Notas iniciais
Olá queridos leitores, espero que estejam gostando da história até agora. Gostaria bastante de saber o que acharam desses novos personagens introduzidos então se tiverem um tempinho para mandar suas impressões seria super legal. Espero conseguir voltar a postar de 15 em 15 dias como no começo. Obrigada e boa leitura. OBS.: Deu um problema com o chibi do novo personagem, então deixarei o endereço da imagem no final do capitulo enquanto não consigo colocá-la

Kalel acabara de receber uma visita não muito agradável e agora se perguntava por que Muriel, a capitã dos anjos de gelo, batera na porta de seu quarto. O nephilim, filho do anjo rebelde Lionel com uma humana, tinha a pele branca, cabelos escuros e espetados, um pequeno cavanhaque e os olhos caramelados. Além disso, podia-se ver uma cicatriz que atravessava a região de seu olho esquerdo e um corpo musculoso com asas robustas de tom um azul forte. Ele trajava roupas escuras com alguns detalhes amarelos, seus clássicos óculos espelhados que outros anjos achavam esquisito e carregava seu cajado dourado.

Então perguntou com sarcasmo:

— A que devo a honra de sua ilustre presença?

“Esse mestiço irritante.”, ela pensou. Mas decidiu que não o daria a satisfação de mostrar que estava irritada.

— Capitã. — corrigiu Muriel de forma cortante — É bom que você mostre o mínimo de respeito por alguém superior a você. Miguel me mandou vir lhe buscar, seu mestre deve ter lhe comunicado de sua tarefa. Porém, com comunicado ou sem comunicado, teremos que falar com ele. — Em seguida, ela virou-se e seguiu sem olhar para trás.

Kalel a seguiu de má vontade. Ela mencionara Miguel e seu Mestre, então deduziu que seria sensato ir. Enquanto os dois andavam, o nephilim tentava ao máximo esconder sua raiva, pois odiava profundamente ser ofendido, principalmente por aquela capitã. Ele lembrou quando ela o chamara de "mestiço" uma vez e, por um momento, pensou em falar tudo que tinha vontade de dizer para Muriel, mas desistiu, achando que não era a melhor hora para se fazer isso.

— Então, capitã... Precisa de minha ajuda? — perguntou em tom irônico — Para quê hein? Não é boa o suficiente? Precisa do Mestiço aqui, ó grande capitã? Isso é novidade. — Ele desdenhava.

— Eu não preciso de você para nada... Kalel. — aquele insolente... Muriel estava tendo pensamentos maravilhosos sobre como tirar aquele sorriso do rosto dele — Aparentemente seu mestre acha que é hora de lidar com vivos. Pessoalmente, acho que ele duvida que você tenha capacidade pra lidar com algo além da morte. — Ela continuou andando e não disse mais nada, pois não viera pra conversar.

— Garanto que meu mestre sabe o meu valor, não preciso que alguém como você me diga. E, se eu lido com a morte, o problema é meu e não seu. Você é o que mesmo? Capitã do gelo? — ele não parava de zombar, estava irritado.

— Sim. — respondeu ela — E, pelo que soube, seu elemento é água. Dependendo de sua afinidade pode acabar no meu quartel.

Muriel encerrou a conversa ali e não pretendia falar mais nada. Caminharam por outro corredor que terminava em duas enormes portas duplas pretas cravejadas com diversas pedras preciosas. Muriel reconheceu diamantes, esmeraldas, opalas e safiras. O espírito era o único elemento que não possuía uma pedra preciosa específica, pois havia coisas demais para representá-lo. Do lado de fora, próximo à porta, havia um anjo esperando, então Muriel apresentou-se e esperou que o anjo fosse anunciá-la. Mas o forte anjo de cabelos e olhos escuros apenas abriu a porta, dizendo com um bom humor:

— Azrael os estava esperando — e esperou que os dois entrassem para fechar as grandes portas novamente.

Então lá estava Azrael, calmo e gentil como sempre. Logo que os dois entraram, ele sorriu e os cumprimentou. Ele tinha cabelos negros com uma mecha branca na frente, seus olhos eram verdes e geralmente inexpressivos, e sua capa preta indicava que ele estava se preparando para ir buscar uma alma pessoalmente. O anjo da morte era muito belo, mas sua beleza não era como a dos outros seres celestiais, pois ela não irradiava nenhuma luz ou poder, muito menos gerava grandes admirações, apenas acalmava profundamente qualquer alma que tivesse a honra de lhe apreciar. Afinal, a Morte tinha que ser bela e levar a paz e a calmaria às almas que iria buscar, mas apenas as que mereciam iriam realmente conhecê-la e a sua mais bela paz em seu último suspiro.

— Vocês demoraram um pouco mais do que pensei. Algum problema? — ele disse aos dois, parecendo com vontade de rir.

— Mestre, nenhum problema. Ao não ser o fato dessa... da Muriel... Ela disse que precisávamos falar com o senhor. Por qual motivo, mestre?

— General Azrael! — disse Muriel com uma reverência — O senhor disse que eu deveria vir vê-lo antes de levar seu aprendiz para o campo.

— Sim. — disse ele mais sério — Vocês entrarão em uma missão muito importante e precisarão tomar cuidado.

Ele parou e os observou com atenção. Pôde sentir as vontades momentâneas dos espíritos daqueles dois: queriam tanto discutir, estavam cheios de energia e não paravam de se encarar em busca de voltar a implicarem um com outro. Então ele deixou uma pequena risada escapar, pois achava divertido ver essas duas almas cheias de vida. Porém ele sabia que isso poderia atrapalhá-los bastante, já que ambos eram muito cabeça dura, ele até havia tentado impedir Miguel de colocá-los juntos nisso. Então a Morte voltou a falar com sabedoria:

— Vocês dois precisam tomar cuidado não só com seus adversários, mas também com o próprio grupo. Podem até ter a ajuda divina, mas seus inimigos são do inferno e parecem bem unidos, o que é algo que vocês não estão nem um pouco. — Ele terminou com um olhar orientador e um pouco severo.

— Desculpe senhor — começou Muriel no tom mais respeitoso que tinha — Mas para mim é difícil trabalhar com amadores. Especialmente aqueles que são... Indisciplinados.

— Mestre, entendo o que quer dizer. Mas por que não me avisou com antecedência? Eu teria me preparado melhor, sem falar que fui totalmente pego de surpresa por essa... essa... pessoa tão angelical — Kalel rosnou a ultima palavra entre dentes e olhou para seu mestre a procura de uma resposta.

Azrael se endireitou, seu aprendiz estava passando dos limites. Se olhar se estreitou e suas asas aumentaram, querendo abrir e se impor ainda mais, mas ele se segurou, notando que não precisaria de tanto, pois Kalel já havia conhecido o poder do anjo da morte. O anjo falou com uma voz calma, mas exalando um poder e uma autoridade de forma que nenhum dos dois duvidaria que isso era uma bronca:

— Kalel, você pode ser um nephilim que ganhou respeito e uma posição no céu, mas Muriel agora será sua capitã e, pode acreditar, ela tem merecimento para tal posição. Você não pode se deixar levar pelo modo infantil que sua parte humana tem, já que agora está em uma missão de extrema importância e tem que assumir responsabilidade pelas suas falas e modo de agir perante sua capitã. — então se virou para Muriel — Anja, controle sua vontade de brigar, seus olhos são frios, mas seu espírito é selvagem. Porém, não será com seu companheiro que você terá que brigar. Apronte-se para sua próxima batalha, ela será dura.

Kalel ergueu os ombros e alinhou a postura. Não gostou de ser tratado daquele jeito, pelo menos não na frente da “Rainha gelada”, mas ele era seu mestre e sabia muito bem o que dizia. Então encarou Azrael e disse:

— Senhor, prometo que tentarei me controlar. Prometo seguir Muriel e estar sempre ao seu lado, sempre pronto para a luta. Peço apenas que ela também se controle e assim teremos uma convivência no mínimo pacifica. — então ele deixou a tensão se esvair — Não peço muito em troca. E então, querida Muriel?

Muriel se surpreendeu com o jeito que o nephilim a chamou, mas não deixou que isso transparecesse.

— É claro. — respondeu ela, assumindo seu tom naturalmente gelado — Agora acho que devemos ir. General Azrael, há mais alguma coisa?

Eles partiriam naquele instante, mas a Morte desejava falar mais uma coisa com a anja. Azrael também sentia os desejos mais profundos e desesperados das almas, e algo em Muriel realmente o incomodou. A capitã ainda ansiava por reencontrar Timóteo e conseguiu reconhecer a alma dele, mesmo que ela própria não soubesse disso. Não descobriu como aquela alma destinada ao céu lhe escapara de vista tão misteriosamente, mas sabia que a anja o veria morrer tão jovem e cheio de vida mais uma vez. O espírito da morte se entristeceu ao observar como as almas humanas que ganhavam o amor de anjos nunca conseguiam encontrar a felicidade plena durante suas vidas e a Morte sempre os levaria encontrando uma alma sem paz e deixando uma vida incompleta além de, muitas vezes, um anjo despedaçado. O anjo da morte realmente estava triste, pois logo levaria Timóteo assim como levou a mãe daquele nephilim. Entretanto, ele torcia para que Muriel fosse forte, pois apesar dela não reconhecer nem para si mesma, ela amava aquele humano e teria que superar a morte dele de uma forma difícil.

— Muriel, lembre-se que somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos. — ele deixou seu olhar doce levar paz à anja, o silêncio se fez por alguns segundos e ele continuou — A senhorita já sabe onde ir. Pode adiantar-se, darei todas as instruções da missão, eu mesmo, para Kalel. Ele ainda está um pouco perdido, mas logo partirá para encontrar-te. — continuou ele calmo.

Ela iria partir para uma grande batalha e precisava ir sozinha para aquilo. Kalel iria receber os detalhes de sua missão e depois reencontrar a capitã do gelo. Mas Azrael seria breve com o nephilim, já que devia ir buscar a alma daquele humano pessoalmente. Afinal... Estava se preparando para isso.

Chibi — Kalel

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Notas finais
Personagem do dia: Kalel Meu nome é Kalel Castelliano, sou o irmão mais velho de Laican por parte de mãe, um nephilim filho de uma mortal com um anjo rebelde chamado Lionel. Por causa de meu pai, fui aceito nos céus por Azrael, que se prontificou a me treinar e a lidar comigo; sou seu protegido. Meu elemento é a água, e carrego um bastão comigo, mas não se engane: ao meu comando ela se torna uma espada de prata, forjada em fogo celestial, que me foi dada pelo próprio Azrael. Posso não ser muito veloz, mas tenho agilidade em luta corporal, principalmente com as pernas. Na última guerra encontrei Laican e acabamos nos enfrentando, mas eu fugi (não me pergunte o motivo, tive minhas razões).Tenho meus segredos, e nunca demonstro o que sinto, por isso sou sarcástico e irônico, e às vezes passo um pouquinho dos limites. Mas acredite, se você tem minha confiança, vai me ter ao seu lado quando precisar, principalmente em combate, não importa o quanto você seja detestável (sim Muriel, essa foi pra você).