Notas iniciais
Então, infelizmente, estou em semana de provas e só vou poder postar sexta. Então até lá, sem novos capítulos, ok?
Obrigado mais uma vez e boa leitura!
– Você está linda.
Foi o que ele disse enquanto soltava a fumaça do cigarro e a via colocar o batom vermelho pelo reflexo do espelho. Ela sorria para ele de forma pura e inocente, e isso o deixava completamente louco, quase insano, para tocá – la.
– Você não faz ideia do quanto eu estou feliz por você estar aqui. Comigo. – Ele a abraçou por trás – sucumbindo o desejo de tê – la em seus braços –, puxando – a para si e agarrando – a, enquanto cheirava a parte dorsal do pescoço dela.
Espasmos prazerosos a atingiram, fazendo com que uma sensação de frio latente a fizesse suspirar.
– Assim você vai desarrumar o meu vestido. – Ela gargalhou, deixando – se envolver pelo momento.
– Não se preocupe com isso – disse ele, aproximando a boca do ouvido dela, na forma de um sussurro sedutor. –, mais tarde você não vai precisar dele.
Ele a agarrou com mais força e logo em seguida a soltou, de forma levemente bruta, mas amorosa – como sempre fazia. Lá fora, a lua já reinava no céu, e quando um singelo silêncio se formou entre eles, foi possível ouvir o barulho do atrito entre os pneus dos carros e a estrada asfaltada.
– Jamais pensei que o vestido da minha mãe ficaria tão bem em você. — disse Tyler, quebrando o silêncio, ao se sentar na cama que estava bem atrás dele.
O vestido era ligeiramente longo e possuía um vermelho pálido, formado pelos anos e anos de uso num bordel. Ele possuía um decote ousado para os padrões da década de 70 e não tinha mangas. Cada curva do corpo escultural de Caroline estava perfeitamente marcada pelo vestido.
– Você parece uma prostituta. – Tyler a analisou minuciosamente, dando mais uma tragada no cigarro e logo em seguida soltando a fumaça. – Está linda como uma.
Ela sorriu timidamente, mordendo o lábio, e logo em seguida virou – se para ele.
– Não era esse o seu objetivo trazendo as roupas da sua mãe? – perguntou ela, enquanto se aproximava dele lentamente, o olhando nos olhos, que pareciam fascinados ao olhá – la.
Ele permaneceu ali, olhando para ela enquanto soltava a fumaça do cigarro e, por um breve instante, ela hesitou.
Oh Deus, qual o tamanho da gravidade da minha decisão?
De repente, ela passou a vagar num mundo superior a realidade. O mundo das memórias.
Aquela era uma habitual tarde de domingo no lago. Mamãe vestia um maiô florido, verde e rosa, e usava um chapéu azul que cobriam – lhe os curtos cabelos loiros. Ela estava tão bela. Papai estava com seu chapéu habitual de pesca, sem camisa e com uma bermuda vermelha, quase vinho, pescando no lago.
– Vem aqui, minha princesinha. – Ele disse após virar a cabeça para trás e mirar Caroline, que, sem hesitar, correu até ele, com suas finas perninhas brancas. – Vou te ensinar a pescar.
Aquela era uma tarde de 1964 e Caroline tinha apenas 5 anos.
O sol das quatro da tarde refletia e tornava o verde das árvores que haviam ao redor do lago ainda mais belo. Raios brilhantes de luz solar entravam pelos espaços das folhas das árvores que estavam ao lado deles.
– Você está louco, Bill?! – gritou mamãe, correndo para socorrê – la. – Ela é apenas uma criança.
Papai sorriu e abraçou Caroline carinhosamente.
– Ela é a minha criança. – respondeu ele, brincalhão, enquanto gargalhava. – Ela é forte o suficiente para matar leões.
Mamãe riu e se juntou a eles, abraçando – os, enquanto a luz do sol refletia no lago e deixava tudo brilhante feito ouro.
– Caroline? – perguntou Tyler ao acordá – la do delírio do passado.
Com um leve tremor, Caroline o fitou, um pouco assustada.
– Está tudo bem? – Ele a analisou com precaução – Você está pálida.
– S-sim... – respondeu ela, relutante.
Tyler assentiu e olhou através da janela de madeira aberta que estava bem ao lado dele.
– A lua já está no céu.
Ela abriu um sorriso fraco, sem felicidade.
– Tem certeza de que você está bem? – Tyler se levantou, chegando até ela em dois rápidos passos.
– Sim. – Ela respondeu, o olhando nos olhos, enquanto ele acariciava delicadamente o rosto dela. A mão dele estava quente devido ao cigarro que ele estava segurando e ela quase tossiu quando inspirou a fumaça. – Muito pelo contrário. Nunca me senti tão viva. Tão... feliz. – A voz dela fraquejou e, nesse instante, ela prometeu a si mesma que seria forte e que não deixaria a tristeza transparecer. Aquela havia sido a decisão dela. Não havia como voltar atrás.
E desistir naquela altura só faria com que Tyler se decepcionasse com ela.
– Olhe só para mim! – disse ela, forçando um sorriso, que pareceu bem sincero, enquanto mexia no cabelo. – Estou parecendo uma vadia louca.
Tyler gargalhou e ela se aproximou ainda mais dele.
– Eu te amo. – sussurrou ela, ao aproximar a boca do ouvido dele, e apoiar seus finos braços em volta daquele pescoço que cheirava a álcool.
Agarrando – a, ele a puxou para cama, fazendo com que ela se deitasse sobre ele, enquanto os quentes e apaixonados lábios deles não ousavam separar – se.
Carinhosamente, ele a segurou pela cintura com as duas mãos e alisou a pele dela por sobre o vestido até chegar nos quadris, apalpando – os com excitação.
De repente, Caroline interrompeu o beijo e afastou – se, sentando – se sobre ele por um instante.
– Isso fica para mais tarde. – Ela sorriu para ele, que, por sua vez, não tinha dúvidas de que aquele era o mais belo sorriso que já vira na vida. – A lua já está lá fora, Tyler. Temos que ver o mar.
Ele sorriu e levantou o tronco bruscamente, sentando – se e agarrando – a antes que ela caísse.
Ofegante, ele a beijou mais uma vez.
– Eu também te amo. – disse ele, a olhando nos olhos.
Imersa na paixão, Caroline não sabia bem o por quê, mas sentia que aquilo era verdade.
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