Notas iniciais
Feliz natal atrasado, chuchuus! Nesse capítulo será o primeiro "encontro" deles :33 Espero que gostem!

Levi me envia uma mensagem dizendo para nos encontrarmos no parque após o almoço, mas eu estava tão ansioso que não consigo comer nada. Meus pais provavelmente acharam que eu estava agindo bem estranho, já que eu peço licença da mesa sem nem tocar na comida e sumo de casa logo depois.

Como eu estava muito adiantado, levo meu skate comigo pra praticar um pouco na pista de skate antes de nos encontrarmos. Talvez eu conseguisse relaxar ao menos um pouco enquanto fazia isso.

Por sorte não havia muitas pessoas no parque naquela hora, então eu tenho a pista de skate toda para mim. Deixo minha bicicleta na grama e pego meu skate para tentar fazer algumas manobras, já me culpando por ter me esquecido de trazer minhas joelheiras.

Fico tão concentrado em tentar não cair e quebrar meu pescoço que nem noto quando o Levi chega. Ele senta na beirada da pista e começa a desenhar algo, até que eu finalmente o vejo e vou até ele.

“Ei.” Eu digo, meio sem jeito.

“Ei.” Ele não desvia o olhar de seu caderno. “Eu não sabia que você era bom com skates também.”

“Eu não sou.” Eu rio, envergonhado, e pego impulso para sentar ao seu lado. “O que você ta fazendo ai?”

Ele levanta seu desenho e me deixa ver. Era apenas um rabisco rápido de mim no skate. “Você é bom nisso.” Eu coro.

“É fácil quando o modelo ajuda.” Ele fecha seu caderno. “Isso foi uma cantada?”

“Mais ou menos.” Eu mordisco meu lábio.

“Oh.” Ele dá de ombros. “Bom, não é como se você não soubesse.”

“Soubesse de que?”

Ele me olha fixamente. “Que eu tenho uma queda por você?”

A forma que ele coloca isso em palavras, tão facilmente, faz meu coração acelerar em meu peito. “E-Eu não pensava nisso desse jeito...”

“Por favor, você viu aquele desenho de você dois dias depois de nos conhecermos. Não seja estúpido.”

Mas talvez eu fosse mesmo estúpido. Porque essa idéia nunca cruzou minha mente, não de forma tão explícita assim. Isso me faz corar ainda mais.

“Você planejava me contar?” Eu pergunto, legitimamente curioso.

“Eu achei que você já soubesse, cabeça de merda.” Ele revira os olhos.

“Ah.” Eu concordo. “Bom, então fico feliz por ter ficado bêbado e te beijado. Eu nunca suspeitaria e você nunca ia me dizer.”

“Não seja tão dramático, eu ainda ia pular em você. Um dia antes de você ir embora, provavelmente.”

“Nós teríamos desperdiçado o verão inteiro.” Eu suspiro.

“Sim, mas o que eu posso fazer? Achei que você fosse hétero, você nunca disse nada. Achei que você fosse dizer algo depois que eu falei que era gay, mas você só ignorou.”

“Desculpa, eu não sou muito bom com essas coisas de relacionamentos.” Eu sorrio envergonhado.

Sua expressão se suaviza e ele sorri de leve. “Tudo bem. Eu acho fofo.”

Nós finalmente trocamos olhares, então. O capuz de Levi estava escondendo a lateral de seu rosto, então eu o removo de sua cabeça e coloco sua franja para o lado.

“Vem cá, me beija.” Ele diz, já que tudo que eu fiz foi encarar seus olhos azulados.

E assim nos aproximamos para um beijo. Era muito melhor agora que eu não estava bêbado; parecia mais real. Como aimeudeusissotámesmoacontecendo.

Ele coloca a mão em meu rosto e eu coloco minha mão sobre a dele. Continuamos nos beijando até que escutamos algumas pessoas se aproximando, então nos distanciamos com um pulo.

“Vamos para outro lugar.” Eu sugiro, pulando da pista de skate e o oferecendo minha mão. ”Vem cá.”

Ele pega minha mão com um sorriso e nós caminhamos para um lugar mais vazio. Bom, era um domingo, então o parque fica cheio de gente durante a tarde. Levi, então, me puxa para o meio das árvores, até que estamos longe de qualquer pessoa.

“Aqui está bom o suficiente.” Ele diz enquanto paramos perto de uma árvore.

“Sim.” Eu rio.

Tornamos a nos beijar, até que me sento encostado na árvore e ele senta entre minhas pernas para que nos beijemos mais confortavelmente. Coloco minhas mãos em sua cintura e sinto o quão magro ele é, quase ao ponto de quebrar.

Depois de um tempo nós só ficamos abraçados. Ele descansa a cabeça em meu peito e eu o seguro, beijando o topo de sua cabeça e sentindo o cheiro de seu xampu. Isso era tão bom que parecia quase natural, como se estivesse destinado a acontecer cedo ou tarde. Minha ansiedade de antes desapareceu, agora tudo o que eu queria era abraçá-lo.

“Então, Eren, você é gay ou não?” Ele me pergunta de repente, brincando com os botões de minha camisa.

“Eu... Nunca pensei muito nisso.” Decido ser honesto.

“Como alguém pode não ter pensado muito nisso?” Ele franze o cenho.

“Ei, eu nunca fui muito interessado nessas coisas de relacionamento...”

“Ah, você demorou a desabrochar.” Ele sorri maliciosamente.

“Não demorei muito, eu só tenho dezenove anos.”

“Isso é bem tarde, Eren.”

“Então e quanto a você, Sr. Experiente?” Eu brinco, o balançando de leve. “Me conte sobre seus noventa ex-namorados.”

Ele ri e não responde de primeira, como se estivesse pensando. E os segundos passam com ele não me respondendo. Quase sinto medo que minha brincadeira tenha o ofendido de certa forma, mas então ele finalmente responde. “Eu não tenho nenhuma experiência também.”

“Então por que você tá me zoando?” Eu rio. Ele parece envergonhado, e não fazia sentido ele estar.

“Porque você age como um virgem.” Ele me dá uma cotovelada. “Não estando interessado nessas coisas de relacionamento...”

“Aw, eu só não sou bom em chegar nas pessoas. Você poderia perguntar pra Mikasa, ela me ajudou algumas vezes.”

“Com garotas da sua escola?” Ele pergunta, se virando para mim.

“Apenas essa única garota que eu gostava. Mas não funcionou.”

“Eu ia dizer que sinto pena, mas eu não sinto. Você tá comigo agora.” Ele sorri.

“Sim, eu tô contigo agora.” Eu sorrio de volta.

E nos beijamos de novo e de novo. E de novo. Sua mão em meu pescoço, minha mão levantando um pouco de sua camiseta... Para um iniciante, ele beijava muito bem. Eu, na verdade, o deixo controlar e apenas sigo seus movimentos, porque oh céus.

E eu nunca pensei que beijar um cara pudesse ser assim tão bom.

A tarde segue dessa forma. Ficamos debaixo daquela árvore até começar a escurecer, quando ele diz que deveria ir para casa antes que seu tio cortasse sua cabeça. Pego minha bicicleta de onde a deixei e pedalo lentamente até sua casa. Dessa vez, ele me abraça por trás na bicicleta, e isso me traz uma sensação de segurança que eu não havia experimentado ainda.

Paro em frente à sua casa e nós descemos de minha bicicleta. E então ficamos nos olhando, como se não quiséssemos nos despedir, mas tínhamos que fazer isso.

“Okay, tenho que ir.” Ele enfim diz.

“Okay.” Eu suspiro.

Antes que ele se virasse, eu pego seu braço e o puxo para um beijo. Ele corresponde, mas eu sinto que ele está um tanto nervoso.

“Desculpa.” Eu digo quando nos separamos. “Não resisti.”

“Tudo bem.” Ele ri. “Mas não devíamos fazer isso aqui, meu tio pode nos ver e isso vai ser um saco.”

“Okay, vou me comportar.” Eu olho em volta.

“Te vejo amanhã.” Ele suspira, antes de mordiscar seu lábio inferior.

“Sim, te vejo amanhã.”

Ele caminha lentamente até a porta de sua casa, e eu fico lá o observando estupidamente como eu sempre fazia. Nós acenamos um para o outro feito bobos antes que ele fechasse a porta, e eu tenho que juntar forças para ir embora. Pego minha bicicleta, dou uma última olhada para sua casa e finalmente vou embora, com ele tomando todos meus pensamentos.

Chego em casa, pego algo para comer, ignoro completamente meus pais – que tentam falar comigo sobre algo, mas minha mente nem registra o que era – e vou para o meu quarto. Tranco a porta e me atiro em minha cama, olhando para o teto.

Ai meu deus. Ai meu deus. Ai meu deus. Eu estava provavelmente cego e não notei o quanto eu tinha uma queda por ele também. Porque agora os sentimentos estão explodindo dentro de mim.

Queria ter notado isso antes. Ele gostava de mim desde o primeiro dia e eu nunca pensei nas coisas desse jeito. Eu sou tão burro.

Sem pensar, eu pego meu celular e decido ligar para ele, sem nenhum motivo em particular. Eu só queria escutar sua voz.

“Ei.” Eu digo, assim que ele atende.

“Ei.” Sua voz soa como veludo no celular.

Beijá-lo volta à minha mente, então eu mordo o lábio. “O que você tá fazendo?”

“Tô deitado na cama.” Ele fala baixinho, ainda em seu tom aveludado. “E você?”

“Também tô deitado na cama.” Eu rio.

“Então nós somos dois idiotas que tiveram que deitar pra pensar sobre hoje. Mas você quem foi o corajoso e ligou.”

“Você pensou em me ligar também?”

“Sim, mas eu não iria. Eu só ia ficar aqui pensando se essa é mesmo a vida real.”

“Você podia ter me ligado.” Eu me viro para o lado. “Ouvir sua voz me faz bem.”

“Ser grudento não é muito a minha coisa. Mas ouvir sua voz me faz bem também.”

Nós dois rimos de cada lado da ligação. Isso enche meu peito com um calor. “É possível que eu já sinta sua falta?”

“Pelo menos vamos nos ver amanhã o dia todo.”

“Sim.” Eu não podia esperar, especialmente porque a loja fica vazia na maior parte do tempo. “Tô ansioso.”

“Eu também.”

Ficamos cerca de meia hora falando sobre nada desse jeito, até que ele fica com sono e decidimos encerrar a ligação.

Eu não podia esperar pelo dia seguinte.

Notas finais
Awwn até semana que vem, chuchus!!