Versprechen
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Notas iniciais
Levi nunca havia se sentido tão perdido em toda sua vida, e olha que já havia passado por muitas fases complicadas e turbulentas, mas, com toda certeza, não estava preparado para o que havia descoberto e ver o garoto ali, observando o local com um olhar deslumbrado também não ajudava.
Bom, também não adiantava negar que tudo em Eren deixava Levi confuso, esse era um fato que, por mais que Levi quisesse, não podia ser negado, porém, convenhamos que grande parte da aceitação desse fato chegou apenas no dia em que beijou o garoto pela primeira vez, já o resto dessa aceitação veio no dia seguinte, no dia em que Armin colocou alguns pingos nos i’s.
Sentado ali naquele sofá e vítima dos olhares apreensivos do garoto, Levi não sabia o que fazer, não sabia como começar o assunto, porém lembrar do que aconteceu no dia daquele desfile estupido ajudou.
Flashback.
Como de costume, acordei com um sonho estranho e, bem, considerando o que aconteceu no dia anterior _ o “inicio” de meu relacionamento com o pirralho_, não me surpreendi com o teor do sonho e muito menos com a ereção entre as pernas.
Por breves segundos encarei o teto do quarto, ponderando minhas opções e diferente das outras vezes, decidi resolver aquilo com as próprias mãos, afinal, se ia mesmo tentar um relacionamento com o garoto, não tinha razão para me sentir culpado, porém, apesar de acreditar fielmente que não havia motivo para a culpa, não esperava que ela realmente não viesse. Quero dizer, me masturbar pensando em um adolescente de 16 devia deixar a pessoa com pelo menos um pouco de remorso, não é?
Depois do orgasmo fiquei olhando o nada por breves segundos, sem saber o que realmente pensar e depois desses breves segundos desisti de arranjar um sentido pra minha vida e me levantei, começando a fazer minhas tarefas diárias.
Já dentro do carro e com o ar-condicionado ligado comecei a pensar em toda esse situação, não que eu já não tivesse feito isso na noite anterior ou que eu estivesse confuso, pelo contrário, já havia me decidido e sabia que levaria essa ideia adiante, mas não conseguia não me questionar se essa era uma boa ideia, pior ainda, não conseguia parar de pensar nos sonhos e o que Eren tinha a ver com isso.
E não foi com surpresa que encontrei Hanji saltitando no estacionamento.
—Nem começa Hanji, hoje não estou com cabeça_ Só a ideia de ver aquele bando de gente imunda naquela maldita semana cultural já me dava nos nervos.
Ela, diferente do que eu imaginava, apenas sorriu e grudou no meu braço.
— Ei, Levi_ Dizia ela, radiante_ Você tem que ver o Eren, sério! Ele está tão bonito que da verdade de apertar.
Não foi difícil imagina-la atacando as bochechas do pobre garoto.
E enquanto fazíamos nosso caminho em direção a sala dos professores era possivel ver os alunos correndo de um lado para o outro e pessoas testando o palco. Estremeci de pavor.
É, hoje não ia ser um bom dia, tinha calafrios só de imaginar a sujeira que isso ia ficar depois que tudo acabasse, só as barraquinhas de comida já davam uma ideia.
—Não é legal?_ Questionou Hanji, interrompendo minha linha de pensamento em quanto olhava a movimentação_ Quero dizer, é a primeira vez que temos a oportunidade de ver a semana cultural dessa maneira, geralmente tudo o que conseguimos fazer são algumas palestras em que ninguém presta atenção.
—E o que aconteceu para conseguirem organizar o evento?_ Arqueei minhas sobrancelhas um tanto cético, considerando a situação da escola.
—Digamos que o nome de um renomado professor e cientista_ Fiz cara feia pra ela e ela riu_ e a mudança de comportamento de uma grande porcentagem de alunos por causa de um certo professor renomado e cientista.
—Primeiro, Hanji, eu sou físico, não cientista_ Ela rolou os olhos_ e segundo, duvido muito que meu nome tenha servido de algo.
—A gestão do Erwin também fez sua parte, é o segundo ano dele aqui e as coisas já melhoraram consideravelmente, porém esse ano a gente conseguiu isso foi mesmo por causa do seu nome, as pessoas estão curiosas para ver se...
—É verdade que você amansou o grande titã_ interrompeu, ou melhor, completou_ um garoto com um uniforme branco e engomado, provavelmente um aluno de outra escola que veio participar dos torneios.
Arqueei as sobrancelhas para o loiro pomposo na minha frente, recordando-me do mesmo de uma competição no colégio Rose, sendo o garoto aluno do colégio Sina _um colégio renomado e caro por sinal.
Franzi o cenho para o garoto.
— Grande titã?
Ele riu soprado e sorriu maldosamente.
—Ouvi boatos de que você amansou o grande Jaeger, é verdade?_ Os olhos verdes cintilaram maldosamente e eu arquei minhas sobrancelhas, uma veia saltando na minha testa.
—Lucas, se continuar a falar asneiras quem vai ser amansado é você_ Murmurou Eren, saindo repentinamente de uma sala de trás do garoto e carregando uma caixa com ajuda de Jean.
Lucas, o garoto loiro, pareceu encantado com o timing de Eren e rodou nos calcanhares, lançando um sorriso fajuto em direção aos dois garotos que carregavam as caixas pesadas.
—Acho que eu já tenho minha resposta_ Disse ele e depois voltou a olhar em minha direção, Hanji, que até então tinha se mantido calada mostrou a língua ao garoto e eu tratei de respirar fundo ao observar a cena, afinal, quantos anos Hanji achava que tinha?
O loiro apenas riu e se aproximou um pouco mais, me olhando de cima abaixo com um olhar observador.
—Você fez um bom trabalho_ Resmungou ele e então se virou de maneira dramática, se afastando em seguida com passos ágeis e eu jurava que se ele tivesse uma capa, a mesma teria se esvoaçado.
Minha boca se abriu, como se eu quisesse dizer alguma coisa e eu olhei para Hanji, para logo em seguida olhar para o garoto novamente e decidi que era melhor nem perguntar, por isso fechei minha boca novamente e decidi continuar meu caminho.
Antes, porém, não pude deixar de reparar em Eren se afastando com Jean. Apesar de estar ajudando o outro garoto, o mesmo estava com os cabelos penteados de maneira despojada e com roupas que muito provavelmente não eram dele_ uma camisa com as mangas dobradas até pouco abaixo do cotovelo e calças jeans de lavagem escura, justas e rasgadas no joelho; a calça provavelmente era dele, mas pelo pouco que eu sabia do garoo, tinha plena certeza que o mesmo não era fã de camisas sociais, ele gostava mesmo era de blusas e moletons. Como a maioria dos adolescentes.
Desviei meu olhar do garoto antes que minha mente começasse a tomar rumos que eu provavelmente não iria gostar.
Chegando na sala dos professores encontrei-os todos desesperados, Petra parecia querer entrar em colapso em quanto brandia que não sabia onde estava sua pasta com a lista de chamada e a professora de química parecia perdida ao observar a organização dos times esportivos. Vendo aquela cena me senti tentado a correr para meu escritório, porém, claro, Erwin tinha me proibido de usar o mesmo durante a semana cultural, por isso restou-me apenas a opção de me sentar em um canto e tomar meu café. E diferente do que eu imaginava, nos últimos minutos para os professores iniciarem suas atividades, todos se organizaram.
Suspirei observando os professores e me alegrei em ser o professor mais competente e por isso ganhar o direito de não me encarregar por nada nesse evento estupido.
Com uma certa preguiça me levantei e me dirigi a sala para a qual eu daria aula, que por sinal era a sala do Eren e em quanto atravessava o pátio consegui observar Erwin e outras duas pedagogas guiando as escolas que participariam do evento. Mesmo de longe consegui observar o garoto loiro pomposo, atrás dele vinham uma pequena trupe de garotos, todos altos e provavelmente o sonho de qualquer adolescente , porém o que tinham de “boa pinta” pareciam ter de mimados.
Decidi por fim ignora-los e seguir meu caminho.
Quando cheguei na sala de aula a mesma estava mais agitada que de costume, mas como era uma semana recreativa, sabia que não poderia fazer nada pra refrear esse comportamento; Eren, assim como o resto da turma, me cumprimentou e foi se sentar no seu lugar, porém não demostrou qualquer tipo de reação aos acontecimentos do dia anterior, o que era algo bom.
E outra coisa que eu não sabia dizer se era boa ou ruim, porém só um cego não via era que aquele garoto estava, me utilizando de uma frase mundana, um pedaço de mal caminho. Naquele primeiro momento na entrada eu havia o visto apenas de relance, ali, na minha frente e sem nenhum Lucas para atrapalhar, o garoto estava muito mais do que bem apresentável.
Claro que não olhei para ele mais do que a cordialidade permitia e tratei de me concentrar em meus afazeres e em organizar a sala. Não me escapou também o fato de que o olhar incisivo e insistente de Armin me tinha como alvo e eu tinha uma boa noção do porque, assim como já sabia de antemão que Armin teria matado a charada na hora em que Eren colocasse os pés dentro da própria casa, só o fato de ter melhorado de humor seria o suficiente para que Armin compreendesse tudo.
Outra coisa que martelava no fundo da minha cabeça era o fato de que Eren, coberto por maquiagem e com suas roupas novas parecia ter rejuvenescido uns 10 anos. A ideia de que a falta das olheiras e marcas de cansaço no seu rosto causassem tanta diferença me incomodava um pouco, era sinal de que um pirralho de 16 anos estava trabalhando muito e desnecessariamente.
Afastei esses pensamentos da minha cabeça com agilidade e logo deu a hora de levar minha turma para a quadra aonde aconteceria o inicio das atividades. É obvio que ao chegar na quadra tudo estava uma algazarra, porém, todas as salas que me tinham como professor aquietaram-se ao me ver e sentaram-se em seus lugares, mostrando que possuíam apreço a vida, porém foi interessante ver que eles não tinham tanto medo de mim como no inicio, já que muitos sorriram e deram “oi” quando eu passei.
Depois de já sentados nas arquibancadas _ que por sinal não me pareciam nem um pouco confiáveis_ ou no chão, foi a vez das outras escolas entrarem e se colocarem nos devidos lugares e então se iniciou o dia de atividades, no qual, claro, eu não prestei muita atenção.
As horas foram passando e não demorou muito para que Erwin anunciasse o início do desfile, o que obrigou todo mundo a se levantar e ir para o pátio onde haviam armado o palco. Porém, antes que eu me desse conta Hanji grudou no meu braço e me arrastou para trás do palco, para um tipo de “camarim” que haviam armado no local aonde mais 4 garotos, fora ao Eren se encontravam _não podemos desconsiderar o fato de que 3 deles estavam reclamando da falta de um ar-condicionado e pareciam olhar para o local com desgosto.
Eren ressonava com a cabeça apoiada em cima da mesa em sua frente, Armin, Mikasa e seus companheiros estavam todos envolta dele, conversando animadamente.
O olhar que Armin me lançou quando eu entrei era simples e direto: eu sei o que está acontecendo e estou te repreendendo por isso. É claro que eu ignorei o rapaz loiro assim que eu o vi e meus olhos recaíram em Eren inconscientemente.
—Hanji_ Comecei, olhando-a_ pra que você me trouxe aqui?
—Como assim? Para dar apoio ao Eren, é claro!
Arqueei as sobrancelha e então a peguei pela nuca, fazendo-a olhar o garoto.
—Dar apoio moral a essa criatura desacordada?
Ela não me respondeu e apenas riu, então simplesmente a soltei e dei meia volta, esperando que a escola não tivesse pegado fogo na minha ausência e, é claro que essa minha solidão não durou mais do que meros seguidos.
—Professor_ Chamou uma voz familiar e eu me virei na direção da voz, encontrando uma criatura loira de olhos azuis que precisava urgentemente de uma academia, ou logo passaria a ser confundido com uma garota.
—Sim, Armin?
—Posso conversar com o senhor em particular?
Me controlei para não suspirar e mantive minha face inexpressiva, eu já sabia que essa conversa iria chegar de qualquer maneira.
—Ok.
Acompanhei o garoto até o lado mais distante do desfile e entrei em uma sala qualquer, fechando a porta logo em seguida, ninguém estava por perto, mas era melhor prevenir do que remediar.
— Professor_ Começou ele, a voz estranhamente firme_ eu sei de tudo e não estou aqui para questionar sua escolha ou coisa parecida, mas acho que se você quer mesmo continuar com isso tem que saber de algumas coisas sobre Eren.
Arqueei minhas sobrancelhas mas não me pronunciei e ele logo tratou de continuar.
—Vou ser bem direto com o senhor_ Eu apenas continuei o encarando, esperando_ Eren foi abusado verbalmente, fisicamente e sexualmente quando criança.
Ok, confesso que por essa eu não esperava e eu já não tinha certeza se minha face estava inexpressiva como de costume. Meus olhos saíram de foco por breves segundos e eu jurei ter escutado a voz de Eren, mas logo voltei a olhar o loiro.
—Bem_ Seu rosto e voz já não eram mais confiantes e ele pareceu perdido por alguns segundos, já eu tentava digerir a situação_ eu não sei os detalhes do que aconteceu, só sei que o pai dele, Grisha, abusou durante um tempo dele, até a mãe do Eren descobrir e fugir e...
—E ele foi preso?_ Interrompi, uma pontada de raiva crescendo com rapidez dentro do meu peito.
—Não_ O tom de voz dele passou de inseguro para quase choroso_ o pai dele era um homem poderoso, quero dizer, ele é um homem poderoso, um médico renomado, sócio de empresas importantes ... Assim que Carla largou ele ela sabia que a carreira dela estava acabada, sabe? Não se vence esse tipo de pessoas nos tribunais_ Seus olhos que em algum momento da conversa haviam se perdido no chão voltaram a me encarar_ Sabe por que ele não gosta de médicos?
Eu não me mexi, apenas esperei a continuação.
—Quando Carla se viu sem emprego ele teve que começar a lutar, ele era bom_ ele soltou um riso fraco e soprado_ muito bom pra falar a verdade, mas se irritava muito fácil e se deixava levar pela raiva e... Teve essa luta, e, bem, ele perdeu.
“Foi deixado pra morrer em um beco qualquer e... e encontraram ele e levaram pra um hospital”
Um apito soou em minha cabeça, já imaginando onde essa história iria dar e o ódio crescia de forma constante dentro do meu peito.
—Bem_ A voz dele falhou mais uma vez e seu olhar se perdeu em algum lugar, parecia se lembrar de tempos passados_ ele nunca teve muita sorte_ seu olhar voltou para meu rosto mais uma vez_ e o pai dele trabalhava naquele hospital...Não só o pai dele, mas seus colegas que não pareciam ver problema em fazer o que ele fez.
Respirei fundo uma, duas, três vezes e então me obriguei a poiar a mim mesmo em uma carteira, respirando fundo mais uma vez. Algo borbulhava dentro de meu peito e meu estomago se revirava. Respirei fundo mais uma, duas, três vezes e então contei até dez . A raiva ainda zunia dentro de mim de uma maneira que eu nunca acreditei ser possível.
Me acalmei? Não, mas me controlei o suficiente para agradecer ao loiro pela informação e sai dali. Não pensei muito no que eu estava fazendo, apenas fui em direção ao pátio e me enfiei em um canto distante onde eu conseguia ver o concurso que já estava acabando.
Fim do flashback.
Observei o garoto sentado ali na minha frente, lembrando-me das vezes em que eu acreditava que ele tinha dor de mais nos olhos pra quem havia vivido tão pouco.
—Senhor?
Continuei sem dizer nada e apenas levei minha mão até seu rosto, fazendo um pequeno carinho _ eu não fazia lá o tipo carinhoso, mas acredito que a situação merecia uma exceção. Ele ficou surpreso inicialmente, mas logo pressionou seu rosto contra a palma da minha mão, mostrando que estava aproveitando.
Ele continuava me olhando e eu não sabia como ou se devia continuar aquela conversa.
Abri a boca pra começar a falar e depois fechei, sem saber como continuar.
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