Eu escrevo em versos

Versos que ninguém lê

Versos em que me derramo

Versos em que sou, apenas sou

Nos versos sou o que sou

Nem mais, nem menos.

Nem provando, nem escondendo.

Apenas versando

Meus versos, minhas palavras.

Meus sentimentos, minha alma por inteiro, ainda que estilhaçada.

Meu eu sendo essência, verdade.

Que me desculpe à gramática se eu não estiver em concordância

Que me perdoe à física se eu não for aplicável

Mas eu não preciso de razões

Por que tantos porquês?

Será que sem isso precisaríamos fazer sentido?

Nos versos sou de verdade

Nos versos sou triste

Nos versos sou plena

Nos versos sou só eu

Eu escrevo versos

E a cada verso me deixo um pouquinho

A vida pendendo na ponta da caneta

Lápis não, sem rascunhos.

Nos versos não preciso ser

Nos versos não cedo aos padrões

Nos versos não há fingimento

Ninguém precisa acreditar

Ninguém precisa ler

Eu não preciso ser entendida

Entendimento é ilusão

No verso posso me colocar em todos os papéis

O bom ou o mal

Quem liga?

Sou só, só em cada verso.

Só eu

Eu e os versos

Porque eu sou o que sou

E ninguém precisa saber o que sou

Ninguém pode julgar

Ninguém irá entender

Eu sei o que sou

Sou cada verso que escrevo

Cada palavra

Cada sincero sentimento

Cada eu.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!