Vertigem Selvagem

6 A Surpresa inesperada.


Aquele andar sutil me fez lembrar do primeiro dia em que a vi. Aquela delicadeza, aquela leveza a cada salto desafiando a gravidade… cada um de seus movimentos mostrava uma dança envolvente. Ali, eu já estava fora da minha zona de conforto.

Cada nota musical, cada passo, revelava algo completamente diferente. Nunca imaginei aquela “menina sarcástica que sempre sorri” ali, demonstrando o oposto: intensidade, precisão, uma força quase selvagem.

Serena, focada, uma personalidade única. Ela me olhou do palco sem demonstrar qualquer reação, enquanto por dentro eu me revirava em emoções que não podia transparecer.

A música diminuía o ritmo lentamente. Ela girou uma última vez no centro do palco, os braços abrindo no ar com delicadeza, enquanto a luz desenhava sua silhueta.

O silêncio tomou conta do ambiente.

Seus joelhos cederam devagar.

Uma queda silenciosa.

Era possível sentir a dor daquela cena ecoando no espaço completamente tomado pelo silêncio.

Ela permaneceu imóvel, com o rosto voltado para o céu… até que as cortinas se fecharam.

O público explodiu em aplausos. Uma apresentação que faltava palavras para descrever. Ficou gravada na minha memória.

As cortinas se abriram novamente.

Beatriz agradeceu ao público e sorriu.

Fui saindo daquele local completamente transformado, com a sensação de que eu estava perdido — de um jeito diferente do habitual.

Naquela noite, fui para casa, abri uma garrafa de vinho e permaneci em silêncio.