Notas iniciais
Ahhhh eu estava tão ansiosa pra começar a postar essa história :3 Comecei a rabiscá-la lá por julho, quando eu tive a ideia de escrever sobre duas pessoas da mesma idade que vivem realidades diferentes. E, bom, decidi que ambos estivessem naquela transição entre adolescência e fase adulta para poder falar um pouco daquele sentimento de "e agora?" que nos ronda nessa fase...
Mas o romance ainda é o foco principal da história uehueh :3
Okay, eu já escrevi demais, vou deixá-los ler em paz.
Espero que gostem!

“Levi!” Srta. Zoe grita ao entrarmos na loja de conveniência e nós ouvimos apenas um resmungo baixo em resposta. Então, ela se vira novamente para mim. “Deixa eu te apresentar pra alguém.”

Entro na Smile já me sentindo refrescado pelo ar condicionado, o clima é infernal durante o verão nessa cidade maldita. Sigo enquanto ela caminha até os caixas e eu encontro a fonte daquele resmungo um segundo atrás; um cara de mais ou menos a minha idade que também estava trabalhando ali. Ele rapidamente fecha o caderno de desenho onde rabiscava antes de levantar a cabeça para nos cumprimentar.

“Esse é o Eren. Ele vai trabalhar aqui durante o verão.” Srta. Zoe nos apresenta.

“Achei que você tava procurando um funcionário fixo.” Levi não olha para mim nem por um segundo. Nossa, que frio.

“Eu estou. Mas, já que não tenho ninguém ainda, vamos dar uma chance a esse rapaz.” Srta. Zoe responde impacientemente. “Ele é um universitário.”

“Oh.” E então Levi enfim olha para mim, removendo suavemente a franja que bloqueava seus olhos. “O que um universitário tá fazendo aqui?”

“Provavelmente precisando de uma graninha extra. Não tô certa?” Srta. Zoe volta sua atenção a mim, me dando uma cotovelada de leve.

“S-Sim, algo assim.” Eu gaguejo. Não me sentia a fim de explicar a coisa toda agora.

“Bom, então ensina pra ele como as coisas funcionam aqui, tá?” Ela vira para Levi.

“Ok.” Levi suspira.

Não passa nem um minuto e a Srta. Zoe vai embora, nos deixando sozinhos. Eu fico parado sem jeito em meu lugar, sem certeza do que deveria fazer, até que me dou conta que ainda estou segurando a camisa de uniforme que ela me deu e decido vesti-la.

“Onde é o banheiro?”

“Porta dos fundos, depois primeira porta à esquerda.” Levi aponta para uma porta atrás dos caixas.

Vou direto até lá e rapidamente visto minha camisa nova, que fica um tanto maior do que deveria. Quando volto, encontro Levi trazendo uma cadeira de rodinhas para o computador ao seu lado. Ele não parecia tão baixinho enquanto estava sentado.

“Você sabe ligar um computador?” Ele pergunta, me olhando. Engulo seco.

“Sim.”

“Ótimo, é tudo que você precisa.”

Ele caminha de volta para seu computador e se senta novamente, então eu lentamente sigo para o outro computador e me sento na cadeira.

“Tá vendo esse programa no desktop? Apenas abra ele e é isso.”

Faço como ele diz e um programa de registro se abre. Ele parecia simples à primeira vista, então eu não teria problemas com ele.

“Por que você tá aqui, afinal?” Levi pergunta repentinamente.

Eu ainda não sabia como colocar isso em palavras. Ainda não havia contado a ninguém, e a explicação que eu tinha em mente não parecia ser uma que as pessoas gostariam de escutar.

Talvez eu pudesse tentar com ele.

“Você já se sentiu tão desesperado para sair de uma situação que você começou a pular para qualquer oportunidade que aparecesse?”

Levi se vira para mim, me encarando com uma expressão indiferente. “Talvez.”

“Bom, uh, é tipo isso.” Encosto as costas em minha cadeira. “Só espero não cair no fim.”

“Você precisa pular corretamente.” Ele diz, pendendo a cabeça para o lado.

“E como sabemos que pulamos corretamente?”

“Acho que apenas esperamos e vemos no que dá.”

Ficamos em silêncio por alguns segundos. De certa forma eu sinto que ele entendeu o que quis dizer, mesmo que fosse confuso até para mim.

“Em que universidade você tá?” Ele volta sua atenção para seu computador, movendo o mouse para clicar em algumas coisas até abrir paciência.

“Uh, NYU.” Murmuro, envergonhado.

Ele me encara com um olhar assassino. “Tá brincando, você tá na Universidade de Nova York?”

“Sim... Classe de 2019, escola de medicina.” Sorrio sem jeito.

“Ok, agora eu tenho certeza que você pulou errado. Você bateu a cabeça no caminho pra cá? Por que um estudante de medicina decidiria trabalhar em uma loja de conveniência em uma cidade de merda?”

“Ei, eu cresci aqui... eu vim visitar os meus pais.”

“Hm. Isso explica um pouco.” Ele suspira. “Mas você ainda é estúpido. Por que você tá trabalhando aqui se poderia achar um emprego em Nova York? Qualquer emprego de verão lá é melhor que aqui.”

“Eu tô tentando algo novo, tá? Para de julgar.” Suspiro também.

“Algo novo? Estar na universidade não é novo o suficiente?”

“A universidade não é assim tão gloriosa quando você tá lá dentro. Especialmente quando você não tem certeza se fez a escolha certa.”

“Hm...” Ele concorda com a cabeça. “Então esse é seu problema, você não tá gostando de medicina?”

“Sim... foi a escolha dos meus pais, na verdade; os dois são médicos.”

“Oh, o conflito clássico. Acho que todo filho de família tradicional de classe média tem que passar por isso.” Ele murmura ironicamente.

“Uh, e quanto a você?”

“O que tem eu?” Ele me olha.

“Por que você tá aqui? Tá na cara que você odeia esse lugar.”

“Se eu tivesse escolha não estaria, acredite.”

“Bom, nós sempre temos uma escolha, eu acho.”

Ele ri ironicamente, como se eu tivesse dito algo bem idiota. “Não vamos falar sobre isso. Quantos anos você tem?”

“Dezenove. E você?”

“Vinte.”

“Não tem muita diferença. Por que nunca te vi por aí? Onde você fez o ensino médio?”

“Abbey High.” Ele responde, e eu pauso por alguns segundos.

Abbey High era a escola que todos comentavam por causa de seus constantes problemas com os alunos. Só os desajustados e viciados iam pra lá.

“Ah, eu estudei na Maximillian High.” Tento soar natural.

“Eu suspeitava.” Ele dá de ombros. “Um cara que tá fazendo medicina agora só poderia ter estudado lá.”

“Bom, eu devo dizer que um roqueiro como você só poderia ter ido pra Abbey High.” Eu brinco.

“Sim, aposto que meu lápis de olho ia dar um ataque cardíaco no diretor da Maximillian. Eles são mesmo todos religiosos lá?”

“A maioria é, mas não todo mundo. E todos da Abbey High são foras da lei?”

“Nossa, não.” Levi ri. “Tinha um pessoal meio louco lá que vendia drogas e andava armado, mas não era todo mundo.”

“Espero que você não tenha sido um deles.” Finjo estar com medo.

“Você não deveria me irritar.” Ele pisca.

Depois nós falamos sobre música e programas de televisão, evitando assuntos pessoais já que éramos obviamente de mundos totalmente diferentes e isso poderia causar algum mal entendido. Nós tínhamos muito em comum em todo o resto, então a conversa flui suavemente e eu mal vejo o tempo passar. Alguns clientes entram e saem, e Levi me ensina a registrar os produtos e alguns outros detalhes do caixa. Comemos comida congelada da própria loja no almoço e, em torno de cinco da tarde, o pessoal do turno da noite chega para trocar de lugar conosco.

“O tempo voou.” Comento, enquanto Levi e eu saímos da loja.

“É só porque foi seu primeiro dia, logo você vai achar isso um pesadelo interminável.”

“Ah, não é tão ruim assim.” Dou de ombros.

“Espera um mês, sua opinião vai mudar.” Ele suspira. “Bom, vou embora agora.”

“Ok, te vejo amanhã.”

Levi se vira e começa a descer a rua, na mesma direção que eu estava indo. Rapidamente pego minha bicicleta e o alcanço, o dando um susto.

“Quer uma carona?” Ofereço, pedalando lentamente ao seu lado.

Ele congela em seus passos e me olha intensamente. Quase me arrependo de ter oferecido, já que ele parece tão assustado, mas então ele enfim fala. “Não, obrigado. Não confio em bicicletas, de qualquer maneira.”

“Vamos lá, é seguro.” Dou de ombros e me viro para mostrar o bagageiro de metal atrás de meu banco. “Meus amigos costumavam ir na garupa quando estávamos no ensino médio.”

“Não sei.” Ele olha para a bicicleta, inseguro.

“Eu moro perto do Parque Oeste , pra onde você vai?”

“Uh...” Ele hesita um pouco. “Eu moro a uma quadra do Parque Oeste.”

“Então vem. É uma caminhada e tanto.”

Paro a bicicleta em seu caminho, insistindo, e ele suspira.

“Ok, então. Mas vai lento.”

Ajudo-o a subir e o instruo a se segurar em mim. Ele segura a parte de trás de minha camiseta e eu começo a pedalar, lentamente no começo e depois em minha velocidade normal.

“Você tá bem ai atrás?” Decido perguntar, já que ele estava muito quieto.

“Sim.” Ele responde rapidamente.

Só pra provocá-lo, faço uma curva fechada em uma rua, fazendo-o se agarrar em mim.

“Seu merda, eu mandei você ir lento!” Ele dá um tapa em minhas costas. “Nunca mais faça isso!”

Apenas rio disso. É engraçado ver alguém que parece tão durão mostrar um lado fraco como esse.

Mesmo com seus vários protestos dizendo para eu apenas deixá-lo no parque, eu dou um jeito e consigo levá-lo até sua casa. Nós nos despedimos rapidamente e ele entra, dando uma olhada para trás antes de fechar a porta.

De certa forma eu sinto que fiz o pulo correto.

Sigo para casa, perdido em pensamentos, e esqueço completamente o fato de que eu não deveria fazer nenhum barulho quando chegasse. Minha mãe rapidamente vem me encontrar na entrada, cruzando os braços. Engulo seco.

“Então, você realmente pegou o emprego.” Ela suspira, desapontada. Eu devia ter tirado o uniforme antes de voltar pra casa. “O que você planeja exatamente com isso?”

“É só uma experiência, mãe.” Dou de ombros e passo por ela para ir à cozinha.

“Bom, se você queria uma experiência, você poderia ter nos pedido para conseguirmos um estágio de verão no hospital pra você.” Ela me segue, parando na porta da cozinha enquanto eu procuro algo na geladeira.

“De jeito nenhum.” Suspiro, pegando uma garrafa de água. “Quero algo diferente.”

“Então, bom, você poderia ter ligado para seu tio e pedido um estágio em sua empresa de direito. Algo que o fizesse crescer, entende?”

“E por que você acha que trabalhar na loja não me faria crescer?”

Ela apenas suspira com minha pergunta, passando a mão na testa. Eu sabia que ela achava que eu estava pulando para trás.

“É melhor você explicar isso ao seu pai.” Ela conclui antes de ir embora.

Como eu sabia que conversar com meu pai seria o inferno, pego algumas coisas para comer do armário e subo para me trancar em meu quarto. Eu não estava com humor para conversar com ele nessa noite.

Notas finais
Semana que vem tem mais! :D No total serão 15 capítulos, já terminei ~quase~ todos eles hahah
Ah, vocês devem ter reparado que coloquei um link para a versão original na página inicial. Se vocês estiverem curtindo a leitura, eu ficaria muito feliz se mostrassem essa versão para seus amigos que não curtam ereri mas que gostem de yaoi também *-* é a mesma coisa praticamente :3
Enfim, muito obrigada por ler sz