo. Na testa. — Vou adiantar a ducha para não te fazer esperar muito mais, pode ser?

Daquele jeitinho encantador, ele sorriu. Não dava para deixar de vê-lo como um demônio! Era tão dócil e meigo… Tinha um traço de inocência cruel! Como se tudo fosse fingimento e eu apenas um brinquedo. Ele fingia tudo, tudo! Era só pra me enlouquecer.

Não, não era.

Aceite isso, ele não é o vilão.

Certo, sejamos finalmente sinceros aqui. — Fui eu.

E logo depois, fui eu também. Acha mesmo que o deixaria escorregar dos meus braços naquela oportunidade única?! Seria muita tolice. Me aproveitando do encaixe entre nossas pernas, movi meu joelho com tenuidade entre as suas, beijando seu pescoço. Um outro ofego de sua parte me arrepiou por inteiro, de um jeito muito diferente.

— De novo. — meu corpo fervia mais que o normal naquele dia. Não era exatamente agressivo! Ou era? Ele podia fugir, se quisesse. — ...Por favor?

Talvez meu subconsciente fosse um pouquinho manipulador e nem todo mundo se desse conta. Pois aquele calor que começou de forma tão comum e lenta estava se tranformando em uma chama — estava esperando o momento certo pra queimar. Então, naquele momento, tudo seria como um incêndio.

Não era exatamente uma certeza, mas desejava que aquele calor também o atingisse. Que no seu inconsciente não conseguisse fugir de mim, ou mesmo rejeitar-me… Que esse fosse o motivo pelo qual ele não sentiu nojo aparente ou me evitou após aquela confissão.

Pena não era, não podia ser. Era amor também, apenas diferente do amor que eu queria. Oh, vamos lá, Lake! Deixe a carne ser fraca só um pouquinho, por favor? Me deixe senti-lo mais um pouco até que ambos estejam satisfeitos… Você não sente essa mesma chama? De verdade?

Com tais perguntas latejando em minha mente, ergui o olhar em direção ao seu — estremeci na hora, sentindo as pernas bambas. Ele realmente pareceu afetado naquele momento. Dava pra notar no brilho dos seus olhos!

— Pare de me tentar desse jeito, Ian.

Na minha mente de jovem em plenos 14 anos, na mais pura inocência da adolescência (pra rimar, claro), houve um estalo. Aquilo parecia uma oportunidade. Se fosse… Heh. Seria bom. Oportunidades se agarram. Lakes também. Estava mais que clara minha posição àquela ordem. Desculpa, Lake, mas não.

— Você é quem está sempre me tentando. — Uma das minhas mãos escorregou por seu peito com suavidade, afagando sua pele nua com uma timidez incerta. Afinal, cabia mesmo usar a palavra “timidez” naquele momento? — O tempo inteiro… Me sondando.

Então tentei me esticar um pouco na ponta dos pés para alcançar seus lábios com mais facilidade. Beijei seu rosto, apesar de estar um pouco trêmulo, e desci para seu maxilar e queixo por não conseguir me manter equilibrado.

Ele segurou minha mão. Não… Não como eu estava acostumado, sabe? Foi com carinho, mas firmeza. Seus olhos continuaram com aquele brilho intenso que nunca consegui decifrar, vendo através de mim e do meu sorriso malicioso.

Minha máscara havia caído novamente. A coragem de estar cabulando aula dentro do vestiário masculino, minhas expressões marotas e minha pose de garoto maduro, tudo sumiu. Outra vez ele me desbancava, fazendo meu rosto se tingir de vermelho e minhas pernas formigarem sem esforço nenhum.

Seus dedos se entrelaçaram nos meus, mesmo que ele reclamasse sempre que eu os apertava demais. A outra mão se dirigiu aos meus cabelos, afagando-os de uma forma que fez meu corpo estremecer — ele sabia que cafuné era o meu ponto fraco!

Então, Lake me beijou. Com a suavidade de uma pluma, seus lábios pousaram sobre os meus e os pressionaram por meros segundos, movendo-se um pouco antes que seu rosto se afastasse mais uma vez.

— Você não tem ideia do que me faz. — E ambas as suas mãos recuaram, me deixando em estado de choque e envergonhado até a alma. — Eu volto logo. Não quero que tenhamos problemas com a professora.

Logo depois ele beijou a ponta do meu nariz e saiu para os chuveiros, calmo. Não consegui mexer um músculo sequer, batendo a testa no armário e só percebendo segundos depois, choramingando baixinho. Por que ele sempre fazia aquilo?! Saindo como se nada tivesse acontecido...

Ah… Não era nem o começo! Eu ainda iria me arrepiar muito mais, choramingar muito mais e me bater a cara em paredes e armários ainda mais do que o muito mais. Apertei a camisa da educação física, respirando fundo para tentar relaxar.

Ele tinha razão. Não fazia ideia do que fazia com ele.

Nem ele sabia o que fazia comigo.

Não, não. Claro que ele sabia. Estava tão óbvio! Sádico, manipulador! — saiba que estou resmungando neste exato momento de escrita. Maldito vestiário. Tsc. Como eu disse, o pior relato de amor adolescente! ...Apesar de que eu daria tudo para uma outra experiência arriscada daquelas. Sabe como é, não? Apenas uma última reflexão de uma paixão clichê.

Oh, perdão!

Amor.

Notas finais
GLORIOSO O RICARDO!! Todos oremos pela vida do Ricardo, nosso irmão de fé e camarada! :3 Meow. Espero que tenham gostado dessa baboseira aí! Não sei se teve mais fanservice que Criptografia, mas... Tentei! E se estiverem se perguntando se eles dois namoram, eu terei que dizer que a situação é mais enrolada do que parece. :') Espero que não estejam tão psicóticos quanto o Ian. Por favor, deixem a opinião de vocês aqui embaixo e terei o prazer de responder cada um! ;u; Podem fazer perguntas pro Ian também porque ele é desocupado. Pro Lake não, que ele tá jogando League of Legends. Pfft. UM BEIJO E UM QUEIJO DA QUEEN! :3 Glitter na vida de vocês. Fui!~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!